sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Crônicas cariocas de todos os tempos

Mais uma interessante crônica que fala das coisas cariocas.



"TÁTICAS PARA SER VISTO PELO GARÇOM


   Fabrício Carpinejar

                                    Resultado de imagem para garçom
Garçom no Rio de Janeiro é como sogro: a princípio, não gosta de você. Diferentemente de outras cidades onde você senta e é logo visto, lá você senta e desaparece. Precisa fazer coreografias desesperadas para ser atendido. Receber o cardápio pode significar a sua morte.

O abandono na mesa trará letal desprestígio. Costuma significar o fim precoce de um namoro, de um negócio em potencial, de uma amizade no nascedouro. É uma humilhação levantar a mão inúmeras vezes e jamais ganhar atenção.

Demorei a compreender a aristocracia do garçom carioca. Ele não é garçom, nasce maître.

Em todas as minhas experiências botequeiras, apelava para querido ou amigo, e nada. Não vinha em minha direção. Ele me ignorava. Não havia como pedir um prato ou uma bebida. Ou seja, não tinha como existir, pois comer e beber são os gatilhos de qualquer papo.

Até que descobri a santa estratégia: garçom apenas atende bem quando chamado pelo nome. Perda de tempo assoviar e gritar ei, oi, ui – ele lhe tratará com capricho ao ser identificado. Descobrir o nome do garçom é o kit de sobrevivência na noite.

Foi o que fiz na semana passada quando levei Beatriz a um bar no Leblon. Logo no início, quando ele me alcançou o menu, perguntei quem era e esbanjei o poder de persuasão.

Devo ter chamado o Alberto mais vezes do que pronunciei o nome de minha mulher naquela noite. Estava ficando chato, porém a receita vingou perfeitamente. A cada nova necessidade, assumia uma postura redentora, de São João Batista a sempre batizar o sujeito no Rio Jordão do meu chope:

– Por favor, Alberto!

– Alberto?

– Gentileza, Alberto?

Ele tornou-se o meu Messias dos bolinhos de bacalhau e da porção de fritas. Entre falar o seu nome e fazer o pedido, não demorava nem 10 segundos. Ele corria entre as mesas com larga vantagem entre os seus colegas, um verdadeiro Usain Bolt das bandejas.

Já comemorava o êxito da fórmula, já imaginava escrevendo um livro de autoajuda revelando a chave do sucesso da boemia, já me via na lista dos mais vendidos da revista Veja, mas chegou a conta e tratei de bancar o canastrão diante do 10% opcional:

– É obrigatório, Alberto, pelo seu excelente atendimento.

– Obrigado, senhor, só que meu nome é Roberto "

(Reprodução do blog carpinejar.blogspot.com.br)

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Fabrício Carpi Nejar, ou Fabricio Carpinejar, como passou a assinar a partir de 1998, é um poeta, cronista e jornalista brasileiro


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Abertura da Paralimpíada 2016, no Rio

Mais um espetáculo carioca vibrante e digno da cidade.

A nota dissonante da noite foi dada pelas tvs abertas brasileiras, que gostam tanto de fazer o discurso  da inclusão, do politicamente correto e apresentam nos seus programas a diversidade, querendo ser pioneiros, diferentes e deram, ontem, uma demonstração da pequenez em que se encontram, vendidas ao marketing dos seus patrocinadores.

NENHUMA DELAS TRANSMITIU, AO VIVO, A ABERTURA DAS PARALIMPÍADAS!  
Só um único canal a cabo:  o Sportv.

As tvs abertas fizeram a opção da transmissão da Olimpíada, montaram um esquema faraônico de um batalhão de equipamentos e repórteres, uniformes especiais. Privilegiaram mostrar a juventude de pernas, braços, visão. Esqueceram e isolaram a beleza da inclusão, a alegria bonita do que se é sem as máscaras da dita perfeição, a vibração da superação do limite de uma condição.

Que pena que tantas crianças, jovens e adultos nas mesmas condições não tiveram a oportunidade de ver. Imagens de pessoas semelhantes que poderiam lhes dar espelho de como modificar suas vidas. Quantas crianças, jovens, amargurados, isolados, que olhando aquele jeito de ser, poderiam querer ser e estar naquele, para eles,  desconhecido mundo transformador.

Os detalhes, e a sacudida em cada um de nós com aquilo tudo que passava na nossa frente foi uma lição. Real, sensível, tocante.
Emoção e beleza do espetáculo, tão criativo quanto o da Olimpíada, nas projeções, música, figurino, coreografia.

Somente quem tem tv a cabo  pôde assistir.  
Perderam os telespectadores comuns, mais simples.
Venceram os patrocinadores das novelas, do futebol nas tvs abertas.

Triste. Um boicote lamentável para ser refletido.


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Do carioca Olavo Bilac...


Estamos necessitados!




A PÁTRIA 
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Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!
Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha…
Quem com seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o sue esforço, e é feliz, e enriquece!
Criança! não verás país nenhum como este:
Imita na grandeza a terra em que nasceste!



A Pátria não é a raça, não é o meio, não é o conjunto dos aparelhos econômicos e políticos: é o idioma criado ou herdado pelo povo
                   Assinatura de Olavo Bilac



Do livro:  Poesias Infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves: 1949

sábado, 3 de setembro de 2016

Musica Carioca de Raiz... mais uma



Até o Fim, de Marcos Valle e Carlos Lyra, na saudosa interpretação de Emílio Santiago, com Marcos Valle ao piano.

Pra bem embalar o primeiro fim de semana de setembro.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Hotel do Corcovado, no Rio de Janeiro

Postal que mostra o Hotel do Corcovado

1907

Hotel do Corcovado: Rio de Janeiro, 1907:

O Hotel do Corcovado também é/era conhecido como Hotel das Paineiras e permaneceu abandonado por muito tempo. Em 2009 foi aprovado projeto para sua revitalização, que  estão sendo concluídas.


VERSO DO CARTÃO POSTAL



O destinatário do postal, Camille Mendigal, trabalhava - como consta no endereçamento -  no cinema Pathé, em Paris. 
 



O Hotel das Paineiras, inaugurado em 1884, tem sua história marcada não só pelas sucessivas tentativas de revitalização, mas também pelos hóspedes famosos, como políticos e craques do futebol. Sua inauguração contou com a presença de D. Pedro II.  
Décadas depois, hospedou presidentes brasileiros como Washington Luís e Café Filho. Além deles, Getulio Vargas, para fugir das altas temperaturas do verão carioca, realizava reuniões com seus ministros no local, situado a 465 metros acima do nível do mar. 
Mitos do futebol brasileiro também frequentaram os seus salões. Em 1962, Pelé costumava jogar damas com Didi durante a concentração da seleção brasileira que conquistaria o bicampeonato mundial, no Chile. Fotos históricas gravaram imagens do Rei e do criador da “folha seca" em frente ao tabuleiro, observados pelo goleiro Gilmar e pelo eterno capitão Bellini. A tradição permaneceu e as seleções das Copas de 70, que conquistaria o tri no México, e 74 se concentraram no antigo hotel, assim como os times do Botafogo, do Vasco e do Fluminense. 
Pequenos escândalos também não faltaram, como o da estada da atriz francesa Sarah Bernhardt, praticamente expulsa do hotel por conta de seu comportamento excêntrico. Dizem as más línguas que ela andava quase nua pelos corredores e costumava entrar nos banheiros masculinos.  
O hotel fechou em 1982.