domingo, 21 de abril de 2019

Tiradentes


No ano de 1787, 
cansado da vida militar, 
Tiradentes 
pediu licença no regimento, 
e veio para o Rio de Janeiro.




Vale relembrar

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quarta-feira, 17 de abril de 2019

As amêndoas da Quinta- Feira Santa




O reverendo Robert Walsh foi um médico e capelão que chegou ao Rio de Janeiro em outubro de 1828, aos 56 anos. Em sua obra intitulada Notícias do Brasil: 1828-1829, publicada em 1830 e traduzido para o português em 1985, apresenta um breve resumo dos principais fatos que ocorreram aqui. Descreve com grande riqueza e precisão de detalhes fatos importantes 

e também os do cotidiano.

Assim ele descreve um costume 
que se perdeu da Quinta-Feira Santa carioca:
 as amêndoas


" Na noite da Quinta-Feira Santa era realizada uma passeata geral pela cidade, da qual participava todo o povo. Trajando suas roupas domingueiras, eles enchiam as ruas até o amanhecer. Como havia sempre luar nessa época e o tempo era ameno, todos participam dessa diversão.

A ocasião oferecia ainda o atrativo das... "amêndoas".

... a noite de Quinta-Feira Santa é o momento dedicado às escravas, as quais têm permissão para confeccionar e vender em seu próprio proveito as amêndoas confeitadas. À porta de todas as igrejas e nas suas proximidades estabelece-se uma festa, onde elas são vendidas.

Ali as pobre moças, trajando suas melhores roupas e usando seus modestos enfeites, exibem seus produtos, às vezes dispostos em mesas cobertas com uma toalha, às vezes no chão, ao lado de velas acesas. 

Constituem principalmente de 

amêndoas confeitadas, em cartuchos de papel ou em cestinhas também de papel, caprichosamente feitas e pintadas, ou então de figurinhas feitas de açúcar, de diferentes tipos e trajes, recheadas com uma variedade de guloseimas. 

Essas figuras são geralmente vendidas por duas patacas, e eu jamais fiz uma compra com tanto prazer como a que fiz ali naquela "feira santa", tão humanitariamente criada para promover a indústria das pobres escravas e lhes proporcionar algum lucro. Trata-se de uma da pequenas e numerosas instituições que põem em evidência o que há de bom e generoso no caráter dos brasileiros, e quase chegava a atenuar um pouco os horrores da escravidão ver naquela noite tantos escravos caprichosamente trajados, tão alegres e aparentemente tão felizes..."



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quinta-feira, 11 de abril de 2019

Crônica Carioca de Todos os Tempos...Henrique Pongetti



Em abril de 1962, 
o jornalista Henrique Pongetti escreveu 
mais uma de seus textos 
contando o Rio de Janeiro.

Vale saborear!



sábado, 6 de abril de 2019

Becos cariocas e suas histórias


Pelo traçado urbano da cidade do Rio de Janeiro proliferavam sinuosos becos e ruelas, que eram inúmeros no período colonial e alcançaram o início do século XX.

O memorialista Luiz Edmundo descreveu o aspecto dessas vias:


"As ruelas que se multiplicam para os lados da Misericórdia - Cotovelo, Fidalga, Ferreiros, Música, Moura e Batalha - 
são estreitas, com pouco mais de metro e meio de largura. 
São sulcos tenebrosos que cheiram a mofo, 
a pau-de-galinheiro, a sardinha frita e suor humano".



Alguns deles...

. Beco da Batalha, Beco dos Ferreiros e Beco da Fidalga

Ficavam no bairro da Misericórdia e não existem mais. A origem do nome do Beco da Batalha foi a existência de um oratório dedicado à devoção de Nossa Senhora da Batalha no próprio beco ou no largo do mesmo nome. 
Beco da Batalha, 1919, Augusto Malta

No Beco dos Ferreiros moravam muitos chineses e em suas casas se fumava ópio. 

Beco dos Ferreiros, 1941, Augusto Malta

No Beco da Fidalga morava dona Maria Antônia de Alencastro, parente do militar português Gomes Freire (1757 -1817).

Beco da Fidalga,1941, Augusto Malta 


. Beco da Música

Também no antigo bairro da Misericórdia, liga a avenida Antônio Carlos à rua Dom Manuel. 
 Seu nome era Beco do Administrador, mas foi rebatizado como Beco da Música, quando músicos do Regimento do Moura, aquartelados nas vizinhanças, passaram a ensaiar no local onde havia sido a sede da administração do monopólio do sal. 

Beco da Música, 1941, Augusto Malta


Segundo o historiador Felisberto Freire, nele estiveram os portões do Rio de Janeiro, no século XVI, quando a cidade 

"malnascida no Castelo, 
dispunha embaixo, na várzea,
de uma muralha para melhor protegê-la."


. Beco do Paço

Ficava perto da rua Dom Manuel e foi destruído para a abertura da rua Erasmo Braga.

Beco do Paço, 1941, Augusto Malta


. Beco do Rosário

Fica perto da rua Reitor Azevedo Amaral. 
Foi em uma lanchonete situada no beco que, em 1967, num sábado de Aleluia, começou um incêndio que destruiu grande parte da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.

Beco do Rosário, 1938, Augusto Malta


. Beco dos Barbeiros

Localiza-se entre a rua Primeiro de Março e a rua do Carmo. Foi aberto no período colonial, pela Ordem Terceira do Carmo, por exigência da Câmara Municipal. 





Tem esse nome por ter sido ocupado durante anos por negros barbeiros ambulantes, que possuíam até banda de música.

 O beco é calçado com grandes blocos de pedra, onde podem ser vistas as antigas calhas de ferro trabalhado para o escoamento das águas pluviais da Igreja da Ordem Terceira do Carmo.

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Em certo momento, cogitou-se mudar o nome do beco para Travessa Onze de Agosto, em homenagem à data de criação dos cursos jurídicos no Brasil. Mas a população não aceitou e continuou chamando a estreita rua de Beco dos Barbeiros, nome definitivamente oficializado em 1965. 

. Beco das Cancelas

É considerada a menor e mais estreita das ruas do Rio. Apenas 3 metros de largura e 28 de extensão.


Liga a Rua Buenos Aires à do Rosário. Tem esse nome porque ali havia duas cancelas que fechavam a rua e só abriam durante o dia. 

No Beco das Cancelas funcionou o famoso Café Cascata, contemporâneo de Machado de Assis,o primeiro café carioca a contratar garçonetes. O prédio desabou em 1897, mas foi logo reerguido. Outro café famoso do local foi o Amorim, freqüentado por banqueiros, tabeliães e comendadores e dono da fama de "um dos melhores cafezinhos da cidade".

. Beco dos Carmelitas

Ganhou esse nome por se localizar próximo à Igreja de N.S.do Carmo da Lapa do Desterro.

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Tinha má fama por ser frequentado por malandros e prostitutas da Lapa, rua da residência do lendário morador Madame Satã

Também passaram, e muito, por aquelas vielas, nomes como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Heitor Villas-Lobos, Di Cavalcanti, Ismael Nery, Lúcio Rangel, Mário Lago e Noel Rosa.  

O poeta Manuel Bandeira também frequentava o local, pois morava na Rua Moraes e Valle, bem em frente ao Beco dos Carmelitas. De sua janela, Bandeira contemplava o beco sujo onde viviam lavadeiras, costureiras e garçons dos cafés do Centro. Foi ali que Bandeira escreveu os poemas de Estrela da Manhã (1936) e Lira dos Cinqüenta Anos (1940) e "Última Canção do Beco", em 1942, quando de lá se mudou e o poeta da delicadeza - como  era conhecido - o escreveu como despedida.

"...Beco das minhas tristezas
Não me envergonhei de ti!
Foste rua de mulheres?
Todas são filhas de Deus!
Dantes foram carmelitas... 
E eras só de pobres quando,
Pobre, vim morar aqui..."



terça-feira, 2 de abril de 2019

Confeitaria Tijuca


Uma série de estabelecimentos comercias simbólicos estão bem guardados na lembrança de tantos que viveram no bairro da Tijuca ou lá frequentaram. Um desses locais é a...
 ...Confeitaria Tijuca.

"Os Srs. Batista Godinho Cia, apresentando aos cariocas e à elite tijucana em particular, as luxuosas e moderníssimas instalações da nova CONFEITARIA TIJUCA - Sorveteria e Casa de Chá - vêm corresponder a uma antiga aspiração dos moradores da Tijuca. Em suntuoso edifício, especialmente construído para esse fim, a Confeitaria Tijuca, dotada de ar condicionado e mobiliário confortabilíssimo, será o ponto predileto para as tradicionais reuniões da elegância da fina sociedade tijucana. "
dizia o texto do anúncio de apresentação

Inaugurada em 1943 no número 352 da Rua Conde de Bonfim,  ao lado do Metro Tijuca, a Confeitaria Tijuca foi um marco importante na história do bairro e batizada como "o novo arranha-céu da Praça Saenz Peña". Foi comparada à Confeitaria Colombo, da Rua Gonçalves Dias . Oferecia "serviço completo para banquetes" e tinha som de uma "orquestra permanente".

O anúncio publicado no jornal O Globo de 21 de janeiro de 1943 vê-se o destaque para as diversas firmas que participaram na construção do imóvel e instalaram serviços inovadores e sofisticados para a época.

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"triunfam a inteligência, a operosidade e a técnica", 
apontam os anunciantes sobre a qualidade oferecida pelos senhores L. Mello & Irmão, responsáveis pela instalação da maquinaria de refrigeração elétrica, fazendo da Confeitaria Tijuca um dos locais pioneiros no Rio de Janeiro, fora do Centro, em receber tal tecnologia.

 "ambiente de requintado conforto"
 Decorado inteiramente em estilo marajoara, desde a iluminação dos letreiros em neon às "cadeiras confortáveis" de metal, passando pelas faces polidas e brilhantes dos espelhos, que "reúnem todo o encanto das coisas belas e grandiosas".

   "A maior organização da América do Sul"  
A Confeitaria Tijuca assim se intitulou em serviços de chá, sorvetes, almoços, lanches e jantares.

Em outro anúncio publicado na Revista da Semana, de 1944, vê-se a ilustração do que seriam os interiores da Confeitaria Tijuca: amplo salão de chá com casais elegantes, servidos por garçons em fraque com gravata borboleta. Do alto do salão, mostra um camarote onde estão maestro e orquestra.



Tenho uma ligação afetiva com essa confeitaria, pois minha mãe nela trabalhou.O padrinho da minha mãe era o gerente. Deixou de trabalhar por lá quando se casou em 1948.

Frequentei a Confeitaria Tijuca já no seu ocaso. Já não morava mais na Tijuca,  mas fiz o pré-vestibular no curso Vector, da Rua General Roca e no intervalo meu grupinho ia lanchar por lá. Já não tinha o glamour dos bons tempos. Fechou naquele mesmo ano e no seu lugar surgiu uma filial das Lojas Americanas, que permanecem nesse local até hoje.