quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Curiosidades cariocas... O dia em que o revólver de Roberto Marinho mirou Carlos Lacerda

 


A briga entre Roberto Marinho e Carlos Lacerda nos anos 60 teve origem em uma polêmica envolvendo o Parque Lage, no Rio de Janeiro.

Roberto Marinho e Arnon de Mello - um adendo: pai do Collor - compraram o Parque Lage nos anos 50 por um preço muito módico, pois o imóvel era tombado. 

Aqui cabe um pequeno histórico...

Os problemas enfrentados por Gabriela Besanzoni, proprietária do Parque Lage, tiveram início com o falecimento de seu marido, o armador Henrique Lage. Henrique Lage havia deixado dívidas com a União e apesar de ter entregue várias propriedades e sua frota de navios ao governo federal, o Presidente Getulio Vargas, que alegava suposta ajuda dada por Besanzoni ao eixo inimigo durante a Segunda Guerra Mundial, encampou todos os seus bens, inclusive o Parque Lage. 

Com a queda de Vargas, Besanzoni e outros herdeiros dos sócios de Lage conseguiram junto à União reavaliação dos bens confiscados, resultando na devolução do Parque Lage, entre outros bens, à família.
 
 
Contrariada com esse desgastante episódio, Besanzoni retornou à Itália e, em 1945, despedindo-se da carreira artística com uma última atuação em público no Brasil no Teatro Municipal de São Paulo. Ela faleceu em Roma, sua cidade natal, em 1962. 

Com sua morte, o espólio vendeu sua parte à empresa Comércio e Indústria Mauá, que já havia adquirido parte das terras do Banco do Brasil. Porém, desde 1957, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ( IPHAN ) - então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ( SPHAN ) - havia tombado a área.
 
 
A Mauá, depois São Marcos Comércio e Indústria de Materiais de Construção, de propriedade do empresário Roberto Marinho e do então senador Arnon de Melo conseguiu a anulação do tombamento, feito pelo Presidente da República em exercício Ranieri Mazzilli, durante viagem ao exterior do Presidente Juscelino Kubitischek. 
 
Antes disso, o governador provisório da Guanabara, embaixador Sette Câmara, havia desapropriado o Parque Lage para tentar evitar a anulação do tombamento; mas essa desapropriação também foi anulada. No local, a empresa pretendia construir um cemitério "classe A", mas, em 1964, reformulou o projeto, e construiria casas para as classes média e alta.   
 
Aí o governador da Guanabara, Carlos Lacerda, declarou o Parque de utilidade pública para fins de desapropriação, reafirmando o tombamento feito pelo SPHAN por solicitação do Instituto Florestal ( atual IBAMA ), começando uma disputa que só iria terminar onze anos depois, quando o Presidente Ernesto Geisel desapropriou o parque, não sem antes provocar o rompimento de Carlos Lacerda com Roberto Marinho e com o Presidente Castello Branco.

 


O abandono do terreno e sua progressiva invasão suscitou até um pedido da Associação de Moradores da Lagoa em 1961.


recorte O Globo



Lacerda pediu a Raphael de Almeida Magalhães, seu vice, que escrevesse o decreto de desapropriação, enquanto ele redigiria a exposição de motivos que acompanharia o decreto.  

O texto que Lacerda produziu assustava pela virulência com que atacava a pessoa de Roberto Marinho. Raphael tentou demovê-lo da ideia de anexar o texto ao ato de desapropriação, pois não só contrariaria os interesses de Marinho como o faria voltar contra ele a fúria das baterias de seu jornal e da sua rádio.

Como não conseguiu convencê-lo, o decreto foi encaminhado com o anexo, o que provocou a ira de Marinho. Marinho contou aos filhos que pegou um revólver, pôs na cintura e partiu para o apartamento de Lacerda na Praia do Flamengo. Chegou a entrar no apartamento de Lacerda com o revólver engatilhado. Mas o governador da Guanabara acabara de sair de casa.


Assim, a propriedade foi desapropriada e convertida em um parque público.

recorte Jornal do Brasil




A contrariedade com seus propósitos e negócios fez a mudança editorial, notória, do jornal O Globo em relação a Lacerda, após esse episódio. 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

PIXINGUINHA NOS DEIXOU HÁ 48 ANOS...


VALE REMEMORAR ESSA CURIOSIDADE CARIOCA...

DURANTE O CARNAVAL, Pixinguinha - QUE NOS DEIXOU NO CARNAVAL DE 1973 -  não trabalhava, pois saía com seu bloco chamado GRUPO DO CAXANGÁ.
 
No carnaval de 1919, ao passarem pelo cine Palais, fizeram uma parada para homenagear o senhor Isaac, dono do cinema no qual Pixinguinha trabalhava. Ouvindo o pessoal, o proprietário do cinema entusiasmou-se e sugeriu a organização de um conjunto menor para tocar na sala de espera. O conjunto depois de dúvidas sobre qual seria seu nome, o próprio senhor Isaac resolveu a questão:

" - Vocês não são oito? Então põe " Os Oito Batutas!"




Assim se deu a estreia do conjunto em abril de 1919, capitaneado por Pixinguinha e Donga. O "Oito Batutas" foi o primeiro grupo a empregar - além da flauta, violão e cavaquinho - instrumentos como o reco-reco, o pandeiro e o ganzá.

Em 1921 Pixinguinha foi convidado para uma temporada em Paris, financiada pelo milionário Arnaldo Guinle. O Les Batutas permanece por mais de seis meses em Paris tocando em diversas casas. O público francês entusiasmou-se com o chorinho e o samba, ainda com tons do maxixe, que o grupo apresentava. 

Quando retornou ao Brasil, Pixinguinha comprou uma casa em Olaria , onde morou por 30 anos. O grupo retomou seu lugar no Assírio e fez várias apresentações no Rio de Janeiro. Nessa época, Pixinguinha começou a experimentar o "saxofone", instrumento que tocou durante vinte anos.


Vale ouvir e curtir!






sábado, 6 de fevereiro de 2021

Esse ano não vai ser igual àquele que passou...


  ...Não vai ter Carnaval!

Então... vale recordar sucessos
que fazem a folia até os dias atuais!


. Há 80 anos, 1941

Alá-lá-ô, Carlos Galhardo


. Há 70 anos, 1951

Tomara que chova, Emilinha Borba



. Há 60 anos, 1961

A Lua é dos Namorados...Angela Maria



Índio Quer Apito, Walter Levita



. Há 50 anos, 1971

Ê Baiana...Clara Nunes







terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Há 80 anos no Rio

 Há  80 anos, 
foi o Rio de Janeiro que acolheu 
a nova empresa KIBON, 
em 1941 e o nome criado por...


origenes1...Orígenes Lessa

Escritor, jornalista, novelista, romancista também trabalhou como redator chefe da primeira agência de publicidade do Brasil, J. Walter/Thompson Company.

Um dos trabalhos de atuação de
Orígenes Lessa como publicitário
foi a criação da marca do sorvete KIBON.




Na década de 40, especialistas norte-americanos em mercadologia estavam no Rio de Janeiro, contratados pela General Foods, a fim de que fosse feito o lançamento nacional do melhor sorvete do mundo.

Seria achocolatado, cremoso e nutritivo, capaz de ser saboreado com absoluto prazer por crianças, jovens, adultos e idosos. Para que o miraculoso produto estivesse ao alcance dos brasileiros só faltava o nome de fantasia.

Os técnicos já dispunham de uma relação enorme de sugestões, mas nada que justificasse o investimento. Quando o técnico-chefe terminou de falar as qualidades do sorvete, Orígenes estava de água na boca.

Usou uma só para expressar seu sentimento e essa palavra terminou funcionando como a marca registrada de uma indústria que se tornaria poderosa entre nós.

E surgiu... “Kibon”.



Evolução da marca




sábado, 30 de janeiro de 2021

Sábado em Copacabana, um sucesso há 65 anos!

 Em janeiro de 1956, há 65 anos...

Dorival Caymmi lançava pela gravador ODEON, em 78rpm,  a canção SÁBADO EM COPACABANA. Essa composição, em parceria com Carlos Guinle, ao longo do tempo teve dezenas de gravações. 


Vamos passear por algumas delas, nesse sábado!


disco em 78 por Dorival Caymmi


LP Sambas, que tem a faixa Sábado em Copacabana




 Em 1951, Lúcio Alves apresenta sua versão da canção



  

Sylvia Telles lança a regravação de Sábado em Copacabana
em LP de1961, 
gravado nos Estados Unidos.




gravação de Dick Farney no LP de 1978




Os Cariocas, em show


Wanda Sá, em show


Zélia Duncan, LP de 2004