domingo, 30 de outubro de 2016

A visionária Raquel de Queiroz

A crônica “Votar”, da  escritora Raquel de Queiroz, publicada na revista “O Cruzeiro”, em 1947, com o objetivo de alertar os eleitores da importância do voto. 
Texto antigo, mas com um conteúdo mais que atual. Confira!

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" Não sei se vocês têm meditado como devem no funcionamento do complexo maquinismo político que se chama governo democrático, ou govêrno do povo. Em política a gente se desabitua de tomar as palavras no seu sentido imediato. No entanto, talvez não exista, mais do que esta, expressão nenhuma nas línguas vivas que deva ser tomada no seu sentido mais literal: governo do povo. Porque, numa democracia, o ato de votar representa o ato de FAZER O GOVERNO.
Pelo voto não se serve a um amigo, não se combate um inimigo, não se presta ato de obediência a um chefe, não se satisfaz uma simpatia. Pelo voto a gente escolhe, de maneira definitiva e irrecorrível, o indivíduo ou grupo de indivíduos que nos vão governar por determinado prazo de tempo.
Escolhem-se pelo voto aqueles que vão modificar as leis velhas e fazer leis novas – e quão profundamente nos interessa essa manufatura de leis! A lei nos pode dar e nos pode tirar tudo, até o ar que se respira e a luz que nos alumia, até os sete palmos de terra da derradeira moradia.
Escolhemos igualmente pelo voto aqueles que nos vão cobrar impostos e, pior ainda, aqueles que irão estipular a quantidade desses impostos. Vejam como é grave a escolha desses “cobradores”. Uma vez lá em cima podem nos arrastar à penúria, nos chupar a última gota de sangue do corpo, nos arrancar o último vintém do bolso.
E, por falar em dinheiro, pelo voto escolhem-se não só aqueles que vão receber, guardar e gerir a fazenda pública, mas também se escolhem aqueles que vão “fabricar” o dinheiro. Esta é uma das missões mais delicadas que os votantes confiam aos seus escolhidos. Pois se a função emissora cai em mãos desonestas, é o mesmo que ficar o país entregue a uma quadrilha de falsários. Eles desandam a emitir sem conta nem limite, o dinheiro se multiplica tanto que vira papel sujo, e o que ontem valia mil, hoje não vale mais zero.
Não preciso explicar muito este capítulo, já que nós ainda nadamos em plena inflação e sabemos à custa da nossa fome o que é ter moedeiros falsos no poder.
Escolhem-se nas eleições aqueles que têm direito de demitir e nomear funcionários, e presidir a existência de todo o organismo burocrático.
E, circunstância mais grave e digna de todo o interesse: dá-se aos representantes do povo que exercem o poder executivo o comando de todas as forças armadas: o exército, a marinha, a aviação, as polícias.
E assim, amigos, quando vocês forem levianamente levar um voto para o Sr. Fulaninho que lhes fez um favor, ou para o Sr. Sicrano que tem tanta vontade de ser governador, coitadinho, ou para Beltrano que é tão amável, parou o automóvel, lhes deu uma carona e depois solicitou o seu sufrágio – lembrem-se de que não vão proporcionar a esses sujeitos um simples emprego bem remunerado. Vão lhes entregar um poder enorme e temeroso, vão fazê-los reis; vão lhes dar soldados para eles comandarem – e soldados são homens cuja principal virtude é a cega obediência às ordens dos chefes que lhe dá o povo. Votando, fazemos dos votados nossos representantes legítimos, passando-lhes procuração para agirem em nosso lugar, como se nós próprios fossem. Entregamos a esses homens tanques, metralhadoras, canhões, granadas, aviões, submarinos, navios de guerra – e a flor da nossa mocidade, a eles presa por um juramento de fidelidade. E tudo isso pode se virar contra nós e nos destruir, como o monstro Frankenstein se virou contra o seu amo e criador.
Votem, irmãos, votem. Mas pensem bem antes. Votar não é assunto indiferente, é questão pessoal, e quanto! Escolham com calma, pesem e meçam os candidatos, com muito mais paciência e desconfiança do que se estivessem escolhendo uma noiva. Porque, afinal, a mulher quando é ruim, dá-se uma surra, devolve-se ao pai, pede-se desquite. E o governo, quando é ruim, ele é que nos dá a surra, ele é que nos põe na rua, tira o último pedaço de pão da boca dos nossos filhos e nos faz apodrecer na cadeia. E quando a gente não se conforma, nos intitula de revoltoso e dá cabo de nós a ferro e fogo.
E agora um conselho final, que pode parecer um mau conselho, mas no fundo é muito honesto. Meu amigo e leitor, se você estiver comprometido a votar com alguém, se sofrer pressão de algum poderoso para sufragar este ou aquele candidato, não se preocupe. Não se prenda infantilmente a uma promessa arrancada à sua pobreza, à sua dependência ou à sua timidez. Lembre-se de que o voto é secreto.
Se o obrigam a prometer, prometa. Se tem medo de dizer não, diga sim. O crime não é seu, mas de quem tenta violar a sua livre escolha. Se, do lado de fora da seção eleitoral, você depende e tem medo, não se esqueça de que DENTRO DA CABINE INDEVASSÁVEL VOCÊ É UM HOMEM LIVRE. Falte com a palavra dada à força, e escute apenas a sua consciência. “Palavras o vento leva, mas a consciência não muda nunca, acompanha a gente até o inferno”.

sábado, 29 de outubro de 2016

Tsunami no Leblon


Não é exagero, não.

A escala Richter mede graduações de terremotos. Não tem uma escala semelhante para medir graduação de tsunami. Mas o fato é que o que aconteceu por lá não foi ressaca.

Já fui moradora do Leblon e presenciei muitas ressacas, inclusive algumas muito fortes de invadir as pistas da orla, ter muita areia nas ruas, mas na dimensão dessa vez, é quase inacreditável.

Só vendo pra crer.









Há 50 anos, ontem como hoje

As manchetes  diziam





Pois é... 1966 uma super ventania.
50 anos depois, um tsunami no Leblon.
Pra pensar!


terça-feira, 25 de outubro de 2016

Gostosuras cariocas de outros tempos


Anúncios de 1956... há 60 anos... nos falam de sabores de outros tempos











domingo, 23 de outubro de 2016

Ela é carioca...


Ela é carioca...basta o jeitinho dela andar...


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O tema é recorrente, mas está sempre intrigando, instigando, revelando.

Está certo, Caetano cantou os meninos do Rio. 

Mas na cidade que inventa modinhas a cada verão, são elas, as meninas do Rio, as porta-bandeiras dos novos comportamentos à beira-mar. 

E já faz tempo que é assim, pensem em todas as mulheres incríveis que já passaram pelas areias de Ipanema desde o tempo em que Helô Pinheiro enchia o mundo inteirinho de graça ao caminhar pela rua Vinícius de Moraes, que, naquela época, ainda era Montenegro.

A carioca tem mesmo um je ne sais quoi que fascina os homens, mata de inveja a concorrência e intriga quem trabalha com moda. Que mulher é essa que não se rende aos códigos e manuais, criando um estilo ao mesmo tempo forte e muito feminino, quase impossível de copiar?

 Eis a questão.

Cariocas são exemplos de um estilo de mulher, do tal borogodó que levam da praia para a rua (e para a vida!) de maneira absolutamente descontraída.

Em outra cidade, elas seriam as novas it-girls, um termo que nunca colou de verdade por aqui. Até porque, quem se permite ser it, viola o primeiro mandamento da carioquice: aquele que nega qualquer traço de presunção.


(baseado em texto -  caderno ELA, sobre moda carioca)

sábado, 22 de outubro de 2016

O verão vem chegando...

Lançamento de maiôs... verão de 1956
Quanta ousadia!




anúncio de outubro de 1956

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Curiosidades cariocas...

Uma notícia de 1976, há 40 anos...



Em tempo:
  • A rua não era "Venâncio Aires" e sim " Venâncio Flores";
  • A nova amendoeira plantada no lugar da que foi arrancada está grande e frondosa, como demonstra a foto abaixo.






domingo, 16 de outubro de 2016

sábado, 15 de outubro de 2016

Mais Leblon...

O fim de semana é do Leblon.

Leblon - 1936:

O Leblon em 1936 - Rua Visconde de Albuquerque

e...

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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O Leblon dos anos 20



Foto: Augusto Malta


terça-feira, 11 de outubro de 2016

Antiqualhas e memórias do Rio de Janeiro

Era um final de tarde de um dia de julho de 1566 e, estando em quatro canoas, os fundadores do Rio partiram em perseguição a outras tantas inimigas. De repente, surgiram por detrás do Morro da Viúva inúmeras canoas repletas de guerreiros Tamoios ― os cronistas da época afirmam que eram 180. Nesse momento, surgiu à frente da pequena tropa de Estácio de Sá um jovem guerreiro iluminado e fez explodir a pólvora que uma das canoas inimigas carregava, levando-os a fugir, apavorados.

Por muitos anos, foi comemorado esse feito milagroso chamado “Guerra das Canoas” no dia 20 de janeiro. Na Baía de Guanabara havia desfile de embarcações e espetáculo de guerra teatral entre algumas escolhidas.

Resultado de imagem para vieira fazendaNas crônicas de Vieira Fazenda, escritas em jornais da época (1896-1914), inestimável legado para a história da cidade e da sociedade, em sua obra Antiqualhas e memórias do Rio de Janeiro, editada, em cinco volumes, pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, vemos dois exemplos de como o Poder público e os  usuários da cidade, agindo contra o interesse coletivo e com equivocadas opções urbanísticas, geram problemas na cidade do Rio de Janeiro.

A origem de muitos dos problemas atuais de nossa cidade decorre da incorreta ocupação do seu território pelos primeiros povoadores, com anuência dos governantes, e continuada ao longo dos anos seguintes. O centro atual da cidade foi construído numa zona alagadiça, com várias lagoas perenes, imenso manguezal e cortada por vários rios, riachos e córregos que se formavam com chuvas torrenciais. 

Essa área plana, quase ao nível do mar da Baía de Guanabara, situa-se entre os morros isolados do Castelo (demolido em 1922) que abrigava o núcleo histórico da cidade, de São Bento (desbastado), de Santo Antônio (desbastado quase em sua totalidade), de Nossa Senhora da Conceição (desbastado) e do Senado (demolido) e os morros contínuos da Serra da Carioca (Santa Teresa, Catumbi, Estácio e Rio Comprido), Santo Cristo, Saúde e Gamboa.

A ocupação dessa área deveria ser entre malha de canais a céu aberto, como Amsterdã. 

No entanto, a opção de nossos antepassados governantes e de sua população foi desbastar ou demolir os morros e aterrar as áreas molhadas. Criaram, assim, o território ideal para os alagamentos e desabamentos de encostas a cada chuva. 

Vieira Fazenda cita as chuvas ocorridas em 14 de abril de 1756, que alagaram as ruas, transformando-as em rios navegáveis por canoas, sendo a mais violenta delas a ocorrida entre os dias 10 e 17 de fevereiro de 1811. Além do alagamento de toda a cidade, parte do Morro do Castelo desabou sobre as casas do Beco do Cotovelo, que ficava em seu sopé, destruindo a maioria delas. Desabou também parte da barreira do Morro de Santo Antônio, na proximidade da atual Rua Treze de Maio. Entre os mortos nessa tragédia estava o famoso bêbado da cidade Bitú, motivo de chacota da garotada moradora nas redondezas do Morro do Castelo.

O autor ainda registra o “dilúvio” que caiu sobre a cidade, como a anunciar o fim do mundo, às 15h30 do dia 10 de outubro de 1864. Caíam pedras de gelo do “tamanho de avelãs” em tanta quantidade que as ruas ficaram cobertas. O granizo destruiu várias edificações e destelhou todo o prédio onde funcionava a Fábrica de Gás, existente na atual Avenida Presidente Vargas. 

Os problemas decorrentes das chuvas se agravaram com o adensamento de construções e a falta de educação da população, que joga nos logradouros e cursos de água lixo e outros dejetos.

Muitas edificações também eram destruídas pelo fogo, em função do sistema perigoso de iluminação com velas, pelo uso de combustível à base de óleo de baleia, principalmente, o gás (a partir de 1854) e o uso de muita madeira nas construções. A Câmara de Vereadores chegou a estabelecer a proibição do uso do pinho-de-riga, em estrutura, piso e telhados por considerar essa madeira muito vulnerável ao fogo

Ontem como hoje, nas construções recentes, a origem de muitos incêndios está na sobrecarga das instalações elétricas, na impropriedade dessas instalações com o uso de materiais inadequados e misturas de redes que deveriam ser separadas, como eletricidade e gás. Contribui para aumento e propagação desses desastres a quantidade de objetos, revestimentos decorativos, móveis etc. de material inflamável como plásticos, papel, madeira e outros.


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Doces lembranças de 1966, há 50 anos



Outubro, mês dos festivais de música...
Em outubro de 1966, há 50 anos eram escolhidas as finalistas da fase nacional do FIC, 
Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho.


O júri tinha 23 membros e selecionou 14 finalistas,
dentre elas duas lindas canções que ficaram na lembrança:

Saveiros, de Dori Caymmi e Nelson Motta, que seria a vencedora


e
Se a Gente Grande Soubesse, de Billy Blanco, na interpretação de Quarteto em Cy e Billy Blanco Jr, música que praticamente se perdeu ao longo do tempo.




**************

Concurso Literário Estudantil, promovido pela Embaixada de Portugal, Jornal O Globo,Livraria argentina El Ateneo.



A iniciativa tinha como objetivo divulgar a cultura  fortalecer os laços de amizade entre Brasil e Portugal, através dos jovens estudantes. A duração foi de um ano, terminando em 1967. A cada vencedor, de cada escola, um troféu. 

E eu ganhei o meu.

Fui o 1º lugar do colégio Ginásio São Marcos, do Rio de Janeiro, quando cursava o terceiro ano ginasial. Foi meu "primeiro trabalho literário"

DOCES LEMBRANÇAS!


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

propaganda antiga... há 50 anos, em 1966

Anúncio de 1966, mexia com a sede dos importados, tão escassos à época.

Calça LEE era sonho de consumo!

Rádio de pilha? Uma modernidade só.


sábado, 1 de outubro de 2016

O sábio Machado de Assis

Em agosto de 1892, meditando sobre a participação nas eleições municipais, Machado de Assis concluía: o absenteísmo era uma "moléstia"



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"Toda esta semana foi empregada em comentar a eleição de domingo. É sabido que o eleitorado ficou em casa. Uma pequena minoria é que se deu ao trabalho de enfiar as calças, pegar do título e da cédula e caminhar para as urnas. Muitas seções não viram mesários, nem eleitores, outras, esperando cem, duzentos, trezentos eleitores, contentaram-se com sete, dez, até quinze. 
Uma delas, uma escola pública, fez melhor, tirou a urna que a autoridade lhe mandara, e pôs este letreiro na porta: 
"A urna da 8ª seção  está na padaria dos Srs. Alves Lopes & Teixeira, à rua de S. Salvador n". 
Alguns eleitores ainda foram à padaria; acharam a urna, mas não viram mesários. 
Melhor que isso sucedeu na eleição anterior, em que a urna da mesma escola nem chegou a ser transferida à padaria, foi simplesmente posta na rua, com o papel, tinta e penas. 
Como pequeno sintoma de anarquia, é valioso".