quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

BENÇÃO BOSSA NOVA!

Pra encerrar o ano, nada melhor que essa canção!

FELIZ ANO NOVO!








sábado, 24 de dezembro de 2011

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A bossa de Marcos Valle



A bossa de ontem... Preciso aprender a ser só




 A bossa de hoje... Guanabara


 



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A batalha da Riachuelo






Difícil encontrar um endereço no Rio que tenha sido morada de tantas figuras ilustres como a Rua do Riachuelo, na Lapa. Além de Capitu, a personagem mais famosa de Machado de Assis, que “viveu” por lá durante o Segundo Reinado, habitaram a antiga Rua de Matacavalos o abolicionista José do Patrocínio (em cujo casarão viria a nascer mais tarde o pintor Di Cavalcanti), o maestro Heitor Villa-Lobos, o escritor Olavo Bilac, o cantor Alves e os compositores Heitor dos Prazeres, Sinhô, João Pernambuco, Donga e Pixinguinha.


Disputadíssima desde a vinda da Família Real por ser uma das principais “vias secas” de ligação com a Zona Norte, a Rua do Riachuelo, uma das mais antigas saídas da cidade — sua trilha já existia em 1573 — foi alijada do frenesi imobiliário que tomou a cidade ao longo do século XX. Hoje  recolheu-se à função de escoar trânsito para o Centro e perdeu, com a Lapa, muito do charme de outrora e é um dos pilares do processo de revitalização do Centro.

Dois novos empreendimentos comerciais prometem levar grandes empresas à região a partir do ano que vem. Com 12 mil metros quadrados, o Edifício Europa, onde funcionava o jornal “O Dia”, foi vendido a um fundo imobiliário alemão por R$ 30 milhões. Depois de uma reforma orçada em R$ 80 milhões, vai virar um centro comercial.
Na esquina da Riachuelo com a Rua Henrique Valadares, outra investida do grupo: um imóvel antigo acaba de ser vendido por R$ 15 milhões e também será destinado a escritórios.

- Como a rua é cheia de casarões velhos com problemas de documentação, quando aparece um imóvel em dia é uma preciosidade - atesta o administrador Cláudio Castro, da Sérgio Castro Imóveis, em via de fechar um terceiro negócio. — Temos uma demanda enorme de espaço comercial nesta rua. O que aparece, é vendido na hora.

Além dos dois edifícios comerciais, a administradora intermediou a compra de um terreno de 500 metros quadrados que vai se transformar em mais um condomínio residencial, algo impensável anos atrás. A administradora Schipper Engenharia segue o fluxo. Depois do sucesso que foi o Viva Lapa, condomínio residencial lançado em 2007, a empresa já fez terreno, literalmente, para construir o Viva Lapa 2, na Rua do Riachuelo.

- Comprei o primeiro apartamento aqui para investir, mas não resisti e vim morar. Não saio daqui por nada. E já trouxe meu pai também - conta o velejador e empresário Gustavo Machado, de 27 anos, que há seis meses trocou uma vida toda na Urca por quatro apartamentos no Cores da Lapa, empreendimento pioneiro nesse processo de retomada do Centro pelos moradores.

- Antes, qualidade de vida era morar perto da praia. Hoje é morar perto do trabalho — defende o subprefeito do Centro, Thiago Barcellos, que diz “travar uma batalha diária com a Comlurb” para melhorar a coleta de lixo na região. - Este ano, criamos a Corrida do Rio Antigo com este objetivo: fazer com que as pessoas conheçam de perto as ruas pelas quais só passam de carro, como a Riachuelo.


Esquentando tamborins


Na lista do que está mudando a cara da Riachuelo, sobra confete até para o carnaval.

O antigo casarão onde funcionou uma escola no século XIX, na altura do número 13, de propriedade da prefeitura, foi cedido por cinco anos à Sebastiana (Associação Independente dos Blocos da Zona Sul, Santa Teresa e Centro, da qual fazem parte 12 blocos, entre eles o Escravos da Mauá e o Simpatia É Quase Amor). A entidade já começou a reformá-lo para abrigar ali a Casa de Sebastiana, um centro de memória do carnaval de rua. Com três andares, o imóvel receberá o acervo iconográfico dos principais blocos da cidade, além de shows e oficinas de instrumentos musicais. A inauguração está prevista para o carnaval de 2013.

- Somos a memória viva da retomada do carnaval de rua. Se não começarmos a organizar este acervo já, perderemos muita coisa - diz Rita Fernandes, presidente da Sebastiana. - A Lapa é o coração dessa história. A casa vai ser o ponto de encontro dos blocos no carnaval.

Basta uma volta na Riachuelo para notar a transformação por que vem passando.

 Ali onde ela começa, nos Arcos da Lapa, em vez dos mendigos que costumavam rondar a filantrópica Fundação São Martinho, o que se vê, agora, são pedreiros em atividade. Na altura do número 15, uma nova casa de shows está em construção. Ainda sem nome, terá quatro andares e uma réplica dos arcos ao lado do palco. Mais à frente, no número 126, outro casarão dará lugar a uma padaria até o fim deste mês. No 129, pertinho do bar onde Grande Othelo era sempre visto tomando um quente, uma placa anuncia um “megaestacionamento” em breve (já são 13 em toda a extensão da rua). “Em breve” é expressão corriqueira nas esquinas. Fechada há dez anos, a antiga sede da Cedae, no número 287, um belíssimo imóvel do início do século XIX que já abrigou o Arquivo Público do Rio, será recuperado “em breve” por uma parceria com o Inepac.

Outra particularidade é o surpreendente volume de ciclistas. Por volta das 7h, antes do tráfego pesado de carros e ônibus tomar a via, são eles que predominam. E estudantes, em bandos, além das muitas donas de casa esperando os supermercados abrirem as portas. Enquanto a equipe da Revista O GLOBO caminha pela rua, uma mulher observa da janela do apartamento o do fotógrafo pelo edifício em que ela vive, o de número 32.

— Todo dia vem gente aqui perguntando se tem apartamento para alugar — diz Jurema Duarte, de 58 anos, depois de convidar a equipe a entrar no suntuoso Edifício Victor, onde vive há 16 anos.

Peculiaridades pelo caminho

Quem bate à porta do Victor, admirado pelo estilo art déco, talvez nem suspeite de que ali está guardado um dos segredos da rua: ao construir o prédio para ser um hotel nos anos 30, o proprietário espanhol quis homenagear os alemães, hóspedes frequentes, e mandou incrustar no piso mosaicos com suásticas. O revestimento do chão está lá até hoje, e virou uma espécie de atração bizarra do local.

— Sempre achei estranho cozinhar olhando praquilo, mas a gente acaba se acostumando — comenta Jurema.

Seguindo o percurso, chama a atenção diversidade de entidades e estabelecimentos comerciais. Numa sorveteria, é possível tirar fotocópias. Numa loja de rações de animais, recarrega-se aparelhos de celular. É na Rua do Riachuelo que funcionam a Associação de Taquígrafos do Rio, a União Beneficente de Chauffers do Estado (onde todo mês ocorre uma seresta concorridíssima), a Comunidade Cristã de Assistência aos Surdos e a Fraternidade Fiat Lux (que se define “uma associação mística espiritualista eclética”).

— Cada dia descubro uma coisa nova nesta rua. Nunca pensei em morar aqui, mas achei este apartamento, o preço estava bom, decidi arriscar. Se não fosse o lixo, eu diria que é um lugar perfeito — diz a professora de balé Viviane Soares, $30 anos, que mora há um ano na Riachuelo com a Gomes Freire, na mesma esquina em que o escritor mineiro Pedro Nava pediu que fossem jogadas suas cinzas quando morresse, tamanho apreço pelo local (o desejo foi revelado em 1978, na autobiografia “Beira-Mar”).

A lista de curiosidades vai além. A rua tem ainda um time de futebol próprio, o Gaviões da Riachuelo Futebol Clube, fundado pelo taxista Luiz Passarinho, que reúne seus 13 integrantes todas as terças-feiras, no Aterro do Flamengo. E até um bloco de carnaval, o Dragões da Riachuelo, cuja marca registrada nos desfiles — pela rua, claro — são os 12 centuriões à frente da bateria, representando, cada um, um signo do zodíaco.


Uma das mais antigas ruas da cidade

A Rua do Riachuelo era usada como rotas de tribos indígenas no século XVI, contornando o Morro do Desterro, em Santa Teresa, até a Aldeia de Martim Afonso, o Arariboia. De acordo com o “Dicionário histórico das ruas do Rio de Janeiro”, já foi chamada de “Caminho para o Engenho Pequeno”, “Caminho para São Cristóvão” e “Caminho da Bica” (por causa da Chácara da Bica, que ficava do lado esquerdo da rua). Em 1848, virou a Rua de Matacavalos, uma referência ao sacrifício dos animais ao passar pelo lamaçal da região. Em 1865, foi batizada de Rua do Riachuelo para homenagear a vitória brasileira na Batalha do Riachuelo, ocorrida na Guerra do Paraguai, sob o comando do Almirante Barroso. Vem dessa época o traçado atual da rua, dos Arcos da Lapa até a Frei Caneca.

- A Riachuelo tem uma particularidade. Como é uma das mais antigas da cidade, ela conserva imóveis das principais fases do Rio — ensina o historiador Milton Teixeira. - O casarão que fica na esquina com a Rua do Livramento, que hoje é um estacionamento, data do período colonial, tal qual a Capela do Menino Deus, a construção mais antiga do endereço.

O historiador lembra que está lá, até hoje, um chafariz construído a mando de D.João VI. A fonte serviria para o abastecimento da região, que à época enfrentava faltas d’água crônicas. Apesar de tombado pelo Iphan em 1938, o chafariz está completamente danificado, fruto da ação de vândalos. Na pedra, acima das quatro bicas, lê-se a inscrição “O Rey por bem do seu povo M.F.E.O. (mandado fazer e oferecido) pela Polícia, 1817”, instituição que o inaugurou.

- Do Segundo Reinado, restam imóveis como o casarão do Marechal Osório, que hoje é a Associação Brasileira de Filosofia, e o prédio do Hospital da Ordem Terceira do Carmo - diz Milton. - Da República, tem o Clube dos Democráticos e o prédio do jornal “O Dia”. A rua deveria ser uma rota turística obrigatória. Será um absurdo se não receber placas e indicações históricas a tempo da Copa do Mundo.

Entre cartazes pregados nos postes que vendem excursões a Conceição do Jacareí, shows da Mulher-Bambu e do MC Cabide, programas com travestis, aulas particulares de Matemática ou a salvação pelas palavras de Jesus, o passeio pela Rua do Riachuelo não deixa dúvidas: dependendo dos olhos que a percorrem, ela termina na esquina com a Rua Frei Caneca como um passeio pelo Rio Antigo, pelo presente e - tomara - futuro da cidade.


(fonte/GloboOnline)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A bossa de Nara Leão

Nada melhor que ouvir a musa da bossa nova, em uma clássica interpretação de O barquinho.





terça-feira, 13 de dezembro de 2011

RECORDAR É VIVER...


Há 30 anos o coração não cabia dentro do peito: o MENGO acabara de ganhar, na madrugada,  do time inglês, Liverpool,  e se tornava Campeão Mundial Interclubes.

Uma vitória maiúscula que coroou um time histórico.

Goleiro: Raul
Lateral-Direito: Leandro
Zagueiro: Marinho
Zagueiro:Mozer
Lateral-Esquerdo: Júnior

Volante: Adílio
Volante: Andrade
Meia: Zico

Ponta de Lança: Tita
Ponta de Lança: Lico
Centroavante: Nunes

Técnico: Paulo César Carpeggiani
Reservas: Cantarelli, Figueiredo, Peu, Anselmo, Nei Dias e Baroninho


Os craques ontem...



Os craques hoje...




EU TERIA UM DESGOSTO PROFUNDO,
SE FALTASSE
UM FLAMENGO NO MUNDO!



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Mais uma bossa...


Um clássico... NÓS E O MAR, em dois tempos:


  • a antológica gravação do Tamba Trio do início dos anos 60






  • e a do encontro musical  de  Wanda Sá e Roberto Menescal









quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Muita bossa nesse dezembro

Vamos ao longo desse mês passear pelo som carioca da bossa nova.

E pra começar... a grande LENY ANDRADE cantando a música inspiradora do título desse blog.


 




quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Estreou no Rio em 1931...


... há 80 anos,   o filme Coisas Nossas, primeiro musical longa-metragem brasileiro, e também o primeiro sucesso do cinema falado brasileiro, dirigido pelo norte-americano Wallace Downey. O técnico de som do filme foi Moacyr Fenelon, que alguns anos mais tarde fundou a Atlântida, responsável pelo sucesso da comédia musical, que ficou conhecida como chanchada.


cartaz do filme




O filme apostou na popularidade de Paraguassu, Batista Júnior, Jararaca e Ratinho, e outros astros e estrelas do rádio na época. Noel  Rosa se inspirou neste filme para compor a canção “São coisas nossas”.





Abaixo a letra.


Queria ser pandeiro
Pra sentir o dia inteiro
A tua mão na minha pele a batucar
Saudade do violão e da palhoça
Coisa nossa, coisa nossa
O samba, a prontidão
E outras bossas,
São nossas coisas,
São coisas nossas!
Malandro que não bebe,
Que não come,
Que não abandona o samba
Pois o samba mata a fome,
Morena bem bonita lá da roça,
Coisa nossa, coisa nossa
O samba, a prontidão
E outras bossas,
São nossas coisas,
São coisas nossas!
Baleiro, jornaleiro
Motorneiro, condutor e passageiro,
Prestamista e o vigarista
E o bonde que parece uma carroça,
Coisa nossa, muito nossa
O samba, a prontidão
E outras bossas,
São nossas coisas,
São coisas nossas!
Menina que namora
Na esquina e no portão
Rapaz casado com dez filhos, sem tostão,
Se o pai descobre o truque dá uma coça
Coisa nossa, muito nossa
O samba, a prontidão
E outras bossas,
São nossas coisas,
São coisas nossas!






domingo, 27 de novembro de 2011

O Rio de Cary Grant e Ingrid Bergman em1946



Cenas do Rio de Janeiro, em 1946, na obra de Alfred Hitchcock.
O filme é NOTORIOUS, com Cary Grant e Ingrid Bergman, e lá  estão Copacabana, Glória, Cinelândia, etc.

Neste filme aconteceu um famoso beijo da história do Cinema, tendo a praia de Copacabana, como pano de fundo.






sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O NATAL chega ao Rio neste sábado

Com a tradicional inauguração da Árvore da Lagoa, o clima de Natal vem chegando.






Esse ano vai ser diferente, a festa de inauguração muda de lugar. Vai para o Estádio de Remo.

Pra quem não puder estar ao vivo, clica no endereço abaixo, às 20 horas, e veja no seu computador em 360°.

Vai valer a pena!

http://www.arvorenatalbradescoseguros.com.br/


E  pra quem perdeu a festa, , nesse mesmo site, vale ver as fotos da inauguração!




domingo, 20 de novembro de 2011

MARIO LAGO, 100 anos

Nascido no bairro da Lapa, no Centro do Rio,à  Rua do Resende, nº 150, Mario Lago completaria 100 anos no próximo dia 26 de novembro.

Da Lapa disse certa vez

"A Lapa foi o chão de todos os meus passos. Na busca de caminhos e no encontro de atalhos que descaminham, na primeira ânsia e no último nojo, no último desencanto e na primeira afirmação. "

Ator, compositor, radialista, escritor, poeta, autor teatral, militante sindical e político, Mário Lago foi muitos. E muitas deverão ser as homenagens a esse carioca que dizia que a sua cidade é que era importante, não ele. Era viciado no Rio.

"O Rio é vício realmente, você é dependente dele.. É a beleza... As montanhas do Rio têm contorno de mulher, uma mulher deitada. O Rio de Janeiro é um orgasmo."

E a ela, à cidade do Rio de Janeiro, fez  Meu Rio, Meu Vício sua única parceria com Braguinha, música que, aliás, nunca foi gravada e será lançada somente esse ano.


É meu estado de alma permanente,
Meu vício, meu amor mais verdadeiro.
Por onde quer que eu ande
Sempre está presente
Rio de Janeiro.

Andei por outras terras, outros mares,
Vi o céu de outros lugares por aí.
Mas nada como o Rio de Janeiro,
É meu santo padroeiro...

Meu feitiço fico aqui. 




Quando completou 80 anos, em 1991, concedeu a entrevista abaixo.





Em 1948, Mário Lago escreveu seu primeiro livro " O povo escreve suas histórias na parede".

O projeto Mario Lago 100 anos disponibiliza esse livro. Clique no título e curta!





sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Show histórico de Bossa Nova na Escola Naval



Em novembro de 1959, no dia 13, aconteceu um dos shows históricos da Bossa Nova: o Show da Escola Naval, que foi gravado ao vivo.

 Produzido por Ronaldo Boscoli na Escola Naval do Rio de Janeiro, teve as presenças de Alaide Costa, Carlos Lyra, Chico Feitosa, Irmãos Castro Neves (Oscar, Mário & OIC), Lúcio Alves, Luiz Eça, Roberto Menescal e Sylvinha Telles.

A Escola Naval, uma instalação militar no Rio de Janeiro,  local  de 600 lugares sem costume de realizar shows, teve uma audiência  de quase 1000 pessoas, misturando militares e fãs. O que foi um super sucesso.

Abaixo, Carlos Lyra cantando Maria Ninguém , no Show da Escola Naval.






Na realidade esse show teve o maior problema. Ele seria realizado na PUC, mas pela participação de Norma Bengell (musa erótica dos jovens da época, devido a umas fotos nas capas de Lps da Odeon) o padre responsável não aceitou.


A gravação  durou aproximadamente 65 minutos . As faixas incluem:

01 - Nao Faz Assim - Luiz Eca & Irmãos Castro Neves
02 - Dialogo - Ronaldo Boscoli
03 - Minha Saudade - Luiz Eca & Irmãos Castro Neves
04 - Dialogo - Ronaldo Boscoli
05 - A Felicidade - Luiz Eca & Irmãos Castro Neves
06 - Dialogo - Ronaldo Boscoli & Lucio Alves
07 - Agora e Cinza - Lucio Alves
08 - Dialogo - Ronaldo Boscoli & Lucio Alves
09 - Por Causa de Voce - Lucio Alves
10 - Dialogo - Ronaldo Boscoli
11 - Dizem Por Ai - Lucio Alves
12 - Dialogo - Ronaldo Boscoli & Sylvinha Telles
13 - Discussao - Sylvinha Telles
14 - Dialogo - Sylvinha Telles
15 - Comecou Assim - Sylvinha Telles
16 - Sente - Sylvinha Telles
17 - Dialogo - Ronaldo Boscoli & Sylvinha Telles
18 - Oba-La-La - Sylvinha Telles
19 - Dialogo - Ronaldo Boscoli, Sylvinha Telles & Carlos Lyra
20 - Barquinho de Papel - Carlos Lyra
21 - Dialogo - Ronaldo Boscoli
22 - Maria Ninguem - Carlos Lyra
23 - Dialogo - Ronaldo Boscoli
24 - Lobo Bobo Carlos Lyra



sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A coragem de rejeitar



É numa casa simples, de dois quartos, no subúrbio, que mora um dos PMs do grupo que recusou a propina de R$ 1 milhão oferecida em troca da liberdade do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha. Dinheiro que o cabo André Souza, de 39 anos, do Batalhão de Choque, só conseguiria juntar se trabalhasse 44 anos seguidos, sem gastar um centavo do salário — estimado em cerca de R$ 1.900 mensais. E que daria para comprar a casa própria que ele tanto sonha. 



Mas a proposta ‘indecente’ não corrompeu o juramento que o policial fez ao vestir pela primeira vez a farda, há 9 anos. “Me deu muita raiva. Estavam nos comparando aos policiais que foram presos horas antes, dando cobertura na fuga de traficantes. Mas ofereceram dinheiro aos caras errados, não é isso que vai pagar a nossa dignidade”, desabafou o cabo, que não tem carro e vai trabalhar de carona ou trem. 
Da mesma corporação em que os ‘arregos’ são um problema a ser enfrentado, Souza difere por um pensamento em que a lógica é simples: “Penso no que é correto. A gente é tão mal visto pela sociedade por culpa de uns poucos, que não vou compactuar com isso”. 
Órfão de mãe desde os 6 anos, Souza falava ainda criança que seria PM. Sonho que começou a se tornar realidade na portaria de prédio da Zona Sul, onde o então porteiro dividia as horas de trabalho com os estudos para o concurso. Ele tem um filho de 15 anos. 
Acostumado com o pouco ‘glamour’ da profissão, Souza só entendeu a dimensão de prender o traficante mais importante do Rio ao chegar no quartel, na manhã desta sexta-feira. Recebido aos gritos de ‘parabéns’ e pela euforia da equipe, o militar diz que a maior recompensa é o reconhecimento da família e dos amigos. “Minha mulher ligou e disse que tem orgulho de mim, que sou o herói dela. Isso vale muito mais que R$ 1 milhão”.
O cabo André Souza esta semana também tentou salvar a vida do cinegrafista Gelson Domingos, assassinado em Antares, carregando-o nos braços.
 (ODia online)




Vale refletir. 

Muitos analistas, cabeças pensantes da hora – e fora da hora também - costumam justificar a pobreza, a falta de coisas em casa, as condições de vida, para o o ingresso no tráfico. Pelas fotos acima ,da residência do soldado, vê-se que nada disso empurra alguém para o crime.

Aliás, quantos, mesmo tendo condições e não falta, mas sobra de coisas em casa, teriam a coragem de rejeitar um milhão de reais? Vários casos nos dias de hoje nos provam, infelizmente, que muitos.

Muito bom conhecer o cabo André Souza. 

Bom, igualmente, ver que o cabo veste a camisa do meu Flamengo!


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Em tempos de 15 de novembro...

Após a Proclamação da República no Brasil, descobriu-se mais de um carioca muito especial, que foi D. Pedro II.



Quatro dias após o 15 de novembro, a legislação brasileira recebia o seguinte decreto:


"Considerando que o senhor D. Pedro II pensionava, de seu bolso, a necessitados e enfermos, viúvas e órfãos, para muitos dos quais esse subsídio se tornava o único meio de subsistência e educação;
Considerando que seria crueldade envolver na queda da monarquia o infortúnio de tantos desvalidos;
Considerando a inconveniência de amargurar com esses sofrimentos imerecidos a fundação da República;
Resolve o Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil:
 
Artigo 1° - Os necessitados, enfermos, viúvas e órfãos, pensionados pelo Imperador deposto continuarão a perceber o mesmo subsídio, enquanto durar a respeito de cada um a indigência, a moléstia, a viuvez ou a menoridade em que hoje se acharem. 
Artigo 2° - Para cumprimento dessa disposição se organizará, segundo a escrituração da ex-mordomia da casa imperial, uma lista discriminada quanto à situação de cada indivíduo ou à quota que lhe couber. 
Artigo 3° - Revogam-se as disposições em contrário. 
Sala das sessões do Governo Provisório, em 19 de novembro de 1889  - Manuel Deodoro da Fonseca - Aristides da Silveira Lobo - Rui Barbosa - Manuel Ferraz de Campos Sales - Quintino Bocaiúva - Benjamim Constant Botelho de Magalhães - Eduardo Wandenkolk".
( publicada na "Revista da Semana", do Rio de Janeiro, número especial, de 28 de novembro de 1925)
Pois é... D. Pedro II pensionava, de seu bolso, a necessitados e enfermos, viúvas e órfãos, para muitos dos quais esse subsídio se tornava o único meio de subsistência e educação.
Uma pergunta que fica é se o decreto foi cumprido e por quanto tempo.
Nenhum documento esclarece o fato.
Aliás, D. Pedro II  morreu pobre. Nobre de berço e alma,  recusou a ajuda que o governo da república lhe ofereceu, mesmo não tendo nem sequer conta na Suíça, mas desejou boa sorte ao governo do país que, apesar de tudo, ele denominava “meu país". 
Antes de morrer, disse “Que Deus faça feliz o meu Brasil".
Em tempos de falsos heróis, aproveitadores travestidos de verde e amarelo, nacionalistas de discurso, D Pedro II um grande brasileiro esquecido e mal estudado nos bancos escolares.  O político mais progressista que tivemos em 511 anos de história.

UM GRANDE BRASILEIRO! UM GRANDE CARIOCA!



sábado, 5 de novembro de 2011

Cruz e Souza no Rio de Janeiro



Nesse mês, dos 150 anos de seu nascimento -  24 de novembro de 1861 - vale recordar o grande poeta.

Em dezembro de 1890 Cruz e Souza chega ao Rio de Janeiro, a cidade que escolheu para viver.

Numa primeira fase de sua permanência definitiva no Rio de Janeiro, Cruz e Sousa viveu, apenas, dos escassos proventos obtidos como empregado na imprensa.

Foram três anos, de dezembro de 1890 a dezembro de 1893,solteiro e residente no centro urbano.

Primeiro, arranjou emprego na publicação Cidade do Rio, o que veio a ser a subsistência do poeta no seu primeiro ano estabelecido na Capital da República. Também por um ano vive no mesmo quarto com Araújo Figueiredo, num sobrado à rua do Lavradio, n . 17. Mas a crise deste jornal resulta em atraso de pagamentos e posterior demissão. A Revista Ilustrada de abril de 1892 lamenta a retirada do negro de Cidade do Rio, 


"delicado poeta e finíssimo prosador... Extremado cuidador da forma, de uma sutileza extraordinária, muito elevado nas concepções, escrevendo para poucos o sentir, mas para todos admirá-lo, traçando sem esforço a frase que lhe sai sempre firme, nova e imaginativa".


Da Cidade do Rio passou Cruz e Sousa para o Novidades, que era todavia de pequena circulação e parcos recursos. Mais tarde ainda foi repórter da Folha Popular e noticiarista da Gazeta de Notícias. Viveu pobre e com dificuldade sempre conseguiu dar algum aprumo em seus trajes, nesta primeira época de residência no Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro Cruz e Sousa se integrou rapidamente no grupo dos Novos (ou da Escola Nova) que pouco depois seriam conhecidos por Simbolistas. De certo modo é um dos fundadores.
Na mesma proporção se distanciou dos conservadores, daqueles que fundaram a Academia Brasileira de Letras.

De uma carta de setembro de 1892 se sabe que já era noivo. O poeta conhecera a moça casualmente no então pobre bairro de Catumbi, onde fora visitar um amigo e a vira em frente ao portão do cemitério que ali havia. Fora escrava  de um juiz, humanitário e abolicionista, que dera à moça excelente educação,.

Gavita Rosa Gonçalves, como se chamava a noiva, foi uma lenta estabilização da vida do poeta no Rio de Janeiro.

Depois de consagrado com a publicação de dois livros marcantes do Simbolismo Brasileiro, casa-se com Gavita em 9 de novembro de 1893 e já em dezembro se estabelece como praticante na Estrada de Ferro Central do Brasil. Um ano depois, em dezembro de 1894, é promovido a arquivista, com provento de 250$000.

Residindo inicialmente no Centro afastou-se depois para o bairro do  Encantado. Na rua Teixeira Pinto, número 66, em que morou -  atualmente Rua Cruz e Sousa -  tinha  "...a casa... dois pequenos quartos, uma sala de visitas, um gabinete ao lado esquerdo, uma varanda com janela para um quintal e, ainda, uma cozinha, dentro da qual, pelas paredes lisas, as panelas tinham dependuradas, lampejamentos de sol de estio". 

O ano de 1896 foi o início de desgraçados acontecimentos em sua vida.

Gavita enlouquecera em março, ainda que passageiramente, por seis meses.A  pobreza, quatro filhos e a anemia profunda, que os afetaria. Os 4 filhos do casal morrem em vida do poeta, ou seja, até março de 1898, sendo que o último aos 17 anos, como aluno interno do Colégio D. Pedro II. Em 1901 falece Gavita, também de doença pulmonar.

A saúde pessoal de João da Cruz e Sousa pareceu normal até 1895, quando a tuberculose apareceu em dezembro de 1897. Amargamente, mas sem se queixar a ninguém, continuou seus trabalhos, como se fossem um epitáfio. A discrição, que poupava aos amigos de lhe ouvir os lamentos, se reflete todavia no que escreve. Em dezembro de 1897  o poeta adoeceu definitivamente, revelando-se uma tuberculose galopante.

Cruz e Sousa tentou um outro clima e foi a Minas Gerais, para recuperar a saúde, mas foi exatamente o clima de lá, que piorou seu estado.

Cruz e Souza chegou à gloria póstuma, quando sua obra só foi largamente reconhecida e publicada após sua morte.

Seu último soneto é lindo, pela lucidez e paz.

Sorriso Interior
O ser que é ser e que jamais vacila
Nas guerras imortais entra sem susto,
Leva consigo esse brasão augusto
Do grande amor, da nobre fé tranqüila.

Os abismos carnais da triste argila
Ele os vence sem ânsias e sem custo...
Fica sereno, num sorriso justo,
Enquanto tudo em derredor oscila.

Ondas interiores de grandeza
Dão-lhe essa glória em frente à Natureza,
Esse esplendor, todo esse largo eflúvio.

O ser que é ser tranforma tudo em flores...
E para ironizar as próprias dores
Canta por entre as águas do Dilúvio! 
O programa  De Lá pra Cá, da TV Brasil, fez um retrato muito interessante do poeta Cruz e Souza, que vale a pena (re)ver.








domingo, 30 de outubro de 2011

31 de outubro, Dia D de Drummond

A partir deste ano, o dia  31 de outubro passa a ser o Dia D, de Drummond. Quando se comemora o nascimento de Carlos Drummond de Andrade uma série de eventos reviverão seu universo, como acontece na Irlanda com o Bloomsday, dedicado ao escritor James Joyce.

Não houve aventura poética, seja no que diz respeito ao estético, ao existencial ou ao linguístico, que Drummond não tenha topado.

Drummond aprendeu com autores importantíssimos, gente como Manuel Bandeira e Mario de Andrade, e, depois, serviu de ponto de partida para outros poetas importantíssimos, como João Cabral de Melo Neto e Ferreira Gullar. Virou figura central e é, sem dúvida, "o" poeta brasileiro.




 
O mineiro Drummond, que adotou a terra carioca para aqui viver, vai nela ter um dia D, que apresentará suas principais facetas: o Drummond jornalista, o arquivista, o erótico, o político, o desenhista e até mesmo o protetor dos animais.




Cenas do documentário Narrarte (1990),
dirigido por Goffredo Telles Neto e Paloma Rocha.
Neste trecho, a escritora Lygia Fagundes Telles
lê passagens de “Procura da poesia”, de A rosa do povo (1945).



O escritor Otto Lara Resende em depoimento
sobre Carlos Drummond de Andrade em 11.11.80.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Outubro era tempo de festivais...

... e o 1°FIC, Festival Internacional da Canção, começava há 45 anos.

Era 1966. E acontecia no mesmo ano dos já consagrados  2°Festival da TV Excelsior - que seria a última edição -  e do 2°Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, que vivia um momento ímpar com tantos talentos reunidos num só evento musical.

No Rio de Janeiro,  o festival chegava também com um diferencial em relação aos paulistas:  a plateia estava ali mais para dançar e cantar do que opinar. Era muito mais um espetáculo musical .E nisso o local ajudou, pois uma resposta negativa do Theatro Municipal e do Teatro Carlos Gomes levaria os organizadores a optar por realizar o festival no Maracanãzinho. 

A edição de estreia, patrocinada pela TV Rio - após rejeitada pela TV Globo - , foi um empreitada corajosa de Carlos Manga, à época diretor da emissora, que acreditou na idéia de Augusto Marzagão - idealizador do festival e trouxe ao Rio, nomes de peso da música internacional como Henry Mancini, Les Baxter, Ray Evans, Nelson Riddle. E os acordes da orquestra atacaram um pot-pourri com diversas músicas sobre o Rio de Janeiro anunciando o início da primeira eliminatória no dia 22 de outubro de 1966.


Maracanazinho e a platéia de 10000 espectadores no I FIC


O 1 °FIC, na parte  nacional foi uma verdadeira disputa de cantoras: Elis Regina, Nana Caymmi, Maysa, Cláudia, Claudete Soares, Maria Bethânia, Tuca, Gal Costa, Quarteto em Cy, entre outras.



Maysa, na final do FIC




Quarteto em Cy e Bilinho intérpretes de Se a Gente Grande Soubesse



Elis e seu Canto Triste




A final do I FIC aconteceu em 24 de outubro de 1966.

Lá estavam  as favoritas  “Dia das Rosas”, com Maysa,  “O Cavaleiro”, com Tuca, “Não Se Morre de Mal de Amor” de Reginaldo Bessa, na voz de Taiguara, “Inaiá” de Luís Carlos Sá, Claudette Soares  com “Chorar e Cantar”  e o garoto Bilinho, filho de Billy Blanco cantando “Se a Gente Grande Soubesse” de autoria do próprio pai com acompanhamento do Quarteto em Cy.  E correndo, por fora,  Elis Regina com “Canto Triste” de Edu Lobo e Vinicius de Moraes e “Saveiros”, de Dori Caymmi e Nelson Motta, por Nana Caymmi.
Já era madrugada do dia 25 de outubro quando,  após minutos de suspense, a voz do locutor Hilton Gomes  finalmente anunciou a lista dos vencedores em ordem decrescente.


QUEM LEMBRA?

Meninos...eu vi!






quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ao mestre, com carinho!

Nesse Dia do Mestre vem à recordação tantos professores com os quais convivemos e nos deram lições pra toda a vida.

Alguns marcaram pela simpatia, outros pela dedicação; há aqueles que pela rigidez se fizeram presentes, ou os pela delicadeza de gestos e atitudes; também os pelas brincadeiras, hummm... os pelas faltas e ausências; os mal humorados, ranhetas, sisudos e até os loucos. Incrível, mas existem. Tive um professor assim. De Química, no científico. Professor Angelo. Que de tão genial ele não conseguia se comunicar com os alunos. Falava pra dentro e sempre voltado para o quadro negro - que à época ainda não era verde -, de costas para os alunos. Escrevia fórmulas imensas que começavam em letras minúsculas acima e acabavam em garranchos na barra do quadro. E com uma rapidez feroz que ninguém conseguia acompanhar e deixava a turma às gargalhadas. E ele a olhar, sério, como se perguntasse de que estão rindo?

Mas a matemática foi a minha paixão. Sempre gostei. Desde os tempos da tabuada. O que para muitos afugentava, para mim era fascinante. E ainda é. Raiz quadrada, equação do segundo grau, logaritmos, pa, pg, mdc, mmc, regra de três, que universo delicioso. Sei que muitos devem estar me achando mazoquista, mas com certeza números, suas combinações,quanta coisa na vida resolvemos através do raciocínio matemático. E quando percebemos isso, a Matemática deixa de ser bruxa.

Ela era a nota dez que fazia questão de carregar na caderneta todo o mês. Mas tive professores que contribuiram pra isso.

Professor Navarro foi um deles, nos tempos do ginásio, no São Marcos. Engenheiro de formação, entrava na sala de aula com a sua varinha de apontar o quadro, que era uma antena de carro. Metódico organizava matematicamente o quadro. Era tudo alinhado, retinho. Nas aulas de geometria fazia uma circunferência invejável, a mão livre, que todos aplaudíamos. E ele se orgulhava. Era uma festa a hora daquele círculo. Acho que, no fundo, tinha hora que torcíamos pra dar errado, pra dizer, tá vendo? não é tão fácil assim... Mas sempre dava certo. Ele era bamba.

Professor Navarro dava testes semanais sempre aos sábados e levava as notas na segunda, quando ía lendo e entregando, em ordem crescente. E gostava de receber a minha por último e o meu dez. Recentemente reencontrei alguns colegas e relembrando esses bons tempos me perguntaram: você ainda gosta de matemática?

No vestibular, lá no Curso Vetor da Tijuca, fui aluna de outro grande mestre de Matemática: professor Maurício Houaiss. O que um irmão era gênio no Português, ele era gênio na Matemática. A matéria era Álgebra II. Mais uma vez o quadro - que agora já era verde - todo organizadinho com aquelas equações imensas que finalizavam, geralmente, em um ou zero. A facilidade de explicar e transformar aquele emaranhado em algo tão simples. Era sensacional o desafio de dividir, multiplicar, elevar à potência, somar e chegar naquele número ínfimo. Maravilhoso. Em tempos de vestibular, poucas horas e muitas matérias, aprendi com o Professor Maurício uma lição que trago ao longo da vida. Ele sempre dizia quando suspirávamos cansados: descanse de uma matéria estudando outra. Genial! Até hoje quando alguma coisa está sobrecarregando, me lembro dele e desvio para outra atividade, outro foco. Grande raciocínio matemático!

Mas falei a palavra foco e me lembrei de outro grande mestre que tive. Em Fotografia, nos tempos de faculdade, tempos de ESDI. Ah! Roberto Maia... que aulas! Excelente fotógrafo nos ensinou não a arte de apertar botões e simplesmente fotografar, mas a arte de olhar. Olhar ao redor, olhar o outro, olhar o fato. E à medida que você exercita o olhar, sua dimensão de vida muda. E como!

Naquele tempo eu nem tinha máquina. E aí meu pai comprou uma Pentax. Grande companheira de aventuras de imagens. Suas aulas eram bate-papos deliciosos que se transformavam em tarefas. Tempos que guardo em preto e branco e reavivam a memória. Tenho paixão por fotografia, graças a ele, e vivo clicando luzes, sombras, ângulos, perfis... inspirada nas lições de olhar de Roberto Maia.
O bom de tudo isso é que até hoje pratico e exercito um pouquinho de cada aula desses que me deram um arsenal de idéias e lições para a vida.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

80 ANOS DO CRISTO REDENTOR_ 2

Um documentário muito intereressante foi feito pela bisneta do engenheiro Heitor da Silva Costa, Bel Noronha, autor do projeto do Cristo Redentor.

Veja em  quatro partes. 


  PRIMEIRA PARTE






PARTE 2




PARTE 3




PARTE 4







sábado, 8 de outubro de 2011

80 ANOS DO CRISTO REDENTOR!




Como na inauguração, há 80 anos, aviões da esquadrilha da fumaça vão sobrevoar o Cristo Redentor no próximo dia 12 de outubro, a partir das 9h30m.

Mas a festa de aniversário do monumento, no Corcovado, vai começar hoje com o "Ação de amor do Cristo Redentor". A "Ação de Amor" é um braço social do Cristo, que desce do Corcovado para levar caridade. E nesse sábado desce em Realengo, em parceria com a comunidade Canção Nova, onde o massacre de Realengo - em que 12 crianças morreram e dez estudantes foram feridas pelo atirador Wellington Menezes, que invadiu a Escola municipal Tasso da Silva - completa seis meses.

Confira a programação!

Dia 8 de outubro

"Ação de Amor do Cristo Redentor."

Local: Paróquia Nossa Senhora de Fátima e São João de Deus, na Estrada Manoel Nogueira de Sá, 1.421, Jardim Novo, Realengo.

9h: missa celebrada por dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio.
10h15m: lançamento do projeto.

Dia 9 de outubro

Evento: "O espírito sopra onde quer em louvor aos 80 anos do Cristo Redentor".
Local: Praça da Apoteose

9h às 18h: shows e evangelização.
16h30: celebração com dom Orani Tempesta.

Dia 11 de outubro
 .vigília de 80 jovens católicos no alto do Corcovado.
22h: início da vigília até as 6h do dia 12 de outubro


Dia 12 de outubro
Local: Corcovado
8h: benção aos visitantes.
9h30: apresentação da Esquadrilha da Fumaça.

10h: missa celebrada por dom Orani Tempesta.
11h30: Angelus Solene.
12h: inauguração dos bustos do cardeal dom Sebastião Leme, que levou adiante a ideia de construir o monumento a Cristo Redentor; e do engenheiro Heitor da Silva Costa, autor do projeto e construtor.
12h30m: apresentação da banda marcial Dragões Iguaçuanos.
13h: bolo comemorativo de 8 metros de comprimento.

18h até 22h: Show da Paz Aterro do Flamengo, junto ao Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial.

Pontualmente às 18h um coral de 500 vozes, regido pelo maestro Ueslei Banus, abrirá o evento, cantando as músicas Ave-Maria (Vicente Paiva/Jaime Redondo), Isto Aqui o Que É (Ary Barroso) e Jesus Cristo (Roberto Carlos/Erasmo Carlos).

Em seguida, dom Orani Tempesta abençoará a todos.

  • Vão participar do show : Almir Guineto, Arlindo Cruz, Beth Carvalho, a banda BossaCucaNova,Casuarina, Davi Moraes, Thaís Gulin, Eduardo Dussek, Elba Ramalho, Eliana Brito, Dunga, Fernanda Abreu, Jorge Aragão, Leila Pinheiro, ritmistas da Mangueira, Marcos Valle, Miúcha, Roberto Menescal, Sombrinha, Tiago Abravanel e Zeca Pagodinho.
    O Reitor do santuário do Cristo Redentor, padre Omar Raposo, também cantará e tocará piano. 
     
Vale AQUI ouvir novamente a música comemorativa dos 80 anos.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

5 de outubro, dia de São Benedito!

No Rio, lá está a  Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, no Centro, igreja colonial na rua Uruguaiana, 77, onde podemos louvá-lo.





Fotos: Alexandre Macieira - RIOTUR - reprodução





A fé a ele ligada tem sua história na Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos,  fundada em 1669, e que abrigava  e acolhia os negros e pardos do Rio de Janeiro.

A Irmandade construiu uma  igreja entre 1701 e 1737 na chamada rua da Vala , atual Uruguaiana, que naquela época se localizava nos limites da cidade. Lá está a igrreja até hoje  e acapela-mór atual é o resultado de uma reconstrução por volta de 1772.


Atualmente a igreja não tem praticamente nenhuma decoração interna, devido a um terrível incêndio ocorrido em 1967, que destruiu os altares e talha das capelas, paredes e colunas. Tragicamente, no incêndio perdeu-se também o chamado Museu do Negro, que funcionava na igreja e continha importantes documentos relacionados à história da Irmandade.

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, foi o primeiro local visitado por D. João, em 1808, após sua chegada à cidade, para render graças pelo término bem sucedido da viagem ao Brasil, nesta época a Igreja funcionava como Catedral da cidade.
Como Irmandade de negros e pardos, muitos destacados membros dessa comunidade formaram parte da Irmandade do Rosário e São Benedito na época colonial, como o compositor e regente Padre José Maurício Nunes Garcia, que foi diretor musical da igreja (1798-1808), quando ela ainda era catedral da cidade. Nela , também, foi sepultado Mestre Valentim, o maior artista da cidade no século XVIII.


No Rio de Janeiro, na histórica Igreja de São Benedito, à rua Uruguaiana, acha-se guardada uma relíquia do santo: um fragmento do osso.



SÃO BENEDITO, ROGAI POR NÓS!



sábado, 1 de outubro de 2011

Você Abusou... lá de 1971

Quando Stevie Wonder cantou Você abusou, tirou partido de mim, abusou..." reviveu um sucesso de 40 anos.

E logo veio à lembrança  a dupla de compositores Antonio Carlos e Jocafi que incendiaram o Maracãnazinho no  Festival da Canção em 1971, com Desacato, que ficou em terceiro lugar, e outras composições que fizeram parte de trilhas de novelas da TV Globo, como Lucia Esparadrapo , da novela O Cafona, tema da personagem, que foi sucesso, da atriz Djenane Machado.

Quem lembra?

Bom ouvir com Elis Regina, em um vídeo, de 1971, de um programa da TV Globo, os principais sucessos de Antonio Carlos e Jocafi .

 





sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O carioca Renato Russo

Renato Russo, carioca da Ilha do Governador e  lider da banda dos anos 80 Legião Urbana, foi considerado por várias pesquisas o maior letrista que o rock brasileiro já teve.

Nesse Rock in Rio recebeu uma linda homenagem na abertura dessa segunda semana, quando teve suas composições apresentadas pela Orquestra Sinfônica Brasileira e astros do rock brasileiro, como Pitty, Dinho Ouro Preto, Rogério Flausino, Herbert Viana, Toni Platão e Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos - ex-companheiros de conjunto -  que reviveram grandes sucessos do Legião Urbana.





Emocionou!

Stevie Wonder se rendeu à Bossa Nova

A noite de ontem no Rock in Rio foi especial com Stevie Wonder.

Lá pelas tantas do show...
...um grande músico e uma grande música!




segunda-feira, 26 de setembro de 2011

vale a pena ver e ouvir de novo

A Bossa Nova que foi lindamente trilha de comercial





sábado, 24 de setembro de 2011

O ROCK NO RIO _ parte 3

Ao som do rock and roll, a nova música que surgia naqueles anos 50 , a juventude buscava sua própria moda, e nela, um prenúncio de liberdade.

Assim, as moças passaram a usar, além das saias rodadas, calças cigarrete até os tornozelos, sapatos baixos, suéter e jeans, chamado à época de brim coringa ( o primeiro jeans brasileiro da  fábrica Alpargatas, que com ele produziu sua primeira calça jeans, a calça Rodeio).

E o cinema contribuiu para isso.

Lançou o garoto rebelde, simbolizado por James Dean, no filme "Juventude Transviada" (1955), que usava blusão de couro e jeans, que começou com o  visual displicente de Marlon Brando no filme "Um Bonde Chamado Desejo" (1951), transformando a camiseta branca em um símbolo da juventude.

Acessórios como a Lambretta  ou Gullivette - bicicleta motorizada -, óculos escuros, que podiam ser tipo gatinho, cuba libre, camisetas gola canoa, maiô engana-mamãe, biquinis de pano, roupas em xadrez ou bolinhas, cabelos glostorados, topetes masculinos, formavam um visual indispensável. 















E o cinema rock’n’roll carioca foi marcante. 


Começou em 1957 com uma chanchada da Atlântida, o clássico De Vento em  Popa, com direção de Carlos Manga. No elenco, Oscarito, Cyll Farney, Sônia Mamede, Dóris Monteiro, Zezé Macedo, Carlos Imperial. 
Na trilha sonora, o sensacional momento de Oscarito e Sônia Mamede dançando rock.





cena do filme, Oscarito como Melvis Prestes 
 
Minha Sogra é da Polícia, de 1958, com roteiro do iniciante Chico Anysio.



Tinha no elenco Violeta Ferraz, Costinha, Wilza Carla, e também trazia, nos musicais, o trio formado por Roberto Carlos – na época com apenas 17 anos - Erasmo Carlos e Carlos Imperial que aparecem como banda de apoio para o astro Cauby Peixoto durante uma apresentação do hit That's rock. 







Alegria de Viver (1958), com direção de Watson Macedo, tem o rock como tema musical e fio condutor do filme, numa deliciosa comédia.
Com Eliana, John Herbert, Yoná Magalhães, Sérgio Murillo, Augusto César Vanucci, teve o menino Roberto Carlos, com 17 anos, fazendo uma pontinha e a estreia da atriz carioca Yoná Magalhães.Na trilha  musical Augusto Cesar Vanucci cantou a música Rock For Lili, de Carlos Imperial.









 
Agüenta o Rojão (1958), com direção de Watson Macedo, teve no elenco  Zé Trindade, Reginaldo Faria, Zilka Salaberry. Também nos musicais Roberto Carlos (apresentado como Beto) e  Carlos Imperial, cantando I Need You So.





Pois é, deu pra ver ou rever...
...e o ROCK NO RIO
cresceu e invadiu as décadas seguintes,
até os dias atuais.





sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O ROCK NO RIO_parte 2

O rock chegou ao rádio, nos anos 50, pelas mãos de dois radialistas:  Jair deTaumaturgo e Carlos Imperial.

 Na Rádio Mayrink Veiga, Jair deTaumaturgo apresentava Hoje é dia de Rock, programa que levou para as tardes de domingo na TV Rio,mostrando os jovens talentos à procura do sucesso.

Na foto, abaixo, um Roberto Carlos,  iniciante, no programa da TV Rio.



Na Rádio Tupi, Carlos Imperial apresentava o programa Clube do Rock, onde lançava artistas desconhecidos. Imperial também passou pela  Radio Guanabara , com Os Brotos Comandam, programa que levou para a TV Continental. Também apresentou Festival de Brotos na Tv Tupi e Brotos no 13, na TV Rio. Foi um grande incentivador e descobridor de ídolos do rock nacional, padrinho de dezenas de artistas que estourariam na década seguinte.

Carlos Imperial foi contratado para apresentar e fazer o show de abertura de Bill Halley no Maracanãzinho. Levou a tropa de jovens que faziam parte do seu programa Clube do Rock.
Dentre eles... um tal de...Roberto Carlos.

 

Carlos Imperial ao violão,
Roberto Carlos, o primeiro à esquerda, de topete,  e
 Cauby Peixoto à direita de Imperial,
que gravou o primeiro rock original em português,
“Rock and Roll em Copacabana“, escrito por Miguel Gustavo




Cauby Peixoto gravou na RCA Victor em 30 de janeiro de 1957,
com lançamento em maio do mesmo ano (78 rpm ).
Curiosamente, este raríssimo registro nunca saiu em LP de vinil!



Aliás, Roberto Carlos fez parte de uma das primeiras turmas de rock genuinamente nacional: A Turma do Matoso ( da Rua do Matoso)-  vidrada no som de Elvis Presley, Chuck Berry e Little Richard -  de onde saiu uma banda denominada Tijucanos do Ritmo, que se transformaria em The Sputiniks. A formação trazia Roberto Carlos,Arlênio Livio, Welington e Tim Maia.

Tim brigou e foi cantar sozinho. Roberto também foi cantar sozinho. E o Arlenio reestruturou o grupo vocal com  Edson Trindade, Ze Roberto, China e convidou um novo amigo, Erasmo Carlos.

Daí surgiram os Snakes. Eles passaram a fazer vocal para o Tim Maia ,o Little Richard brasileiro, e para o Roberto Carlos, o Elvis Presley brasileiro, como Carlos Imperial os apresentava em seu programa.





Também foi um carioca do Catete , Sergio Murilo, o primeiro roqueiro brasileiro a mexer os quadris em frente às câmeras da tv, em 1965, apesar de ter seguido a linha de um rock romântico, cópia do estilo das baladas americanas. Versões foram seus maiores sucessos como Broto Legal , Marcianita e Querida. 





Mais um pouco das histórias do Rock no Rio...amanhã.
´


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O ROCK no RIO

Em tempos de Rock'n Rio, vamos passear pela história do Rock no Rio?

O pontapé inicial do rock no Rio veio na voz de uma cantora de samba-canção, Nora Ney, em outubro de 1955.
Foi ela quem regravou, por aqui - 78 RPM, gravadora CONTINENTAL - o considerado primeiro rock, "Rock around the Clock", o sucesso de Bill Haley & His Comets. Em uma semana a canção estava no topo das paradas.







"Rock around the Clock" foi a música de abertura de um filme que surpreendeu e conquistou o público jovem: Blackboard Jungle.

Batizado por aqui de Sementes da Violência, com Glenn Ford e Sidney Poitier no elenco, mostrava o professor ,o aluno rebelde e os conflitos de uma juventude em busca de seu espaço na sociedade. Curioso é que Sidney Poitier, doze anos depois trocaria de lado e viveria o professor,  no sensacional Ao Mestre com Carinho.


cartaz

cena do filme

 No entanto, o espanto da juventude diante desse filme transformou-se, menos de um ano depois, em explosão incontrolável frente a outro filme, batizado com o nome do mega-hit de Haley: “Ao Balanço das Horas”, “Rock Around The Clock”, no original.


cartaz do filme


O filme, um musical , na verdade faturava o sucesso comercial da música e de Bill Haley e amplificava ainda mais a sua explosão inicial. Sua estreia no Cine Palacio deu manchete no jornal O Globo, pois mobilizou até a Rádio Patrulha, face à situação de descontrole, brigas, quebra-quebra, jovens que destruíram poltronas e traumatizaram lanterninhas. Tal situação não agradou às autoridades que, até pediram a proibição do filme.

Assim chegava o Rock no Rio.
"Não ouça! Você pode enlouquecer."

A advertência  - até engraçadda nos dias atuais - circulava pelo Rio de Janeiro junto às notícias, sobre esse novo e frenético estilo musical: o Rock'n'roll.

Sob as garras dessa canção alucinógena, em 1957, aparece uma versão instrumental ,mais light, com o pianista Waldir Calmon, o músico dos bailes de então. O seu disco“Chá Dançante 3” , com a música na faixa 5, fez grande sucesso junto ao público adulto.


capa do disco




Também a cantora carioca Lana Bitencourt grava - e faz sucesso - com “Little Darling”, sucesso de The Diamonds.






E aí... esse tal de rock’n’roll... invadiu, de vez, as rádios e a televisão, que ajudaram a fomentar a cultura roqueira.


Mas essa história... continua amanhã.