quarta-feira, 25 de junho de 2014

Nelson Rodrigues

Foto - reprodução/internet


Às segundas-feiras, no jornal carioca O GLOBO, Nelson Rodrigues tinha como mote a escolha do “Personagem da Semana”, o herói que retirava dos embates da última rodada.

Foi assim que na adolescência conheci Nelson Rodrigues. O futebol nos seus textos " era a certeza apaixonada de que o homem não procura no jogo da bola a diversão lúdica — mas a complexidade da existência", como bem o disse o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos.

Tenho várias dessas crônicas recortadas e guardadas. Como tricolor, Nélson sempre falou com paixão de personagens do meu Flamengo, como se rubro-negro fosse, do alto de sua qualidade de cronista.

Nestes tempos de Copa , quantos personagens Nelson Rodrigues destacaria. E em meio às suas imagens e aos seus adjetivos nos narraria a magia, a frieza, a oportunidade, a transgressão do craque, pela sua camisa, pela sua terra.

Está fazendo falta.

Pra recordar... uma cinquentenária crônica -  de 1964 - e atualíssima.

"ENCOURAÇADO DE SOL 

Amigos, ao contrário do que se pensa, o Brasil nem sempre foi um país tropical. No tempo de Machado de Assis, ou de Epitácio Pessoa, ou de Paulo de Frontin, o sujeito andava de fraque, colete, colarinho duro, polainas, o diabo. As santas e abomináveis senhoras da época se cobriam até o pescoço. Em suma: — o brasileiro vestiase como se isto aqui fosse a Sibéria, o Alasca, sei lá.

Hoje não. Procura-se um fraque e não se encontra um fraque. Os mais vestidos andam seminus. No passado, o sujeito que entrasse sem gravata num bonde — era de lá expulso a patadas. E, agora, anda-se de biquíni nos lotações. Um sol hediondo vai derretendo as catedrais e amolecendo os obeliscos. Não há dúvida: — somos finalmente tropicais.
Olhem as nossas praias. A nudez jorra aos borbotões. Em 1905, o turista que visse Machado de Assis havia de anotar no caderninho: — “Este é o povo mais vestido do mundo!”. Em nossos dias, o mesmo turista havia de escrever inversamente: — “Este é o mais despido dos povos!”. Pois bem. E, no entanto, vejam vocês: — ocorre aqui uma reação curiosíssima.

Sim, diante do calor, o brasileiro esperneia e pragueja. O que fazem com o futebol chega a ser burlesco. Em pleno verão, suspendem os clássicos e as peladas. O Maracanã cerra as suas portas. Todas as botinadas são proibidas. E ninguém percebe o absurdo. O justo, o lógico, o adequado é que um craque tropical, como o nosso, jogue no verão e descanse no inverno.

Não me venham com o argumento de higiene. Para um tropical, a higiene é um sol homicida. E se reclamamos, se esbravejamos, se uivamos contra o sol, cabe uma dúvida honesta. É possível que sejamos tropicais por engano. E, nesse caso, certo estaria Machado de Assis ao pôr fraque e galochas, assim desafiando o hediondo sol do meio-dia.

O futebol antigo era mais inteligente. O jogador entrava em campo e os jogos caniculares tinham mais élan, mais saúde, mais euforia. Por exemplo: — em 1910, ano em que o Botafogo foi campeão. Naquele tempo, o Brasil era tropical sem o saber. Lembro que um craque alvinegro, famosíssimo, jogava com uma vasta toalha felpuda enrolada no pescoço. Quarenta graus à sombra e ele varava o campo como um centauro de cobertor.


E nunca houve, no velho futebol, nenhuma insolação. Pelo contrário: — o craque tinha uma resistência de hipopótamo. Na célebre gripe espanhola morreu todo mundo. A mortandade foi pior do que a da primeira batalha do Marne. Mas como eu ia dizendo: uns morriam e outros eram enterrados. E, quando o sujeito relutava em morrer, era liquidado a pauladas como uma ratazana. Muito bem: — só os jogadores de futebol sobreviveram.

Não havia Departamento Médico nos clubes. Mas o sol potencializava o jogador e o protegia contra o tifo, a malária e a peste bubônica.

Sim, bons tempos em que o Brasil não era ainda tropical ou por outra: — não sabia que o era!

O craque usava bigodões imensos, carapuça e mais: — seus calções escorriam até as canelas. Lindo, lindo. E assim, encouraçado de sol, abarrotado de calor, o craque ou o perna-de-pau eram uma bastilha deslumbrante de saúde."

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Há 20 anos, no Leblon, um inverno quase glacial





"Em junho de 1994, enquanto a seleção brasileira de Romário e Bebeto dava seus primeiros passos para levar o tetracampeonato na Copa do Mundo dos Estados Unidos, o Brasil inteiro era invadido por uma onda de frio poucas vezes vista. 
O Sul do país, varrido pelo minuano (vento capaz de congelar chimarrão dentro da cuia), batia recordes negativos de temperatura um dia após o outro. O Rio de Janeiro, que mesmo no inverno dificilmente registra temperaturas em um único dígito, não ficava atrás. No dia 28 de junho daquele ano, os termômetros cravaram 6,7 graus Celsius no Alto da Boavista. Com a proximidade do mar, a sensação térmica beirava o zero grau. 
Um frio do cão. 
É, até hoje, a mais baixa temperatura registrada na cidade desde que, num longínquo dia de 1926, o frio chegou a inacreditáveis 4,5 graus no Campo dos Afonsos — mas isso pode ser só lenda urbana. O fato é que, em junho de 1994, o inverno do Leblon era mesmo quase glacial. 
Foi naquele ano que a gaúcha Adriana Calcanhotto botou nas lojas de disco (é, elas existiam naquela época) “Fábrica do poema”, CD que continha “Inverno”, a tal música do verso “o inverno no Leblon é quase glacial”. Não era só. O disco tinha outras bem sacadas investidas no cotidiano da cidade, como “Morro dois Irmãos” e o clássico “Cariocas”. Vendeu 130 mil cópias. “Inverno” — que falava sobre solidão, abandono e amores à deriva — virou uma espécie de retrato de um bairro em dias gelados... (na verdade, a letra é do Antônio Cícero). 
Vinte anos depois,o Leblon — que nesse inverno deve ter temperaturas mínimas em torno de 18 graus ... mudou à beça...
Em junho de 1994, o Brasil estava prestes a ganhar o real como moeda, lançada oficialmente em 1º de julho daquele ano. De lá pra cá foram três presidentes da República, três governadores e três prefeitos diferentes. Durante esse tempo, Manoel Carlos escreveu seis novelas para o horário nobre da TV Globo. A primeira delas, “Por amor”, lançada em 1997, e a última, “Em família”, ainda está em cartaz. Todas tinham Helena como protagonista, a família como tema e um Leblon idealizado como cenário. A mistura de ficção e realidade jogou os preços para o alto. Todo mundo quer morar no bairro da novela, viver a vida da novela. Em 20 anos, roubou definitivamente de Ipanema o título de mais caro da cidade. O metro quadrado ali sai, por baixo, a R$ 24 mil. 
A valorização se estendeu às ruas do bairro, que viram boa parte do comércio tradicional ser substituída por lojas de grife e, sobretudo, por restaurantes sofisticados, a maioria concentrada na Rua Dias Ferreira. Estão ali, entre outros, o CT Boucherie, o Q, o Zuca e o Quadrucci. A rua dos restaurantes recebeu recentemente o reforço também de três novas sorveterias. Todas no mesmo estilo 
...Sorvete é sorvete em qualquer tempo...  e o inverno no Rio é camarada. 
O conceito de comida com grife tomou conta do bairro de vez. Está certo que o Tio Sam, o Azeitona, o Jobi, o Alvaro’s, o Degrau, o Ferreira, a Pizzaria Guanabara e o La Mole continuam onde sempre estiveram, mas agora têm a companhia de casas que, de um jeito ou de outro, trataram de colocar um pouco de espuma (e trufas, e reduções e infusões, e o escambau) na tradicional gastronomia de botequim. 
Mesmo entre as novidades, há exceções. 
...Chico, do Chico & Alaíde, é exemplo vivo das mudanças do bairro ao deixar, em 2009, o posto de garçom mais querido do Bracarense  para, ao lado da rainha das panelas Alaíde, montar seu restaurante....
...Casas tradicionais, como Garcia & Rodrigues, Carlota e Real Astoria, foram riscadas dali. Até o Cinema Leblon, um dos últimos cinemas de rua da cidade, parece estar com os dias contados. De modo geral, o mapa do Leblon, nos últimos tempos, anda difícil de desenhar. As obras para a ampliação do metrô mudaram o trânsito, inverteram mãos e fecharam ruas. A principal delas, a Ataulfo de Paiva, virou canteiro de obras. Tem tapume para tudo que é lado. 
Com os transtornos, muitas lojas não resistiram à fuga dos clientes e fecharam as portas. Outros migraram para os shoppings, como o Leblon, inaugurado em 2006. As meninas do bairro — que em 1994 misturavam os vestidinhos da Cantão com acessórios roubados do seriado “As patricinhas de Beverly Hills” e as inevitáveis camisas xadrez de flanela — agora vestem Farm, Ecletic e roupinhas de brechó. E — caramba, isso, sim, é novidade — vão à praia ali mesmo. 
A Praia do Leblon, antes reservada às famílias e crianças, agora é ocupada pelas mesmas pessoas que, um dia, já passaram pelo Posto 9, pelo Coqueirão e pelo Country. O tradicional Baixo Bebê passou a ter a companhia das barracas que servem cerveja, caipirinha e até... espumante...
...acreditar que o inverno está começando no Leblon...
... Inverno? Frio? Como assim? "



domingo, 15 de junho de 2014

O futebol brasileiro nasceu em...Bangu

Pois é, em Bangu, um sujeito resolveu chutar uma bola de futebol pela primeira vez dentro do país.

O sujeito?
O senhor Thomas Donohoe, um escocês pálido, magro e bigodudo, nascido em 1863 em Busby, empregado de uma empresa têxtil, a fábrica Bangu.

 E aí o futebol brasileiro nasceu ali, graças a esse escocês, e não em São Paulo, via Charles Miller, como defende a versão oficial sobre as origens da bola em terras tupiniquins.

Bangu (Foto: Alexandre Alliatti / Globoesporte.com)
Bola e calçado usados por Donahue

A base da versão dos apaixonados por Bangu tem um chão formado mais por raciocínio lógico do que por documentos. É uma questão matemática. Eles não conseguem ver sentido em um escocês viciado em futebol, praticante do esporte em seu país de origem, ter passado meses sem jogar bola em um lugar onde não havia nada para fazer.

A primeira partida de futebol no Brasil, pelos registros oficiais, é de 15 de abril de 1895, entre funcionários de empresas de São Paulo: a Companhia de Gás e a São Paulo Railway, ambas formadas, em grande parte, por britânicos radicados no país. Mas pode não ter sido bem assim.

A questão é que Donohoe estava no Brasil desde maio de 1894.E aí?

Thomas Donohoe Bangu (Foto: Divulgação)

Thomas Donohoe e a esposa, Adalgisa

Pesquisas apontam que a primeira bola entrou no Brasil em  setembro de 1894, seis meses antes de Charles Miller - e ele jogou, no campo da fábrica, a primeira partida de futebol no Brasil. Montou duas balizas sem travessão, sem goleiro, com cinco de cada lado, numa tarde de domingo, o único momento que os funcionários tinham de folga.

"No domingo pela manhã, já era possível ver o sr. Donohoe arrumando uma área livre (...), e fincando quatro estacas, duas de cada lado da várzea, formando assim as traves. Quem passasse pelo local naquela manhã poderia imaginar que o escocês estivesse tentando construir alguma coisa. À tarde, porém, devem ter pensado que todos os técnicos britânicos enlouqueceram. Donohoe chamou de casa em casa todos os seus companheiros dos velhos tempos e um grupo composto de aproximadamente dez homens apareceu nas proximidades do terreno para estrear a bola nova e matar a saudade do tão salutar jogo que eles haviam deixado para trás na Inglaterra. "

Montou duas balizas sem travessão, sem goleiro, com cinco de cada lado, numa tarde de domingo, o único momento que os funcionários tinham de folga.

Aliás, Seu Danau  - que é como muitos banguenses se referem a Thomas Donohoe - foi um dos fundadores do clube Bangu, em 1904. Já um quarentão, jogou muito pouco pelo Bangu, mas deixou um herdeiro, seu filho, Patrick. Ele foi o maior ídolo do clube nos anos 1910. Foi um goleador, inclusive em clássicos – caso dos dois gols marcados na vitória de 4 a 2 sobre o Flamengo em 1918, depois de sofrer goleada de 9 a 1 no primeiro turno.

A estátua de Seu Danau  tem a sua imagem de dedo em riste, para lembrar o pioneirismo que os banguenses lhe atribuem. Seu local definitivo será na praça em frente ao estádio do Bangu, a ser rebatizada com o nome de Thomas Donohoe.

Conclusão: o futebol brasileiro nasceu no...Rio de Janeiro!

Fonte: livro Nós É que Somos Banguenses, do jornalista Carlos Molinari

sábado, 14 de junho de 2014

Rio chora a perda de Marlene


E lá se foi mais uma diva... a cantora Marlene.

Personalidade musical ímpar,reinou em  um tempo em que títulos eram sinônimo de popularidade: ela era a  Favorita da Aeronáutica.

Ilustrou várias capas das revistas de sua época, como a Revista do Rádio, inclusive dividindo espaço com as ditas "inimigas", como a cantora Emilinha. Na realidade, rivalidade só de marketing.

 

 VIVAS A MARLENE!


quinta-feira, 12 de junho de 2014

O dia que o Maracanã torceu contra a seleção brasileira

Foi em 1976. Um jogaço!

E o Maracanã maciçamente foi... rubro-negro.

MENINOS EU VI... E TORCI, PRO MENGO, CLARO!

A partida foi um amistoso em homenagem à precoce morte do jogador rubro-negro Geraldo, contemporâneo do Zico, um craque criado na Gávea e até hoje ficou marcado na lembrança o estádio inteiro gritando Mengo, com toda força, contra o Brasil.

Na realidade, Flamengo e Seleção Brasileira já se enfrentaram em dois amistosos.



A primeira
vez foi durante os preparativos para a copa de 1958 -  só um jogo treino -  e a segunda foi na partida- tributo- um jogo pra valer -  disputando a taça Geraldo Cleofas Dias Alves.

Por causa desse jogo ficou decidido nunca mais jogos entre times e a seleção, pra não se ver a torcida contra o Brasil.

  • Flamengo 1 x 0 Brasil -   em 11/05/1958
  • Flamengo 2 x 0 Brasil  -  em 06/10/1976





FLAMENGO 1 X BRASIL 0 
Data - 11/05/1958
Estádio -  Maracanã

Flamengo: Fernando, Joubert, Milton Copolilo, Jordan, Jadir (Tomires), Dequinha (Carlinhos), Babá, Duca (Adalberto), Henrique (Manuelzinho), Luís Carlos e Alfredinho.

Gol do Flamengo:
Manuelzinho.

***

FLAMENGO 2 X BRASIL 0 
Data - 6/10/1976
Estádio -  Maracanã

Flamengo: Cantarelli; Dequinha, Jaime (Andrade), Rondinelli (Paolino), Júnior; Merica (Zé Roberto), Tadeu (Dendê), Luís Paulo (Júlio César); Paulinho (Adílio), Zico (Júnior Brasília) e Luizinho (Marciano). Técnico: Cláudio Coutinho

Brasil:
Félix (Leão); Carlos Alberto Torres (Wladimir), Marinho Peres (Zé Maria), Piazza (Beto Fuscão), Marco Antônio (Rodrigues Neto); Clodoaldo (Givanildo), Rivelino (Ademir da Guia); Jairzinho (Gil), Pelé (Dario), Paulo César Caju (Neca) e Edu (Valdomiro). Técnico: Oswaldo Brandão

Gols do Flamengo: Paulinho e Luís Paulo.
Público: 142.404

***

A Seleção Brasileira jamais venceu o Flamengo. 


Fotos: reprodução da internet



terça-feira, 10 de junho de 2014

o carioca Jornal dos Sports

A simpática presença da seleção da Holanda aqui pelas bandas de Ipanema e sua cor - laranja - tão sintonizada com os ares cariocas, me lembrou a Laranja Mecânica, lá atrás da Copa de 1974. Elogiada e favorita deslumbrou a todos.

Os jornais só tinham manchete pra ela, que até dividia as manchetes com a seleção brasileira.

O jornal carioca , o Jornal dos Sports era um deles. No confronto Brasil x Holanda ...


O Jornal dos Sports, jornal esportivo do Rio, foi  fundado pelo jornalista Argemiro Bulcão em 1931.
Ficou famoso por suas páginas em cor-de-rosa, inspiradas no jornal francês L´Auto e a ideia presente no nome do jornal era de valorizar todas as modalidades esportivas e ,inicialmente, cada edição tinha apenas quatro páginas, todas impressas em preto e branco e era vendida ao preço de 100 réis. Só em 23 de março de 1936, o jornal foi impresso pela primeira vez em página cor- de- rosa.

O Jornal dos Sports teve , tempos mais tarde, como proprietário o jornalista Mário Filho, que nas suas páginas escreveu uma série de crônicas defendendo a construção do estádio do Maracanã para a Copa do Mundo de 1950.

 À frente do jornal, Mário promoveu uma série de inovações. Nos anos 40, introduziu tiras e quadrinhos como forma de ilustrar a participação dos clubes no Campeonato Carioca de futebol. Também foi de responsabilidade de Mário Filho a criação de competições promovidas pelo jornal, como os Jogos da Primavera, em 1947, e o Torneio de Pelada do Aterro do Flamengo, em 1951. Além disso, propôs a criação do Torneio Rio-São Paulo de futebol. 

Passaram pelas páginas do Jornal dos Sports colaboradores como José Lins do Rego, Nelson Rodrigues, José Ramos Tinhorão, Alex Viany, Zuenir Ventura, Reinaldo Jardim,  Ziraldo,  Jaguar, Torquato Neto dentre outros.

Foi,também, no Jornal dos Sports que Henfil criou personagens que se tornaram mascotes das torcidas, como o Urubu (substituindo o marinheiro Popeye como símbolo do Flamengo).

Infelizmente, depois de sucessivas trocas de comando, o Jornal dos Sports  teve sua publicação encerrada em 2010.


sexta-feira, 6 de junho de 2014

Cine Leblon


Cine Leblon, esquina da Avenida Ataulfo de Paiva com Rua Carlos Goes


"Numa folha de papel, afixada na entrada, a notícia que ninguém queria receber.

Os administradores do Cine Leblon anunciaram nesta quinta-feira que o local será fechado, vencido por uma crise financeira.
 “Após mais de uma década de tentativas sem sucesso, no sentido de tornar o Cinema Leblon não deficitário, informamos que suas atividades serão encerradas em breve”, diz o recado na porta.

O anúncio pegou de surpresa moradores do bairro que, junto com artistas, organizaram nesta quinta mesmo um abraçaço no cinema, um dos poucos em área aberta na cidade. Nos últimos anos, a maioria deixou as ruas do Rio, e hoje as salas de projeção estão concentradas em shoppings. Na fachada se conserva o antigo design em que os nomes dos filmes são escritos por letras montadas manualmente por funcionários e o letreiro anuncia o cartaz desta semana.

O Kinoplex, responsável pelo Cine Leblon, confirmou que vai encerrar as atividades porque não conseguiu tornar a atividade “rentável”.

A casa foi inaugurada em 29 de setembro de 1951. Na época, com 1.294 lugares. O primeiro filme exibido ali foi “Terceiro homem”, um clássico do cinema noir, de Carol Reed. O acontecimento mereceu destaque, na ocasião, na Revista Cine Repórter, em que um cronista escreveu: “Sem exageros e requintes de nouveau riche, o Cine Leblon é uma casa com fachada simples. A sala de espera em mármore rosa prepara o frequentador para o salão de projeção amplo, todo atapetado, um tapete grosso e macio.”

O Cine Leblon funcionou com a configuração que tinha quando foi inaugurado até 30 de setembro de 1975. Depois, passou por reformas e, atualmente, tem duas salas de exibição."

Fonte: O GLOBO

domingo, 1 de junho de 2014

Entre 1950 e 2014, um Rio diferente

Em 64 anos a população do Rio triplicou, saltando de 2,3 milhões para 6,4 milhões de cariocas. Os 57,5 mil carros de então, um para cada quarenta residentes, parecem piada perto dos atuais 2,5 milhões de veículos — o equivalente a todos os carros da América Latina no ano de 1950.

Da Praça Paris,se via o mar, não existia o aterro; a cidade tinha bondes era a capital do país. Nada disso acontece mais, só existe na memória.

 Cartão Postal mostrando  a praia do Flamengo sem aterro, em 1950


Os ingressos do Maracanã para a Copa, em 1950, custaram a partir de 30 cruzeiros.
Uma cadeira numerada da final - como a abaixo - custou Cr$ 150,00, cento e cinquenta cruzeiros.

Ingresso da final Brasil x Uruguai, em 1950

O Túnel do Pasmado tinha, acima, uma favela, que foi removida e seu sentido era invertido


Coisas de um Rio que se foi...