sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Colônia de pescadores em Copacabana


 Pescadores da Colônia Z-13 em Copacabana



Pescadores da Colônia Z-13 em Copacabana, voltam depois de mais um dia de trabalho no mar
Pescadores da Colônia Z-13 em Copacabana, voltam depois de mais um dia de trabalho no mar
Pescadores da Colônia Z-13 em Copacabana, voltam depois de mais um dia de trabalho no mar

Pescadores da Colônia Z-13 em Copacabana, voltam depois de mais um dia de trabalho no mar
Pescadores da Colônia Z-13 em Copacabana, voltam depois de mais um dia de trabalho no mar
Pescadores da Colônia Z-13 em Copacabana, voltam depois de mais um dia de trabalho no mar
Pescadores da Colônia Z-13 em Copacabana, voltam depois de mais um dia de trabalho no mar

Fotos: Felipe Dana  /  AP
reprodução internet



quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Rio que mora no mar...5 ANOS!

Com e-mails temáticos e dirigidos começou o RIO QUE MORA NO MAR.

Foram os cinemas , os sabores, o comércio, as calçadas cariocas, as ressacas...

Oh! tudo tão copiado web a fora !!!


 ..E lá se vão 5 anos!

Dali e todo o burburinho que causou, à época, em jornais (espontaneamente!)  sem o marketing  - de hoje - nosso de cada dia,




os oceanos que esse RIO QUE MORA NO MAR  atravessou, os milhares de e-mails recebidos de terras distantes, em muitas línguas e aí... virou blog que continua contando histórias cariocas.

Aos seguidores e amigos da primeira hora
e de todas as horas,
OBRIGADA!





terça-feira, 27 de agosto de 2013

Trocadilhos cariocas


Foto: Daniela Dacorso
Reprodução internet

O sujeito chega do Ceará para tentar uma vida melhor no Rio de Janeiro. Isso lá nos anos 70. Começa carregando madeira, passa a comprá-las para revenda, o negócio vai indo bem, obrigado, e ele abre uma loja em Copacabana. Na hora de batizar o local, pensa:

“Eu sou do Ceará... Vim de pau de arara. E a loja é de madeira. Pronto. É Pau de Arara o nome da loja.” Mas a mulher faz um muxoxo. E como é ela quem manda, o nome da loja fica sendo Pau Mandado.

 Parece piada, mas é a história por trás do letreiro de uma madeireira na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana.

 Tascar um trocadilho em nome de estabelecimento comercial é uma prática tão tupiniquim quanto pendurar santo no retrovisor, levar marmita no fim da festa ou colocar fralda na gaiola do passarinho. Ainda que nenhum Gilberto Freyre, Sergio Buarque de Hollanda ou Câmara Cascudo tenha se aprofundado no fenômeno social, o “trocadilhismo” nos entrega tanto quanto a mestiçagem, a cordialidade ou o curupira. E o Rio, se bobear, é o campeão nacional de letreiros com jogos de palavras. Basta uma volta pelos endereços comerciais da cidade para notar o apreço do carioca pela piada pronta — e começar uma coleção pessoal dos preferidos.

 Só em Copacabana, além da Pau Mandado, há a clínica veterinária Cãopacabana, o botequim BomBARdeio, a loja de bolsas Mala Amada, a livraria Baratos da Ribeiro, a “croassanteria” Croasonho e a creperia Crepe Diem.

Na Tijuca, há o restaurante Umas & Ostras e a lanchonete Faceburger. Em Vila Isabel, na Rua Teodoro da Silva, o nome do motel é... Teadoro.

No Flamengo, uma boleira pôs o nome da sua empresa caseira de James Brownie, e uma lavanderia em Botafogo se chama Lava Isso &A Quilo. Em Madureira, há o restaurante Kill Grill, uma clara alusão ao filme de Quentin Tarantino “Kill Bill”. Em Bonsucesso, há uma pizzaria chamada Bonsussexo, acreditem, e em Bangu, uma academia de nome Habeas Corpus.

Ao ouvir o nome, o acadêmico Antônio Carlos Secchin o achou tão legal que fez uma sugestão a Celso: abrir ao lado da academia o botequim Habeas Copus.

 Tecnicamente, o trocadilho é uma figura de linguagem chamada paranomásia. É a junção de palavras de som próximo e sentido distante. Você fala uma coisa e imagina outra. Há uma referência implícita a um segundo sentido. Seu uso deflagra uma relação prazerosa com a língua portuguesa, quando usada como um jogo, uma brincadeira. Ainda mais pelos cariocas, que já criam tantas gírias — explica o imortal, um fã de trocadilhos.

 O recurso foi parar no comércio, mas sempre esteve na literatura.

Basta lembrarmos do “Manifesto Antropofágico” de Oswald de Andrade, que tinha o trocadilho dos trocadilhos, “Tupi or not tupi”.

Foi esta lógica lúdica que norteou o batismo de muitos bares. O Barthodomeu, em Ipanema ; no Vidigal, há o Barlacubacu, no Anil, o Barbudo, no Flamengo, o Zanzibar. Em Del Castilho, o Zombar. Em Madureira, o Bar Bosa. No Catete, o Bartman.

Com as empresas de estética, não é muito diferente. Em toda a cidade, encontram-se filiais da rede Spé (cujo slogan é “o spa do pé”), e toda sorte de derivativos da palavra “pelo”: Pelo menos,  Pelo Sim, Pelo Não, presente também em vários lugares do Rio.

Tem uma loja de artigos de pesca em Jacarepaguá que se chama Minhoca Feliz. E se tem alguém que não é feliz na pescaria é a minhoca... Em Nova Friburgo, vi uma loja de plotagem chamada Harry Plotter.

Nenhum ramo, no entanto, supera o trocadilhismo ostensivo das pet shops. Na Barra, há o Au Q Mia. Na Urca, o Urcão. Em Olaria, o Pet Shop.cão.br. Na Pechincha, o Gato pra Cachorro. Em Nova Iguaçu, o Cãobeleireiro. E em Ipanema, Au Cão Kur .

Essa “carioquice” na marca, é uma maneira peculiar do morador do Rio de enxergar o que acontece sempre com graça. O carioca tem uma miopia bem-humorada da vida.

Uns trocadilhos vêm, outros vão.

Alguns trocadilhos antológicos do Rio faliram juntamente com os estabelecimentos comerciais aos quais pertenciam. Mas permanecem na memória. Quem pegava a Rodovia BR-101 com frequência certamente já tinha notado a churrascaria A Novilha Rebelde, um jogo de palavras com a tradução para o português do filme “A noviça rebelde”. Há três anos, no lugar funciona a churrascaria Mano’s Grill. Ao lado do Engenhão, alcunha do Estádio João Havelange, havia uma lanchonete chamada Have Lanches, outro belo exemplo da perspicácia carioca. Em Madureira, na Avenida Edgard Romero, até pouco mais de um ano atrás, na altura do Mercadão, havia um Banco Safra. E, ao lado, o bar Safradão, que foi demolido para virar uma agência do Santander. Na Barra, o restaurante Filo Porque Quilo também fechou as portas, levando com ele a referência à célebre frase dita pelo ex-presidente Jânio Quadros quando de sua renúncia ao cargo.

Fonte: Revista de Domingo

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O casarão do Leme



Em uma das esquinas do charmoso Leme, ao fundo, bem ao fundo, avista-se uma casa que poderia servir de protagonista para um enredo sobre arquitetura, sobre as várias gerações de uma família e sobre o mercado imobiliário do Rio.

E serve. O casarão foi escolhido como cenário principal da comédia “Vendo ou alugo”, que estreou este mês em circuito nacional.

Trata-se da primeira casa de concreto armado do Brasil, construída em 1905, e está dividida hoje em três confortáveis apartamentos dúplex.

Vendida para um belga, em 1942, continua nas mãos da família dele, sendo que a matriarca local é sua filha, Danielle Carlier Pirmez.


Enorme e suntuosa, com uma longa escadaria até a porta principal e uma coluna imensa em formato piramidal. E na parte interna da casa de estilo eclético está o mais interessante: cômodos espaçosos, invadidos pela luz de fora, que realça móveis de mogno e jacarandá dos anos 1940 e 1950.

Aliás, a maioria dos móveis veio da Bélgica, como a sala de jantar que é toda original, com mesa, lustres, cadeiras e pratos que levam o brasão da família.

Construída por um dinamarquês que queria testar o concreto armado no Brasil, a ideia era ter a floresta como quintal e a vista da praia como varanda — o que deu certo... por um tempo. Emily conta que, com a verticalização de Copacabana, entre os anos 40 e 50, a vista foi diminuindo e os prédios aumentando em quantidade e altura.

Hoje, sufocada por essas construções e com a frente quase fechada por dois grandes prédios, sua única ligação para a rua é um estreito corredor que passa pela garagem do edifício vizinho. Foi em meio às mudanças no cenário imobiliário do Rio e durante a Segunda Guerra que o dono quis vender às pressas o imóvel, e assim, o diretor de um banco, o belga Daniel Carlier, comprou e instalou-se lá com seus seis filhos.

— No primeiro andar, havia sala de música, biblioteca e cinema, que não era comum na época. Eu e Emily casamos aqui — conta Danielle, sentada em uma das duas poltronas costuradas à mão, vindas da Bélgica, que decoram a sala.
Fizemos também muitas festinhas de “twist” aqui — brinca a diretora de arte de “Vendo ou alugo”.

Apesar de várias mudanças sofridas dentro e fora do imóvel, alguns detalhes mantém a essência da casa, como o banheiro de onde, do chuveiro, ainda se vê a parte verde do morro. Além, é claro, do notório requinte deste casarão que expressa bem o Rio de Janeiro, de ontem e de hoje, e suas nuances.

Antes da chegada da UPP, valia entre R$ 6 milhões e R$ 7 milhões, mas agora, apesar de sufocada por prédios vizinhos e pelo crescimento, aos fundos, de casas dos morros Chapéu Mangueira e Babilônia, já recebeu ofertas de até... R$ 18 milhões. Com a pacificação e os grandes eventos, a casa voltou a se valorizar. Alguns membros da família querem vendê-la inteira, outros só em parte e há quem queira deixar como está. Então, vai ficando assim.



É o mercado imobiliário do Rio.


Por dentro do casarão no Leme


sábado, 24 de agosto de 2013

A expansão da cidade do Rio de Janeiro

No início de 1940, manchete de jornal anunciava












E anúncios  alardearam,
ao longo da década novas moradias, em novos locais da cidade,

como Copacabana e Gávea






segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Inverno carioca


O Rio está rosa. A floração nas ruas em pleno inverno dá novo visual à cidade e encanta cariocas e turistas.

Basta uma caminhada pelas ruas do Rio para ver que nem todas as flores esperam pelo início de sua estação, a primavera, para dar o ar da graça. Em pleno inverno, centenas de Ipês-Rosa e Roxo deixaram a cidade mais colorida e perfumada, trazendo alegria no clima frio e seco do inverno. Um verdadeiro espetáculo da natureza e um presente dos céus para cariocas e estrangeiros.

 A copa das árvores, quanto no chão, onde as pétalas caídas formam um imenso tapete rosa.

Durante um passeio no Aterro do Flamengo pode-se ver o belíssimo espetáculo do Ipê, também chamado de ipê-roxo da mata, ipê-reto, pau d'arco e piúva. O nome científico é Tabebuia impetiginosa, de origem tupi-guarani, que significa pau ou madeira que flutua. São encontradas variações nas cores amarela, branca e roxa. O Ipê-Rosa é uma espécie nativa da Mata Atlântica que floresce no inverno. Todas as folhas do Ipê caem no outono, e a floração acontece no fim de agosto, quando a temperatura está mais amena.

O show dos ipês do Aterro do Flamengo




Fonte:
 DIA Online/ Maria Luisa Barros / fotos Maíra Coelho



sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Uma história carioca, na semana do folclore

Nesse iô-io de decisões governamentais equivocadas e intempestivas, em que se toma e se volta atrás, vale (re)ler o lúcido texto abaixo.

Sobre índios, história e um governo demolidor


Casarão onde funcionou o antigo Museu do Índio - foto de 1953
"Ao lado do estádio do Maracanã existe um terreno com um majestoso edifício atualmente em ruínas.
Construído em estilo neoclássico, o prédio foi doado ao Império do Brasil no ano de 1865, pelo Duque de Saxe, genro de Dom Pedro II, a fim de que ali se instalasse um órgão de estudo e pesquisa sobre as culturas indígenas brasileiras.

Em 1910, o local tornou-se a sede do Serviço de Proteção ao Índio – fundado pelo Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon – que ali funcionou até sua transferência para Brasília em 1962. O edifício também abrigou a Escola Nacional de Agricultura, entidade que deu origem à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

A 19 de abril de 1953, sob a direção de Darcy Ribeiro, ali foi instalado o Museu do Índio, onde funcionou até 1977, quando foi realocado para o bairro de Botafogo. Em 1984, a União cedeu a titularidade do imóvel à Companhia Nacional de Abastecimento.
Curiosa e lamentavelmente, a despeito de sua relevância histórica, nunca houve tombamento em qualquer instância.
A área, com sua emblemática ruína, faz parte da paisagem diária de centenas de milhares de habitantes que se dirigem ao Centro da cidade todos os dias, seja de trem, ônibus, automóvel ou metrô. Quase certamente, aqueles que passam por tal cenário de abandono não podem imaginar que logo ali, onde tudo parece destruído, há uma efervescência de vida acontecendo.
Diante da gradativa deterioração do espaço e da total ausência de iniciativas do poder público para recuperá-lo, há cerca de seis anos, representantes de diversas etnias indígenas empreenderam uma ação coerente, cumprindo os desígnios originais de destinação do imóvel. Numa versão pacífica e contemporânea do líder guarani Sepé Tiaraju – aquele que no século XVIII, declarou “esta terra tem dono” – ocuparam o local e criaram a Aldeia Maracanã.
De início, só havia mato e entulho. Organizaram mutirões. Limparam o terreno. Plantaram mudas de diversas espécies. Ergueram uma cozinha coletiva com uma grande mesa. Construíram um local para cerimônias religiosas, pequenas casas e palhoças. Não são muitos em número, mas representam diversos povos e se revezam na ocupação. Há xavantes, tucanos, caingangues, pataxós, guajajaras, gaviões, pankararus, guaranis, apurinãs, fulni-ôs, potiguaras… Até um legítimo puri, este, ao contrário do que nos acostumamos a ver nas litografias de Johann Moritz Rugendas, de carne e osso, voz mansa, olhos brilhantes e sorriso doce.
E por lá ficaram. Ao contrário do museu oficial, em Botafogo, criaram com seus poucos recursos um centro cultural vivo, permanentemente aberto a todos os que queiram visitá-lo. Ali expõem suas artes, realizam suas cerimônias, fazem suas festas, contam suas histórias. Naquele pequeno oásis verde no meio de uma das regiões mais áridas da cidade, ainda é possível avistar o periquito maracanã, exatamente a ave que dá nome àquele que já foi o maior estádio do mundo, cartão postal da cidade, palco de tantas alegrias e algumas tristezas, orgulho de todo carioca, o estádio Mário Filho, o velho Maraca, o querido Maracanã.
Bem no coração da cidade do Rio de Janeiro, esta que já foi palco de duas das maiores e mais significativas conferências mundiais sobre o meio ambiente, esta que possui a maior floresta urbana do mundo, esta que é visitada anualmente por turistas de todas as partes do globo, esta que pode se orgulhar de sua formação cosmopolita. Ali, à vista de todos, um grupo de indígenas realiza um trabalho notável e que deveria receber apoio. Mas, decorridos cinco séculos, um novo Cabral os ameaça.
No afã enlouquecido da realização de obras para a Copa do Mundo de 2014, não bastasse a total descaracterização do Maracanã em nome de um conceito de modernidade bastante questionável, na manhã do dia 18 de outubro, o governador Sérgio Cabral, anunciou a demolição do prédio como parte das obras de reforma do entorno do estádio:

“O Museu do Índio, perto do Maracanã, será demolido. Vai virar uma área de mobilidade e de circulação de pessoas. É uma exigência da Fifa e do Comitê Organizador Local. Viva a democracia, mas o prédio não tem qualquer valor histórico, não é tombado por ninguém. Vamos derrubar.”
Por área de mobilidade e circulação entenda-se: o terreno seria destinado à construção de um estacionamento.
A Fifa, porém, em documento enviado à Defensoria Pública da União, nega que tenha feito qualquer pedido do gênero. Vale lembrar que durante a Copa do Mundo de 1950, o estádio recebeu um público consideravelmente maior do que o previsto para 2014, o museu funcionava no local e não houve problema algum.
Não fosse somente isso, representantes do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e, até mesmo, do Inepac – Instituto Estadual do Patrimônio Cultural – são contrários à demolição e asseguram que não há risco iminente de desabamento, podendo o imóvel ser restaurado.
Ainda no rol das sandices ditas pelo governador Cabral estão as declarações feitas alguns dias mais tarde, após reconhecer não ter havido qualquer determinação objetiva da Fifa, quando voltou a defender a demolição:

“Na verdade não foi uma exigência da Fifa. Ela pede uma área de mobilidade com determinadas características. E no meio do caminho tem esse prédio, que não é tombado e não tem nenhum valor histórico. Portanto, não tem cabimento ele ficar no meio do caminho de uma concepção que é para garantir segurança e conforto para milhares de pessoas que vão ao Maracanã”.
E, ao ser questionado sobre o destino dos indígenas que estão no local, respondeu:

“Isso aí é um problema da Funai, não é problema meu. O fato é que nós compramos o prédio, pagamos por ele para destruí-lo.”
Então, vamos por partes. Em primeiro lugar, entre o prédio não ser tombado e não ter nenhum valor histórico vai uma grande diferença. Será que é mesmo necessário explicar isso a um governador de estado?

Não seria muito mais interessante considerar a proposta do centro cultural vivo, ainda mais nestes tempos onde políticas de valorização da diversidade cultural e do meio ambiente estão tão em alta? De fato, não há tempo suficiente para uma restauração adequada, mas para isso existem alternativas interessantes. Aqui mesmo, no estado, há o Complexo da Machadinha, em Quissamã, onde da fazenda, só restou intacta a senzala. Basta consultar os técnicos do Inepac a respeito. Sobre a relevância histórica do prédio, há farta documentação, desde que se queira localizá-la.

Continuando. O destino dos indígenas pode não ser problema do cidadão Sérgio Cabral, mas, sim, é um problema de qualquer governante. O que dizer disso além de Que declaração vergonhosa, governador!
Enfim, quanto ao “compramos e pagamos para destruí-lo”, é triste ver tamanha deturpação – consciente ou não — entre público e privado, individual e coletivo. Mas, infelizmente, tal argumentação não chega a causar surpresa. Na sanha destruidora empreendida pela dupla de demolidores Cabral-Paes em nome da Copa do Mundo e da Olimpíada, é grande a lista de imóveis ameaçados ou já desaparecidos, dentre os quais, além do Museu do Índio, encontram-se a fábrica da Brahma, o prédio do Iaserj, a refinaria de Manguinhos, o estádio Célio de Barros e o parque aquático Júlio Delamare.

E pensar que a criminosa demolição do Palácio Monroe até hoje causa tanta indignação!

....................

Como disse o historiador Nireu Cavalcanti, em palestra proferida no Museu de Astronomia em maio deste ano, parece que essas pessoas tem raiva de possuir sangue negro e índio correndo em suas veias. Só isso pode explicar tamanhos maus tratos com tudo o que – mesmo remotamente – os faça lembrar que não são europeus puros. Na ocasião, o professor Nireu referia-se à cloaca em que se transformou o rio Carioca, aquele que deu o gentílico aos nascidos na cidade.

O mesmo pode ser dito agora, em relação às obras do estádio do Maracanã e seu entorno.

O rio homônimo já está praticamente morto e a ave, governador, não pode viver em estacionamentos.

............................"

Texto de Glaucia Santos Garcia /Jangada Brasil
 Foto de Rogério Duarte


domingo, 11 de agosto de 2013

Outeiro da Glória

Dia 15 de agosto
é Dia de Nossa Senhora da Glória.


Considerada a joia da arquitetura setecentista e um dos maiores patrimônios da arquitetura colonial religiosa brasileira, a Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro tem origem numa pequena ermida do século XVII construída em um terreno doado à Irmandade da Glória, em 1699 por Cláudio do Amaral Gurgel.  




Outeiro da Glória
por Nicolas-Antoine Taunay
reprodução




" O antigo morro de Lerype (hoje outeiro da Glória), no qual Antônio Caminha fundara a ermida dessa invocação, pertenceu à sesmaria de Julião Rangel de Macedo, cujos herdeiros o venderam à família Rocha Freire.

O último possuidor, Gabriel da Rocha Freire, por sua vez o vendeu ao Dr. Cláudio Grugel do Amaral.

Por escritura de 20 de Junho de 1609, este último fez doação à Irmandade de Nossa Senhora da Glória: do referido morro, para nele edificar-se uma ermida, que fosse permanente e não sendo assim ficaria revogada a doação, e com a condição de que na referida ermida lhe dariam sepultura a ele doador e a todos os seus descendentes e a quem lhes parecesse.

Para patrimônio da santa fez também doação de terras, no sopé do morro, as quais, ele Amaral, por escritura de 18 de Fevereiro de 1687, comprara a Manuel Lopes Carrilho, filho de João Lopes.

Consistiam em 100 braças, na praia da Carioca, chácara denominada ORIENTE, partindo do lado direito com terras da Carioca."
  Vieira Fazenda,
"Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro,"
http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/TH_christina/icon206338/icon206338_22.jpg
Anos 1910, Biblioteca Nacional
reprodução

Localizada na Praça Nossa Senhora da Glória, 135/204, no alto do Outeiro da Glória, no bairro da Glória, a Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro foi construída no centro do adro e sua historiografia registra controvérsias quanto à autoria e à data da construção do templo definitivo. Porém a versão mais aceita, é a de que as obras datam da segunda metade do século XVIII (em torno de 1714) e que foram confiadas ao engenheiro e arquiteto, Tenente-Coronel José Cardoso de Ramalho, nomeado por D. João V para o posto de Capitão de Infantaria da Capitania do Rio de Janeiro.

A igreja ficou pronta em 1739.
" Formada por dois octógonos irregulares, alongados e interligados, antecedidos pela base quadrada da torre sineira, cujo pé lhe serve de pórtico.Os trabalhos ornamentais em talha estão no altar-mor, altares da nave, tribunas e coro, e representam a transição entre o final do estilo rococó e o neoclássico.O templo è adornado por azulejos setecentistas, incluindo a nave, capela-mor, corredores laterais, sacristia e coro."
  
 Os painéis de azulejos representariam cenas inspiradas na Bíblia, no "Livro de Tobias" ou , segundo outros historiadorres, no "Cântico dos Cânticos".
Os azulejos da sacristia, que representam cenas de caça, sua autoria é atribuída ao Mestre Valentim e formam um dos conjuntos mais importantes do Brasil.

 

Todos os membros da Família Imperial foram batizados na Igreja da Glória, incluindo D. Pedro II e a Princesa Isabel. Em 1839, dom Pedro II outorgou o título de "Imperial" à irmandade, a qual se tornou conhecida, a partir de então, como "Imperial Irmandade da Nossa Senhora da Glória do Outeiro", que hoje se encontra-se tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.


EM TEMPO:  Eu fiz minha primeira comunhão nessa linda igreja!
                         1959... lá se vai muito tempo!



terça-feira, 6 de agosto de 2013

Hotel Copacabana Palace, 90 anos

 Avenida Atlântica, 1702, bairro de Copacabana, Rio de Janeiro. 

Esse é o endereço do Hotel Copacabana Palace que está completando 90 anos.



Aberto ao público em 13 de agosto de 1923, foi construído pelo empresário Octávio Guinle e Francisco Castro Silva entre 1919 e 1923, atendendo a uma solicitação do então presidente Epitácio Pessoa, que desejava um grande hotel de turismo na então capital do país, para ajudar a hospedar os visitantes esperados para a  Exposição do Centenário da Independência do Brasil, em 1922. Em compensação, o Governo Federal concederia incentivos fiscais, assim como a licença para que nele funcionasse um cassino — uma exigência do empresário.

O hotel foi o primeiro grande edifício em Copacabana, cercado apenas por pequenas casas e mansões.

o Copacabana Palace em  cartão postal




O projeto do arquiteto francês Joseph Gire se inspirou em dois famosos hotéis da Riviera Francesa: o Negresco, em Nice, e o Carlton, em Cannes. A estrutura, sóbria e imponente, foi erguida pelo engenheiro César Melo e Cunha, que empregou, em larga escala, o mármore de Carrara e cristais da Boêmia.

Devido às dificuldades  na importação de mármores e cristais, na execução das suas fundações (com catorze metros de profundidade, conforme exigido pelo projeto); à falta de tecnologia e experiência no país para tal confecção; e a uma violenta ressaca que, em 1922, destruiu a Avenida Atlântica, causando danos aos pavimentos inferiores do hotel, o hotel só foi inaugurado quase um ano após a Exposição do Centenário. 

Mas inaugurou em grande estilo, com a presença da cantora, atriz e vedete francesa Mistinguett, que, mesmo tendo as famosas “mais belas pernas do mundo”, foi proibida de mostrá-las na festa. 

O atraso fez com que o presidente Artur Bernardes tentasse cassar a licença para o funcionamento do cassino , o que a família Guinle, após dez anos de disputa na justiça, ganhou a causa. O hotel e seu cassino foram essenciais para a consolidação da fama e glamour do bairro nas décadas seguintes.

o glamour de um dos seus salões

anos 20, no tempo do desenho invertido das ondas das calçadas


Em 1934, foi construída a piscina do hotel, com projeto do engenheiro César Melo e Cunha, ampliada em 1949. Em 1938, inaugurou-se o “Golden Room”, com um espetáculo de Maurice Chevalier.

A piscina ontem e hoje
 

A visita de celebridades internacionais

  Brigitte Bardot  em 1963, há 50 anos

o famoso Baile de Debutantes


testemunha das ressacas

Ressaca de 1922



Com a proibição do jogo no país, o cassino foi transformado em uma casa de espetáculos, e o hotel passou por uma ampla reforma,surgindo a pérgula lateral e o anexo nos fundos, inaugurado em 1949. Tal reforma ficou ao cargo do arquiteto Wladimir Alves de Sousa.

Em 1985, projetou-se a sua demolição. No entanto, o Copacabana Palace foi tombado pelo patrimônio histórico. No final da década de 80 foi vendido ao grupo Orient-Express Hotels, que o modernizou sem descaracterizá-lo.

Curiosidades:
  • O hotel serviu de tema para o musical “Flying Down to Rio”, de 1933. Veja AQUI.
  • O genial Mario Reis foi seu morador durante anos. Morou na suíte 140 do Copacabana Palace, de 1957 até sua morte.
    Intérprete revolucionário e considerado o inventor do canto brasileiro, nos anos 30, em 1971, fez um retorno à cena e três shows no Golden Room do Copacabana Palace.


Mário Reis durante o show no Golden Room


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Wilson Batista, um centenário no samba!

No mês de julho, de tantos acontecimentos, acabou esquecido o centenário de Wilson Batista.

Mas celebramos, aqui e agora!



Nasceu em Campos, mas a partir dos 7 anos veio viver no Rio. Boêmio, foi frequentador dos bares da Lapa e da praça Tiradentes. Começou lá pelos 16 anos com o primeiro samba, Na estrada da vida, lançado por Aracy Cortes, no Teatro Recreio e gravado em 1933. Mas sua primeira parceria foi com  Sinhô , no samba de breque Mil e Uma Trapalhadas, cuja gravação aconteceu apenas na década de 60, com Moreira da Silva.

Mas  foi a  famosa polêmica com Noel Rosa, que o marcou sua trajetória musical, onde foi considerado o vilão.

Foi seu samba Lenço no pescoço, gravado em 1933 por Sílvio Caldas, que deu início a uma  maratona inteligente de sambas. Noel Rosa  respondeu no mesmo ano com Rapaz folgado, contestando a identificação com o malandro. Sua réplica veio  com Mocinho da Vila.

Fora do contexto da polêmica, Noel Rosa e Vadico compõem o Feitiço da Vila. Aí, no Programa Casé Noel improvisa (sem gravar) duas novas estrofes para o Feitiço da Vila e, em cima dos novos versos, Wilson compõe Conversa fiada, ao qual Noel contrapôs, em 1935, o samba Palpite Infeliz.

O embate, então, termina com dois sambas seus, Frankenstein da Vila e Terra de Cego.  

Uma curiosidade: 
Terra de Cego deu origem a uma parceria entre...Wilson e Noel !
A música Deixa de ser Convencida, com letra de Noel sobre a melodia composta por Wilson Batista,  pôs fim à polêmica e tornaram-se amigos.

As músicas dessa polêmica foram reunidas, em 1956, num LP - Polêmica - de dez polegadas da Odeon, cantadas por Roberto Paiva e Francisco Egídio.

Ouça, abaixo, o álbum completo.




Com parceiros como Ataulfo Alves, Nássara, Haroldo Lobo, Marino Pinto e tantos outros, Wilson Batista encheu nosso cancioneiro de grandes sambas e marchas, uma obra volumosa com cerca de 600 canções.

Considerado por Paulinho da Viola, como “o maior sambista brasileiro de todos os tempos” , fica nossa homenagem ao " maestro caixa de fósforos" , Wilson Batista.