domingo, 30 de maio de 2010

Domingo carioca, dia de pernas de fora...4

A frase de Ibrahim Sued cabe bem como título para essa foto:
  • um flagrante de Carmen Miranda ao lado da irmã Aurora Miranda, na praia de Copacabana, publicado na Revista Carioca, empresa A Noite, em 1936.


Detalhe para os maiôs de perninha, quase um macaquinho , hoje tão em moda e largamente usados pela cantora pop Beyoncé e largamente imitado pelas pops daqui e do mundo. O da Carmen ainda traz um belo detalhe: que drapeado!

sábado, 29 de maio de 2010

O Rio de sempre

No Rio de Janeiro as coisas têm que ter a cara da cidade. Diferente, ousada e pioneira.

Assim, a Lapa, o tradicional bairro boêmio, passou a ser varrida, durante a noite, por 24 garis , que trabalharão com um detalhe diferente no uniforme: um chapéu-panamá com uma fita e a inscrição "gari da Lapa".

Foto_ OGlobo/reprodução

Já a abertura do Fashion Rio surpreendeu. Foi lindamente negra. Pela primeira vez uma coleção foi apresentada com um elenco só de modelos negras. 100% . A coleção foi do estilista Walter Rodrigues. Elegantíssima. Aliás, o Rio, segundo análise da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), é o que mais agrega valor a seus produtos, e é líder em exportação de moda.

Enquanto isso, as escolas do Rio saem na frente. Serão obrigadas a substituir o giz de gesso por uma versão antialérgica. É o que determina a lei 5.730/10, publicada no Diário Oficial do Executivo. A adoção do giz antialérgico reduzirá a incidência de alergias em alunos e professores e ainda é vantajoso economicamente.
O giz antialérgico, no cálculo utilitário de custo benefício, leva enormes vantagens sobre o giz convencional, tanto no aspecto econômico como no da saúde dos professores e dos alunos. É mais macio e rende mais, não espalha pó, não suja as mãos e não quebram com facilidade. Ainda é plastificado e não é tóxico.

Aliás, giz me lembra outros tempos. Mas isso já é papo pra outro post.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Foto/ Reprodução

Inaugurado em 14 de julho de 1909 pelo presidente Nilo Peçanha, como um símbolo do desenvolvimento da então capital brasileira, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro reabre, hoje, após três anos de uma reforma, que devolve a ele toda a majestade de sua arquitetura.

Ao longo do tempo, muitas de suas histórias sobrenaturais se tornaram curiosidades. Misteriosas, intrigantes e até assustadoras. Música durante a madrugada, vultos andando nos corredores, garantem funcionários antigos do teatro.

Como em certa vez, durante um joguinho de cartas nos fundos do teatro, à noite, o teatro fechado, um belo violino começou a tocar . O funcionário parou o jogo e desceu para ver, mas não encontrou ninguém. O jogo continuou e menos de dois minutos depois, o violino voltou a tocar. Foram todos, então, até a sala da orquestra para ver quem estava lá, mas não havia ninguém. Arrepios, pois ficava a certeza que era um fantasma que estava tocando.

Numa outra vez, um funcionário que voltava de uma licença estava assistindo a um ensaio. Lá embaixo, no palco, viu um velho conhecido, o maestro David Machado. Aí comentou com um colega: "O David Machado ainda não parou com esse vício de vir ao palco?”. E o outro funcionário respondeu: “David Machado morreu faz pouco mais de um mês”.


domingo, 23 de maio de 2010

Recordações de Domingo

Achei uma imagem na internet e voltei lá atrás no tempo. No tempo da radiola.

Alguém aí já teve uma?

Como era elegante a lá de casa. E imponente. Ficava na sala. Moderna, tocava 45, 78 e também 33 rotações que começava a surgir. Uma Standard Electric, de válvula, com a marca da faísca e tudo. Com jeito de armário, tinha duas portas que se abriam com puxadores de metal - que viviam brilhantes e reluzentes - e, dentro, de um lado o rádio, e do outro o toca-discos.

Ah!...o toca-discos...era uma gaveta que se puxava e o braço da agulha era automático, deslizando ao se colocar o disco. Até se podia empilhá-los e eles iam caindo um a um. O máximo. Quanta tecnologia! Na parte de baixo, os alto-falantes encobertos com um acabamento de palhinha.

Essa imagem da radiola me trouxe a infância nos anos 50, no Rio de Janeiro...das músicas que nela ouvi. Do Rock Around The Clock com Bill Haley, das baladas românticas com o Luis Claudio... como é bom dançar um fox com alguém... ; das orquestras de Mantovanni , Glenn Muller , Benny Goodman, Harry James.

Foi na radiola que comecei a escolher meus sons. Os anos 60 chegavam com seus conjuntos e ela explodia junto.

... Hey, hey, we're the Monkees
And people say we monkey around.
But we're too busy singing
To put anybody down....

Nela ouvi a Bossa Nova que tanto me encantou os ouvidos, as guitarras românticos da Jovem Guarda, a modernidade dos Beatles, a música eufórica dos festivais, das gravações ao vivo com aplausos...

...Tinha um mirante em Amaralina
mirando o mar maravilhado...

Nela s
intonizava a rádio Tamoio, a Eldorado para ouvir Um Piano ao cair da Tarde, me embalar com o Cavern Club do Big Boy ou roer as unhas ouvindo o grande Jorge Cury narrando os jogos do meu Flamengo...

...passa de passagem...


A radiola embalou festinhas de aniversário - com , claro, o disquinho clássico do Parabéns pra Você - os almoços tradicionais em família ou as reuniões com amigos na adolescência. Sem falar nas histórias ouvidas dos disquinhos da Cinderela, Branca de Neve, O Gato de Botas e da Senhora Baratinha...

...quem quer casar com a senhora baratinha,
tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha... (que nojo!)

Um dia " nos disseram" que o negócio era ter um "som", que radiola já era e lá fui eu ter o meu e a radiola ficou encostada, sozinha no canto da sala. Meu pai gostava e não queria se desfazer. Mas o tempo passou, saimos para outro endereço e a renovação fez com que ela não seguisse a nova trajetória.

A foto ( abaixo) que vi, me trouxe saudade e levou a essa viagem na recordação.
Hoje, a localizei em um antiquário à bagatela de R$ 5000,00. Consertada para uso. Deu vontade de fazer estrepolia. Resgatar, restaurar, envernizar...

... e ouvir novamente o som de um outro tempo. Uma melodia de muita felicidade.



Saudades da radiola!

sábado, 22 de maio de 2010

RIO, o filme de animação

Saiu!

Agora já dá pra ver o primeiro trailer de Rio, nova animação do brasileiro Carlos Saldanha, que já assinou filmes de sucesso, como "A era do gelo 3".

O longa da Fox - que vai ser em 3D,claro! - conta a história de Blu, uma ararinha azul ameaçada de extinção que acredita ser o último exemplar de sua espécie. Quando ele descobre a existência de Jewel, uma ararinha fêmea, parte de sua gaiola em uma cidadezinha do estado de Minesota para o Rio de Janeiro, em busca de sua cara-metade.

No trailer, ao som de Mas que nada, de Sergio Mendes, vemos os protagonistas sobrevoando São Conrado e o Cristo Redentor, com direito a uma chegada , digamos, inusitada à praia de Ipanema.

A estreia está marcada para 2011.

Veja o trailer. O filme promete.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A Enseada de Botafogo...

...em três tempos.

1900, a enseada de Botafogo em cartão postal


1950, a enseada de Botafogo antes do aterro e da praia artificial

Nos dias atuais, a enseada de Botafogo
com as pistas do aterro e
a praia de Botafogo


quarta-feira, 19 de maio de 2010

Luis Carlos Vinhas

Ele faria hoje 70 anos.

Carioca, um dos grandes expoentes da Bossa Nova, formou com Tião Neto (baixo) e Edison Machado (bateria), um dos primeiros conjuntos instrumentais desse tempo: o antológico Bossa Três.

Sua rica trajetória como músico percorreu o Beco das Garrafas, participações em discos de grandes nomes como Elis Regina, Quarteto em Cy, Jorge Benjor e Maria Bethania, entre outros, viagens ao exterior para mostrar nossa MPB, como a para os Estados Unidos em 1962, em que se apresentou no programa de Ed Sullivan e gravou três LPs, lançados pela Audio Fidelity em Nova York.

Tinha forma única de tocar, de muitas notas, ligeiras, que passava um som forte, ímpar, que vale a pena recordar , sempre.

Outro dia, no post Domingo Azul, falei do meu primeiro compacto, d´Os Cariocas. O meu primeiro LP foi o do Bossa Três, num encontro com Pery Ribeiro. Inesquecível, maravilhoso!



Do LP Luis Carlos Vinhas e Emilio Santiago, ao Vivo, de 1974,


as faixas Muito a Vontade e Só Lágrimas ( reprodução /RIO EM DISCO)






VIVAS A LUIS CARLOS VINHAS!

domingo, 16 de maio de 2010

Sabores cariocas

Hoje recebi um e-mail a respeito de um dos primeiros RIO QUE MORA NO MAR, o sobre o tema SABORES CARIOCAS, de agosto de 2008, que ainda navega por aí, internet a fora, fase pré-blog, quando só era enviado a amigos, por e-mail.

Pra quem não conhece é um passeio por diversas delícias cariocas cuja maioria, infelizmente, só existe nas nossas lembranças e paladares.

O simpático e-mail me lembrava do slogan do Açúcar Pérola (citado e mostrado lá nos sabores cariocas): Saco azul, Cinta encarnada.

Então,fui buscar um cartazete da época - que acabei não inserindo no e-mail enviado- onde está o slogan, e, somar com a imagem já publicada.

Fica registrado.

Quem lembra?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Quem lembra ?

Com problemas de conexão, infelizmente o RIO QUE MORA NO MAR ficou fora do ar. Parcialmente resolvidos, estamos voltando e queremos perguntar...

...QUEM LEMBRA?

Pois é, favorito dos rapazes, esteve em alta nos anos 60.

De odor intenso, mas suave, foi um produto argentino na preferência carioca. Homens e rapazes cariocas o usaram muito.

Suas unidades chegavam ao Brasil e eram disputadas.

A empresa foi criada em Mônaco, por George Wurz, ex-piloto do avião de bombardeio - que deu nome ao produto - na Segunda Guerra Mundial. Ele se associou ao químico Eugène Frezzati e juntos iniciaram a produção.

QUEM LEMBRA?

É o LANCASTER, pra recordar.


sexta-feira, 7 de maio de 2010

Crônicas cariocas de todos os tempos_5

Segundo o crítico Afrânio Coutinho, a marca registrada dos textos de Rubem Braga é a "crônica poética, na qual alia um estilo próprio a um intenso lirismo, provocado pelos acontecimentos cotidianos, pelas paisagens, pelos estados de alma, pelas pessoas, pela natureza."
Manuel Bandeira brincava, dizendo : “Quando Rubem Braga tem assunto é bom. Quando não tem, é ótimo.” E ele encontrou inúmeros saborosos, dentre eles um que nos fala de um maio distante e resultou em sensível crônica, que reproduzimos, abaixo.

Mais uma crônica para ler ou reler, com a paisagem carioca como pano de fundo.

FLOR DE MAIO

Entre tantas notícias do jornal - o crime do Sacopã, o disco voador em Bagé, a nova droga antituberculosa, o andaime que caiu, o homem que matou outro com machado e com foice, o possível aumento do pão, a angústia dos Barnabés - há uma pequenina nota de três linhas, que nem todos os jornais publicaram.

Não vem do gabinete do prefeito para explicar a falta d’água, nem do Ministério da Guerra para insinuar que o país está em paz. Não conta incidentes de fronteira nem desastre de avião. É assinada pelo senhor diretor do Jardim Botânico, e nos informa gravemente que a partir do dia 27 vale a pena visitar o Jardim, porque a planta chamada “flor de maio” está, efetivamente, em flor.

Meu primeiro movimento, ao ler esse delicado convite, foi deixar a mesa da redação e me dirigir ao Jardim Botânico, contemplar a flor e cumprimentar a administração do horto pelo feliz evento. Mas havia ainda muita coisa para ler e escrever, telefonemas a dar, providências a tomar.

Agora, já desce a noite, e as plantas em flor devem ser vistas pela manhã ou à tarde,quando há sol - ou mesmo quando a chuva as despenca e elas soluçam no vento, e choram gotas e flores no chão.Suspiro e digo comigo mesmo - que amanhã acordarei cedo e irei. Digo, mas não acredito, ou pelo menos desconfio que esse impulso que tive ao ler a notícia ficará no que foi - um impulso de fazer uma coisa boa e simples, que se perde no meio da pressa e da inquietação dos minutos que voam.

Qualquer uma destas tardes é possível que me dê vontade real, imperiosa, de ir ao Jardim Botânico, mas então será tarde, não haverá mais “flor de maio”, e então pensarei que é preciso esperar a vinda de outro outono, e no outro outono posso estar em outra cidade em que não haja outono em maio,e sem outono em maio não sei se em alguma cidade haverá essa flor de maio.

No fundo, a minha secreta esperança é de que estas linhas sejam lidas por alguém - uma pessoa melhor do que eu, alguma criatura correta e simples que tire desta crônica a sua única substância, a informação precisa e preciosa: do dia 27 em diante as “flores de maio” do Jardim Botânico estão gloriosamente em flor. E que utilize essa informação saindo de casa e indo diretamente ao Jardim Botânico ver a “flor de maio”- talvez com a namorada, talvez só.Ir só, no fim da tarde, ver a “flor de maio”; aproveitar a única notícia boa de um dia inteiro de jornal, fazer a coisa mais bela e emocionante de um dia inteiro da cidade imensa.

Se entre vós houver essa criatura, e ela souber por mim a notícia, e for, então eu vos direi que nem tudo está perdido, e que vale a pena viver entre tantos Sacopãs de paixões desgraçadas e tantas COFAPs de preços irritantes, que a humanidade possivelmente ainda poderá ser salva, e que às vezes ainda vale a pena escrever uma crônica."
( livro A Borboleta Amarela, 1955)

terça-feira, 4 de maio de 2010

Cinelândia...

... em 1911.
Ao fundo, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro,
à esquerda o antigo Convento da Ajuda,
que foi construído a partir de 1745,
nas terras do Campo da Ajuda,
cujo nome vem da capela que ali existiu,
dedicada a N. S. da Ajuda,
edificação do final do século XVI.
Os jardins do convento se estendiam
até a Rua dos Barbonos, hoje Rua Evaristo da Veiga.

Quanta diferença!

domingo, 2 de maio de 2010

O Domingo Azul dos Cariocas

O domingo hoje está lindo. Uma luz de fazer bem. Um céu azul radiante.


Isso me lembrou uma canção cantada pelo conjunto Os Cariocas, a linda Domingo Azul, do genial Billy Blanco. Ela está no primeiro compacto que comprei na minha vida, em 1964, que , claro, tenho até hoje.



Quero repartir aqui, pois vale ouvir SEMPRE!



Se quiser cantar junto...
Domingo azul, domingo azul
Domingo azul, domingo azul
No Iate Clube é que começa a vida
Qualquer semblante alegria estampa
Velas ao vento saiu o "Atrevida"
Já vai na barra bem distante a "Sampa"
É o sol, é o céu, é o mar
Na manhã cheia de azul
É Zezé deslizando no esqui
Por aqui, por ali
A marola já vem
Cresceu, vai saltar
Muito bom, muito bem, saltou
Quanta coisa linda no Samanguaiá
Como é bom fazer domingo azul por lá
A lua chega manda o sol embora
O horizonte fica multicor
Domingo azul é bom mas já é hora
De se voltar para pensar no amor
No Iate jantar ou no bar, violão
Mais um vodca-martini
Temperando a canção
Madrugada se fez
Só me resta esperar
Domingo voltar
Ser feliz outra vez assim

sábado, 1 de maio de 2010

Miss Guanabara...outras curiosidades

As Veras Lúcias entravam pra ganhar a coroa do Rio.

A primeira foi VERA LÚCIA SABA em 1962. Morena, descendente de libaneses.


Depois veio VERA LÚCIA FERREIRA MAIA, em 1963.



Filha da cantora Nora Ney, trabalhava como instrumentadora do cirurgião plástico Marcos Spillman e era musa das areias do Castelinho, em Ipanema. Ao concorrer ao Miss Brasil - ano do primeiro desfile em que as misses desfilaram em trajes típicos - desfilou com Calçadas do Rio, inspirado nos desenhos dos mosaicos das calçadas de Copacabana, em branco e preto, bordado em pedrarias, uma criação de do grande Alceu Penna , das Garotas do Alceu, da revista O Cruzeiro.


A terceira, VERA LÚCIA COUTO DOS SANTOS. Tinha apenas 19 anos e representou o Clube Renascença.


  • O desfile das representantes do Clube Renascença era sempre um capítulo à parte, representado por lindas mulatas - e aplaudidíssimas - na passarela do Maracanãzinho. Dirce Machado, em 1960, foi a primeira, quarta colocada no concurso, e foi a sensação da noite do primeiro concurso de Miss Guanabara. A Revista Manchete, de 18 de junho de 1960, a descreveu como

    "Mulata elegante e bonita, ela empolgou o público, que a aplaudiu todo o tempo em que esteve na passarela. Dirce é recepcionista num cabeleireiro da Tijuca, mora em Catumbi e foi apresentada pelo Renascença Clube, no Méier. É carioca, mede 1,65m, pesa 58 quilos e veste manequim 44.

    Outras representantes do clube que causaram sensação e injustiçadas no resultado foram Iara Santos, em 1961, quinto lugar, e, Aizita Nascimento, em 1963, sexta colocada.

O desfile elegante e cheio de bossa de Vera Lucia Couto- criou uma voltinha na passarela que conquistou o Maracanãzinho - fez dela a primeira mulata a ganhar o Miss Guanabara, concurso, infelizmente, dominado por louras e moças de cabelo castanho ou preto, mas de peles muito claras.

Vera ganhou, também, homenagem que virou sucesso : uma marchinha lançada no Carnaval do ano seguinte, de 1965, "Mulata Bossa Nova", de autoria de João Roberto Kelly, que disse

" ...no Maracanãzinho vi uma mulata quase negra evoluindo maravilhosamente com um “pisar” de passarela muito elegante, muito fora inclusive dos padrões que todas as mulatas encaravam qualquer movimento de passarela. Eu olhei e disse: que moça diferente, merece ser fotografada numa música”.



O acontecimento também foi destaque em uma crônica de Rachel de Queiroz na revista O Cruzeiro, de 17 de Outubro de 1964


"Vejam o tremendo impacto publicitário que representou a eleição da linda Miss Guanabara. Numa eleição onde as brancas concorriam em maioria, fizemos Miss Brasil, Vera Lúcia Couto, mulata daquela estirpe que, com grande propriedade, se chama imperial. Mulata imperial, palmeira imperial, modinha imperial - qualquer coisa que é ao mesmo tempo belo, tradicional, emocionante e majestoso.E o êxito de Vera Lúcia lá fora, a simpatia geral com que a receberam, representa não só o sucesso pessoal da beleza da môça, como também o que ela significa para uma humanidade exausta de ódios, de preconceitos mesquinhos - a alegria da boa mistura, a liberdade de cada um nascer da côr que queira e, sobretudo, a novidade daquela presença de beleza fora de padrões e tabus. Fazendo de Vera Lúcia a nossa miss nacional, na verdade promovemos a legitimação da mulata perante o Mundo."

  • Coincidência: anos mais tarde, anos 80, cruzei com Vera Lúcia Couto trabalhando na mesma empresa que eu.
Fechando a saga das VERAS , a normalista de 18 anos e olhos negros VERA LÚCIA DE CASTRO, representando o Motel Clube, foi a quarta e última VERA LÚCIA a se eleger Miss Guanabara, em 1967.