segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Sabores cariocas que existiam há 60 anos!


Remexendo no baú do blog...

...achamos anúncios que nos trazem sabores cariocas que deixaram saudade!

Clique AQUI!

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas

Resultado de imagem para spaghettilandia




quinta-feira, 13 de setembro de 2018

110 anos sem Machado de Assis


Nesse mês  de setembro relembramos  
110 anos sem Machado de Assis.


Remexendo no baú do blog...
vale revisitar a postagem que fala de um curioso encontro de Machado e outro ilustre carioca.





CLIQUE AQUI... E CURTA!




terça-feira, 11 de setembro de 2018

Menescal e seu Clássico!



A bela canção 
que inspirou o nome do meu blog: 
o RIO QUE MORA NO MAR
pelo seu autor Roberto Menescal.



sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Hino da Independência do Brasil , uma história interessante


Ao ser composto, o Hino da Independência do Brasil 
não tinha este nome. 
Nem sua música era a mesma 
que hoje é cantada nas comemorações 
da semana da pátria. 
O hino que homenageia nossa separação de Portugal 
tem uma história interessante, 
que vale a pena ser conhecida. 


Quem o compôs foi  Evaristo da Veiga  - Evaristo Ferreira da Veiga e Barros /1799-1837 -  que era livreiro, jornalista, político e poeta. Com a fundação da Academia Brasileira de Letras, em 1897, Evaristo da Veiga tornou-se o patrono da sua cadeira de número 10.

A maior parte da composição que se inicia com os versos "Já podeis da pátria filhos" é anterior ao grito do Ipiranga e data de agosto de 1822. Favorável à independência, Evaristo da Veiga escreveu o poema que intitulou "Hino Constitucional Brasiliense" e o fez publicar. O poema agradou o público da Corte, o Rio de Janeiro, e foi musicado pelo então famoso maestro Marcos Antônio da Fonseca Portugal (1760-1830), que havia sido professor de música do jovem príncipe dom Pedro - imperador Pedro I, após a proclamação da Independência

Sendo um amante das artes musicais, dom Pedro, em 1824, afeiçoou-se pelos versos de Evaristo da Veiga e resolveu compor ele mesmo uma música para o poema, criando assim aquele que se tornaria o Hino da Independência. Não se sabe ao certo a data em que foi composta, mas a melodia de dom Pedro passou a substituir a de Marcos Portugal, oficialmente, em 1824.

Com a abdicação de dom Pedro I, a Regência, o Segundo Reinado e - principalmente - a proclamação da República, o Hino da Independência foi sendo gradativamente deixado de lado. Somente em 1922, quando do centenário da Independência, ele voltou a ser executado. No entanto, na ocasião, a música de dom Pedro foi posta de lado, sendo substituída pela melodia do maestro Portugal.

Foi durante a Era Vargas (1930-1945), que Gustavo Capanema, então ministro da Educação e da Saúde, nomeou uma comissão para estabelecer definitivamente os hinos brasileiros de acordo com seus originais. Essa comissão, integrada entre outros pelo maestro Heitor Villa-Lobos,  houve por bem restabelecer como melodia oficial aquela composta por dom Pedro I.





quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Remexendo no baú do blog...uma relíquia do Museu Nacional


Diante da tristeza do que aconteceu com o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista vale recordar, aqui, um post que fala de uma relíquia que no jardim anexo, o Jardim das Princesas, ficavam escondidas, preservadas  do povo ignorante que começou a vandalizar a obra.

Trata-se do PRIMEIRO MOSAICO BRASILEIRO, feito por Dona Teresa Cristina , e que até agora ninguém falou dele e não se sabe se, também, se perdeu.

imperatrizfonte2.jpg




Clique AQUI e (re)leia a história!



sábado, 1 de setembro de 2018

Em setembro de 1968 no Rio , uma certa Helena que arrebatou o Brasil

HÁ 50 ANOS...

Organizado pela TV TUPI, em  setembro de 1968, aconteceu o 1° Festival Universitário da Música Popular Brasileira, produzido por Paulo Pontes e Oduvaldo Vianna Filho, com direção de Maurício Shermann e produção musical de Lúcio Alves.

O festival revelou pra nossa MPB nomes como Gonzaguinha, Ivan Lins, Taiguara...

...e um nome de mulher: Helena.


Helena, Helena, Helena, a linda composição de Alberto Land, com belo arranjo do maestro Gaya, na personalíssima interpretação de Taiguara, arrebatou a platéia e os corações. Forte, pura poesia e belíssima.


A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas sentadas e violão
Taiguara e Alberto Land
Foto- internet, reprodução


Os 5 ganhadores do Festival, foram:

1) Helena, Helena, Helena (Alberto Land) - intérprete: Taiguara
2) Vida breve (I. Ribeiro/N.J. Larica) - intérprete: Claudette Soares
3) Meu Tamborim (César Costa Filho/Ronaldo Monteiro de Souza) -  intérprete: Beth Carvalho
4) Um Novo Rumo (Waldemar Correa//Ivan Lins) - intérprete: Cyro Monteiro


A linda letra...


"Talvez um dia

Por descuido ou fantasia
Helena, Helena, Helena
Nos meus braços debruçou
Foi por encanto, ou desencanto
Ou até mesmo por meu canto
Por meu pranto
Ou foi por sexo
Ou viu em mim o seu reflexo
Ou quem sabe uma aventura
Até mesmo uma procura
Pra encontrar um grande amor



Mas hoje eu sei que um dia
Por faltar telefonema
Helena, Helena, Helena
Nos meus braços pernoitou
Foi por acaso, por um caso
Ou até mesmo por costume
Pra sentir o meu perfume
Dar amor por um programa
Dar seu corpo num programa
Hoje vai e nem me chama
Um adeus é o que deixou



Talvez um dia, por esperança
Ou ser criança
Deixei Helena, Helena
Com seus braços me guiar
Fui sem destino, tão menino
E hoje eu vejo o desatino
Estou perdido numa estrada
Peço ajuda a quem passa
Tanto amor pra dar de graça
Todo mundo acha graça
Deste fim que me levou



Maria Helena
E seus homens de renome
Entre eles fez seu nome
E entre eles se elevou
Foi sem amor, foi sem pudor
Mas hoje entendo o jeito desses
Pra salvar seus interesses
Dar seu corpo custa nada
E com o ar de apaixonada
Em suas rodas elevadas
Seu destino assegurou



Talvez um dia
Por desejo de poesia
Helena, Helena, Helena
Talvez queira dar a mão
Talvez tão tarde, até em vão
Quem sabe eu tenha um rumo à vista
Ou quem sabe eu nem exista
Ofereço este meu canto a qualquer preço
A qualquer pranto
Não quero amor, não se discute
Eu procuro quem me escute"


Pra ouvir, curtir ou recordar!





Alberto Land aos 57 anos, em 2002, guiava o próprio carro quando foi fechado, na esquina das ruas Raul Pompéia e Souza Lima, em Copacabana, por um carro roubado na zona sul. O ocupante do carro desceu do veículo e executou Land com tiros no pescoço e na cabeça. O crime foi considerado passional.


sábado, 25 de agosto de 2018

REMEXENDO NO BAÚ...PRA NOSSA ATENÇÃO!!!



Vale o repeteco...
...em tempos de campanha eleitoral, 
pra relembrarmos coisas que foram feitas 
e candidatos que ainda estão rondando por aí!

"Sobre índios, história e um governo demolidor


Casarão onde funcionou o antigo Museu do Índio - foto de 1953


"Ao lado do estádio do Maracanã existe um terreno com um majestoso edifício atualmente em ruínas. 
Construído em estilo neoclássico, o prédio foi doado ao Império do Brasil no ano de 1865, pelo Duque de Saxe, genro de Dom Pedro II, a fim de que ali se instalasse um órgão de estudo e pesquisa sobre as culturas indígenas brasileiras.
Em 1910, o local tornou-se a sede do Serviço de Proteção ao Índio – fundado pelo Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon – que ali funcionou até sua transferência para Brasília em 1962. O edifício também abrigou a Escola Nacional de Agricultura, entidade que deu origem à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. 
A 19 de abril de 1953, sob a direção de Darcy Ribeiro, ali foi instalado o Museu do Índio, onde funcionou até 1977, quando foi realocado para o bairro de Botafogo. Em 1984, a União cedeu a titularidade do imóvel à Companhia Nacional de Abastecimento.
Curiosa e lamentavelmente, a despeito de sua relevância histórica, nunca houve tombamento em qualquer instância. 
A área, com sua emblemática ruína, faz parte da paisagem diária de centenas de milhares de habitantes que se dirigem ao Centro da cidade todos os dias, seja de trem, ônibus, automóvel ou metrô. Quase certamente, aqueles que passam por tal cenário de abandono não podem imaginar que logo ali, onde tudo parece destruído, há uma efervescência de vida acontecendo. 
Diante da gradativa deterioração do espaço e da total ausência de iniciativas do poder público para recuperá-lo, há cerca de seis anos, representantes de diversas etnias indígenas empreenderam uma ação coerente, cumprindo os desígnios originais de destinação do imóvel. Numa versão pacífica e contemporânea do líder guarani Sepé Tiaraju – aquele que no século XVIII, declarou “esta terra tem dono” – ocuparam o local e criaram a Aldeia Maracanã. 
De início, só havia mato e entulho. Organizaram mutirões. Limparam o terreno. Plantaram mudas de diversas espécies. Ergueram uma cozinha coletiva com uma grande mesa. Construíram um local para cerimônias religiosas, pequenas casas e palhoças. Não são muitos em número, mas representam diversos povos e se revezam na ocupação. Há xavantes, tucanos, caingangues, pataxós, guajajaras, gaviões, pankararus, guaranis, apurinãs, fulni-ôs, potiguaras… Até um legítimo puri, este, ao contrário do que nos acostumamos a ver nas litografias de Johann Moritz Rugendas, de carne e osso, voz mansa, olhos brilhantes e sorriso doce. 
E por lá ficaram. Ao contrário do museu oficial, em Botafogo, criaram com seus poucos recursos um centro cultural vivo, permanentemente aberto a todos os que queiram visitá-lo. Ali expõem suas artes, realizam suas cerimônias, fazem suas festas, contam suas histórias. Naquele pequeno oásis verde no meio de uma das regiões mais áridas da cidade, ainda é possível avistar o periquito maracanã, exatamente a ave que dá nome àquele que já foi o maior estádio do mundo, cartão postal da cidade, palco de tantas alegrias e algumas tristezas, orgulho de todo carioca, o estádio Mário Filho, o velho Maraca, o querido Maracanã. 
Bem no coração da cidade do Rio de Janeiro, esta que já foi palco de duas das maiores e mais significativas conferências mundiais sobre o meio ambiente, esta que possui a maior floresta urbana do mundo, esta que é visitada anualmente por turistas de todas as partes do globo, esta que pode se orgulhar de sua formação cosmopolita. Ali, à vista de todos, um grupo de indígenas realiza um trabalho notável e que deveria receber apoio. Mas, decorridos cinco séculos, um novo Cabral os ameaça. 
No afã enlouquecido da realização de obras para a Copa do Mundo de 2014, não bastasse a total descaracterização do Maracanã em nome de um conceito de modernidade bastante questionável, na manhã do dia 18 de outubro, o governador Sérgio Cabral, anunciou a demolição do prédio como parte das obras de reforma do entorno do estádio:

“O Museu do Índio, perto do Maracanã, será demolido. Vai virar uma área de mobilidade e de circulação de pessoas. É uma exigência da Fifa e do Comitê Organizador Local. Viva a democracia, mas o prédio não tem qualquer valor histórico, não é tombado por ninguém. Vamos derrubar.” 
Por área de mobilidade e circulação entenda-se: o terreno seria destinado à construção de um estacionamento. 
A Fifa, porém, em documento enviado à Defensoria Pública da União, nega que tenha feito qualquer pedido do gênero. Vale lembrar que durante a Copa do Mundo de 1950, o estádio recebeu um público consideravelmente maior do que o previsto para 2014, o museu funcionava no local e não houve problema algum. 
Não fosse somente isso, representantes do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e, até mesmo, do Inepac – Instituto Estadual do Patrimônio Cultural – são contrários à demolição e asseguram que não há risco iminente de desabamento, podendo o imóvel ser restaurado. 
Ainda no rol das sandices ditas pelo governador Cabral estão as declarações feitas alguns dias mais tarde, após reconhecer não ter havido qualquer determinação objetiva da Fifa, quando voltou a defender a demolição:

“Na verdade não foi uma exigência da Fifa. Ela pede uma área de mobilidade com determinadas características. E no meio do caminho tem esse prédio, que não é tombado e não tem nenhum valor histórico. Portanto, não tem cabimento ele ficar no meio do caminho de uma concepção que é para garantir segurança e conforto para milhares de pessoas que vão ao Maracanã”. 
E, ao ser questionado sobre o destino dos indígenas que estão no local, respondeu:

“Isso aí é um problema da Funai, não é problema meu. O fato é que nós compramos o prédio, pagamos por ele para destruí-lo.” 
Então, vamos por partes. 
  • Em primeiro lugar, entre o prédio não ser tombado e não ter nenhum valor histórico vai uma grande diferença. Será que é mesmo necessário explicar isso a um governador de estado? 
  • Não seria muito mais interessante considerar a proposta do centro cultural vivo, ainda mais nestes tempos onde políticas de valorização da diversidade cultural e do meio ambiente estão tão em alta? 
  • De fato, não há tempo suficiente para uma restauração adequada, mas para isso existem alternativas interessantes. Aqui mesmo, no estado, há o Complexo da Machadinha, em Quissamã, onde da fazenda, só restou intacta a senzala. Basta consultar os técnicos do Inepac a respeito. Sobre a relevância histórica do prédio, há farta documentação, desde que se queira localizá-la. 
Continuando. O destino dos indígenas pode não ser problema do cidadão Sérgio Cabral, mas, sim, é um problema de qualquer governante. O que dizer disso além de QUE DECLARAÇÃO VERGONHOSA, GOVERNADOR! 
Enfim, quanto ao “compramos e pagamos para destruí-lo”, é triste ver tamanha deturpação – consciente ou não — entre público e privado, individual e coletivo. Mas, infelizmente, tal argumentação não chega a causar surpresa. 
Na sanha destruidora empreendida pela dupla de demolidores Cabral-Paes em nome da Copa do Mundo e da Olimpíada, é grande a lista de imóveis ameaçados ou já desaparecidos, dentre os quais, além do Museu do Índio, encontram-se a fábrica da Brahma, o prédio do Iaserj, a refinaria de Manguinhos, o estádio Célio de Barros e o parque aquático Júlio Delamare. 
E pensar que a criminosa demolição do Palácio Monroe até hoje causa tanta indignação!
....................
Como disse o historiador Nireu Cavalcanti, em palestra proferida no Museu de Astronomia em maio deste ano, parece que essas pessoas tem raiva de possuir sangue negro e índio correndo em suas veias. Só isso pode explicar tamanhos maus tratos com tudo o que – mesmo remotamente – os faça lembrar que não são europeus puros. Na ocasião, o professor Nireu referia-se à cloaca em que se transformou o rio Carioca, aquele que deu o gentílico aos nascidos na cidade. 
O mesmo pode ser dito agora, em relação às obras do estádio do Maracanã e seu entorno.

O rio homônimo já está praticamente morto e a ave, governador, não pode viver em estacionamentos.

............................"
(Texto de Glaucia Santos Garcia , 2012)

 ***************


EM TEMPO: da dupla irresponsável pela destruição do patrimônio, o criminoso governador Sérgio Cabral já está preso e condenado. O ex-prefeito Eduardo Paes ainda está flanando por aí e é candidato nas próximas eleições, a governador, pra prosseguir, quiçá, na sua sanha .

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Mais saudades cariocas...

Hoje quem passa na Rua do Catete 228, dificilmente se lembra o que existia nesse endereço. A não ser os saudosistas de plantão.

Pois é... naquele local existiu uma das belas construções do Rio, que foi abaixo: o cinema Azteca.





Há 45 anos, em 1973, ele foi demolido para a construção de um simples prédio comercial. O cinema de 1780 lugares foi construído pelo grupo mexicano que controlava a Distribuidora Pelmex e funcionou de 12 de outubro de 1951 a 12 de maio de 1973. O prédio foi o primeiro pré-fabricado do Brasil com várias peças importadas que imitavam uma construção pré-colombiana.


A imagem pode conter: atividades ao ar livre

A foto acima, da demolição, choca e dói. Por ali vi as operetas da Metro, as matinês do Tom&Jerry, Dumbo, e tanto outros filmes, clássicos e desenhos.


Programas do cinema Azteca
Resultado de imagem para cinema azteca no catete




sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Há 200 anos, touradas no Rio



Há 200 anos, em 1818, a pintura de Franz Josef Frühbeck, registra a existência de uma praça de touros no Rio de Janeiro.





Campo de Santana com uma grande arena para touradas.



Pois é... as touradas cariocas existiram! E já foram extremamente populares por aqui.

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Panfleto da grande tourada em comemoração ao aniversário de D. Pedro II, 
no "Largo dos Curros" , nome  anterior do Campo de Santana.

As primeiras touradas do Brasil aconteceram no século XVII e sempre seguiam datas importantes para a coroa, como feriados ou quando um monarca casava ou nascia. Por serem populares na Espanha e em Portugal, se popularizaram aqui conforme os europeus foram se instalando no país.

Esses eventos começaram a ganhar força quando a capital veio para o Rio de Janeiro. e tudo começou em São Cristóvão. Mas os principais palcos das touradas eram o Campo do Santana e a Arena dos Touros,  na Rua Ipiranga, em Laranjeiras.

A imagem pode conter: campo de beisebol e multidão
1905 , "Arena dos Touros" da Rua Ipiranga, em Laranjeiras


O público nas touradas chegavam a 10 000 pessoas, que se divertiam com fogos de artifício, música, dança e muita bebida. É importante destacar que naquela época a população da cidade não chegava a 50 000 pessoas.

Em 1808, após a chegada da corte real portuguesa ao Brasil, as touradas tiveram seu auge.

Muitos jornais da época mostravam a empolgação da população do Rio com as touradas. Em 1896, o periódico Sol e Sombra publicou:

“O Rio de Janeiro só agora pode assistir a verdadeiros torneios e perceber a graça bizarra e todo o encanto deste divertimento popular (touradas), porque só ele tem o condão estranho de confundir, no mesmo momento, o entusiasmo do homem rude do povo com o do mais correto homem do mundo”.

Entretanto, as touradas não eram unanimidades. Já nos séculos passados existiam grupos que questionavam uma possível violência contra os animais.

Dessa polêmica participou Machado de Assis, que disse em uma de suas crônicas, em 1877

“E querem saber por que detesto as touradas? Pensam que é por causa do homem? Ixe! É por causa do boi, unicamente do boi.
Eu sou sócio (sentimentalmente falando) de todas as sociedades protetoras dos animais. O primeiro homem que se lembrou de criar uma sociedade protetora dos animais lavrou um grande tento em favor da humanidade”

As touradas foram perdendo força e em 1821, a arena do Campo de Santana foi fechada. Mesmo assim as touradas continuaram ainda por décadas, se profissionalizando, minimizados os custos com cobrança de ingressos e patrocinadores.

As touradas acabaram definitivamente no Rio de Janeiro em 1907,com o prefeito da cidade Sousa Aguiar que assinou decreto proibindo a prática no Rio de Janeiro. "

Ficou a história.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

À bênção N S da Glória!


No próximo dia 15 comemoramos
Nossa Senhora da Glória. 

Uma das igrejas mais bonitas da cidade é a de N S da Glória do Outeiro.

Resultado de imagem para OUTEIRO DA GLÓRIA

Vale (re)ver  e (re) visitar esse local tão bonito, sua arquitetura, suas histórias!

CLIQUE AQUI!






sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Dia do Papai

Propagandas antigas para o DIA DO PAPAI. 

Hoje até o chamamento ficou menos carinhoso. 
Agora é o burocrático DIA DOS PAIS.

Em 1958, há 60 anos, a forma de apresentação ainda era basicamente o desenho





And last but not least...
 um texto inusitado em que o grande destaque  é o...
" agora sem escadas"




segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Saudades cariocas!



“Esse Rio de Janeiro!
O homem passou em frente ao Cinema Rian, na Avenida Atlântica, e não viu o Cinema Rian.
Em seu lugar havia um canteiro de obras.
Na avenida Copacabana, Posto 6, passou pelo Cinema Caruso.
Não havia Caruso.
Havia um negro buraco, à espera do canteiro de obras.
Aí alguém lhe disse: “O banco comprou.”
                                                                  
 Carlos Drummond de Andrade, em crônica no JB em 1984


Imagem relacionada


A imagem pode conter: carro e atividades ao ar livre

Em tempo: hoje fui ao Caruso (Banco Itaú)  - ! - retirar dinheiro. Coisas da geografia de um outro Rio.


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Propaganda carioca de 1918...



O xarope Bromil, lançado pelo laboratório de Daudt de Oliveira no início do século 20, tornou-se conhecido como o “amigo do peito".

A partir de 1918 o Bromil foi exaltado pelo poeta, Bastos Tigre, (criador do slogan “Se é Bayer, é bom”) , contratado pelo laboratório, e que publicou na revista Dom Quixote até 1920, em capítulos, as BROMILÍADAS, uma paródia de OS LUSÍADAS de Luís de Camões.

Foram 1102 estrofes contendo 8.816 versos decassílabos,  duas estrofes da obra por anúncio, com estrofação sempre na oitava rima. Sucesso de público e crítica, as Bromilíadas começavam assim:

“Os homens de pulmões martirizados
Que, de uma simples tosse renitente,
Por contínuos acessos torturados
Passaram inda além da febre ardente..."

fazendo excelente paródia do texto original...

"As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana..."


página da revista Dom Quixote com o início das Bromilíadas

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Leblon...centenário




Entre a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Oceano Atlântico, o Morro Dois Irmãos, o Canal do Jardim de Alá, na divisa com a Gávea, a Lagoa e Ipanema lá está ele...o bairro do Leblon.

Há 100 anos surgia o bairro.


Resultado de imagem para bairro do leblon 1928
Leblon, anos 1910, orla ainda sem os trilhos


O que era um campo arenoso, semeado de alagadiços e brejos, coberto de pitangueiras, espinheiros, palmeiras anãs, cactos e araçás, onde moravam uns poucos pescadores, deixou de ser um apêndice da Gávea para assumir as feições de bairro independente, por ocasião da Primeira Guerra Mundial, a partir da instalação de um ramal de tramways pela beira da praia, no trecho que, em 1918, passou a chamar-se Avenida Delfim Moreira.
Mas um mapa francês, de 1558, já situa no Leblon a aldeia Kariané. Esses tamoios teriam dado ao sítio o nome de Ypaum(espaço entre canais), em harmonia com a toponímia local. Muitos nomes de ruas do Leblon ainda guardam os nomes originais, que evocam a língua tupi: Igarapava (ancoradouro de canoa), Aperana (caminho errado), Sambaíba (designa um tipo de planta), Tubira (caminho de poeira), Itaquira (mina de água), etc.

Só em 1918 acontece a primeira ligação com Ipanema e adiante.
No terminal, os carris faziam conexão com a linha originária da Gávea, que percorria a Rua do Pau (hoje, parte Dias Ferreira, parte Conde Bernadotte), seguindo em direção à praia pela Rua do Sapé (atual Bartolomeu Mitre).
Pela praia, e depois feita por uma ponte sobre a barra da Lagoa ligando as Avenidas Vieira Souto, em Ipanema e a Delfim Moreira.
O Leblon não tinha luz elétrica, que só chegava a Ipanema. Havia poucas ruas, uma delas a Rua do Sapé, que ia do Largo das Três Vendas (Praça do Jóquei) até o Largo da Memória, que seria, hoje, a parte final da Avenida Bartolomeu Mitre. O Largo da Memória ficava entre as ruas Tubira e Juquiá, em frente ao antigo quartel da PM. A Rua Tubira também já existia, sendo a ligação para as areias da Praia do Zé do Pinto, que mais tarde deu lugar à favela da Praia do Sr. Pinto (depois Praia do Pinto), que foi uma das maiores da Zona Sul do Rio.
 Havia uma trilha, simples caminho de areia, que partia do Largo da Memória, seguia pela Praia do Sr. Pinto com o nome de Travessa do Pau (Rua Conde de Bernadotte) e ia em direção ao mar. Mas antes passava pela Pedra do Bahiano (atrás do Conjunto dos Jornalistas) para encontrar o Caminho da Barra, que é como se chamava a margem do Canal no Jardim de Alah.

A linha do bonde circular Copacabana-Ipanema-Leblon-Gávea seria consolidada há 80 anos atrás, em 1938, com a construção de uma ponte sobre o canal do Jardim de Alá, ligando a Rua Visconde de Pirajá à Avenida Ataulfo de Paiva, colocando um fim às baldeações e à circulação de bondes pela praia.




Acima o tranquilo terminal da linha Jardim Leblon, que atendia basicamente Jardim Botânico e Leblon, e depois se expandiu e passou a terminar em Ipanema, próximo ao Jardim de Alah. Vale reparar na tela de arame colocada nas laterais, por questões de segurança.




O bairro do Leblon em 1938


Até o início do século, nem mesmo na linguagem do povo, aquele conjunto de chácaras desmembradas da antiga Fazenda Nacional da Lagoa tinha o nome de Leblon. Sua origem remonta a um tal francês,Charles Leblon, proprietário de um lote no areal — um quadrilátero delimitado, num sentido, pelas atuais Av. Visconde de Albuquerque e Rua General Urquiza e, no outro, pela Dias Ferreira e o mar —, que se convencionou chamar de Campo do Leblon.

Voltando no tempo, temos o Príncipe D. João VI que mandou desapropriar o Engenho da Lagoa, indenizando a herdeira Maria Leonor de Freitas Mello e Castro, e boa parte das terras que iam do Humaitá ao Leblon transformaram-se no Jardim Botânico. Como os terrenos de marinha não interessassem aos propósitos que animaram o Regente, foram cedidos, em 1808, a dona Aldonsa da Silva Rosa, feliz proprietária de toda a orla marítima que ia do Leme até o Leblon... e mais um pouco em direção ao sertão, extensão de terreno que se chamava à essa altura Fazenda Copacabana. Aldonsa transferiu a posse a Manoel dos Santos Passos, que legou em testamento ao sobrinho Antônio da Costa Passos, que, por morte, beneficiou os sobrinhos Francisco da Silva Melo e Francisco Nascimento de Almeida Gonzaga, que, em 1844, venderam tudo para Bernardino José Ribeiro e... voltamos ao Carlos Leblon que, por acaso, tinha os cabelos claros( daí a lenda do "le blond")

A primeira transversal à Avenida Ataulfo de Paiva, para quem vem de Ipanema, foi a Avenida Afrânio de Melo Franco, que já tinha esse nome no início da urbanização, nos anos 1910. Em seguida temos as seguintes ruas, com seus nomes da época e os atuais:


Nome antigo - Nome atual


. Rua Dom Pedrito - Rua Almirante Guilhem

Rua Francisco dos Santos (rua 10) - Rua Carlos Gois

Rua Francisco Ludolf (rua 11) - Rua Cupertino Durão

R. Com. Agostinho das Neves (12) e Acaraí - Rua José Linhares

Rua Domingos Moitinho (rua 13) - Rua João Líra

Rua Conde de Avellar (rua 14) - Avenida Bartolomeu Mitre

Praça Conde de Frontin - Praça Antero de Quental

Rua 15 (terminava na praça) - Rua General Urquiza

Rua Azevedo Lima (rua 16) - Rua General Venâncio Flores

Rua Miguel Braga (rua 17) - Rua General Artigas

Rua J.Antônio dos Santos (rua 18) - Rua Rainha Guilhermina

Rua Aristides Espínola (rua 19) - Rua Aristides Espinola

Rua Rita Ludolf (rua 20) - Rua Rita Ludolf

Rua 21 - Rua Jerônimo Monteiro

Rua Dr. Del Vechio - Avenida General San Martin

Av. Ataulfo de Paiva - Avenida Ataulfo de Paiva

Av. Delfim Moreira - Avenida Delfim Moreira

Rua do Pau e Sapé - Rua Dias Ferreira

Travessa do Pau - Rua Conde Bernadotte

Rua José Ludolf - Rua Humberto de Campos


Nada se falou nos jornais desse centenário.
O RIO QUE MORA NO MAR fala e comemora.

Vivas aos 100 anos do Leblon!




Fotos: da internet

terça-feira, 24 de julho de 2018

REMEXENDO NO BAÚ... um edifício chamado 200



Em 1954, um anúncio de pagina inteira no jornal O GLOBO avisava que “com um mínimo de capital” era possível tornar-se proprietário no Edifício Richard, na Rua Barata Ribeiro 200, esquina com a Praça Cardeal Arcoverde, em Copacabana.

Resultado de imagem para barata ribeiro 200
O edifício em foto anos 1960

Vale a pena (re)ver a história desse famoso edifício na cidade!

Clique AQUI!


sábado, 21 de julho de 2018

Passeando pela Bossa Nova




A belíssima música DORME PROFUNDO, de Marcos Valle e Carlos Pingarilho em dois tempos:

. No disco da Odeon, de 1965, O compositor e o cantor



Resultado de imagem para o cantor e o compositor marcos valle

Resultado de imagem para o cantor e o compositor marcos valle

                                                                     










. e no disco da Odeon, Samba, de 1968, em  bela versão instrumental



Resultado de imagem para dorme profundo marcos valle LP Samba 1968

Resultado de imagem para dorme profundo marcos valle LP Samba 1968




quarta-feira, 18 de julho de 2018

Crônicas Cariocas de Todos os Tempos...Leon Eliachar




Ele foi um carioca, que , por acaso, nasceu no Egito. Assim se tornou pela sua irreverência, bom humor, nonsense. A sua frase “Humorismo é a arte de fazer cócegas no raciocínio dos outros.” define bem o jornalista, escritor que dizia "Aprecio as quatro estações, mas, prefiro o verão no inverno e o inverno no verão",  filosofia que é a cara do carioca.



Resultado de imagem para leon eliachar
Sentado no seu Karmann -Ghia, no Aterro, em frente ao  antigo Hotel Glória


Vamos recordar o grande Leon Eliachar , que anda esquecido.
O texto é de 1968, há 50 anos.


"AUTOBIOGRAFIA DE UM FÔLEGO SÓ
   LEON ELIACHAR


Meu nome é esse mesmo, Leon Eliachar, tenho 44 anos, mas me orgulho de já ter tido 43, 42, 41, 40, 39, idades que muitas mulheres de 50 jamais atingiram, sou humorista profissional peso-leve, pois detesto as piadas pesadas, consegui atingir o chamado "preço teto" da imprensa brasileira, quer dizer, cheguei a ganhar um salário com o qual nunca pude adquirir um teto, sou a favor do casamento, sou a favor do divórcio, sou a favor do desquite e sou a favor dos que são contra tudo isso que eles devem ter lá os seus motivos, fui fichado com dificuldade no Instituto Félix Pacheco não pelo atestado de bons antecedentes, mas pelas dificuldades com que se tira um atestado, já fiz de tudo nessa vida, varri escritório, fiz entrega de embrulho, crítica de cinema, crônica de rádio, comentário de televisão, secretário de redação, colunismo social, reportagem policial, assistente de direção, peça de teatro, show de boate, relações públicas, corretagem de anúncios, script de cinema, entrevista política, suplemento feminino, até chegar ao humorismo, ainda não sei se o humorismo foi o princípio ou o fim da minha carreira, acho que ninguém faz nada por necessidade mas por vocação, isto é, por vocação da necessidade, tenho experiência bastante pra saber que não sou experiente, minha capacidade de compreensão chega exatamente no ponto em que ninguém mais me pode compreender, as mulheres tiveram forte influência na minha vida desde a minha mãe até à minha mulher, com escalas naturalmente, tive duas grandes emoções na vida, a primeira quando minha mulher disse "sim" e a segunda quando seus pais disseram "não", sou a favor das camas separadas, principalmente pra quem se casou com separação de bens, não guardo rancor por absoluta falta de espaço, uma das coisas que mais aprecio é Nova York coberta de neve — quando estou em Copacabana tomando sol, o melhor programa do mundo é ir ao dentista — pelo menos para o dentista, não vou a casamento de inimigo, muito menos de amigo, desde criança faço força pra ser original e o máximo que consigo é ser uma cópia de mim mesmo, meu grande complexo é não saber tocar piano, mas muito maior deve ser o complexo de outros homens que também não sabem tocar e são pianistas, meus autores favoritos são os que me caem nas mãos, escrevo à máquina com vinte dedos porque minha secretária passa a limpo, gosto de televisão às vezes quando ligo às vezes quando desligo, num enterro fico triste por não saber fingir que estou triste, aprecio as quatro estações, mas prefiro o verão no inverno e o inverno no verão, passei fome várias vezes e agora estou de dieta, acho a rosa uma mensagem definitiva porque custa menos que um telegrama e diz muito mais, sou a favor da pílula anticoncepcional porque ela resolve o problema da metade da população do mundo, acho que deviam inventar a pílula concepcional pra resolver o problema da outra metade, cobrador na minha casa não bate na porta perguntando se pode entrar, eu é que bato perguntando se posso sair, sou um homem pobre porque toda vez que batem à minha porta mando dizer que estou, meu cartão de visitas não tem nome nem telefone, assim ninguém sabe quem sou nem onde posso ser encontrado, prefiro o regime da ditadura porque não tenho trabalho de ensinar meu filho a falar, posso dizer com orgulho que sou um humilde, sou o único sujeito do mundo que dá o salto mortal autêntico, mas nunca dei, leio quatro jornais por dia e a única esperança que encontro são os horóscopos cercados de desgraças por todos os lados, acredito mais nos inimigos do que nos amigos porque os inimigos estão sempre de olho, minha maior alegria foi quando venci num concurso internacional de humorismo, em Bordighera, Itália, obtendo o primeiro e o segundo prêmios entre os participantes de 16 nações concorrentes, fiquei sabendo que havia humoristas piores do que eu, procuro manter sempre o mesmo nível de humor, mas a culpa não é minha: tem dias que o leitor está mais fraco."

LEON ELIACHAR, do livro “O Homem ao Zero”

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Se acaso você chegasse...sucesso desde 1938





Humor espontâneo e rápido. Assim o definiu o poeta Vinícius de Morais.
Esse foi Cyro Monteiro, carioquíssimo cantor de samba que se impôs pelo estilo espirituoso, alegre, sincopado, num tempo em que tinha de competir com os vozeirões, o que não era seu caso, e sempre com uma caixa de fósforos para marcar o ritmo.

Resultado de imagem para CIRO MONTEIRO

Morreu no mesmo dia de hoje, 13 de julho, há 45 anos, em 1973.
Seu maior sucesso surgiu em 1938, com o samba “Se acaso você chegasse”, de Lupicínio Rodrigues. 

A gravação de 1938




A regravação de 1966, com o auxílio luxuoso de Caçulinha e seu regional




REMEXENDO NO BAÚ...
No seu centenário em 2013, fiz um perfil aqui no blog. Vale a pena recordar.
Clique AQUI



quinta-feira, 12 de julho de 2018

O corneteiro de Ipanema




REMEXENDO NO BAÚ...

Vale recordar o verdadeiro vencedor da Batalha de Pirajá!


 Clique na imagem e...leia!

domingo, 8 de julho de 2018

Os DOMINGOS CARIOCAS em canção







Um domingo carioca é a natureza...
    
    É o sol, é o céu, é o mar
    Na manhã cheia de azul
                                         
                                           Domingo Azul - Billy Blanco




Um domingo carioca é a vibração...

    Domingo, eu vou ao Maracanã
    Vou torcer pro time que sou fã
                             Domingo - Neguinho da Beija-Flor





Um domingo carioca é a emoção...

    ...de estar contigo
    Ver o sol amanhecer
    E ver a vida acontecer
    Como um dia de domingo
                            Um Dia de Domingo - Tim Maia




Um domingo carioca é romance...

    Eu vejo este domingo azul do mar
    Refletido em seu olhar
                                          Domingo Azul do Mar - Tom Jobim e Newton Mendonça




Um domingo carioca é alegria...

    Veleiros que passeiam pelo mar
    E as pipas vão bailando pelo ar
    E no cenário de tão lindo matiz
    O carioca segue o domingo feliz
                            Domingo - samba enredo da União da Ilha do Governador






Um domingo carioca é música que embala...

                     Domingo Sincopado - Tom Jobim e Luis Bonfá



Um domingo carioca é isso!
Dia de curtir, sonhar, amar,
descansar, 
reabastecer 
e quando acaba...

"Só me resta esperar
Domingo voltar
Ser feliz outra vez assim"



terça-feira, 3 de julho de 2018

A história sírio-libanesa de Ipanema...




...passa pela Rua Teixeira de Melo, rua de Ipanema, onde se estabeleceram imigrantes vindos da Síria e do Líbano.


Imagem relacionada
Rua Teixeira de Melo esquina da Rua Barão da Torre.
O prédio à esquerda, hoje é uma loja da rede HORTIFRUTI
foto de Augusto Malta, 1928

Diferentemente, de outras correntes migratórias – como os italianos, espanhóis e portugueses, que, em geral, vieram para o Brasil e para outros países americanos num processo de emigração dirigida ou subsidiada – os sírios e libaneses não contavam com qualquer auxílio de organizações estatais, nem emigravam trazendo toda família. A viagem era custeada pelos próprios imigrantes (o que caracterizava a chamada imigração espontânea); muitos deles saíram com pouquíssimo ou nenhum recurso que garantisse o pronto estabelecimento em seu novo destino. A decisão era do indivíduo, mas tomada com a participação da família ou com sua aprovação. A estratégia escolhida era tentar juntar o máximo de dinheiro no mínimo de tempo possível e voltar para casa.

Importante notar que, as duas nacionalidades – síria e libanesa – foram incluídas numa única categoria pelas autoridades de imigração brasileiras até 1926, ano em que o Líbano se separou da Síria. Esses imigrantes concentraram-se sim nos centros urbanos, mas nele desenvolveram atividades relacionadas ao comércio, seja primeiro como ambulantes (mascates), ou mais tarde em negócios regularmente estabelecidos.

O libanês de Beirute Wadih Nader Khoury, ilustra a presença de imigrantes levantinos em Ipanema. Nascido em 1892, Khoury chegou no Rio de Janeiro em 1910, e requereu naturalização em 1933.
O sírio João Chalhub foi outro imigrante que se estabeleceu com uma sapataria na rua Teixeira de Melo. Também o sírio Naif Cury abriu seu negócio na Praça General Osório, em Ipanema.

Wadih Nader após declarar que, em 1931, se estabelecera por conta própria à Rua da Alfândega, 276, informava residir à Rua Teixeira de Melo, 12.

João Chalhub chegou a Ipanema durante a década de 1930. Antes tinha ido para Copacabana primeiro, onde tinha parentes. Aí depois ele mascateou, vendendo tecidos. Depois que se casou  seus irmãos o ajudaram a abrir uma loja no número 21 da Teixeira de Melo. De lá ele passou para o número 41, onde ficou muitos anos, até 1969. O negócio de seu João tinha grande clientela, inclusive de pessoas da comunidade do Cantagalo.  Era um ‘boa praça’ e brincalhão; não era religioso, dizia, brincando, que se tinha que ter cuidado com o pessoal que rezasse muito. Sua mulher era muito religiosa.

 João Chalhub recebe em sua loja de Ipanema
o padre ortodoxo no início da década de 1960. 

Naif Cury conheceu uma imigrante espanhola, com quem se casou. A morte prematura da esposa fez Naif voltar novamente ao Líbano, onde se casou pela segunda vez. Com a eclosão de um conflito armado na região, o casal viajou para o Brasil. De volta a Ipanema, Naif abriu um negócio que prosperou, vindo a ficar conhecido como o ‘Rei do linho e da seda’ na Ipanema da Belle Époque. Sua história também está ligada ao início da urbanização do bairro. Naif foi adquirindo terrenos próximos à Praça General Osório que se valorizaram muito. Alguns moradores antigos de Ipanema ainda trazem na lembrança uma cena típica dos anos de grande especulação imobiliária (1965-1975) no bairro: a imagem do velho Naif Cury, de pijamas e chinelos na calçada na frente de casa, na Rua Teixeira de Melo, recebendo os corretores de imóveis. Ele gostava de negociar seus terrenos sem jamais fechar a venda, “só pelo prazer da barganha ou para ver o preço subir cada vez mais” 
Naif Cury tinha sua loja na frente e a residência atrás, durante os anos de 1930 e era proprietário de um carro conversível e na época do carnaval participava dos ‘corsos’ com a família.
Teve uma filha, que nasceu em 1920, na própria Rua Teixeira de Melo. Hoje é nome do edifício na Teixeira de Melo, 37.

O bairro de Ipanema deve aos imigrantes sírio-libaneses sua grande tradição em estabelecimentos comerciais dedicados à moda, confecções e ao comércio de roupas.