quarta-feira, 29 de abril de 2015

Uma rolinha na varanda...

Um episódio daqueles bem corriqueiros, acabou gerando um mini conto.

Uma rolinha insistente na varanda do apartamento de uma amiga - no
 décimo andar de um prédio no bairro carioca de Laranjeiras -
cujo coração respondeu com um diálogo pouco provável, diriam alguns,
mas verossímil para os que entendem e se entendem  - um privilégio - com aqueles 
que tem penas, asas ou patas.

Um díálogo cheio de amor e respeito.

"E lá esta ela, de novo.
Ela: Ele: Sei lá. Uma rolinha.
Ela (de novo), entrou quatro vezes na varanda
e, claro , não soube sair.
E eu:  -Por favor, não vai se machucar!
E ela: - Por favor, não vai me machucar !
A saída é por aqui, sua tonta!
Você não vê? Aqui não é o seu lugar!
E agora, janelas fechadas , calor.
Ela vem, espicha o pescoço, espicha e espia,
espia e espicha, cobiça.
Cobiça o que, menina...água, comida, fartas todos os dias?
Sua tonta!
Você não entende!
E volta, todos os dias, e espicha o pescoço e espia, espia e espicha…
Você não entende sua tonta!
Eles não podem voar!"
                                                                                    Sonia Bee
                                                                                       ( Carioca Gente Boa, de Laranjeiras)


segunda-feira, 27 de abril de 2015

Abertura da Estação de Inverno, há 80 anos

Paris ditava  a moda para o mundo, a capital brasileira, Rio de Janeiro, irradiava valores para o resto da nação, os comportamentos e a moda francesa.


A Rua do Ouvidor, no Centro do Rio de Janeiro, foi a primeira a concentrar lojas francesas, local conhecido como o “beco de luxo”.
Ali se estabeleceram muitos profissionais da  moda que vão entre costureiras, alfaiates e grandes lojas, como a famosa loja Notre Dame de Paris, inaugurada em 1850.
   
"Como depois de saudar de antemão o termo da nossa viagem pela Rua do Ouvidor, paramos em frente da imensa loja de modas Notre Dame de Paris, encontramos nela compreendida a antiga e pequena casa célebre que foi loja de papel e de objetos de escritório do Passos, republicano inofensivo, mas inabalável, de cuja velha mesa de pinho na saleta do fundo ainda muita gente há de lembrar-se: como em seguida as recordações do Passos, trata-se por exceção da grande loja de modas composta de lojas confederadas com sala central, armazém no fundo, sobrado por cima, portas de entrada e de saída, aqui, ali, e acolá, e tudo de modo a tornar indispensável uma cana topográfica para uso dos fregueses, e a propósito conta-se a história ingênua de Alexandre e de Elvira, dois noivos namorados que andaram mais de uma hora perdidos um do outro na loja de modas Notre Dame de Paris..
(Foto de 1863
Texto - trecho de  Memórias da Rua do Ouvidor, de Joaquim Manuel de Macedo )

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Podemos chorar...

O choro já tem uma casa para chamar de sua.

 Depois de quatro anos de obras, o imóvel da Rua da Carioca 38 — construído em 1902 e carinhosamente chamado de mourisquinho por conta de suas características mouras — abre as portas.

A Casa é um sonho antigo, uma necessidade, uma demonstração de respeito e o cumprimento de uma obrigação com essa que é a mais antiga e rica cultura musical do nosso país."                                                                           presidente da Casa, a cavaquinista Luciana Rabello.








"Estamos em festa, pois esta é uma dívida histórica com o gênero que é a fotografia do Brasil e sua mistura de raças. Muita gente acha que choro é musica de velho, mas é a cara da miscigenação. Esta casa é o resultado da luta de muitas pessoas comprometidas com esta cultura, agora é ocupar com responsabilidade para preservar ainda mais esta história "

                                                                                        o violonista Yamandu,Costa 

O choro é a primeira música urbana do Brasil. Já deveria ser patrimônio cultural da humanidade, sugerem alguns. Nascido nos subúrbios do Rio por volta de 1870, o choro tem herança na música europeia — valsa e polca, sobretudo —, mas carregada no sotaque nacional.

Em 1830 nasceu Henrique Alves de Mesquita, conhecido como o primeiro compositor do que, a partir de 1876, veio a ser chamado de choro. Antes de 1876, o gênero era denominado polca cateretê, uma mistura do ritmo europeu com influências indígenas, o primeiro fusion da música brasileira .
O choro é uma música elegante, profunda, afetiva — observa Amelia, lembrando que depois do choro veio o chorinho, a versão cantada do gênero

A Casa do Choro tem oito salas de aula e ensaio espalhadas pelos três andares do prédio de 780 metros quadrados. Também há um centro de memória, um auditório com capacidade para 120 pessoas e um espaço voltado a rodas de choro no fim do dia.

 Então... o Rio ganhou um local oficial onde podemos chorar  o tempo todo!


terça-feira, 21 de abril de 2015

A pioneira Edna Savaget



Hoje se fala e exalta programas como Mais Você, de Ana Maria Braga,  o Encontro com a Fátima Bernardes, mas esses programas nada fazem de diferente do que lá atrás foi inovadora ...Edna Savaget.

Abordando temas como saúde, beleza, entrevistava médicos, falava de procedimentos estéticos , e, principalmente de assuntos culturais, de livros, livros, livros.

Elegante, sempre lia ou uma poesia ou dizia um texto literário... 
Foi a primeira apresentadora a levar literatura para a televisão, pois não considerava a mulher alienada como os homens da época gostariam que fossem, e se dizia empenhada em dar "um pouco do que elas queriam e muito do que precisavam: cultura e informação."

Seu programa era isso.


Começou na TV Globo, o canal 4 do Rio de Janeiro, e foi o primeiro programa feminino - Sempre Mulher -  a entrar no ar. Em 1965, há 50 anos.
 
Depois foi para a TV Tupi, antigo canal 6, e criou o maior sucesso em programa feminino: o programa Boa Tarde, que muito vi na minha adolescência.

sábado, 18 de abril de 2015

Uma crônica de Antonio Maria

 Um texto delicioso do grande cronista Antônio Maria, de abril de 1955, há 60 anos.

*****
 
 
"Aqui está uma carta deliciosa, de boêmio e freqüentador da noite. Espero que o leitor encontre nela tudo que encontramos de saboroso.
 
Comecemos a transcrição desde o trecho que diz:
 
“ Mas vamos ao ocorrido. Bebemorando a minha solidão, estava eu no “Bidou” ( ao contrário do que se fala, um refúgio alegre, com boa música, bonitas cantoras e ainda um proprietário de sobrenome Alvarado, atencioso, que se dedobre em cantor, locutor,
apresentando o “show” ótimo para as dimensões da casa, que ainda é caixa e ajuda o “barman” na preparação dos “drinks” para os fregueses da sua
“ boite” diariamente superlotada... estava eu, quando entrou um senhor visivelmente sem classe para beber, pois demosntrava a sua embriaguez, dizendo ser (CENSURADO) e exigindo, em altos berros, que todos se retirassem e que o senhor Alvarado fechasse imediatamente a “boite”. Como todo brasileiro que se preza, quis fazer valer o meu “cartão”, porém as circunstâncias de ser casado, exercer certa função s ser mal compreendido por aqueles que gostam mas fingem que não gostam de “boites”, prefeeri ficar anônimo, como também ficarei nesta, prometendo-lhe apresentar-me, pessoalmente e cumprimentá-lo pelos seus serviços jornalísticos. Felicidades. Um Boêmio”.
 
Na carta desse “Boêmio” ( uma jóia de carta) eu descubro que houve uma daquelas “incertas” da Polícia no famoso “Bidou” da Prado Júnior.

Esse amável leitor pretende que eu verbere o policiamento policial para com a “boite” de Don Alvarado, não é ?

Então, faça-se a sua vontade.

Foi um absurdo o que fizeram no “Bidou”, bar pacato de uma gente pacata, dirigido por  um artista, esse Alvarado que canta, fala, cobra e recebe. Espero que o 2o. Distrito repare a sua feia atitude, sua violência, indo incorporado à presença do dito Alvarado, para desagravá-lo publicamente. 
 
Está satisfeito, meu caro leitor?"
 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Saudades da Panair

A Panair do Brasil foi a maior companhia aérea do Brasil até 1965, quando foi obrigada a fechar as portas.
A Panair foi uma das pioneiras na rota Brasil-Europa e era reconhecida por sempre buscar o avanço e a tecnologia. A companhia oferecia ao passageiro o "Padrão Panair", que incluía talheres de prata, copos de cristal, entre outros.

Suas propagandas eram muito elegantes e muitas associavam sua imagem à cidade do Rio de Janeiro, somando o mesmo padrão de beleza.



"descobri ... que tudo é pequeno nas asas da Panair "

(Milton Nascimento e Fernando Brandt, 1975)







segunda-feira, 13 de abril de 2015

Achados arqueológicos do Centro do Rio

As obras de modernização da cidade do Rio,
ao mesmo tempo que constroem  o futuro,
revelam o rico passado da história da cidade.

 As escavações em vários sítios  nos mostram isso.

Cais do Valongo

Considerado um dos mais ricos e completos acervos sobre negros escravos já descoberto no mundo, o material recolhido no Cais do Valongo ajuda a contar a história da escravidão no Brasil. Foram encontradas centenas de milhares de peças, entre objetos das classes dominantes (faianças e peças de adorno) e aqueles associados aos escravos (cachimbos, aneis de piaçava, seixos e conchas. Na primeira etapa do estudo, foram contabilizados 325 mil itens, mas ainda há material para ser catalogado e contabilizado. Foi escavada uma área em torno de 4.000 metros quadrados.


Sítio das Marrecas

Nos arredores das ruas Evaristo da Veiga e Marrecas, no Centro do Rio foram encontrados os alicerces do Hospício de Jerusalém, que pertenceu aos padres da Terra Santa e existiu no século XVIII, a partir de 1733. Próximo a um dos alicerces, foi encontrada uma área com cerâmicas indígenas tupis-guaranis e ossos de animais e conchas de moluscos, além de grande concentração de carvões, faianças portuguesas, porcelanas chinesas e telhas coloniais. Também foram recolhidos objetos de africanos escravizados, como defumadores de cerâmica. Para os arqueólogos, os achados são uma evidência de que os grupos formadores da população carioca - índios, negros e brancos – interagiram em um mesmo espaço nos primeiros séculos da colonização.


Rua Primeiro de Março

Há fortes indícios de que a primeira casa que existiu no terreno tenha pertencido a Manuel de Brito, nobre português que chegou ao Brasil com Estácio de Sá, fundador da cidade. A partir do século XVII, a área original foi dividida em lotes menores, passando a compor um quarteirão. Em frente ao prédio dos Correios há marcas de estacas das casas de estuque do século XVI, estruturas construídas de casas do século XVII, cachimbos nativos e africanos, faianças portuguesas e espanholas dos séculos XVI, XVII e XVIII, fragmentos de potes afrobrasileiros e europeus, balas de canhão e cerâmica nativa. 

Igreja de Santo Antônio e entorno

Num quarteirão de 100 metros quadrados, com três áreas, as escavações revelaram não apenas os hábitos de consumo dos moradores e comerciantes que habitaram aquele pedaço da cidade, mas a própria ocupação urbana. Naquela área, foram feitos muitos aterros de ruas. Foi encontrado o piso e parte das fundações da antiga igreja, de 1811. Ossadas de 226 pessoas enterradas no antigo cemitério, além de moedas do século XIX, ossos de boi, garrafas e vidros de perfumes e de elixir e faianças.


Cine Plaza

Ao iniciar o trabalho na área do antigo Cine Plaza (construído na década de 1930 e fechado desde os anos 1980), as equipes surpreenderam-se ao achar as estruturas de um imóvel. Pelos registros históricos, concluíram que se trata dos alicerces do Palacete de Antônio Araújo de Azevedo (1754-1817), primeiro conde da Barca. O imóvel foi construído em 1811 e demolido em 1937, após um incêndio. Ele veio para o Brasil na esquadra que transportou a família real. Ao desembarcar no Rio, o conde trouxe na Nau Medusa sua livraria, mais tarde adquirida pela Biblioteca Nacional; uma tipografia completa, que deu origem à Imprensa Régia; uma rica coleção mineralógica; além de instrumentos para estudo de química. Ele se instalou na Ilha Larga d’Ajuda 42, hoje Rua do Passeio, onde montou um laboratório de química.



É a cidade redescobrindo sua origem.

 

 Fonte:  GLOBO on line

sábado, 11 de abril de 2015


A Rua Uruguaiana faz 150 anos nesse mês de abril.

No ano de seu centenário, em 1965,  uma série de anúncios interessantes foram publicados,
dando destaque a essa tradicional rua do Centro do Rio.

O nome original da Rua Uruguaiana  foi Rua da Vala, por ter se formado seguindo o trajeto de uma vala que havia sido construída no século XVII pelos monges franciscanos para escoar o transbordamento da Lagoa de Santo Antônio (que se localizava no atual Largo da Carioca) até o mar, na abertura entre os morros da Conceição e de São Bento.

O nome da rua mudou para Rua Uruguaiana em 1865, em comemoração à retomada brasileira da cidade homônima no mesmo ano durante a Guerra do Paraguai.

Primeiro da série de anúncios publicados





quinta-feira, 9 de abril de 2015

Parque do Flamengo

Há 50 anos, em 1965...


anúncio publicado nos jornais da época



domingo, 5 de abril de 2015

QUIZ SOBRE O RIO

No dia 6 de abril de 1960 era publicada uma nota no jornal, que dizia





QUEM SABE QUE ANÚNCIO É ESSE?

O blog está curioso pra saber.

EM TEMPO: resposta está no comentário que chegou!