terça-feira, 28 de março de 2017

O volei de praia surgiu no...RIO





Em 1934, um tenente-coronel e subcomandante do Forte de Copacabana, mandou cortar duas estacas de madeira e montou uma quadra de voleibol  nas areias da Praia de Copacabana, defronte ao Hotel Londres – já extinto –, onde então morava. 

Certamente não imaginava que estava criando uma atividade esportiva.

Era o desportista Altamiro Braga que resolveu estender a rede na praia - disposta diariamente das oito da manhã ao meio-dia -  entre as ruas Santa Clara e Constante Ramos, para jogar o mesmo voleibol que já praticava nas dependências do Forte.

Altamiro Braga nasceu em São Cristóvão, em 1898, aluno brilhante, saído do Colégio Militar, dedicou longos anos ao Exército brasileiro, sete décadas de praia,  um dos mais antigos moradores de Copacabana, que residiu na Rua Dias da Rocha.

Na época da mocidade, em postura impecável e utilizando sua bicicleta, costumava escoltar o marechal Hermes da Fonseca (1855-1923), que era o presidente da República (1910-1914).  Apaixonado por esportes e um entusiasta do Fluminense Football Club, por lá dirigiu o atletismo e o basquetebol.

O general Altamiro Fonseca Braga fez 100 anos em 1998 e faleceu em fevereiro de 1999, antes de completar 101 anos de idade.

É sempre bom ressaltar que são também da década de 1930
as quadras de voleibol de praia do
professor Octávio Victor do Espírito Santo (de 1939),
na Rua Dom Pedrito, hoje Almte. Guilhem, no Leblon;
 a do doutor Sylvio Lemgruber, na Rua Montenegro, atual Vinicius de Moraes, em Ipanema,
e a da ‘Tia’ Leah de Moraes (de 1938), em Copacabana.
Todos já faleceram e fizeram história também.


sexta-feira, 24 de março de 2017

OUTONO NO RIO...





Bela música de Ed Motta e Ronaldo Bastos


Me dê a mão
Vai amanhecer
Juntos pela madrugada
Luz, contra-luz
Sobre os Dois Irmãos
Pra mim

Há um lugar para ser feliz
Além de abril em Paris
Outono, outono no Rio

No seu olhar
Já se fez manhã
Vamos logo a Guanabara
Vai se fechar
Vou levar você
Pra mim




quarta-feira, 22 de março de 2017

Moda Carioca...

Na Revista FON-FON de 24 de março de 1917, 

há 100 anos, 
a moda carioca.






sexta-feira, 17 de março de 2017

NAT KING COLE no Rio



Em meio à polêmica se nesse dia 17 de março 
é ou não o centenário de Nat King Cole, vale, sim, comemorar a vinda do astro à cidade do Rio.


Nat King Cole chegou no final dos anos 50, 1959, no início da bossa nova, e foi recebido com enorme carinho pelo público. Por aqui caiu de amores pelo Rio de Janeiro e, dizem, pela cerveja local.



"Eram 14 horas e 3 minutos quando o aparelho da Pan-American, procedente de Caracas, pousou no Galeão. Mal a porta se abriu os fãs que se encontravam no terraço e na pisto do aeroporto começaram a agitar frenèticamente suas bandeirinhas, repetindo em coro “Welcome Nat King Cole”. Somente após o desembarque dos passageiros comuns é que o famoso cantor popular norte-americano apareceu no alto da escada do avião. Vestia um terno cinza, gravatinha preta e camisa branca. Quando viu a multidão que o aguardava, deu um grande sorriso e acenou com a mão direita. “I am very glad to be here”, foram suas primeiras palavras ao cumprimentar Carlos Machado, que não escondia o contentamento. Metralhado pelos flashes dos fotógrafos, Nat dirigiu-se para a alfândega, só a muito custo conseguindo atravessar a pista do Galeão. Quando o sr. Oscar Ornstein, “public-relations” do Copacabana Palace, se aproximou para dar-lhe um abraço, o artista nem percebeu o gesto e prosseguiu."
(jornal Ultima Hora)


Tendo sido recebido com honras de chefe de Estado pelo próprio presidente Juscelino Kubitschek, no Palácio das Laranjeiras, JK o saudou com um sonoro “How do you do? I’m very happy to see you”. Nat estava acompanhado de Maria Ellington, sua esposa e Carlos Gastal, seu “manager”. O Presidente disse-lhe que o Brasil esperava com ansiedade sua visita. O cantor sentiu-se lisonjeado, agradeceu e aproveitou a oportunidade para entregar 2 pacotes contendo coleções de discos seus, autografados, para Márcia e Maristela, filhas de JK e suas fãs. 

Encontro  com presidente JK


Conta a lenda que JK teria tirado os sapatos e pedido ao visitante que cantasse sua música preferida, "Fascination", tendo sido prontamente atendido pelo cantor. Um luxo. Um pequeno show de Nat King Cole em sua sala.

Nat King Cole fez shows dias 17 de abril ,no Maracanãzinho com lotação de 20.000 pessoas;
18 de abril no Ginásio do Tijuca Tenis Clube, com lotação de 11.000 pessoas, onde a fila para a entrada no clube foi até  a Saens Peña e o clube precisou colocar até caixa de som na entrada  para o pessoal que não conseguiu entrar, ouvir o show do lado de fora. Nat King Cole voltou ao Maracanazinho em 19 de abril  para mais dois shows às 16 e às 21 horas, com 60 cruzeiros o valor para as arquibancadas.


Apresentação no Maracanazinho

Apresentação no Golden Room do Copacabana Palace


Os sucessos  de Nat por aqui era tão grande que canções como “Too young”“Blue gardenia” e “Pretend” ganhavam letras em português gravadas por Cauby Peixoto, Lúcio Alves e o veterano Carlos Galhardo.

Ficam os registros curiosos quanto à reação de Nat em qualquer lugar: se não houvesse ar refrigerado, pedia para voltar, imediatamente, ao hotel, por não suportar os 40 graus que fazia no Rio.
E, também, apaixonado pelo Brasil, o cantor norte-americano chegou a marcar um encontro para conhecer os astros do futebol Didi e Pelé, mas os jogadores não puderam comparecer.

Os ilustradores da época  - Carlos Estevão e Péricles - registraram, no seu traço, Nat King Cole.






domingo, 12 de março de 2017

14 de março, Dia Nacional da Poesia...

Imagem relacionada


... comemorado nessa data por ser nascimento de um dos maiores poetas brasileiros: Castro Alves.

Nesse ano  comemoramos 170 anos de seu nascimento, quase esquecido.

O jovem de vinte e poucos anos de verve eloquente e bonita, e densa.  O jovem de vinte e poucos anos de versos de entrega e envolvimento.



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Em entrevista ao escritor e professor carioca Augusto Sérgio Bastos, em 6 de junho de 1871, disse, dentre outras coisas...

Quem é o poeta Castro Alves?    
Sou um homem que escreve e declama seus poemas. Por amor, por compulsão e por herança. Um poeta brasileiro nascido em 14 de março de 1847 lá na fazenda Cabaceiras, sete léguas distante de Curralinho. Um baiano do sertão...
. Como o Senhor vê a poesia nesta segunda metade do séc. XIX? 
Olhe bem. A poesia na terra dos Andradas, dos Pedros Ivos, e dos Tiradentes deve ser majestosa como as matas virgens da América; arrojada como seus rios gigantes; livre como os ventos que passam gementes por suas várzeas, e que zurzem os costados pedregosos dos seus gigantes de granito. A poesia enfim deve ser o reflexo desta terra. Isto no que toca à natureza, é claro. No que toca às idéias desta metade de século, eu diria que a poesia deve ser o arauto da liberdade - esse verbo na redenção moderna - e o brado ardente contra os usurpadores dos direitos do povo... 
. De que forma o Senhor situa a sua obra dentro deste contexto? 
...Hoje, a palavra da poesia, além de ser íntima, também deve ser cívica...Muitos dizem que minha obra está composta de uma parte política e de uma parte lírica. Penso que vigora sempre o mesmo amor à humanidade, sob roupagens diversas: amor coletivo e amor pessoal, e não saberia dizer qual o mais importante. Acho que o poeta deve falar aos corações. Eu falo. ...Eu aposto no amor, na vida; às vezes perco, às vezes ganho... Deixo aos críticos do futuro o julgamento do meu trabalho.

Castro Alves morreu um mês após ter concedido a entrevista.
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Vale reler a qualquer hora a poesia de Castro Alves!

"E há que reconhecer nele...a maior força verbal e a inspiração mais generosa de toda a poesia brasileira."   MANUEL BANDEIRA

" Moços! A inépcia nos chamou de estúpidos!
Moços! O crime nos cobriu de sangue!
Vós os luzeiros do país, erguei-vos!
Perante a infâmia ninguém fica exangue

Protesto santo se levanta agora,
De mim, de vós, da multidão, do povo;
Somos da classe da justiça e brio,
Não há mais classe ante esse crime novo!

Sim! mesmo em face, da nação, da pátria,
Nós nos erguemos com soberba fé!
A lei sustenta o popular direito,
Nós sustentamos o direito em pé!"

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"...Castro Alves o foi, completamente, na sensibilidade, na forma, na idéa, sentindo a natureza do Brasil, apaixonando-se se pelos ideaes brasileiros, manifestando-se com uma pujança, um colorido, uma espontaneidade, um arroubo, uma originalidade, desconhecidos, até então, e até agora não igualados nos fastos das letras nacionais..."   AFRÂNIO COUTINHO


"EU PENSO em ti nas horas de tristeza
Quando rola a esperança emurchecida
Nas horas de saudade e morbidez
Ai! Só tu és minha ilusão querida
Eu penso em ti nas horas de tristeza...

...Bendito o riso desses lábios túmidos!
Bendito o meigo olhar tão peregrino!
Como o sol abre a flor nos campos úmidos
Crenças desperta o teu divino olhar...
E o riso, o riso desses lábios túmidos...

...Ai! volve! volve peregrina estrela...
Minh'alma é o templo de um amor suave
À tua espera o lampadário vela...
À tua espera perfumou-se a nave...
Ai! volve! volve peregrina estrela!"

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"Não podiam ser melhores as impressões. Achei uma vocação literária, cheia de vida e robustez, deixando antever nas magnificências do presente as promessas do futuro. Achei um poeta original...
... o senhor Castro Alves canta simultaneamente o que é grande e o que é delicado, mas com igual inspiração e método idêntico; a pompa das figuras, a sonoridade do vocábulo, uma forma esculpida com arte, sentindo-se por baixo desses lavores o estro, a espontaneidade, o ímpeto..."

MACHADO DE ASSIS


"...Existe um povo que a bandeira empresta
P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!…
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!…
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa… chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!…
Auriverde pendão de minha terra, 
Que a brisa do Brasil beija e balança, 
Estandarte que a luz do sol encerra 
E as promessas divinas da esperança… 
Tu que, da liberdade após a guerra, 
Foste hasteado dos heróis na lança 
Antes te houvessem roto na batalha, 
Que servires a um povo de mortalha!… 
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! … Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares! "