sábado, 29 de agosto de 2020

Remexendo no baú carioca... o primeiro arranha-céu da orla


Antigo Edifício OK, 
atual Edifício Ribeiro Moreira.





Sua entrada, portaria e o art déco. 



Edifício Ribeiro Moreira de 1928... - Rio - Casas & Prédios ...   Portaria do Ribeiro Moreira. A porta do... - Rio - Casas & Prédios ...


Diário da Joaquina: ART DÉCO NO RIO DE JANEIRO

Saiba mais, (re)lendo a história.... AQUI



quarta-feira, 26 de agosto de 2020

A tradição do Grande Prêmio Brasil


O Grande Prêmio Brasil
acontece no Rio desde 1933,
sempre no mês de agosto.




O Jockey Club Brasileiro foi fundado em 1932, com a junção dos dois clubes promotores de corridas de cavalos do Rio de Janeiro: o Derby Club e o Jockey Club. Seu primeiro presidente foi o Dr. Lineu de Paula Machado,(foto ao lado) grande entusiasta e promotor do turfe no Rio de Janeiro.

A reunião inaugural do JCB foi realizada em 29 de maio do ano de sua fundação, no recém-construído Hipódromo da Gávea. Antigamente chamado de Hipódromo Brasileiro, sua pista e tribunas foram inauguradas seis anos antes da fusão dos dois clubes, em julho de 1926.


À época Linneo viajava muito para a Europa, e era substituído em suas ausências pelo benemérito Adhemar Faria, que era o Diretor Secretário.



filme de 1926


O Dr. Adhemar era muito amigo, desde quando cursaram juntos a faculdade de Direito, de outro benemérito do turfe brasileiro, Antônio Joaquim Peixoto de Castro Júnior, o fundador do Haras Mondesir. 

O Dr. Peixoto era o concessionário da Loteria Federal, e com o Dr. Adhemar, inventaram o que foi chamado de Sweepstake, que consistia em um sorteio preliminar de todos os bilhetes pelo número de concorrentes ao então novo Grande Prêmio Brasil. Cada concorrente defendia um bilhete, e o dono do bilhete fazia jus a um prêmio excepcional para a época, 300 contos de réis. Aguardaram a chegada do Dr. Linneo que estava na Europa, já com o plano completo do tal Sweepstake. A princípio o Dr. Linneo relutou, seria um passo temerário, mas acabou concordando, e daí veio um sucesso incomensurável.

O primeiro GP Brasil com o Sweepstake a grande promoção da Loteria Federal até para o estrangeiro, lotou por completo todas as dependências do JCB.

Loteria Federal do Brasil. Grande Sweepstake de 1947. G


Os históricos anúncios da Loteria Federal – Memorial do Consumo



Portal de Loterofilia

E desde 1933 até o ano passado foram disputados 86 vezes o GP Brasil. Através dos anos, participaram e até venceram animais do Uruguai, da Argentina, do Chile e da França. Das 86 provas já disputadas, os cavalos brasileiros venceram 56 vezes. Albatroz, Helíaco, Village King e Zenabre venceram duas vezes. Um argentino, Gualicho, também venceu duas vezes.

Entre os treinadores,
Ernani de Freitas venceu 6 vezes, D. Guignoni 5 vezes, e S. D´Amore, V. Nahid e Oswaldo Feijó 3 vezes cada. 

Quanto aos jóqueis,
 Juvenal Machado da Silva venceu 5 vezes. 
Quanto aos proprietários, 
os Haras São José e Expedictus em conjunto com o Stud Paula Machado venceram 6 vezes, o Haras Santa Maria de Araras venceu 4 vezes, e com 3 vitórias o Haras Santa Ana do Rio Grande


Em tempo: 
. a promoção do Sweepstake foi interrompida, contra a vontade do JCB.
. o Jockey Clube Brasileiro em função da atual situação, resolveu adiar a realização do Grande Prêmio Brasil para 27 de setembro de 2020.


domingo, 23 de agosto de 2020

Prédios antigos que contam a história da cidade



Muitas construções antigas do Rio se vão, 
outras poucas permanecem.


É o caso do tradicional Edifício Ceres, na avenida Vieira Souto, 572, em Ipanema. O Ceres, hoje com quase 70 anos, é uma das construções antigas mais belas da praia de Ipanema.



Pertenceu ao fazendeiro português Antônio D'Oliveira Carvalho e por lá morou com a esposa e seus nove filhos.
No início da década de 1950, Antônio resolveu demolir a residência para construir um edifício e distribuir os apartamentos entre seus nove filhos.

Em 1952, o prédio ficou pronto e foi batizado de Ceres em homenagem à deusa romana das plantas que brotam e do amor maternal. Na entrada, há um mural de pastilhas representando a Ceres em meio aos laranjais, que eram produzidos nas fazendas de Antonio.

O edifício tem apenas 5 andares e 15 apartamentos com cerca de 150 metros quadrados cada.


quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Anos 60...Rua Jaceguai, 27, onde nasceu boa música!


A Rua Jaceguai, 27, perto da Praça Varnhagen, 
no tradicional bairro carioca da Tijuca, 
abrigou um imóvel de dois andares 
que se tornaria importante para a MPB.





Foi por lá que nasceu -  na casa do médico psiquiatra Aluízio Porto Carreiro de Miranda  e sua esposa Maria Ruth -  um movimento artístico-cultural no final dos anos 60:  o MAU, MOVIMENTO ARTÍSTICO UNIVERSITÁRIO.

Em torno de 1961, Aluízio -  instrumentista do Cassino da Urca (década de 1940) e da Rádio Mayrink Veiga, na década de 1950 -  começou reunindo antigos companheiros e a partir daí a fama da boa música foi-se estendendo.  O casal começou a fazer rodas de violão e de bate-papo, frequentadas por Bororó, Cartola, Donga, João do Vale e Nássara.

Não demorou muito para que as filhas adolescentes, Regina e Angela, passassem a convidar os amigos. E assim, a nova geração passou a se encontrar  por lá, tendo o próprio Aluizio ao violão.

A casa foi ficando superlotada, os violões passando de mão em mão, enquanto era servida batida de maracujá feita num panelão e distribuída pelos copos com concha de feijão. Em ambiente de descontração, as pessoas cantavam em coro, até mesmo músicas proibidas na época, como "Guantanamera" e "Canção do subdesenvolvido".


As reuniões, sempre às sextas-feiras. 




Eram saraus, com violões e cantoria espontânea, nas quais os compositores mostravam suas músicas uns aos outros, em clima de incentivo à criatividade. O movimento gerou os Festivais Jaceguai, do Instituto de Educação. 

Seus principais integrantes, à época ainda universitários, foram

Ivan Lins, Gonzaguinha, Aldir Blanc, César Costa Filho, Sílvio da Silva Júnior, Sidney Mattos, Cláudio Cartier, Otávio Bonfá, Márcio Proença, Paulo Emílio, Cláudio Tolomei, Marco Aurélio, Sidney Matos e Ivan Wrigg. 
 Costumavam aparecer também
Nelson Panicali, Eduardo Lages, Ricardo Pontes, Wanderley Cunha, Darcy de Paulo, Wagner, Paulo Assis Brasil, José Mauro, Rolando Begonha Faria, Lucinha Lins, Flávio Faria, Luna Messina, Suzana Machado, Célia Vaz, Léa Penteado,  Omar, Adilson Godoy e Sílvia Maria. 

Os principais nomes do movimento participaram do Festival Universitário (que no início estava associado à TV Tupi do Rio de Janeiro), no final dos anos 60, e que foi vitrine do movimento.

Desde o início, as composições dos membros do MAU não estavam presas a um estilo fixo, ou seja, havia uma independência entre os seus membros tanto nos campos da estética quanto da política.

No I Festival Universitário da Canção Popular,  da Tupi, as 3 canções classificadas dos membros do MAU refletiram esta diferença.


  • Uma toada  - “Pobreza por Pobreza” (Gonzaguinha), defendida pelo próprio autor, continha todos os principais elementos da canção de protesto, pois tratava das dificuldades do sertanejo nordestino.
  • Um samba - “Meu Tamborim” (César Costa Filho e Ronaldo Monteiro dos Santos), conseguiu o 3º lugar, defendida por Beth Carvalho


  • Um partido alto  -  “Até o Amanhecer” (Ivan Lins e Waldemar Correia dos Santos)  que obteve o 5º lugar , defendida por Ciro Monteiro. 


Apesar das 4 edições do festival da Tupi (1968-1971) obterem pouca penetração popular e serem alvo de comentários que questionavam a qualidade musical dos mesmos, o seu papel para a divulgação dos membros do MAU foi vital.

Na segunda edição, em 1969, Gonzaguinha obteve a primeira colocação com “O Trem”, uma toada de protesto que retrata o sofrimento dos trabalhadores rurais e urbanos e dos desempregados, mas que enfrentou uma vaia estrondosa quando foi anunciada como a vencedora.



A favorita foi  a vibrante ( e para a qual eu torci!) "Mirante" , de Cesar Costa Filho e Ronaldo Monteiro de Souza, defendida por Cesar Costa Filho e a cantora Maria Creuza.





Ainda em 1969, o MAU desponta no IV FIC, Festival Internacional da Canção, realizado pela Rede Globo. Silvio da Silva Jr. e Aldir Blanc concorreram com “Serra Acima”, interpretada pelos Três Morais, que chegou à final.

Todavia, César Costa Filho conquistou o 3º lugar com “Visão Geral”, composta em parceria com Ruy Maurity e Ronaldo Monteiro de Souza.

“A rosa prosa bela
vem na primavera
e o jornal da tela
noticia a guerra” 





No Festival Universitário da Tupi de 1970, segundo Aldir Blanc e Silvio da Silva Junior, surge a canção-síntese do MAU: “Amigo é para essas coisas”, na interpretação do grupo MPB 4 e 2º lugar no Festival.


Também, os grande intérpretes da nossa MPB passaram a defender músicas do MAU nos festivais e a gravar essas e outras composições inéditas do grupo. 

Além do Soul e do Pop, a grande sensação do V FIC, em 1970,  foi o MAU. Premiados com o 2º lugar  - “O Amor é o Meu País”, de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza -  e com 4º lugar  - “Um Abraço Terno em Você, viu Mãe” , de Gonzaguinha -  e da classificação de “Diva” , de Aldir Blanc e César Costa Filho, o MAU chamou a atenção da TV Globo e das gravadoras.


Rapidamente a Rede Globo tentou recuperar o gênero musical na televisão brasileira, que estava desgastado desde o final da década de 1960. A nova empreitada global, se chamaria “Som Livre Exportação”, com a produção e direção de Solano Ribeiro, Walter Lacet e Eduardo Athayde.

Em 03 de dezembro de 1970, “Som Livre Exportação” estreava no horário nobre das quintas-feiras.

Contudo, os índices de audiência dos 4 primeiros programas desanimaram. Focar o MAU e os novos nomes não foi o suficiente para garantir uma espetacular audiência.  O principal patrocinador, a SHELL, sugeriu a contratação de Elis Regina como apresentadora fixa ao lado de Ivan Lins.

No início de 1971, a Rede Globo e a CBD (Companhia Brasileira de Discos) passam a dar uma maior atenção a Ivan Lins em relação aos outros membros do MAU e ele se tornou a imagem do programa e  alvo dos críticos, que o acusavam de “produtor musical de massa”.  Ivan Lins tornou-se um músico calcado na televisão, principalmente com a introdução de suas composições nas novelas globais.




Seu primeiro Lp “Agora” (Forma, 1971) chegou ao primeiro lugar no IBOPE, atingindo a marca de 70.000 cópias vendidas e




“Madalena”, (Ronaldo Monteiro de Souza e Ivan Lins) interpretada por Elis Regina, despontou.



Na renovação de contratos, somente Ivan Lins, César Costa Filho e Gonzaguinha foram mantidos. Com isso, o desaparecimento do MAU era previsível. No final de fevereiro, Ivan Lins anunciou a sua saída do MAU. Além de alegar falta de tempo, Ivan Lins justificou a sua saída através de criticas ao posicionamento do MAU em relação ao repertório e ao sucesso comercial.

Mas não demorou muito : o “Som Livre Exportação” foi cancelado em agosto de 1971, após o rompimento do contrato entre a emissora e Ivan Lins.

Pouco mais tarde Aldir Blanc fez a mesma trajetória e vários outros. Saíram do MAU. Estava decretado o fim do movimento, dos jovens egressos da Jaceguai  que vestiam coletes azuis( como podem ver no vídeo acima com todos em torno do piano de Ivan Lins, no Maracanãzinho,  no FIC de 1970).



terça-feira, 18 de agosto de 2020

Moradias...ontem e hoje


Curiosos anúncios de imóveis há 65 anos...






´

O palacete não resistiu muito.
Em 1959, nessa esquina se construía um prédio de luxo, 
e suas unidades foram colocadas à venda nos classificados;



As duas esquinas hoje são ocupadas por dois edifícios. 

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Hoje,  o Edifício Cesar


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Hoje, o Edifício Bonaparte



sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Outra casa que se foi em Copacabana...

..
... na esquina da 
Av. Rainha Elizabeth com a Av. Atlântica.

Foi a  casa do empresário Oliveira Júnior, dono de duas famosas marcas no Rio do passado: o Sabão Aristolino e o Xarope Grindelia de Oliveira Júnior. 

O Aristolino foi um sabonete líquido medicinal, o primeiro sabonete líquido fabricado no país, desde o início dos anos 1900.

Grindélia Oliveira Junior - 1917 - Propagandas Históricas ...



A casa, na realidade era um palacete que foi construído tardiamente, somente em 1930, enquanto as demais casas da região foram, na maioria, da década de 1910.  A casa em estilo eclético, que flerta entre o Fiorentino, e o Neo-Gótico, era toda revestida de pedras, revestimento de grande durabilidade empregado em várias outras casas do bairro, como o castelinho da Veplan e a famosa casa de pedras da Santa Clara (demolida em 2013).


Na foto abaixo, como pano de funo de um jogo de peteca, está a casa de pedras o empresário Oliveira Jr


foto Fernando Moura Peixoto



  A família Klabin sentada na areia. Atrás o palacete de Oliveira Jr




O palacete contava inclusive com uma sala com equipamentos de ginástica, uma raridade e luxo em uma época onde não ainda existiam as academias atuais. Contudo, a casa do empresário teve uma duração bastante efêmera, tendo permanecido naquela esquina por apenas cerca de 20 anos. Com a morte do empresário, a família perdeu tudo e  a casa foi demolida já no início da década de 1950. Foi vendida e veio abaixo rapidamente, e a sua filha única viveu desde então com um padrão de vida bem mais modesto, tendo falecido em um pequeno apartamento de quarto e sala, em Copacabana. No lugar do palacete, foi construído o edifício Rei Alberto  - entre1953 e 1955 - , cujo endereço é Av. Atlântica número 4098.

Hoje, esse edifício é vizinho ao edifício Vila Alba   Av. Atlântica número 4112. Na esquina oposta , fica o edifício Egalité, Av. Atlântica 4066.





Curiosidade: 

Surgida em julho de 1924 no Rio de Janeiro, Aristolino foi  uma revista de distribuição gratuita e tratava-se de um periódico  de propaganda do sabão - os editores eram Oliveira Júnior & Cia., do Laboratório Pharmaceutico de Oliveira Junior &Cia. Ltd., nome do farmacêutico responsável e proprietário - oferecendo matérias sobre produtos e sua influência na aparência e na saúde.

 Para se tornar assinante bastava enviar o endereço completo para o endereço indicado no expediente, à rua Dois de Dezembro, n. 77. Era impressa na Livraria, Papelaria e Litho-Typographia Pimenta de Mello & Cia., localizada na rua Sachet, 34 -  atualmente Travessa Ouvidor -  e tinha periodicidade semestral.

O subtítulo de Aristolino no primeiro número era revista de informações, literatura e variedades.A coleção da Biblioteca Nacional é formada por seis exemplares que podem ser consultados através da Hemeroteca Digital.

O primeiro exemplar não publicou editorial. 



O segundo, entretanto, inicia com uma carta com o título de Ao leitor. Nela os editores partilham a alegria com o sucesso alcançado no primeiro exemplar e falam da motivação em continuar com a empreitada.




As capas de Aristolino, coloridas, apresentavam sempre a pintura de belas mulheres.





Nas páginas internas, elas também marcaram presença. Atrizes de cinema ou teatro, da Europa ou da América. Suas imagens eram sempre relacionadas aos efeitos positivos proporcionados pelo uso dos produtos do laboratório farmacêutico. Em alguns casos é possível encontrar também, junto a foto, o registro das palavras endereçadas ao Sr. Oliveira Junior, em agradecimento ao sucesso decorrente do uso do produto.

Nas páginas de Aristolino também consta a propaganda de um concurso oferecido aos consumidores dos produtos do Laboratório. Semestralmente eram sorteados entre os que faziam uso dos produtos, um carro ou créditos em mercadorias nas lojas indicadas. Cada exemplar da revista recebia um número, que se repetia em um cupom a ser destacado, preenchido e enviado ao editor.

Em suas páginas, calendários, fases da lua e vários artigos sobre agricultura e melhor qualidade de vida. Entremeados a estes artigos, em páginas repletas de reproduções de telas de mulheres famosas, estão publicados poemas de autores como Olavo Bilac (1865-1918), Alberto de Oliveira (1857-1937), Pedro de Alcântara (1825-1891) – ex-imperador do Brasil, Fagundes Varela (1841-1875), Luiz Guimarães Junior (1845-1898), Raimundo Correia (1859-1911), Coelho Netto (1864-1934);
também contos de Arthur Azevedo (1855-1908) e Malba Tahan (1885-1921).


Dos poemas publicados nas páginas de Aristolino, 
destacamos um soneto do ex-Imperador do Brasil.



"Terra do Brasil

Espavorida agita-se a creança,
De nocturnos fantasmas com receio,
Mas se abrigo lhe dá materno seio
Fecha os doridos olhos e descança.

Perdida é para mim toda a esperança
De volver ao Brasil; de la me veio
Um pugillo de terra; e nesta creio
Brando será meu somno e sem tardança...
Qual o infante a dormir em peito amigo
Tristes sombras varrendo da memória,
Ó doce pátria, sonharei contigo!

E entre visões de paz, de luz, de gloria,
Sereno aguardarei no meu jazigo
A Justiça de Deus na voz da história!"


quinta-feira, 6 de agosto de 2020

80 anos de Paulo Sergio Valle


São cerca de 900 músicas letradas por ele, 
que são pérolas da nossa MPB. 
Vivas aos 80 anos 
do compositor 
Paulo Sérgio Valle!


Compositor Paulo Sergio Valle relembra em livro a noite em que ... Marcos E Paulo Sérgio Valle | Discografia | Discogs

Com o irmão Marcos Valle fez sua primeira composição que foi Sonho de Maria lançada, em 1963, pelo Tamba Trio. Em parceria com o irmão, fez , dentre outras, o clássico Samba de Verão (1964) - que alcançou o segundo lugar das paradas de sucesso, nos EUA, na gravação de Walter Wanderley e teve mais tarde cerca de 80 gravações diferentes nos EUA -   a linda Preciso aprender a ser só (1965), seguiu a toada do engajamento político com a canção de festival Viola enluarada (1968), propagou a filosofia hippie no samba Com mais de 30 (1970), sentenciou que negro é lindo no soul Black is beautiful (1971) .

Muita gente não sabe que, também, em parceria com Nelson Mota e Marcos Valle compôs o tema de Natal da TV Globo, Um novo tempo.









A partir da década de 1980, Paulo Sérgio Valle soube se adequar ao tom radiofônico das canções sentimentais produzidas em escala industrial para atender demanda das gravadoras para abastecer os repertórios dos artistas mais rentáveis dos elencos das companhias.


Nessa seara mais populista, Evidências (1989) – parceria com José Augusto – virou hit blockbuster quando foi gravada pela dupla Chitãozinho & Xororó em 1990 e, ao longo dos últimos 30 anos, se tornou standard da canção brasileira.


Sem pré-conceitos musicais, Paulo Sérgio Valle fez versos para músicas de

  • Michael Sullivan  -  Abandonada, sucesso de Fafá de Belém em 1996, 
  • Herbert Vianna  - Se eu não te amasse tanto assim e A lua Q eu te dei, baladas lançadas por Ivete Sangalo em 1999 e em 2000, respectivamente
  •  e Chico Roque, com quem assinou Essa tal liberdade – sucesso lançado em 1994 pelo grupo de pagode Só pra Contrariar – e Você me vira a cabeça (você me tira do sério), hit de Alcione a partir 2001.

A lista de parceiros também inclui Ed Wilson (1945 – 2010) com Prêntice (1956 – 2005) – parceiros de Paulo Sérgio em Aguenta coração (1990), um dos maiores sucessos de José Augusto.




domingo, 2 de agosto de 2020

Um RIO que se foi

A imagem pode conter: arranha-céu, céu e atividades ao ar livre


Na esquina da Avenida Atlântica com a Rua Hilário de Gouveia, em Copacabana, existia o palacete da família Dias de Castro.

A mansão foi  construída em 1922.


A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, casa e atividades ao ar livre


A imagem pode conter: casa, árvore e atividades ao ar livre


A imagem pode conter: casa e atividades ao ar livre, texto que diz "HÍLARIO DE GOUVEIA AVENIDA ATLANTICA 1971"


Pertenceu ao engenheiro e ex-presidente da Associação Comercial de São Paulo Sr. Ernesto Dias de Castro (1873-1955), que também era proprietário do Edifício Dias de Castro, com 12 andares, - o da fachada abaulada na primeira foto de cima-  no terreno vizinho. 

483c990d3a9ac088d9255f18a1f9468e - Série Avenida Paulista: Casa das Rosas e o Parque Cultural Paulista
Ernesto Dias de Castro


A mansão foi projetada pelo arquiteto e engenheiro  Gastão Bahiana, o mesmo que também projetou a Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, e que virou até nome de rua em Copacabana.

Dias de Castro só teve uma filha, Laura Castro Martins, que não deixou herdeiros. Após a sua morte, em 1978, a casa foi adquirida pela imobiliária Sérgio Dourado por 640 milhões de cruzeiros ou cerca de 38 milhões de dólares, valor que incluiu o vizinho edifício Dias de Castro. O imóvel até a sua demolição estava muito bem conservado e poderia tranquilamente fazer parte da Avenida Atlântica até hoje.

Sua demolição aconteceu em 1981, pouco antes da mansão completar 60 anos de existência.
Como não havia herdeiros o dinheiro gerado pela venda da mansão e do prédio vizinho foi destinado a três entidades filantrópicas. 

No lugar da casa foi construído o Edifício 2172 da Avenida Atlântica. O prédio de quase 20 andares tem a fachada com vidros escuros e possui um apartamento por andar de 650 m2.



Duas curiosidades:


1.  Após a demolição dessa mansão, há quase 40 anos, ainda restaram mais cinco casas na orla de Copacabana: 
. Casa de Pedra da dona Zilda, 
."Casa dos Bichos" que pertenceu a Veplan, 
. Casa Rosa do Consulado da Áustria, 
."Casa do Vaticano" que virou a Boate Help  
. Casa Geminada que pertenceu a Humberto Milano Jr., localizada na esquina da Rua Joaquim Nabuco.


2.  Nesse prédio aconteceu uma ação policial cinematográfica, em 2011, que ocorreu na cobertura, que pertencia ao bicheiro Aniz Abraão David. Do helicóptero da operação teve até descida de rapel e foram encontradas, no apartamento, malas com milhões de Reais.  Essa cobertura, anteriormente, pertenceu ao jornalista Roberto Marinho, proprietário das Organizações Globo, e foi vendida em 2004 ao bicheiro.

Policiais descem de rapel na cobertura do bicheiro Aniz Abrãao David, o Anísio, na Avenida Atlântica, em Copacabana Foto: Fernando Quevedo / O Globo