domingo, 29 de novembro de 2015

Nova mania carioca é...

... PASSARINHAR.

A arte de contemplar passarinhos é caminhar lentamente e em silêncio, usar roupas camufladas, evitar movimentos bruscos. 


 Entre outras recomendações, não é necessário muito para aproveitar um potencial do Rio que ainda é pouco explorado. Braço do ecoturismo, a observação de aves movimenta cerca de U$ 75 bilhões por ano no mundo, com destaque para os Estados Unidos, onde a atividade é responsável por US$ 36 bilhões.

Cada pássaro tem um canto, uma particularidade. Atrás da lente dos binóculos eles são diferentes.

Daí o...passarinhar.

Passarinhar exige atenção, foco total nos cantos e na movimentação dos pássaros. Funciona como uma meditação, onde não cabe nenhum outro pensamento. Esse foco que é cada vez mais difícil nesse mundo multi-conectado e de atenção difusa.



Saíra-sete-cores (Tangara seledon)

Para fortalecer o turismo ecológico nas Unidades de Conservação, o Sebrae está desenvolvendo um roteiro para observação de pássaros no estado. O Aves do Rio passa pelos locais mais ricos em diversidade. Para não deixar o turista perdido com tantas cores, formatos e sons, o roteiro inclui guias especializados para acompanhar o passeio.

A ideia é integrar toda a cadeia, de agências de viagens a restaurantes. “É um setor que precisa ser trabalhado no Brasil, pois há uma demanda internacional muito forte, principalmente da Inglaterra, onde há muitos observadores”, afirma Marisa Cardoso, gestora de Turismo do Sebrae. 

O Instituto Estadual de Ambiente (Inea) também investe no setor, realizando ‘passarinhadas’ (caminhadas para contemplação de aves)  - Vem Passarinhar Rio nas unidades de conservação do Estado do Rio. 

No 'Vem Passarinhar Rio', do Inea, expedidores fotografam espécies

Em dezembro, acontece ainda o Avistar Rio, quarta edição do maior encontro de fotógrafos e observadores de aves da capital carioca. O evento será no Parque Lage, na Zona Sul, dias 5 e 6, e conta com congressos, exposições, atividades para adultos e crianças, além de passarinhadas. As inscrições estão abertas e são gratuitas pelo portal avistarbrasil.com.br


Gaturamo-verdadeiro (Euphonia violacea)


Terra das palmeiras onde canta o sabiá, o Brasil tem mais de 20 sedes do Clube de Observadores de Aves (COA), três deles no Estado do Rio. O grupo promove passeios, inclusive noturnos, para contemplar os animais. A Ararajuba, a Ararinha-azul, o Gavião-real e o Sabiá-laranjeira lideram a lista dos ‘símbolos nacionais’.

Topetinho-vermelho (Lophornis magnificus)



Mas os que mais encantam nas expedições cariocas são espécies como Tucano-do-bico-preto, Saíra-sete-cores, Tié-sangue, Fragata e Tangará-dançador que, de tão populares, para os especialistas, poderiam até representar o Rio, de acordo com os especialistas.

Segundo o COA-RJ, mais de 20 pontos são frequentados pelos expedidores do estado. Jardim Botânico, Aterro do Flamengo, Mendanha, Grajaú, Bosque e condomínios da Barra da Tijuca estão entre os pontos onde há excursões na capital. Já o Pico das Agulhas Negras, em Itatiaia, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, em Teresópolis, Saquarema, Paraty e Angra dos Reis, no litoral, se destacam entre os roteiros no interior. Parque Nacional da Tijuca, Serra da Bocaina, Restinga de Jurubatiba e Resex, de Arraial do Cabo, também estão na rota das aves.

Tangará (Chiroxiphia caudata)

'Passarinhar funciona
como meditação' 
Ralph Antunes, cardiologista, 57 anos



Fonte:DiaOnline - AMANDA RAITER E LUCAS GAYOSO,Fotos: Ralph Antunes
Reprodução/internet






sexta-feira, 27 de novembro de 2015

João do Rio, raridades em coleção

Raridade. Retrato do autor feito pela artista Tarsila do Amaral em 1940Reprodução 
João do Rio foi o pseudônimo mais famoso de Paulo Barreto (1881-1921), um dos autores mais conhecidos – e controversos – do início do século XX no Rio de Janeiro. Cronista prolífico, ele também foi crítico de arte, escreveu romances, ensaios, contos, peças de teatro, conferências sobre dança, moda, costumes, política.
Coleção João do Rio, próximo lançamento da CARAMBAIA, é composta por três volumes: CrônicaFolhetimTeatro. Eles reúnem uma seleção de crônicas, reportagens, contos ficcionais, entrevistas, peças, sainetes, folhetins e artigos produzidos entre 1899 e 1919. Boa parte dos textos nunca saiu em livro, apenas nos jornais – que permaneceram mais de 100 anos guardados em arquivos e bibliotecas. Até mesmo os romances e crônicas que o próprio autor editou em livro estavam há décadas fora de catálogo.

João do Rio trabalhou a vida toda em jornais e revistas. Ele foi pioneiro como repórter e criou um estilo de texto híbrido de literatura e reportagem, ficção e realidade. Mudou o modo de fazer jornalismo e ajudou a fundar a crônica moderna.
O escritor que conquistou uma vaga na Academia Brasileira de Letras aos 29 anos era um personagem de múltiplas facetas. Usou sua pena para denunciar a miséria, foi porta-voz do povo humilde, que não tinha espaço na imprensa. Inovou ao deixar a redação do jornal e ir para a rua, subir o morro e percorrer os subterrâneos da cidade, para revelar a seu leitor um Rio de Janeiro desconhecido. Ao mesmo tempo, acompanhando as transformações da capital, que vivia, naqueles primeiros anos de República, a fase de sua Belle Époque, João do Rio foi também o cronista dos salões e recepções elegantes da alta roda – a elite que tentava se sofisticar e imitar os estrangeiros.
João do Rio percorreu o mundo, colecionou admiradores e desafetos. Gordo, mulato e homossexual, vestia-se como um dândi – com, por exemplo, um fraque verde combinando com a bengala, cartola e monóculo. Vítima de um ataque cardíaco que o impediu de completar 40 anos, ele deixou 25 livros e mais de 2.500 textos publicados em jornais e revistas.
O projeto gráfico da caixa preparada pela CARAMBAIA foi desenvolvido por um grupo de arquitetos e designers reunidos especialmente para o trabalho e inspirou-se na relação do cronista com aquela que considerava a musa urbana, dotada de uma alma encantadora – a rua.

Seleção dos textos e apresentação: Graziella BetingProjeto gráfico: Cristiane Muniz, Fernando Viégas e Casa 36Tiragem: 1.000 exemplares, numerados à mão.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Crônica Carioca de Todos os Tempos


Uma saborosa crônica escrita em 1960,
pelo saudoso jornalista José Carlos Oliveira, 
um dos intelectuais mais populares e polêmicos do Rio de Janeiro.

Boêmio convicto, eloquente e dono de uma percepção fora do comum, 
Carlinhos Oliveira - como era mais conhecido  frequentou 
os bares e restaurantes em que a inteligência carioca se encontrava. 

Durante quase 30 anos, viu nesses bares, através da reação das pessoas, 
as mudanças pelas quais o Brasil passava. Foi no ambiente dos bares, à noite, 
que encontrou a inspiração que o transformou num dos cronistas mais lidos do país. 



sábado, 21 de novembro de 2015

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Início da Praia do Flamengo

Praia do Flamengo em 1903. Trata-se da construção da avenida que margeia a Baía de Guanabara. Foi o primeiro aterro na região. Ao fundo, o Morro da Viúva.

Praia do Flamengo em 1903. 

A construção da avenida que margeia a Baía de Guanabara foi o primeiro aterro na região. Ao fundo, o Morro da Viúva.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

domingo, 15 de novembro de 2015

Crônica Carioca de Todos os tempos



Mais uma Crônica Carioca de Todos os Tempos.

Publicada no jornal A NOITE em 10 de setembro de 1956 . 
Curta o intimismo da literatura de Lúcio Cardoso.








quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Avenida Beira-Mar...quanta diferença!

Avenida Beira Mar, Glória, década de 1920. Ao fundo, o Centro do então Distrito Federal, com o Palácio Monroe e o Theatro Casino. À esquerda, a Praça Paris. À direita, alguns pavilhões da Exposição de 1922 e as torres da Igreja de Santa Luzia.

Avenida Beira Mar, Glória, década de 1920. 

Ao fundo, o Centro do então Distrito Federal, com o Palácio Monroe e o Theatro Casino. À esquerda, a Praça Paris. À direita, alguns pavilhões da Exposição de 1922 e as torres da Igreja de Santa Luzia.

domingo, 8 de novembro de 2015

A música carioca dos anos 60


Um sucesso da música
que foi lançado há 50 anos:
PRA VOCÊ








A canção PRA VOCÊ foi lançada 
no LP " Só tinha de ser...com Sylvio Cezar", 

em 1965.

Destaca-se nesse LP alguns arranjos diferenciados do então jovem músico J.T.MEIRELLES - antes só conhecido como músico -  que  se tornaram clássicos, como da faixa 9, Viver a Vida, que foi aplaudida pelos músicos da orquestra, após a gravação. Os outros arranjadores desse fantástico disco foram LYRIO PANICALLI, CELSO MURILO e GERALDO VESPAR, da música Pra Você.

As faixas


01 - TERRA DE NINGUÉM ( Marcos Valle / Paulo Sérgio Valle )
02 - COPACABANA ( Silvio Cesar )
O3 - SAMBA DO CARIOCA ( Carlos Lyra / Vinicius de Moraes )
04 - ONDE ESTÁ VOCÊ? ( Oscar Castro Neves / Luvercy Fiorini )
05 - ALELUIA ( Edu Lobo / Ruy Guerra
06 - ARRASTÃO ( Edu Lobo / Vinicius de Moraes )
07 - SÓ TINHA DE SER COM VOCÊ ( Tom Jobim / Aloisio de Oliveira )
08 - TUDO QUE VOCÊ QUISER (Silvio Cesar)
09 - VIVER A VIDA ( Silvio Cesar )
10 - PRA VOCÊ ( Silvio Cesar ) 1ª gravação
11 - FICA COMIGO ( Durval Ferreira / Regina Werneck )







12 - PRELUDIO PRA NINAR GENTE GRANDE (Luiz Vieira) MENINO DAS LARANJAS ( Theo de Barros ) MENINO DESCE DAÍ (Paulinho Nogueira) MENINO GRANDE (Antonio Maria)



*****************

Então...ouçamos PRA VOCÊ




Uma curiosidade:
Pra você não estava pronta, só tinha a primeira parte e só entrou no disco porque faltava uma música pra completar o espaço do LP. Hoje a linda música tem mais de 100 gravações pelo mundo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Mais sobre o comércio carioca

O olhar de Carlos Drummond de Andrade destaca outra loja, dentre as pioneiras e importantes lojas cariocas.

Em uma de suas crônicas, consciente das metamorfoses, o autor analisa as transformações impostas pelo processo de modernização da cidade, reconhecendo que a morte da cidade é também a sua própria morte. Tal descoberta ocorre quando o cronista constata a demolição de O camiseiro, “uma loja tão dentro da vida carioca”

O CAMISEIRO foi loja fundada pelo português Agostinho Pereira de Souza, que teve seu primeiro emprego na Alfaiataria "O Fonseca", na rua do Ouvidor. Depois, passou por várias outras firmas, como  "Barbosa Freitas", "Camisaria Universo", "Fábrica Confiança", "O Cisne" e por fim a "Camisaria Brandão", de onde saiu para fundar a sua própria firma, O Camiseiro, em 1.° de maio de 1919, na Rua da Assembléia, Centro do Rio.



Rua da Assembléia, no início do séculoXX
A loja chegou a ser uma das maiores firmas no mercado de confecções de camisas no Rio de Janeiro. Agostinho foi o criador de grandes promoções, como "As Loucuras de Maio", festejando anualmente o aniversário da firma, com preços muito abaixo do custo, arrastando verdadeiras multidões à sua casa comercial.

Em 1937, depois de uma briga entre clubes cariocas e a conseqüente cisão de quatro anos de duração, Vasco e América conseguem a reconciliação no futebol do Rio de Janeiro. Graças à iniciativa dos presidentes de Vasco e América, respectivamente Pedro Pereira Novaes e Pedro Magalhães Corrêa, no dia 29 de julho, foi criada a Liga de Football do Rio de Janeiro. Para comemorar a vitória fora de campo, os dois times se enfrentaram em São Januário, dois dias depois da criação da Liga, em partida com renda recorde na cidade.

Em 31 de julho de 1937, com 25 mil presentes e salva de 21 tiros, São Januário foi palco da festa que selou o fim da crise no futebol da então capital do país. Promotores da concórdia, Vasco e América se enfrentaram no primeiro jogo de uma melhor de três. O vencedor ficaria com o Troféu da Paz, homenagem de O Camiseiro.

Um reclame da época do rádio dizia

Quem vai ao Camiseiro
Vai de vento em popa

Com pouco dinheiro

Traz muita roupa


Uma curiosidade: a concorrência se inspirava e copiava a criatividade de O Camiseiro.

A Camisaria Cruzeiro, na mesma rua e calçada,  pra concorrer com as Loucuras de Maio, se antecipava e lançava os Escândalos de Abril





segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Outro passeio pelo comércio carioca

A única loja exclusivamente voltada
para a venda de partituras no Rio
vai fechar as portas no dia 31 de dezembro: 
a Músicas Oscar Arany ,
na rua das Marrecas, 40,
no Centro.




Engenheiro e músico amante das cordas — toca violoncelo, viola e violino —, Collatz, de 64 anos, dirige uma empresa de telecomunicações e conta com a ajuda de sua mulher, Marta, para administrar o negócio das partituras. 

A atividade paralela apareceu por acaso em sua vida há quase 30 anos. Frequentador assíduo da loja original nos anos 1970, ele desenvolveu aquela relação de cliente próximo com o dono Oscar Arany (1906-1992). O violoncelista húngaro Arany fugiu do nazismo na Europa em 1938 e, percebendo a dificuldade para se conseguir partituras no Rio, resolveu começar a importar exemplares para revender.
Oscar Arany fez parte da orquestra Sinfônica Brasileira, onde sentiu a falta de partituras clássicas em bom estado e começou a importar, montando assim a loja, no edifício Nilomex, 7 ° andar, na Avenida Nilo Peçanha, onde foi o antigo atelier do seu amigo arquiteto Henri Sajous.



  
Oscar Arany deixou o nome original de Sajous durante décadas, alem de anexar o dele. Neste mesmo endereço recebia a correspondência de seu amigo e a encaminhava.

Era uma loja frequentada pela nata da musica clássica brasileira que só tinha opção de comprar partituras quando viajavam e, eventualmente, a nata da bossa nova.


" A loja era frequentada 
por todos os maiores músicos da época
e também pelos estudantes.
Foi lá que comprei
as sonatas de Beethoven,
edição Breitkopf,
que anos depois dei de presente
a Guiomar Novaes"

Walter Beloch, agente musical que vive em Milão.


E mais comércio carioca nos próximos posts.