domingo, 28 de fevereiro de 2016

Sessão de cinema carioca de domingo...



...passeando no caótico e curioso trânsito carioca do final dos anos 50...
pelas lentes geniais de Jean Manzon.




quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Crônica carioca de todos os tempos



Somos todos estrangeiros
Ivan Lessa


" Estrangeiro é o bairro em que moramos, estrangeira é a mulher que encoxamos no elevador, estrangeiros são nossos pais, nossos filhos. 

Nunca me senti em casa no Brasil, ninguém está em casa no Brasil: todo mundo foi até a esquina, todo mundo foi tomar um cafezinho. 

Achava que, de uma maneira ou de outra, eu estava embromando ou sendo embromado por alguém. 

Que viver não era nada daquilo, que eu não tinha nada com o peixe, que os verdadeiros brasileiros estavam misteriosamente ocupados com seus sofrimentos, ou então atarefados criando um Brasil melhor: gente andando rapidamente nas ruas da cidade, ou cavando uma terra dura e ingrata. 

Os brasileiros eram abstratos, distantes, mais calados do que comumente se supõe. Conheço algumas vozes brasileiras: gostaria de saber escrever na tonalidade do Jorge Veiga, ou do Moreira da Silva, misturada a uma retórica aborrecida e às avessas semelhante à de Ruy Barbosa — como o Hino à 

Bandeira acompanhado de caixinha de fósforos. Os sambinhas, claro, eram brasileiros, o pessoal que sentava ao meu lado no Maracanã era brasileiro, as piadas de papagaio eram brasileiras. 

Mas tudo era de mentirinha, beirando sempre o pitoresco ou se precipitando na tragédia policial ou no editorial dos jornais. 

A vida a sério, os seis quarteirões em que me locomovia, as seis pessoas com quem convivia não eram, digamos assim, bem brasileiros — assim como eu, tinham máquina fotográfica a tiracolo e camisas com palmeiras.

Em tudo que eu engolia ficava uma ponta de tradução atravessada em minha garganta: os filmes com legendas em português, as histórias em quadrinhos, os livros, as notícias; os foxes. Éramos uma versão pobre do que a vida deveria ser — e a vida vinha sempre em inglês, em francês, em alemão. Mesmo quando dizia “eu te amo”, ou “não me chateia”, eu me sentia vagamente ridículo, apropriador — feito um homem de série da televisão mal dublado: minha boca fechada e as palavras ainda saindo, um ventríloquo com descontrole psicomotor.

Reconheci, pelo paladar, pelos olhos, certos molhos, certas bossas tipicamente brasileiras (o problema é que eram típicos): feijoada, dendê, folha seca de Didi, Noel Rosa, escola de samba. Mas a essência, a parte que tratava de mim (nos meus seis quarteirões, na cidade no sul do país) e de minha relação com os severinos todos, essa parte era sempre tratada em outra língua; eu pertencia aos estrangeiros, foram eles que me disseram como vim a fazer parte ou como nunca fiz parte. Eu era, como todo brasileiro, um improvisador, um adaptador, um tradutor, conseqüentemente um traidor — porque eu olhava para a cara de meu semelhante e não sabia como poderíamos nos entender, o que ele tinha a me dizer, o que eu poderia lhe dizer, como juntos conseguiríamos nos salvar. No entanto, o tempo todo, eu era, eu sou, apenas mais um João, só que em russo.

Não consegui, como tanta gente de minha geração ou mais moça do que eu, me interessar pelo folclore caboclo. A própria palavra folclore já leva embutido um desaforo urbano. No entanto, achava que o setor, devidamente estudado por profissionais competentes, me seria útil, me forneceria, por exemplo, dados para escrever com justeza para um público moço que vive de cinema, disco e que sabe, curiosamente, que há uma tremenda safadeza, uma violência no ar. Não lia, portanto, O Negrinho do Pastoreio — o que já preparava o terreno até para eu deixar de ler Machado de Assis ou Dalton Trevisan. 
Comprava pocketbooks, que eram mais baratos, mais engraçados, e, de certa forma, sobre mim, a meu respeito. 

Preocupado comigo mesmo, com esse “meu respeito”, descobri-me sozinho no meio da avenida repetindo eu... eu... eu... como um pronome enguiçado que não consegue engatar a segunda e a terceira do singular. Perdi os joões, os josés, os severinos, vim para o original, o estrangeiro, dando início a uma certa paz, tranqüilidade, a noção de ordem: as legendas acabaram, sou finalmente, completamente, um estrangeiro. 

Posso agora conjugar-me no plural, dizer nós. 

Somos todos estrangeiros, sois todos estrangeiros, são todos estrangeiros. Não há nada a fazer a não ser descobrir esse estrangeiro que há na gente. Daí então a gente começa a falar brasileiro, coça o saco, conta como é que é. Daí então o papo, aquele papo, pode começar. Só que agora pra valer."

( publicado em O Pasquim, setembro de 1970)




segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Nos tempos da KIBON com o K



Em 1976, há  40 anos,  nos tempos da KIBON  com a marca do K...

logovelha_kibon






Aliás, foi o Rio de Janeiro que acolheu a nova empresa KIBON, em 1941 e nome criado por...

origenes1...Orígenes Lessa

Escritor, jornalista, novelista, romancista também trabalhou como redator chefe da primeira agência de publicidade do Brasil, J. Walter/Thompson Company, atualmente JWT. 

Um dos trabalhos de atuação de
Orígenes Lessa como publicitário
foi a criação da marca do sorvete KIBON.


Na década de 40, especialistas norte-americanos em mercadologia estavam no Rio de Janeiro, contratados pela General Foods, a fim de que fosse feito o lançamento nacional do melhor sorvete do mundo. 
Seria achocolatado, cremoso e nutritivo, capaz de ser saboreado com absoluto prazer por crianças, jovens, adultos e idosos. Para que o miraculoso produto estivesse ao alcance dos brasileiros só faltava o nome de fantasia. 
Os técnicos já dispunham de uma relação enorme de sugestões, mas nada que justificasse o investimento. Quando o técnico-chefe terminou de falar as qualidades do sorvete, Orígenes estava de água na boca.
 Usou uma só para expressar seu sentimento e essa palavra terminou funcionando como a marca registrada de uma indústria que se tornaria poderosa entre nós: “Kibon”.

E surgiu...


domingo, 21 de fevereiro de 2016

O mais carioca dos argentinos


Hoje é domingo de FLA x FLU, pelo Campeonato Carioca.
E essa rivalidade sempre existe e emociona, com lances diferenciados, as torcidas, os gritos e cânticos. E, claro, os craques.
Conhecido como “El loco” e “Diabo louro”, o ídolo Doval faz lembrar a rivalidade entre rubro-negros e tricolores, o Fla-Flu, um dos mais charmosos clássicos do futebol brasileiro e mundial. Idolatrado nos dois clubes arquirrivais há mais de cem anos, o argentino Doval, com suas arrancadas, raça e técnica, fez história nos gramados do país nos anos 70, junto com craques como Zico, jogando na Gávea.
“O mais carioca dos argentinos”, Doval despertou paixões dentro e fora dos estádios e foi bicampeão estadual pelo Flamengo (1972 e 1974) com seus longos cabelos loiros e olhos azuis. O atacante do Flamengo morou em Ipanema, então no auge da moda, e frequentava as areias desta mesma praia, atraindo a atenção das mulheres. Irreverente e solteiro, era figurinha fácil também na noite do Rio.

Narciso Horacio Doval começou a carreira no San Lorenzo, o mesmo clube do Papa Francisco. Pelas mãos do técnico Tim, ele chegou ao Flamengo em 1969, onde jogou até 1971, quando foi vendido para o argentino Huracán, retornando no ano seguinte ao rubro-negro. 
Primeiro grande parceiro de Zico e duas vezes artilheiro do carioca vestindo a camisa com as cores vermelha e preta, o argentino atuou em 283 partidas pelo time da Gávea, atingindo a marca de 92 gols.
Mesmo consagrado como ídolo no Flamengo, Doval acabou entrando no troca-troca do futebol carioca, comandado pelo presidente do Fluminense, Francisco Horta.
Ele chegou a se naturalizar brasileiro, sonhando também com a convocação para a Copa da Argentina, naquele ano, o que acabou não acontecendo. 
O “gringo”, outro nome dado pela torcida do Flamengo ao jogador, morreu em 1991, de ataque cardíaco, aos 47 anos, na saída de uma discoteca em Buenos Aires. 
Ele tinha ido à boate para comemorar a vitória de 2 a 0 do Flamengo em cima do Estudiantes pela Supercopa.


sábado, 20 de fevereiro de 2016

Barra da Tijuca...Ontem e Hoje





Em 1956... há 60 anos



Nos dias atuais



Como se deixa estragar tanto!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Gíria...Arrebentou a boca do balão

Essa gíria explodiu rapidamente no início de 1986, há 30 anos.

E nasceu no subúrbio de Madureira.

A origem?  

Entre os baloeiros que confeccionavam alegorias de carnaval. Eles, que representavam a mão-de-obra especializada das escolas de samba – já que a mesma habilidade é exigida tanto na confecção dos adereços e fantasias quanto na dos mais exuberantes e perigosos balões – comparavam a tragédia que acabava com meses do baloeiro e sua equipe.

Arrebentar a boca de um balão é muito ruim, é o incêndio total. Pra arrebentar a boca, um balão tem que ter uma pressão enorme, tão grande que o baloeiro não consegue controlar.

Por outro lada, a pressão, segundo baloeiros, é uma qualidade muito positiva em um balão.

Assim, se uma pessoa arrebentou a  boca do balão é ,por analogia, porque ela estava cheia de gás.

Em 1986, até o linguista e filólogo Antonio Houaiss, comentou, dizendo que a gíria “ arrebentar a boca do balão” era uma das gírias mais notáveis pela sua sonoridade e pouca racionalidade e expressava muita emotividade,  mas que duraria muito pouco, pela rapidez com que estava sendo consumida.

“ Arrebentar a boca do balão” durou pouco, mas entrou para a história.


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Grammy e o RIO QUE MORA NO MAR...


Eliane Elias, a  maravilhosa pianista brasileira que ontem ganhou o Grammy, de melhor álbum de jazz latino com Made in Brazil,  e  a canção RIO, de Menescal e Bôscoli, inspiradora do nome do blog, desse álbum.

Sensacional interpretação!











sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

No escurinho do cinema...carioca


Depois do carnaval e antes do ano começar pra valer,
 nada melhor que uma boa sessão de cinema.


Então... que tal assistir  BARNABÉ, TU ÉS MEU, 
comédia da Atlântida,
e o elenco clássico das chanchadas?


Oscarito (Barnabé)
Grande Otelo  (Abdula)

Fada Santoro(Zulema)

José Lewgoy  (Garcia)

Cyll Farney  (Mário)

Emilinha Borba (Rosita)
Renato Restier (Salomão)
Adelaide Chiozzo (Antonieta)
Pagano Sobrinho (Homem do pirulito)


Lançado em 1951, há 65 anos. 

UM CLÁSSICO!


parte 1




parte 2



parte 3



parte FINAL




ou se preferir, veja tudo de uma vez , ampliando
AQUI


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Agonia de Pierrot



Mais uma crônica carioca de todos os tempos.
Revista Fon-Fon - edição do Carnaval de 1936, há 80 anos.








segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Show de carioquice!!!

EXTRA! EXTRA! EXTRA!
CARNAVAL 2016!


Interrompemos os textos já programados para falar do show 
que foi o desfile da UNIÃO DA ILHA DO GOVERNADOR
nesse Carnaval de 2016!


Criatividade, fácil de entender sem aquelas fantasias complicadas, iguais todos os anos e que precisam de manual.

Um colorido poderoso, pertinente mostrando com a irreverência carioca, a "turma de Zeus" desembarcando no Rio num domingo de sol e conhecendo um povo  - SER CARIOCA É TIPO ASSIM, como diz a letra do sambacheio de bossa, cheio de ginga, sem vacilo, guiado pela sua pira olímpica natural, o sol. 

Cada ala reservou uma surpresa, tudo embalado pelo canto no gogó -  por toda a escola! -  puxado pela força do Ito Melodia e a maestria da baterilha sen-sa-ci-o-nal, com paradinhas eletrizantes, como no trecho que dizia...


FIRMA A BATIDA NA PALMA DA MÃO,
OS JOGOS VÃO COMEÇAR,
JÁ SOMOS TODOS IRMÃOS,
OS DEUSES QUEREM FICAR

E TODO MUNDO CAI NO SAMBA!

NA GINGA, NO BATUQUE E NO COMPASSO

ALÔ MEU RIO, AQUELE ABRAÇO...



A comissão de frente com a presença de tetraplégicos Guilherme Pinto / O Globo
A bela, precisa e emocionante Comissão de Frente


Cariocas e coisas cariocas muito bem retratadas com alegria...

o biscoito Globo, que virou biscoito Mundo

os surfistas  nas ondas

as dezenas de asas delta cercando o Cristo Redentor


camarão de jet ski,
o pessoal que se queima demais e vira camarão


skatistas passeavam nas cabeças

o pessoal do fitness



Concordo plenamente com o verso do samba que diz

MEDALHA DE OURO A NOSSA UNIÃO!


Já é! 








continue lendo, abaixo, sobre o 
CARNAVAL DE TODOS OS TEMPOS.



Uma decoração de Carnaval que marcou


Em 1966... há 50 anos




                                                   


MENINOS EU VI!






AMANHÃ TEM MAIS CARNAVAL DE TODOS OS TEMPOS.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O grande sucesso do Carnaval de todos os tempos...

... se chama TRISTEZA.

Sucesso de autoria de Haroldo Lobo e Niltinho,
do Carnaval de 1966, há 50 anos,
 na voz de Ary Cordovil Nicanor de Paula Ribeiro Filho  que
completaria 93 anos, nesse ano de 2016.

Originalmente, Tristeza era uma composição de Niltinho, que pedira ajuda a Haroldo Lobo, para terminá-la. Haroldo refundiu o samba, montou a letra, mudou compassos e fez melhor harmonização. 

Estava pronta uma obra-prima que seria a coqueluche do carnaval de 1966.

Haroldo Lobo faleceu em 1965 e nas ruas e nos salões, o samba tocou exaustivamente. 

Só deu... TRISTEZA POR FAVOR VAI EMBORA...

PRA CURTIR E OUVIR!





AMANHÃ TEM MAIS CARNAVAL DE TODOS OS TEMPOS.


sábado, 6 de fevereiro de 2016

Os Clóvis no Carnaval carioca


 Patrimônio Cultural Carioca 
os Grupos de Foliões Carnavalescos
denominados "Clovis ou "Bate-bolas".

Decreto n° 35134 de 16 de fevereiro de 2012


Coloridos, barulhentos, muitos.Controversos,  assustadores.
Tradição, subúrbio, alegria
Clóvis, bate-bolas.




A saída dos grupos é anunciada com fogos




Estudos diziam que eles teriam surgido após 1930. Outros que teriam relação com a figura do palhaço da Folia de Reis.

Vale ler  a crônica " O Clóvis" , assinada por Jachinto, publicada na revista Fon-Fon, número 6 ( pág 58), garimpada pelo RIO QUE MORA NO MAR, que evidencia  a presença desse personagem em 1928, e já usando clown como sinônimo de clóvis.

Assim, mais uma crônica carioca de todos os tempos.


" E o clóvis venceu. 
Venceu porque João é brasileiro
e nasceu no Rio de Janeiro." 


Clique no título e no rodapé para ampliar e ler as duas partes da página.


AMANHÃ TEM MAIS CARNAVAL DE TODOS OS TEMPOS.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Praça Onze


Mais uma crônica carioca de todos os tempos

"Praça Onze   
ANÍBAL MACHADO

A praça transbordava. 
Dos afluentes que vinham enchê-la, eram os do Norte da cidde
e os que vinham dos morros que traziam maior caudal de gente.  
O céu abaixo absorvia as vozes dos cantos e o som em fusão da centena de pandeiros,
de cuícas gemendo e de tamborins metralhando. 
 O negro indiferenten à alegria dos outros, estava com o coração batendo, à espera.
Só depois que Rosinha chegasse, começaria o carnaval.  
O grito dos clarins lhe produz um estremecimento nos músculos e um estado de nostalgia vaga, de heroismo sem aplicação. 
 Ó Praça Onze, ardente e tenebrosa, haverá ponto do Brasil em que, por esata noite, sem fim, haja mais vida explodindo, mais movimento e tumulto humano, do que esse aquário reboante e multicor em que as casas, as pontes, as árvores, os postes parecem tremer
e dançar em conivência com as criaturas e a convite de um Deus obscuro
que convocou a todos pela voz desse clarim de fim do mundo?"

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Carnaval há 50 anos...


... anunciava


Não veio. Apareceu, por aqui só no Carnaval de 1968.

Mas a alegria reinou no Carnaval de 1966 e, em tempos de atos institucionais,
 teve até um "Ato Institucional da Alegria", decretado pelo Rei Momo, após receber,
do governador Negrão de Lima -  à direita da foto abaixo - 
o governo pelos quatro dias de folia.










segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Personalidades do Carnaval Carioca


" Domingo, lá na casa do Vavá
Teve um tremendo pagode
Que você não pode imaginar
Provei do famoso feijão da Vicentina
Só quem é da Portela é que sabe
Que a coisa é divina"
(Paulinho da Viola)


Tia Vicentina, da Portela, se tornou uma personalidade do Carnaval Carioca.


Conheça mais sobre essa dama do samba, em entrevista de 1966, há 50 anos.



Clique no texto acima pra ampliar, se quiser.