domingo, 18 de fevereiro de 2018

Rio... hora de virar a página, recomeçar





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. Frases em negrito, versos da MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes.

. Minha aquarela COLOMBINA, de 2003, pintada para a exposição FOLIA CARIOCA, no Forte de Copacabana, Rio de Janeiro

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Quarta-feira de cinzas...Jacob do Bandolim...100 anos!



O cachê mais ansiado que, rigoroso, às vezes cobrava: um abundante sorvete, de preferência – claro! de coco queimado, milho ou queijo – comprado em doses industriais numa padaria em Jacarepaguá, seu bairro. Doces? De coco, claro! além de ambrosia e papo-de-anjo.

Música ruim, industrializada – passa fora! , dizia.

Esse era Jacob do Bandolim, carioca de Laranjeiras, criado em pensão da Lapa boêmia, que interessou-se pela música muito cedo, começou tocando "de ouvido"  e se tornou um musico estudioso, um incansável pesquisador, um instrumentista próximo a perfeição.


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Sua casa em Jacarepaguá, na Rua Comandante Rubens Silva, 62, na Freguesia, a partir do final dos anos 40, passa a ser ponto de encontro de grandes nomes da política, artes e jornalistas célebres para grandes saraus - Saraus de Jacob - que revelaram as noites mais cariocas que esta cidade já conheceu. Por lá passavam Dorival Caymmi, Elizeth Cardoso, Ataulfo Alves, Paulinho da Viola, Hermínio Bello de Carvalho, Canhoto da Paraíba, Maestro Gaya, Darci Villa-Verde, Turíbio Santos, dentre outros.

Em 19 de março de 1967, foi concedida a Jacob, pelo Clube de Jazz e Bossa, a Comenda da Ordem da Bossa. Jacob ao chegar ao Teatro Casa Grande, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para receber a medalha, se espantou ao ver um público de jovens

"... para mim foi uma grande felicidade 
ter sido aplaudido pelos cabeludos"

A obra de Jacob do Bandolim transcendeu em muito os limites da Rádio Ipanema, onde começou em 1937, com o conjunto Jacob e Sua Gente.

Jacob sempre perseguiu a perfeição da execução e a excelência na preservação da nossa música, sem, contudo ser um conservador.


" Hoje, são raras as rodas de choro 
onde não se ouvem as cordas de um bandolim, 
são raros os bandolinistas que não tem em Jacob 
sua referência musical 
e, principalmente, é raro 
o país que teve o privilégio de ter tido...
 um Jacob do Bandolim."


Pra curtir a iguaria preferida que virou canção...




quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

carnaval de 78... há 40 anos

( publicado em 6/2/2013,
atualizado em 8/2/2108)


O carnaval de 78 foi um carnaval chuvoso.

Mas começou bem antes, num sábado ensolarado, com o desfile da banda de Ipanema, como sempre quinze dias antes do carnaval e apresença de Beth Carvalho e João Nogueira, que acabara de fundar o Clube do Samba.


Nos carnavais do final da década de 70 as ruas do Centro do Rio passavam por um período de esvaziamento e surgia a opção das ruas dos bairros. Mas os bailes eram marcantes.
Principamente os pré-carnavalescos como o Baile do Vermelho e Preto,
do Clube de Regatas do Flamengo.

Na foto à esquerda...
a presença do cantor inglês
Rod
Stewart.

Ele assumiu , mais tarde,as consequências dessa sua passagem pelo Rio. Sem grandes problemas, disse que plagiara Jorge Ben Jor, o que o obrigou a atribuir ao músico carioca a coautoria do seu sucesso “Da Ya Think I’m Sexy”.




“Passei o Carnaval de 1978 com Elton John e Freddie Mercury no Rio de Janeiro”, 

Contou em livro, citando ainda outro acontecimento significativo desse carnaval.

 “Primeiro , me apaixonei por uma estrela de cinema brasileira lésbica. O outro foi que em todo lugar tocava ‘Taj Mahal’, de Jorge Ben, e aquela melodia, inconscientemente, ficou na minha cabeça, e transformou-se em ‘Da Ya Think I’m Sexy’. Plágio inconsciente, apenas.”  

Apesar do clima de confissão permanente, Stewart se deu o direito de preservar algo em sua autobiografia: o nome da tal atriz brasileira por quem caiu de amores naquela época.



A foto acima, da revista Manchete, edição de carnaval de 78, mostra o elegante grupo fantasiado, em um camarote do Baile Oficial da Cidade, o baile que, à época, acontecia no Canecão.


Outro baile de gala tradicional era o do clube do Monte Líbano



Mantendo a tradição, personalidades estrangeiras visitam a cidade, em 1978,também esteve por aqui  Alain Delon e sua esposa, a atriz Mireille Darc, no Baile do Regine's


A chuva que caiu na cidade, porém, não atrapalhou a animação. Na avenida Rio Branco, àquele tempo, ainda passavam os desfiles dos blocos de embalo, que vinham da Zona Norte e subúrbio da cidade e  se sucediam com seus sambas do ano.




O ano de 1978 foi especial em termos de desfile
das escolas de samba, mesmo embaixo de chuva.


Oscarito foi homenageado pela Império Serrano


Clara Nunes,  na Portela - enredo Mulher à Brasileira   - e sambando na pista, como gostava.

E o grande desfile do ano, O AMANHÃ da União da Ilha, que injustamente não venceu.
Até hoje o belíssimo samba é cantado.

No ano seguinte do antológico desfile com DOMINGO ( 1977), se classificou em quarto lugar,
com mais este enredo da genial e criativa carnavalesca Maria Augusta, que imprimiu à escola
 seu diferencial: desfiles leves, baratos e animados.
Esta  marca registrada da União da Ilha, é mantida até hoje.





E a Mangueira que veio cantando Dos Carroceiros do Imperador Ao Palácio do Samba e trouxe uma comissão de frente de notáveis da escola, tendo à frente, Cartola

Na foto acima de maiô rosa, a cantora Rosemary e, seu companheiro de desfile, Gargalhada;
mais acima Beth Carvalho ( de azul) ,e à direita Cartola.


Mas a campeã de 1978 foi a Beija-Flor, de Joãozinho Trinta
com A Criação do Mundo na Tradição Nagô .
Tri-Campeã. Um desfile morno e sem graça.
Trazia mudanças radicais, como os grandes e ricos carros alegóricos, 
e, na época, acusado de descaracterizar as raízes do carnaval,
que não privilegiava o samba no pé, Joãozinho Trinta declarou

"Eu não mexi nas raízes, apenas arrumei vasos mais bonitos para elas".


Os concursos de fantasias ainda
eram forte traço do carnaval de 78.

 E neles despontava uma tendência: as fantasias de destaque das escolas de samba
começavam a participar dos concursos.
Abaixo, dentre outros,  os participantes tradicionais  
Wilza Carla, Evandro de Castro Lima e Jesus Rocha.





O tradicional Baile das Atrizes coroou em 1978

a atriz Rosamaria Murtinho, como Rainha das Atrizes.
  

  A frase abaixo de Joãozinho Trinta em 78, marcou em definito.
E ditou a tendência da estética dos desfiles futuros das escolas de samba.


"Povo gosta de luxo.
 Quem gosta de miséria é intelectual"



BOM CARNAVAL A TODOS
E
ATÉ QUARTA-FEIRA!


. Leia mais sobre Carnaval...AQUI

. O grande sucesso de Carnaval de todos os tempos...AQUI



segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

O Lança-perfume

(de fevereiro de 2009,
atualizado em fevereiro de 2018)



O hábito de cheirar o lança-perfume , como efeito etílico, vem de 1928, há 90 anos,
quando a imprensa bradava


"o éter fantasiado de lança-perfume
é servido com escândalo no carnaval".





Mas ele, o lança-perfume, chegou no carnaval carioca de 1911.

Vindo da Suíça, da Fábrica Rodo, teve uma encomenda tão extraordinária, no valor de 4.500 contos de réis, que naquele ano veio um representante da fábrica ao Rio, para ver como se gastava tanto lança-perfume, em um Carnaval.

Em garrafinhas de vidro, provocava grande número de acidentes. Inicialmente foi fabricado pela Rhodia, com aroma semelhante ao L’Air du Temps de Nina Ricci e produzido com cloreto de etila. Nos salões era o equivalente às águas perfumadas que os foliões pobres jogavam uns nos outros, na rua. Por ser barato, era usado em grande escala , em substituição às bisnagas do entrudo.

Em 1927, apareceu o rodo metálico, com a marca Rodouro - o produto em embalagens metálicas douradas - com mais segurança.


A propaganda dizia: 

Um perfume suave eu espalho
Sou distinto, perfeito e não falho
Sou metal e no chão não estouro, 
Sou o lança-perfume Rodouro.




Mas haviam outras marcas, que eram vendidas em lojas de brinquedos e produtos para carnaval, junto com serpentinas. Era um tempo que o lança perfume apenas aproximava, como mostra o artista Manoel de Mora , no reclame, acima, do pierrô cortejando a colombina. 

A fabricação, o comércio e o uso do lança-perfume foram proibidos através do Decreto-Lei nº 51.211, de 18 de agosto de 1961, durante o governo do Presidente Jânio Quadros.



sábado, 3 de fevereiro de 2018

Simpatia é Quase Amor resgata a sátira carioca

 O tradicional bloco roxo e amarelo de Ipanema, SIMPATIA É QUASE AMOR  , que tradicionalmente desfila no sábado anterior ao Carnaval, sai hoje e resgata o espírito carioca nesse Carnaval 2018 com um samba hilário e crítico, que faz críticas ao governo do prefeito Marcelo Crivella. 

A música, intitulada "Samba da adivinhação", viralizou nas redes sociais quando ainda era uma das concorrentes na disputa interna do bloco, vencida no último sábado, dia 27.

A composição é de Manu da Cuíca, Luiz Carlos Máximo, Belle Lopes e Bil-Rait Buchecha e tem trechos com alusões a medidas atribuídas ao prefeito. Apesar de não citar o nome diretamente fala por rimas e citações.

Ensaio de escola? Ele mela 
Roda de samba? Atropela  
Macumba? Não tolera  
Só gosta de bloco nutella 
Ele não cuida? Nem zela 
Casa de jongo? Cancela  


Ainda propõe a "adivinhação" do nome...

Em nome de Deus? Apela  
Qual o nome do hômi?