sexta-feira, 30 de julho de 2010

O carioca Lelé

A cidade do Rio de Janeiro tem um conjunto arquitetônico dos mais belos do país, mas há muito não ganhava um exemplar digno dos tempos atuais como ocorreu nas grandes capitais do mundo. Desde o ano passado, os belos traços do projeto do hospital da Rede Sarah dão o tom contemporâneo na arquitetura da cidade.

O projeto é do arquiteto carioca João da Gama Filgueiras Lima, mais conhecido como Lelé.


Lelé foi fundamental para a evolução da arquitetura nos anos 60, quando introduziu e desenvolveu a racionalização da construção com pré-moldados. Já em 1957, recém-formado, partiu para o Planalto Central, onde, juntamente com Oscar Niemeyer e Lucio Costa, trabalhou na realização do sonho da nova capital.

A obra do arquiteto carioca João da Gama Filgueiras Lima vai muito além de planejar edifícios. Tem características marcantes, somando simplicidade e eficiência, atenção ao meio ambiente e uma preocupação com o alcance social.

São de Lelé vários projetos importantes pelas principais capitais do Brasil. Lúcio Costa o definia como “técnico e artista” e disse certa vez que Lelé é o arquiteto que ele gostaria de ter sido.

Agora, de novo, seu traço genial premia o Rio.

A concepção arquitetônica do hospital carioca da rede Sarah integra princípios de organização do trabalho aos diferentes programas de reabilitação através dos amplos espaços dos com seus solários e jardins. Os blocos horizontais se conectam longitudinalmente, enquanto a interface com o exterior ocorre através do suave aclive e de grandes áreas ajardinadas. A cobertura retrátil do auditório tem forma esférica e é composta por gomos de alumínio e a posição excêntrica da cúpula do auditório permite a iluminação natural do palco. A passarela de acesso ao solário é ambientada pelo generoso espelho d’água, que ladeia o bloco de internações, resguardando o hospital de possíveis inundações resultantes da variação do nível da lagoa de Jacarepaguá. Lindas e objetivas soluções.


Algumas fotos do belo Hospital Sarah do Rio de Janeiro









O curioso apelido Lelé surgiu quando gostava de jogar futebol como meia-direita, a mesma posição de um jogador vascaíno, da década de 40, o Orlando Lelé. Atualmente, o arquiteto vive em Salvador e é coordenador técnico do Centro de Tecnologia da rede Sarah.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Já teve um Cabral?

Tantas moedas já passaram pelas nossas mãos e carteiras, ao longo do tempo.


De quantas você lembra?
O que elas compraram e não compram mais.
Sou do tempo do CRUZEIRO, do Tamandaré.



Ser criança e ganhar uma nota de CR$ 5,00 - a do Barão do Rio Branco - era uma fortuna.

Depois de crescida, o sonho de consumo passou a ser o Cabral. Nossa! Tudo isso do tempo que éramos Estados Unidos, do Brasil, claro.




Quer recordar? Clique na imagem abaixo e aproveite para ver ,em tamanho grande, cada uma das cédulas já usadas e seus belos designs.



Imagens: site Banco Central

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Há 50 anos...

...ontem e ainda hoje, infelizmente
  • "DIZEM que a memória do povo é fraca, mas o caso do assassino da menina Tânia Maria, pelo Frankenstein de saias, Neide Maia Lopes, duvido que o povo esqueça. O local onde a garotinha foi morta, um terreno baldio junto ao matadouro da Penha (Rio de Janeiro), está convertido num pequeno santuário, onde, diàriamente, milhares de pessoas fazem preces, levam flôres, acendem velas e pedem graças. O pequeno pedaço de chão onde a criança morreu queimada, após levar tiro na cabeça, foi cercado por barras de ferro, imitando um pequeno berço, por um popular anônimo. No dia seguinte à morte de Tânia, já se erguia no local uma cruz branca, e, desde então, a peregrinação não cessou. Começa de manhã e vai até altas horas da noite. Senhoras, moradoras nas imediações, contam que cêrca de 1.000 pessoas por dia, muitas vindas de longe ou em trânsito pelas rodovias Rio-São Paulo e Rio-Petrópolis, vão até o local onde morreu a “Flor do Campo”. Êste é o nome que poetas desconhecidos deram à pobre menina. À cruz estão pregados poemas de louvor e glorificação à pequena vítima. Êsses poemas falam: “Ó Santa menina - O mundo não era teu - Tu fôste predestinada - Para a glória do céu”. Também foi pregado à cruzinha branca o “Hino à Flor do Campo”, com estrofes assim: “Ó menina imaculada - Ó meu anjo salvador - Aqui, aqui te louvamos - Com a nossa imensa dor”. Continua: “Vamos todos para o campo - Lá morreu a nossa flor - Aqui, aqui te ofertamos - Todo nosso grande amor”. E o Hino termina: “Êste campo consagrado - É da filha do Senhor - Aqui, aqui nós rezamos - Ó meu anjo salvador”. Em volta do pequeno carneiro improvisado, oram, ajoelhadas, mulheres idosas, mocinhas e crianças, como se estivessem ante um altar. Velhas mães, não contendo sua indignação, dizem que a Polícia deveria deixar a mulher-fera nas mãos do povo. Quando a Polícia divulgou que iria fazer a reconstituição do crime, dezenas de mulheres ficaram de prontidão no local, esperando a chegada de Neide para liquidá-la. E muitas têm esperança de poderem ainda fazer justiça com as próprias mãos se a reconstituição vier a ser realizada. As próprias detentas de Penitenciária de Mulheres de Bangu, revoltadas, ameaçaram trucidar Neide. Elas que cometeram crimes de tôda espécie, acham que a perversidade da assassina de Tânia foi além dos limites. Enquanto a revolta da opinião pública não arrefece, volta-se a discutir a questão da pena de morte. Nesta reportagem, os leitores terão o ponto de vista de várias pessoas autorizadas no assunto. Da soma dessas opiniões, conclui-se uma coisa; com pena de morte ou prisão perpétua, ou sem uma coisa ou outra, o que urge é reformar o Código Penal, para que, através de castigos mais rigorosos, mais intimidativos, ponha-se um paradeiro à seqüência de crimes tão bárbaros...
    ...No Brasil, pràticamente, a pena, nos delitos mais graves, não passa de 15 anos, graças à facilidade legal do livramento condicional, que reduz à metade as penas detentivas ou a 2 terços na reincidência. É claro que essa fraqueza influi, decisivamente, para a exacerbação da criminalidade no País, onde os mais temíveis delinqüentes voltam sempre à circulação para de novo delinqüir, como é notório entre nós. Os piores homicidas, na verdade, são condenados a 12, 20, 24 anos e raramente a 30. Graças ao livramento condicional, voltam ao convívio social após cumprirem a metade ou 2 terços dessas penas... Não é de admirar, pois, que haja mais homicídios no Rio de Janeiro que em tôda a Inglaterra. É que, naquele país, o criminoso não escapa: ou é condenado à morte ou à prisão perpétua; se louco, é internado por tôda a vida. A enérgica repressão penal é ainda o meio mais eficaz para a defesa social contra o crime..."
ARLINDO SILVA , Revista O CRUZEIRO, julho de 1960 ( mantida a grafia original)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Roberto Ribeiro

Hoje, 20 de julho de 2010, Roberto Ribeiro ( nascido Dermeval Miranda Maciel) faria 70 anos de vida e 50 anos de carreira.

Com sua voz ímpar no timbre, foi um grande intérprete na história do samba e da MPB.

Destaque para as interpretações de "Acreditar", "Estrela de Madureira", "Todo Menino É um Rei", "Malandros Maneiros", "Fala Brasil", "Amor de Verdade", sucessos inesquecíveis.

À frente da Império Serrano, levou a escola ao antológico campeonato, em 1972, com Alô, Alô, Taí Carmem Miranda , quando pela primeira vez cantou um samba enredo com fraseado improvisado, chamadas e paradinhas, copiadas até hoje.

Passou a sofrer de um seríssimo problema de vista e, em janeiro de 1996, faleceu em virtude de um atropelamento no bairro de Jacarepaguá.


Nossa homenagem!

Ouça aqui a linda ESTRELA DE MADUREIRA, e faça o download grátis.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Vai uma dança aí?

Em tempos de danças fazendo sucesso na TV, vale lembrar que o carioca sempre gostou de dançar e nos seus salões ela esteve presente, dando a nota da alegria carioca.
Foi num mês de julho, há mais de 160 anos - no dia 3 de julho de 1845 - que uma dança estrangeira foi apresentada à cidade e virou febre.
A dança foi a POLCA, que pela primeira vez, no Teatro São Pedro, no Rio de Janeiro, aportou vinda da Boêmia, à época parte do império austro-húngaro.

Depois dessa apresentação, a polca se transformou em dança de salão. Invadiu teatros e ruas, tornando-se popular pelo seu aspecto brejeiro e alegre, através dos grupos de choro, grupos carnavalescos e compositores importantes que aderiram ao ritmo, como Calado, Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazareth dentre outros.


Aliás, a primeira música composta por Ernesto Nazareth foi uma polca, "Você Bem Sabe", editada pela Casa Arthur Napoleão. Certa vez, participando de uma roda de música, tão em voga no seu tempo, respondeu à polca do chorão flautista Viriato Figueira da Silva, com outra polca: "Não Caio Noutra".

Quer ouvir ou fazer download da deliciosa polca Ameno Resedá,? É só clicar no título da música.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Trinta anos sem o poetinha

Pra recordar Vinicius de Moraes...



Em outros posts sobre Vinicius, aqui do blog, citamos parte desse lindo texto, que agora segue, abaixo, completo.
Vale a pena (re)ler...sempre!


Recado de Primavera

Rubem Braga
(Setembro, 1980)



"Meu caro Vinicius de Moraes: escrevo-lhe aqui de Ipanema para lhe dar uma notícia grave: a Primavera chegou. Você partiu antes. É a primeira Primavera, de 1913 para cá, sem a sua participação. Seu nome virou placa de rua; e nessa rua, que tem seu nome na placa, vi ontem três garotas de Ipanema que usavam minissaias. Parece que a moda voltou nesta Primavera — acho que você aprovaria.

O mar anda virado; houve uma Lestada muito forte, depois veio um Sudoeste com chuva e frio. E daqui de minha casa vejo uma vaga de espuma galgar o costão sul da Ilha das Palmas. São violências primaveris. O sinal mais humilde da chegada da Primavera vi aqui junto de minha varanda. Um tico-tico com uma folhinha seca de capim no bico. Ele está fazendo ninho numa touceira de samambaia, debaixo da pitangueira. Pouco depois vi que se aproximava, muito matreiro, um pássaro-preto, desses que chamam de chopim. Não trazia nada no bico; vinha apenas fiscalizar, saber se o outro já havia arrumado o ninho para ele pôr seus ovos. Isto é uma história tão antiga que parece que só podia acontecer lá no fundo da roça, talvez no tempo do Império. Pois está acontecendo aqui em Ipanema, em minha casa, poeta. Acontecendo como a Primavera.

Estive em Blumenau, onde há moitas de azaléias e manacás em flor; e em cada mocinha loira, uma esperança de Vera Fischer. Agora vou ao Maranhão, reino de Ferreira Gullar, cuja poesia você tanto amava, e que fez 50 anos.

O tempo vai passando, poeta. Chega a Primavera nesta Ipanema, toda cheia de sua música e de seus versos. Eu ainda vou ficando um pouco por aqui — a vigiar, em seu nome, as ondas, os tico-ticos e as moças em flor. Adeus. "


*********
E mais...Vinicius no show que virou LP, com Tom Jobim, Toquinho e Miucha



segunda-feira, 12 de julho de 2010

Passarada carioca

Com 511 espécies, o Rio é um dos lugares mais privilegiados do Brasil para observar aves, algumas delas muito raras.


O Rio de Janeiro é possivelmente a cidade do mundo com o maior número de espécies de aves. São 511. Número nada desprezível se levarmos em conta toda a quantidade de gente, poluição e asfalto - fatores pouco condizentes com biodiversidade. Garças na Lagoa, gaivotas e fragatas nas praias e bem-te-vis por todo lado já se incorporaram à paisagem. Mas saíras-sete-cores - para muitos o mais belo pássaro do Brasil -, tucanos e sabiás também vivem por aqui.

O segredo de tamanha diversidade é a combinação de habitats variados: florestas, restingas, praias, montanhas, ilhas, manguezais e até mesmo áreas urbanas. Pois, das 511 espécies, 40 são consideradas urbanas. O que vale dizer que podem ser encontradas em ruas e praças mais movimentadas. Na verdade, destacam os especialistas e apaixonados por aves em geral, observar essa passarada é um grande programa na cidade.

Algumas espécies, como os maçaricos, são migratórias, moradoras temporárias. Outras, como fregatas e biguás, buscam refúgios nas ilhas. No Jardim Botânico, há tucanos e sabiás-laranjeira. Saíras são um presente para os que passeiam pelas florestas da Tijuca e do maciço da Pedra Branca.



Especialistas destacam que o estado do Rio como um todo é privilegiado. Apesar do pequeno tamanho, o estado tem 730 das mais de 1.825 espécies registradas no Brasil (número da última atualização, de agosto de 2009) pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. O país é o segundo em avifauna, atrás apenas da Colômbia.

Certas aves fizeram daqui sua única casa. E, por isso, a questão da preservação é crítica. A destruição de habitats e a caça predatória são um desafio à sobrevivência de muitas espécies. O estado do Rio concentra o maior número de espécies ameaçadas do continente sul-americano: 82. Em floresta urbana, pássaros multicoloridos
São muitos os lugares na cidade para observar - ou ouvir - aves em grande quantidade. Mas, com suas matas e montanhas, a Floresta da Tijuca é a favorita dos pesquisadores e observadores de aves em geral.
O município do Rio de Janeiro é privilegiado por ter um parque nacional, o da Floresta da Tijuca, no coração da cidade . Muitas aves que vivem na floresta fazem incursões no Jardim Botânico, podendo esticar o passeio até a Lagoa Rodrigo de Freitas. Todos esses ambientes se compõem.
Além desses lugares, dois refúgios: o Parque do Cantagalo (relativamente pouco frequentado, apesar da bela vista da Lagoa) e o Forte do Leme, onde os visitantes podem explorar uma pequena floresta à beira-mar.
Cada local tem seus macetes para a observação. Em áreas abertas, como a Lagoa, o ideal é caminhar pela orla e ficar atento: por lá aparecem biguás, frangos d'água, garças (várias espécies, inclusive a maior de todas, a moura), martins-pescadores, gaviões, corujas, lavadeiras-mascaradas, fregatas (ou tesourões) entre outros.

Já nas florestas, mesmo as do Jardim Botânico, é preciso ter paciência. Sentar e esperar. Aves de ambientes florestais são naturalmente mais arredias e difíceis de se observar do que as que vivem em áreas abertas. Mesmo assim podem ser avistados tucano-de-bico-preto, beija-flor-de-fronte-violeta, saracura, sabiás e sanhaçus.
Em florestas mais fechadas, como as da Tijuca e da Pedra Branca, vivem os belíssimos saí-azul (de tons exuberantes), gaturamo-verdadeiro - é amarelo e azul, um escândalo - e a saíra-sete-cores (um pássaro da cor do arco-íris). Mas, com sorte, até no Jardim Botânico é possível se deparar com elas.

Mesmo em plena cidade é possível observar aves de rapina como gaviões de mais de uma espécie e coruja-da-igreja. Esses caçadores ficam à espreita de outras aves e roedores nos telhados de prédios e galhos mais altos de árvores.
Essencialmente urbanos são o bem-te-vi, o pardal, o joão-de-barro e o casaca-de-couro-da-lama - este último um oportunista que se aproveita dos tradicionais ninhos do primeiro. Há dois corriqueiros rolinhas e urubus. O pombo comum é considerado uma verdadeira praga, um invasor oportunista, que transmite doenças e infesta cidades de todo o mundo.
Sobrevoando as praias se veem atobás, gaivotas, maçaricos (dependendo da época do ano, pois são migratórios) e tesourões. Não é raro que corujinhas-buraqueiras aparesçam nas praias, muitas vezes empoleiradas até em traves das redes de vôlei e futebol.
Os melhores momentos para observar aves são sempre o amanhecer e o anoitecer. As aves se alimentam no início da manhã (por volta das 6h) e no fim da tarde (entre 16h e 18h). São esses os horários em que estão mais ativas.


Fonte: O Globo Online/ Fotos :Custódio Coimbra