segunda-feira, 30 de setembro de 2019

REMEXENDO NO BAÚ... O rock no Rio de Janeiro


Já houve um tempo 
que o verdadeiro rock pipocava por aqui.
E fazia moda e influenciava.

Vale (re)ver!



CLIQUE AQUI ... O pontapé inicial do rock no Rio veio na voz de uma cantora de samba-canção...
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CLIQUE AQUI..O rock chegou ao rádio, nos anos 50...
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CLIQUE AQUI. ... E o cinema nacional contribuiu para o ROCK





quarta-feira, 25 de setembro de 2019

E na Lagoa teve uma praia...



Em fotos de Peter Fuss, Jean Manzon
do acervo do Correio da Manhã 
vemos a "Praia da Lagoa".
Na década de 70, com a duplicação 
das pistas da Av. Epitácio Pessoa 
e o aumento do tráfego por conta 
da abertura do Túnel Rebouças, 
 tudo isto desapareceu.







Havia areia e as pessoas da proximidade iam com esteiras e barracas de praia tomar banho de sol na margem da Lagoa Rodrigo de Freitas. Infelizmente, como a água sempre foi imprópria para banho, raros eram os que mergulhavam.

O trecho em que havia mais areia ficava entre o Jardim de Alá e o Corte do Cantagalo, embora houvesse também outro trecho com areia nas vizinhanças do Clube Piraquê.

Eram comuns os passeios a cavalo pela orla da Lagoa, bem como competições de motonáutica, até o final dos anos 60. 












terça-feira, 24 de setembro de 2019

Houve um Bar Jangadeiro...

 Ontem falamos sobre a origem do nome da Rua Jangadeiros.
Hoje uma pincelada sobre um bar nas proximidades: o Bar Jangadeiro.

Artistas inesquecíveis, na década de 1950, batiam ponto nas dependências do Bar Rhenânia  inaugurado em 1935 na Visconde de Pirajá  80, ao lado do antigo Cinema Ipanema, em frente ao Chafariz das Saracuras, na Praça General Osório.

Após a declaração de Guerra ao Eixo pelo Brasil de Vargas esse bar mudaria de nome - pois durante a 2ª Guerra Mundial foi apedrejado -  para Bar Jangadeiro - pela proximidade com a rua que quase lhe fazia esquina, a  Rua Jangadeiros.

Era um restaurante simples, com cadeiras de palha e piso de ladrilhos. Em 1950 Fleischer passou o bar para a sua filha Christina e ao genro e uma nova geração de boêmios começou a se formar na década de 50. Eram nomes do porte de Rubem Braga, vizinho ali da área, Gláucio GilMillor FernandesFernando Sabino, Vinicius de Moraes e Tônia Carrero,  a Mariinha, musa do grupo.
O Bar Jangadeiro no final dos anos 50 era o que possuía a maior serpentina de chope do Rio, daí ter se tornado o point da zona sul.
O bar com suas cadeiras de madeira, algumas de armar tinha “Seu” Victor - Victor Fleischer - , um austríaco, comandando a caixa, depois de ter comprado o bar de seu fundador, o alemão Müller, em 1938.

Mas além dos personagens das letras e dos palcos estavam sempre ali no Bar Jangadeiro a turma do Beco das Garrafas, a chamada Turma da Bossa nova de Ipanema como Roberto Menescal, Carlinhos Lyra, Tom Jobim, Joaquim Pedro de Andrade e Vinicius de Moraes.
Resultado de imagem para Yolhesman CrisbelesNa segunda metade dos anos 60, “uma banda onde os músicos podem não saber tocar o seu próprio instrumento", trazendo à frente uma faixa – Yolhesman Crisbeles - saía do Bar Jangadeiro percorrendo as ruas do bairro, fazendo evoluções no Castelinho, dando ligeira parada no Veloso (Rua Montenegro), chegando até a Praça N.S. da Paz e voltando para o Bar Jangadeiro. Era a Banda de Ipanema. Assim o bar foi a "sede" inicial da Banda de Ipanema.
Em 1971, a especulação imobiliária forçou-o a se mudar para a Rua Teixeira de Melo nº 20, onde sobreviveu até 1985. Depois ainda se mudou para o nº 53 até fechar em 1995.


segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Quem é quem nas ruas do Rio...Os Jangadeiros de Ipanema



A Rua Jangadeiros 
começa na altura da Rua Barão da Torre 
com Rua Antonio Parreiras 
e termina na Praça General Osório, 
em Ipanema.


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Inicialmente chamada de Rua 16 de Novembro foi rebatizada com o nome de Rua Jangadeiros homenageando os 4 jangadeiros alagoanos.

Quatro bravos pescadores alagoanos saíram de Maceió e foram até o Rio de Janeiro, de jangada, para a comemoração do centenário da independência.
Para celebrar esse marco, alguns estados enviaram representantes em embarcações e algumas delas nem chegaram.


Os quatro aventureiros foram: 
Umbelino José dos Santos, com 45 anos e mestre da embarcação, natural de Passo de Camaragibe; 
Joaquim Faustilino de Sant’Ana (41), de Barra de São Miguel; 
Eugênio Antônio de Oliveira (25), de Coruripe e 
Pedro Ganhado da Silva (36), também de Coruripe. 
Eles saíram da Enseada da Pajuçara e navegaram rumo ao Rio, no dia 27 de agosto.
A jangada utilizada, havia recebido o nome de Independência e era uma das mais simples embarcações: formada por seis paus, um pequeno mastro com vela e nenhum aparelho de navegação. Durante o trajeto nos mares alagoano e sergipano, a viagem seguia tranquila até que o tempo começou a virar.

Foi no litoral da Bahia, que os jangadeiros alagoanos passaram por uma tempestade tremenda e na região de Camamu virou. Os pescadores ficaram sem mantimentos, roupas e a vela da jangada. Mas não pense que eles desistiram de prestigiar o Centenário, não.

A nado, rebocaram a embarcação até à costa. Lá receberam total apoio da população e do governador da Bahia, José Joaquim Seabra, que recomendou ao intendente do município que proporcionasse o que fosse necessário para concluir a aventura.

Eles permaneceram em Camamu até o dia 16 de setembro para melhores condições do tempo e ainda fizeram mais duas pausas na Bahia: Ilhéus e Porto Seguro.

No dia 12 de novembro, os jangadeiros alagoanos chegaram a Macaé, litoral carioca. Eles passaram por Cabo Frio, Saquarema e Itaipu. Ao desembarcar na Baía da Guanabara, foram recebidos por diversos jornalistas e por toda população. Ao todo foram 98 dias ao mar, enfrentando nove tempestades.

A jangada foi dada como presente ao Museu Histórico Nacional. Após deixarem a companheira de aventura no Rio de Janeiro, os jangadeiros voltaram a Maceió a bordo do vapor Santos, do Loide Brasileiro.

No Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) existe uma jangada de cinco paus, bem semelhante a utilizada pelos jangadeiros alagoanos e é aberta para visitação e fotografias.

A Rua Jangadeiros se tornaria parada obrigatória de toda uma geração de artistas inesquecíveis que e suas histórias.  Mas isso fica pro próximo post.




quarta-feira, 18 de setembro de 2019

E surgiu a Atlântida...


No dia 18 de setembro de 1941,
 a Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil, 
que criou a chanchada, 
foi fundada no Rio de Janeiro 
por Moacir Fenelon e José Carlos Burle.


Pra conhecer mais do gênero carioca de comédia, três clássicos inteiros para saborear!


Carnaval Atlântida - 1952






Matar ou Correr- 1954




É de Chuá - 1958







segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Crônica Carioca de Todos os Tempos...A Matemática



Há 50 anos... 
publicada em 16 de setembro de 1969






quarta-feira, 11 de setembro de 2019

O Rio em 1948, por Humberto Mauro


Filmes de Humberto Mauro, de 1948.



Um outro Rio de Janeiro












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Humberto Mauro (1897 - 1983) foi um dos pioneiros do cinema brasileiro. Fez filmes entre 1925 e 1974, sempre com temas brasileiros.


 



terça-feira, 10 de setembro de 2019

REMEXENDO NO BAÚ...duas avenidas cariocas de setembro


Vale (re)ler!
   
A Presidente Vargas e a Rio Branco


João do Rio a definiu como "esse grande Sabá arquitetônico de dois quilômetros", por onde passa "o Rio inteiro, o Rio anônimo e o Rio conhecido".


Ah, Avenida Central!


O corte ousado, no urbanismo da cidade, de mar a mar, que transformou a vida carioca, com a demolição de 590 edificações.


Curiosamente foi inaugurada duas vezes, a primeira delas em 7 de setembro de 1904, ao final das demolições e em 15 de novembro de 1905, para celebrar o final das suas construções.
A Avenida Central em dois tempos:


Obras para a Avenida Central


Foto de Augusto Malta

No início do século, após inaugurada.
Intercessão da Av Rio Branco com a hoje denominada Rua da Ajuda, antes Rua do Chile.
A Rua do Chile desapareceu em sua maior parte com a abertura da nova Avenida.


*****


Desde os tempos de D. João VI já se pensava em construir um canal navegável ligando o mar ao Rocio Pequeno, atual Praça Onze de Junho. O canal teria como objetivo secar um enorme pântano existente próximo da Cidade Nova, que era um foco de doenças, mosquitos e exalações desagradáveis. Mas só em 1857, foi iniciada a construção do Canal do Mangue, que foi a maior obra de saneamento do Rio de Janeiro, na época do Império, contratada ao Barão de Mauá.


No Governo de Henrique de Toledo Dodsworth, como prefeito do Distrito Federal, a ideia de prolongar a Avenida do Mangue até o Cais dos Mineiros, atual Arsenal da Marinha, foi posta em prática e foi aberta a Avenida Presidente Vargas, para a qual foram demolidos 525 prédios e desapareceram velhas ruas.

Assim nasceu a Avenida Presidente Vargas em 7 de setembro de 1944.

A Presidente Vargas em construção




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  A avenida Presidente Vargas recém inaugurada


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Crônica Carioca de todos os tempos


Da revista PIAUI
a crônica de ANTONIA PELLEGRINO, 
da segunda edição, de novembro de 2006



"O PRÍNCIPE DE COPACABANA
Como falir sem perder a elegância


A os 57 anos, Diduzinho Souza Campos tem todos os motivos para ser casmurro, ressentido e rabugento, mas não é. O enfant gâté dos anos 70, que só fazia a barba no Country Club e achou ruim quando se mudou da mansão de cinco andares, em Copacabana, onde vivera 25 anos, para um apartamento debruçado sobre o mar de Ipanema, hoje mora num modesto imóvel de 85 metros quadrados no Corte do Cantagalo. Nenhum bacana mora por ali. Filho único dos jet setters Didu e Tereza Souza Campos, Diduzinho não reclama: “O espaço é pequeno, mas é só abrir a janela que se tem a sensação de amplitude”.


Não que Diduzinho aprecie a vista. Faz 24 anos que seus olhos deixaram de funcionar. Tudo lhe parece completamente desfocado, mesmo com a ajuda de dois óculos, um para longe e outro para perto, ambos fundo de garrafa. “Nem sei o meu grau. Só sei que disso não passa, é o maior que se pode ter. Minha visão piorou com a idade, os óculos não podem acompanhar.” Aos olhos de Diduzinho, as pessoas não envelhecem, tudo é colorido, as luzes resplandecem, as cores brancas brilham como fogos de artifício. “O espetáculo dos fogos no final do ano, eu vejo melhor que todo mundo”, se gaba. A audição tornou-se uma terceira bengala. Certas atividades, como passar a chave na fechadura ou usar o controle remoto, são feitas apenas com o tato. “Tive que reaprender tudo, até a andar”, ele diz, caminhando vagarosamente por Copacabana, o braço esquerdo apoiado na acompanhante, uma bengala de galho de goiabeira na mão direita. Passa uma loira, Diduzinho olha. E pergunta: “É bonita?”.

Diduzinho tinha olho vivo para loiras, ruivas e morenas. Até a noite de 22 de setembro de 1982. Virado já fazia três dias, foi jantar no restaurante Fiorentina e esticou na boate Hippopotamus. De lá, seguiu para casa e, na curva do Calombo, na Lagoa, seu Passat derrapou. Diduzinho foi cuspido através do vidro. “Quando cheguei no pronto-socorro, meu rosto parecia uma rosa”, lembra. Daí seguiram-se quatro meses entre a Clínica São Vicente e tratamentos em Houston. Quando Diduzinho deixou o hospital americano, estava cego do olho direito e com apenas 10% da visão do olho esquerdo.

O ex-playboy andava sem carteira. Nos restaurantes e boates sua assinatura em qualquer papel era tratada como dinheiro. Chegava a gastar o equivalente a 3.500 reais numa noitada. Hoje é aposentado por invalidez no INSS e vive apenas com a pensão de mil reais por mês, além de ajudas casuais de familiares e amigos. “Estou sempre devendo ao banco, é um inferno. Me sinto sentado numa bomba. Não sei viver assim. Para mim, as coisas sempre caíram do céu”, conta.

Diduzinho faz várias fezinhas por dia.Começa pela manhã, presenteando a esposa, Carmen de Souza Campos (quinze anos de casados), com duas raspadinhas de 50 centavos: “Eles pagam até 10 mil”. Ainda à mesa do café-da-manhã, Carmen abre o jornal e lê em voz alta o resultado da loteria. Diduzinho aposta religiosamente há mais de quinze anos. Ganhou uma única vez, 86 reais no terno da quina. “Se eu acertar, compro um apartamento no meu prédio mesmo, faço um seguro-saúde e vou para Paris”, ele diz, e emenda animado: “O bom de jogar na loteria é que a gente vai pra cama e esquece os problemas, só pensa no que vai fazer com o dinheiro se ganhar no dia seguinte”.

Herdeiro do título de conde da Graça, concedido pelo rei de Portugal ao seu tataravô, Diduzinho foi criado entre as pradarias do Gávea Golf Club, onde jogava quatro dos seis tempos de pólo no time dos amigos de seu pai, e o Country Club, onde passava a tarde praticando sinuca e tênis, de papo nas grandes mesas de almoço ou nos banhos de piscina. Diduzinho ferveu nas boates Le Bateau, Girau e Zum Zum num Rio de Janeiro fantástico, década de 1970, quando pululavam festas no estilo Grande Gatsby local. “A cidade era muito pequena. Todo mundo se conhecia. Eu chegava na Zum Zum e, pelos carros, antes de entrar já sabia quem estava lá.” Entre outras atividades sociais, chegou a freqüentar diversos cursos na PUC. Não se formou em nenhum. “Nunca quis largar a barra da saia de mamãe, não batalhava nem sabia ganhar dinheiro. Sabia dar dinheiro.” E foi o que Diduzinho fez — enquanto pôde.

Já em 1972 apareceram as primeiras dificuldades. A separação dos pais acelerou o processo de venda dos bens da família. “Meu avô, Vilobaldo Souza Campos, foi rico. Meu pai torrou a herança. Era funcionário do Banco do Brasil, tinha uma vida que não condizia com o que ele ganhava”, conta Diduzinho, que aos 25 anos se viu obrigado a pegar no batente. Como adorava fotografia e cinema, foi contratado por Bruno Barreto para fazer fotografia de cena no filme A estrela sobe, mas abandonou o set de filmagens para viajar. Ainda assim, na volta aproveitou a experiência e conseguiu um trabalho de cinegrafista na TV Globo. A vida de estivador não lhe caiu bem. Logo o playboy foi transferido para o departamento de vendas internacionais da emissora. “Minha sala e a do Otto Lara Resende eram vizinhas. Os almoços naquela época demoravam horas. A Globo era glamourosa.” Em outro tom, a festa continuava.

Não continua mais. Diduzinho soube se adaptar. Hoje seu maior interesse é manter a serenidade. Suas terapias são os exercícios na academia de ginástica do 30º andar do Othon Palace, três vezes por semana, e duas sessões semanais nos Alcoólicos Anônimos da rua República do Peru, em Copacabana. “Não faço nada sozinho. Preciso da Carmen pra tudo. Sem a minha mulher eu fico perdido”, diz ele ao entrar na sala dos AA — codinome: Aerolíneas Argentinas —, onde gosta de sentar sempre no mesmo lugar, uma cadeira atrás da pilastra, para se proteger do sol. Na hora de seu depoimento, a voz mansa, calma e pausada dá lugar a uma fala ansiosa e atropelada, como uma catarse: “O cavalo passou selado e eu não montei” e “Acelerei na reta e derrapei na curva” são os seus bordões. “Eu entro chorando e saio rindo”, comenta já no ponto de ônibus, fazendo sinal para o circular. E revela: “Gosto de andar de ônibus. Aqui a gente vê as pessoas e fica imaginando a vida que elas têm. Se a gente soubesse, se surpreenderia. Ninguém diria que eu sou filho de princesa”, diz ele, referindo-se ao título de princesa que Tereza ganhou em 1990 ao se casar com dom João Nepomuceno Maria Felipe Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orleans e Bragança.

De volta a casa, Diduzinho se apressa em fazer a cama. “A Carmen briga comigo se eu não estico o lençol. Ela tem mania de limpeza, só temos empregada de quinze em quinze dias, mas aqui é tudo organizado”, diz orgulhoso, enquanto abre a geladeira e a despensa e mostra a arrumação perfeitamente simétrica. “De noite, encontro o que quiser sem precisar acender a luz.” Carmen ordena o armário de Diduzinho em ton sur ton para facilitar. “Meu corpo não mudou muito”, comenta garboso. “Essa calça eu comprei no Saint Laurent há trinta anos; uso até hoje.” Diduzinho preza muito a elegância. Adora azul, roupa bem cortada, feita de tecido nobre. “Não uso meia que tenha náilon, só com fio escocês.” Veste-se com apuro. Caminha altivo. Ao longo do dia, suas roupas não amarrotam. “Respeito certos rituais na área da vestimenta. Tenho uma roupa para ir ao médico e outra para tomar café. Odeio ir com a mesma roupa de um lugar para outro. Nunca usei calça bege com sapato preto. Hoje eu noto essas coisas e fico horrorizado.” 

Diduzinho diz: 

“Eu tinha uma vida de príncipe e não sabia”."


sexta-feira, 6 de setembro de 2019

O Clube dos Cafajestes



Instituição carioca das mais “folclóricas”, o Clube dos Cafajestes era uma turma que não tinha medo de ser feliz . Amavam  festa, a animação, as brincadeiras.

Imperaram nas décadas de 1940, 1950 e chegaram até o finalzinho dos anos 1960. Ecléticos, irreverentes, alegres, em geral nascidos em famílias abastadas e da classe média alta.

Antiguinho: O Clube dos Cafajestes

Os rapazes do grupo na porta do Bar Alvear



MUNDO BOTAFOGO: O 'Clube dos Cafajestes'A Confeitaria Alvear, em Copacabana, na avenida Atlântica, esquina com a República do Peru, era o point do Clube. Virou o lugar da moda. Mas nem sempre as noites acabavam bem. Namorados ciumentos e vizinhos sem humor (!) muitas vezes faziam com que as coisas não acabassem muito harmoniosas. Ou seja, acabassem  em briga.

Nenhum desses rapazes levava desaforo para casa e a “seriedade” não era muito apreciada entre eles, já que gostavam de uma boa briga e de fazer coisas absolutamente inusitadas e provocativas. Criativos, corajosos e mulherengos, andavam juntos durante o ano inteiro, abafavam no Carnaval, e nas suas disputadas festas não faltavam boas bebidas, excelentes orquestras e, claro, a companhia feminina.


Mas quem eram eles?




Seu fundador foi Edu (Eduardo Henrique Martins de Oliveira), comandante da Panair do Brasil - foto ao lado  que jogou no juvenil do Botafogo no início da década de 1930. Outros botafoguenses também fizeram parte como fundadores, como Althemar Dutra de Castilho (futuro presidente do alvinegro) e um dos mais discutidos jogadores de futebol de todos os tempos, Heleno de Freitas.

A turma era da pesada.  O Clube era uma verdadeira instituição da boemia carioca. O painel de sócios do inusitado clube, com um código de ética jamais escrito, era composto por “cafajestes” de primeira linha.

O nome? Surgiu por acaso.

A história começou assim. Voltavam de uma festa pré-carnavalesca quando a vizinha de Edu  -  endereço ponto de encontro da turma -  que os odiava, gritou aos netos " Crianças todas para dentro, que chegaram os cafajestes malucos". E aí um dia, à saída da casa de Edu, para uma festa, o grupo - cerca de quinze - cruzou com a mesma senhora e com seu ar de reprovação. Um dos rapazes, na galhofa, então, gritou: "Madame, se fores a Teresópolis não esqueças de aparecer na festa dos cafajestes". Estava carimbado o nome!



"Nós usávamos este título: "cafajestes'", mas não tínhamos nada de cafajestes. Quase todos tinham curso superior, trabalhavam e falavam línguas (nada a ver com os Pitboys de hoje)."
Mário Saladini, um dos "cafajestes"


Faziam parte deste time um grupo carioca e outro paulista:

o famoso playboy e milionário Mariozinho de Oliveira, que foi o último remanescente do clube, morreu aos 90 anos em 2016

o membro da família imperial brasileira Dom João de Orleans e Bragança (oficial-reformado da Força Aérea Brasileira),

 o industrial Francisco Matarazzo Pignatari, o Baby Pignatari

o rubro-negro, produtor de cinema e dono do canal 100, Carlos Niemeyer, à época piloto da aviação comercial,

o jornalista e político Carlos Lacerda,

o  playboy do Copacabana Palace Jorginho Guinle, 

Ibrahim Sued  - que também entrou para o grupo, tempos depois, após ser barrado em uma das festas, mas como seu irmão, Alberto Sued fazia parte da trupe, mandou liberá-lo e juntou-se ao grupo dos boêmios.

Bubi Alves (botafoguense),

Carlos Peixoto, 

Carlos Roberto de Aguiar Moreira (secretário-geral particular do presidente da República),

Cassio França, 

Celmar Padilha, 

os irmãos Darcy Froes da Cruz e Oldair Froes da Cruz, 

Ermelindo Matarazzo (milionário que era goleiro reserva e torcedor botafoguense),

Ernesto Garcez Filho, 

Fernando Aguinaga (botafoguense), 

Francisco Albano Guize, 

Helio Leitão de Almeida (FAB), 

Ivan Cardoso Senior, 

Léo Peteca, 

Mário Saladini, 

Paulo Andrade Lima, 

Paulo Soledade (piloto da aviação comercial),

Raimundo Magalhães, 

Raul Macedo (botafoguense), 

Sérgio Pettezzoni, 

Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta),

Vadinho Dolabella,

Waldemar Bombonatti (botafoguense e namorado da cantora Linda Batista) ...

...entre outros bons vivants. 


(A lista completa - em torno de cem nomes - pode ser encontrada no livro 
"Cafajestes" com Muita Honra!", de Mário Saladini)

"O nosso esporte era rir, beber e, entre outras coisas, fazer as maiores estripulias por toda a cidade. Éramos unidos em uma amizade, despojada de preconceitos. O clube primava pelo espírito de gozação, esse espírito nosso bem carioca, embora nem todos tivessem nascido aqui no Rio."

Os curiosos, amados, temidos e reverenciados “cafajestes” tinham uma noite anual muito especial. Era o famoso Caju Amigo, baile pré-carnavalesco, onde era proibido levar a própria mulher, ou namorada, mas cada um dos cotistas (todos eles) tinha a obrigação de convidar quatro mulheres; "uma "mediazinha" bem razoável para quem gosta!", diziam. Variavam de local. Começou em casarões desocupados de Copacabana, depois no Clube Marimbás (a maior parte) e os três últimos na boate Sucata.

"Entre eles ninguém cogitava de ir para o céu, padecer no purgatório ou arder no inferno. Eram fuzarqueiros, mulherengos, boêmios, ligadões nas boas farras da vida. Ninguém melhor do que eles, os membros do “Clube dos Cafajestes”, representava a alma carioca das décadas de 40 e 50. Para eles, o paraíso, o começo e o fim da vida, era Copacabana."

Heleno de Freitas,o  doutor Heleno, como alguns o chamavam porque havia se formado em Direito, tinha o diploma da malandragem,  mas uma figura que pontificava no Clube, idolatrado por todos, era o comandante Edu. Folgazão e sempre de bem com a vida, e pronto para qualquer peripécia especial.

Mas o dia 28 de julho de 1950, mudou  a trajetória irreverente.

Pilotando o “Constellation” prefixo PP-PCG, Edu decolara do Galeão às 15:47, rumo a Porto Alegre. Como sempre, alegre, brincalhão e festeiro, havia prometido aos companheiros do Clube a melhor carne gaúcha para churrasco, chegasse ele a hora que chegasse de volta, na Confeitaria Alvear, em Copacabana.

Na hora prevista para o pouso em Porto Alegre, já anoitecia e a região metropolitana estava banhada por uma daquelas chuvas intermitentes de inverno, acompanhadas de cerração. Ao anunciar aterrissagem à Torre de Controle, o comandante Edu não obteve permissão, porque o então Aeródromo São João, naquelas condições climáticas, com sua pista de chão puro, não comportava pouso de aviões tipo “Constellation” e “Douglas”.

O piloto recebeu então a ordem de pousar na Base Aérea de Gravataí, onde já havia piso asfaltado. Mas, tinha pela frente o desafio de encontrar o quadrilátero de aterrissagem, escondido sob a noite, a cerração e a chuva: a Base não possuía instrumentos sinalizadores de aproximação.

Eram oito da noite em São Leopoldo, quando o silêncio do Morro do Chapéu, encoberto pela neblina e pela escuridão, foi destruído por um estrondo de guerra e um crepitar de chamas gigantescas: havia um gigante de pedra no caminho daquelas 51 vidas que estavam a bordo do Constellation da Pannair. Sem dar tempo para o calafrio final, o cataclismo a ninguém poupou, decompondo corpos ou os entregando às chamas.



O Clube dos Cafajestes esperou, numa vigília inútil, a volta de seu líder e a carne para o churrasco.

Após a tragédia, a tristeza abateu-se sobre o grupo, e paulatinamente surgiu uma música, que não se pretendia que fosse divulgada, mas que acabou sendo cantada no Brasil inteiro no carnaval de 1951.

A música foi composta por Fernando Lobo e Paulinho Soledade, também comandante, e colega de Pannair. Diz a lenda que na mesa em que foi composta, estavam também Aracy de Almeida e Dorival Caymmi. Vinham todos da missa de sétimo dia do Edu.


Oi zum, zum, zum, zum, zum, zum, zum,
Tá faltando um
Oi zum, zum, zum, zum, zum, zum, zum,
Tá faltando um

Bateu asas foi embora, desapareceu
Nós vamos sair sem ele
Foi a ordem que ele deu

Oi zum, zum, zum, zum, zum, zum, zum,
Tá faltando um
Oi zum, zum, zum, zum, zum, zum, zum,
Tá faltando um

Ele que era o porta-estandarte
E que fazia alaúza e zum, zum
Hoje o bloco sai mais triste sem ele

Tá faltando um
Oi zum, zum, zum, zum, zum, zum, zum,
Tá faltando um
Oi zum, zum, zum, zum, zum, zum, zum,
Tá faltando um


A gravação foi de Dalva de Oliveira.



No dia seguinte os jornais estampavam as manchetes: “Maior desastre da aviação brasileira” " A Maior tragédia aérea do Brasil"



MUNDO BOTAFOGO: O 'Clube dos Cafajestes'


Depois da tragédia, assumiram a liderança no Clube, seus substitutos naturais, Mariozinho de Oliveira e Carlinhos Niemeyer.


A revista Manchete, de 31 de janeiro de 1953, publicou uma reportagem sobre o adeus dos "cafajestes".



A matéria contou que os principais integrantes do Clube andavam de "saco cheio" com a exploração em torno do nome e com o assédio ao grupo. Resolveram encerrar os trabalhos. Curiosamente, a reportagem foi assinada por Flávio Porto, ele próprio um dos cafajestes de carteirinha. As fotos da última festa de arromba foram de Yllen Kerr e Aymoré Marella.

































Flávio concluiu a reportagem com um tom de lamento:

"O término dos Cafajestes 
é uma perda enorme 
para a alegria desta cidade 
onde tantos se divertem tão pouco."



domingo, 1 de setembro de 2019

Em outros setembros...



֍  Em 1 de setembro de 1959,
uma curiosa crônica de Rubem Braga, sobre coisas cariocas



֍  Em 1 de setembro de 1969
uma canção era promessa no Festival Internacional da Canção: MINHA MARISA. Seus compositores assim a definiram









֍  Em 1 de setembro de 1979

a ousadia anunciada na primeira página que se concretizou e virou rotina na cidade