segunda-feira, 30 de maio de 2016

Um casamento, sensação no Rio


Em maio de 1961, há 55 anos,
a cidade do Rio de Janeiro viveu
um verdadeiro reboliço
no casamento de... Marta Rocha.


manchete da reportagem do jornal Correio da Manhã


Aos gritos de MARTA!MARTA!, cerca de cinco mil pessoas, à entrada da Igreja da Candelária e outras mil e duzentas no interior aguardavam a cerimônia religiosa do casamento da ex-miss Brasil com o industrial Ronaldo Xavier de Lima - marcada para as 18h30 e que começou quase uma hora depois - que seria oficiado por Dom Hélder Câmara, então Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro.

foto: jornal Correio da Manhã


foto: jornal O Globo

Mais de 150 guardas da Polícia Militar sustentavam os cordões de isolamento estendidos ao redor da igreja, tentando conter a multidão afoita pra ver Marta descer do Oldsmobile 1961, chapa GB 1946, ao lado de seu pai Álvaro Rocha.

foto: jornal O Globo


Dentre os padrinhos estavam o então governador da Bahia e senhora Juraci Magalhães, o Príncipe Dom João e a princesa Dona Fátima de Orleans e Bragança.

Destaque foi o vestido que a ex-miss vestia.

Como era viúva, ela optou por não ser branco. Ele foi azul, comprido, reto, de brocado de lamê acetinado. Confeccionado por uma conhecida peleteria da Avenida Rio Branco, a
maison d´haute couture
fez prévia combinação com a decoradora, que colocou o altar ornado de camélias azuis - tingidas -  combinando com o vestido e que, segundo levantado, tiveram um custo de mais de 500 mil cruzeiros. Ainda, sobre os cabelos louros, uma tiara de brilhantes e um véu azul-cinzento.

A recepção foi no Copacabana Palace. Marta deixou a Candelária  por volta das oito da noite, guardada por seis batedores do Serviço de Trânsito.

As revistas Manchete  e  O Cruzeiro estamparam nas suas capas, a noiva do ano.

  







quinta-feira, 26 de maio de 2016

No Rio, 2001...há 15 anos

MAIO DE 2001.

Amanhã , dia 27, vai fazer 15 anos... Parece que foi ontem!

“E o técnico Zagallo olha para o relógio: 43 minutos, coça a cabeça.
Talvez Luiz Penido não soubesse que, ao assinalar o momento exato da cobrança, oficiava menos como radialista e mais como historiador. Washington Rodrigues, ao seu lado, intuía, ele sim, que estava prestes a presenciar um feito histórico da magnitude dos descobrimentos, da primeira explosão atômica, da ascensão do Cristo ou do gol mil de Pelé. Acusa a presença do sobrenatural, ali personificado no padroeiro São Judas Tadeu, que segundo ele “acaba de chegar”.
E a voz de Luiz Penido será, pelos séculos dos séculos, a moldura do mais belo quadro jamais pintado por um cobrador de faltas. Lá se vão dez anos, e todo rubro-negro que se preze ouviu a narração quinze, vinte, duzentas vezes. Muitos a decoraram como quem decora o hino nacional, o creio-em-Deus-padre. Gerações futuras de rubro-negros crescerão na segurança de que a voz do Penido, eternizada, lhes dará sempre a noção exata do que sentiram seus pais, avós, bisavós naquela tarde carioca de 27 de maio de 2001. 
Em 27 de maio de 2001, ali pelas cinco da tarde, o pé direito de Dejan Petkovic nos fez tocar o céu com as mãos. 
Não foi apenas o gol que nos deu um tricampeonato: foi o gol que — caso único na história do futebol — enterrou para sempre uma rivalidade secular. Percebam: até Fabiano Eller derrubar Edílson, na intermediária defensiva do Vasco, a torcida inimiga canta com a empáfia de quem olha o adversário de igual para igual. Três anos antes desfilaram troféus em frente à Gávea. Quatro meses antes arrotavam, desonestos que só eles, uma falsa igualdade em número de títulos brasileiros. Segundos antes, cantavam a certeza de que, desta vez, e para sempre, vice é o car..... 
Mas, às cinco da tarde, quis o destino que coubesse ao mais improvável dos artífices enterrar para sempre aquela soberba: um rapaz nascido a dez mil quilômetros dali, e ali desterrado depois que a guerra, as sanções e um banqueiro judeu o convenceram a ganhar o pão, com seu talento, a meio mundo de casa. 
Desde que os nossos remadores sentaram a pá na cabeça dos vascaínos que acudiram às Laranjeiras, e dentro de campo Candiota, Nonô e Junqueira fizeram do Flamengo o único time a bater aquele Vasco das camisas pretas, por 73 anos essa gente viveu com uma única obsessão: suplantar o Flamengo. 
Em 27 de maio de 2001, com os 2 x 1 no placar, e tendo conquistado dois Brasileiros e uma Libertadores num espaço de cinco anos, tinham certeza de que esse dia estava próximo. Aos 43 do segundo tempo ruiu tudo, e aquele Vasco multicampeão seria lembrado, apenas e tão-somente, como o tri-vice-campeão, o esquadrão talentoso que tremeu toda e cada vez que decidiu contra o Flamengo. E, desde então, todo vascaíno desvia o olhar quando cruza com um rubro-negro. 
Isso foi obra de Dejan Petkovic. 
Deus te abençoe, Gringo.”

                               ( trecho do texto de Pablo Duarte Cardoso/ reprodução)

VALE OUVIR E VER ESSE GOL INESQUECÍVEL...

. NA NARRAÇÃO PELA RÁDIO!





A IMAGEM DO MOMENTO!





Torcemos para que nosso MENGO se reencontre com as vitórias, com a raça e a paixão que fazem parte do seu DNA.




segunda-feira, 23 de maio de 2016

Ninguém quis a Linda Morena, no Rio

MAIO DE 1976.


Há 40 anos uma placa de rua
deu o que falar e
foi motivo de apreensão.


Colocada numa transversal da Rua Lauro Muller, em Botafogo, com os dizeres “RUA LINDA MORENA ( música popular brasileira)”, a placa causou intranquilidade entre os moradores da área.

O temor dos moradores foi que a Prefeitura estendesse a denominação até a Lauro Muller, já que a rua não tinha, sequer, uma placa indicativa do seu nome. Daí que pretenderam a promessa de que a rua não perdesse seu nome tradicional.

A historiadora Maria Cecília Ribas Carneiro, à época, moradora da área, defendeu a permanência do nome Lauro Muller.

“ Ele foi ministro da Viação do governo Rodrigues Alves,
além de ministro das Relações Exteriores
do governo Venceslau Brás.
Um homem ilustre, afinal.
Meu pai se dava muito bem com Lamartine Babo,
a música é muito bonita,
mas tirar o nome de Lauro Muller
para colocar “Linda Morena” é ridículo.
O prefeito Marcos Tamoyo
não tem o menor senso histórico”



Mudar nome de rua, no Rio, tem vezes que não dá certo. Alguns nomes se cristalizam na preferência carioca e ... não tem jeito.

Por exemplo, tentaram mudar o nome de Rua São Clemente para Rui Barbosa, não deu certo. O mesmo já aconteceu com a Rua Real Grandeza , quando os republicanos tentaram em vão mudar seu nome para Rua Sergipe; Rua das Marrecas, se tornou Rua Juan Pablo Duarte  e voltou a ser Rua das Marrecas;  Rua dos Inválidos , foi Rua Menezes Vieira e voltou atrás. Recentemente, a Avenida Vieira Souto,  se tornou Tom Jobim, com a morte do maestro, mas o nome não pegou.
Controvérsias e discussões à parte, a Rua Lauro Muller continuou a ser Lauro Muller. Aliás, nunca houve intenção de trocar o nome. 


A homenagem à composição de Lamartine Babo só foi para nomear uma transversal. Não deu certo e hoje foi renomeada de Rua Marechal Ramon Castilla, homenagem ao peruano, figura histórica, grande marechal do Peru, considerado herói de toda a América, que chegou ao Rio em 1815 onde, ajudado por compatriotas brasileiros pode em 1817, iniciar sua grande viagem através do Brasil até atingir Lima, passsando por Cuiabá e pelo próprio planalto. Cognominado o Soldado da Lei é considerado um profundo americanista que guardou um profunda amizade pelo Brasil. Não apenas uma figura peruana, mas brasileira.


Abaixo, as fotos da mesma esquina, em 1976 e nos dias atuais.



sexta-feira, 20 de maio de 2016

Rio... as ressacas de maio

Mês de maio, no Rio é... mês de ressacas.

Todo cuidado é pouco, pois as maiores ressacas da cidade aconteceram  nesse mês. Algumas apenas com ondas belas e perigosas, algumas com grande destruição.



Ressaca dos anos 60, na praia de Copacabana, as águas invadindo a rua e chegando até os prédios.
andredecourts foton från 2004-11-09

Ressaca de maio de 1999, na Urca


As raras ressacas na Baía de Guanabara

  •  em maio de 1997 e que invadiu o Aterro do Flamengo





  • em maio de 2010, a chegada de uma forte frente fria, combinada com a passagem por um ciclone extratropical no Rio, provocando  a formação de ondas de até 10 metros aos pés do Pão de Açúcar, que possibilitou o inusitado surf de ondas gigantes cariocas.



Nos últimos tempos, as ressacas atingem mais a orla do Leblon, geralmente na altura do posto 11, encobrindo a praia, ultrapassando o calçadão e chegando a entrar nas transversais, como aconteceu muitas vezes na Avenida Afrânio de Melo Franco, tanta é a fúria do mar. Toneladas de areia são projetadas além da praia.


  • como em maio de 2001







  • como em maio de 2011


A natureza mostrando seu poder.



terça-feira, 17 de maio de 2016

Antiga loja A Triunfante, no Centro do Rio


Propaganda carioca curiosa e inusitada,
publicada em maio de 1956.
Há 60 anos

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domingo, 15 de maio de 2016

Crônicas Cariocas de Todos os Tempos...Leblon


Vale somar com o post anterior sobre o Leblon


"O fascínio que sobre mim exercem a graça e a inteligência das reflexões de Elsie Lessa fazem-me, sempre que posso, reler suas histórias, e foi numa dessas vezes que reencontrei, recentemente, a descrição de um eclipse observado ao longo da avenida da praia, por onde vinha a cronista, em marcha lenta, desde "os confins do Leblon". 
Fixei-me, surpreso e enleado, nessa referência. Entrevi, no belo cenário descrito, uma nesga entre os restos de sol de um céu azul escuro e antigo, e enfiei-me de mansinho numa tarde qualquer de 1950. 
Era, com efeito, o Leblon um dos extremos da cidade. Pra lá do canal da Avenida Niemeyer, só iam pescadores que moravam no Vidigal e alguns aventureiros motorizados à cata de um sítio ermo para seus encontros furtivos na Barra da Tijuca, então, apenas, um acidente geográfico com mar batido e enorme areal coberto por vegetação rasteira e espessa - uma espécie de jibóia entrelaçada - que fazia as vezes de leito para um ou outro casal mais afoito. 
No mergulho proustiano que empreendi, vejo-me, à noitinha, cercado de garotos como eu, sentado na calçada da praia, sob a iluminação fraca de grandes luminárias guarnecidas de arabescos, encimando meia dúzia de pesados postes de ferro, tentando adivinhar o algarismo final da placa dos automóveis. De trinta em trinta minutos passava um deles, e iniciávamos outra rodada de apostas. A quietude e a ausência quase total de transeuntes, que pudessem desviar nossa atenção, estimulavam o hábito da conversação; os assuntos, sempre os mesmos, mas as opiniões, variadas. Ainda não havíamos sido cooptados e globalizados pela tal da mídia; a televisão engatinhava, era experimental. 1984, de Orwell, não chegara ao Brasil, pelo menos na atual versão tupiniquim. 
Raros como os postes, um homem aqui, um casal acolá podiam ser vistos, de vez em quando, a passeio. Mulheres sós, nunca. Às oito e pouco, recolhíamo-nos às nossas casas. Nós e todo o mundo, que o comércio há muito tinha cerrado as portas e cessava o movimento pelas ruas. O monumental silêncio só era quebrado pelo ranger dos bondes nos trilhos, o coro lamuriento da gataria ou pela voz de uns poucos notívagos a caminho do botequim. 
Antes de tornar-se via migratória e serventia da diáspora rastaqüera e point de agito de arrivistas, intelectuais de araque e oligóides, o Leblon foi um bairro muito bacana. 
Dois ou três botecos, entre o canal e o Jardim de Alá, ficavam abertos até as onze horas, se tanto, para atender motoristas de lotação, motorneiros e boêmios. Estes últimos, sempre os mesmos velhos conhecidos, reuníam-se para falar sobre futebol e outras amenidades, e relaxar um pouco antes de ir dormir. Crianças só entravam nos bares durante o dia, para comprar balas ou dar recados. 
Não existiam cadeiras nas calçadas, carros à porta com rádio ligado alto, brutos suarentos a urrar disputando lugares, nem risos histéricos de mulher. Não havia pressa; a cerveja era servida muito gelada e podia-se pedir, no máximo, ovo cozido e pão com mortadela ou queijo. A maioria ia bater papo, e quem quisesse comer, que fosse fazê-lo em casa (comida feita com banha de porco tirada de uma lata com desenhos de coqueiros verdes). Dispensavam-se exibidos profissionais. Claro que havia babacas, que esses pululam em todas as épocas, mas ainda não predominavam... pelo menos nos botequins. 
Nada dos incensados Bracarenses da vida (já falei da liberdade de escolha, e de que as individualidades não tinham sido totalmente dizimadas?). O Recarey, quando apareceu (por volta de 56, mais ou menos, - eu já freqüentava os botecos e lembro- me muito bem-) era comim do Três Vinte, onde é hoje a Pizzaria Guanabara, sede de um desses malfadados baixos que proliferam por aí, acolhendo maltas de romeiros automatizados, flutuando a um milímetro da discórdia. 
Naqueles tempos, as pessoas encontravam diversão nos bairros em que residiam e só transitavam por outro a caminho do trabalho ou em visitas ocasionais. O Leblon não servia de acesso a lugar algum, já disse, ficava nos confins: era o extremo sul, ponto de partida ou de chegada. Uma aldeia encantada, em grande parte por esse motivo. 
No mais, sem carros, baixos, visitantes desagradáveis, as ruas eram nossas e as desfrutávamos de pés descalços, casimirianamente, donos do pedaço, até porque os adultos gastavam os dias envolvidos nos afazeres domésticos, ou na cidade. Impunha-se ir à cidade para trabalhar, ir ao dentista ou médico, para negócios de qualquer natureza e para compras maiores. Perto de casa só havia quitanda, farmácia, barbeiro, padaria e botequim. Ah! Tinha, também, o armarinho, no qual mamãe mandava comprar retrós mercerizado, com a Joana, filha do dono e irmã do Nagib, que morreu novo, coitado, e muitos terrenos baldios, também, onde se jogava bola e caçava-se rolinha, para quem se lembra disso: de terra batida, bem carecas no meio e muito capim alto roçando os muros. Como ocorre às crianças, pareciam-nos imensos, verdadeiros Maracanãs. 
Anti-sociais ou gregários, nem pensar, já que todos se conheciam muito bem. Tímidos, abusados, é certo que os havia; distribuíam-se por turmas, geralmente conhecidas pelos nomes das ruas. Algumas dessas ruas guardavam ainda suas designações indígenas originais, que, aos poucos, foram substituídas pelos nomes dos generais sul-americanos, cuja bravura livrou-nos da invasão dos marcianos e de outras graves ameaças. Uma briguinha, vez por outra, logo seguida de ruidosa confraternização, animava uma saudável rivalidade entre aquelas corriolas. 
Graças à inexistência de attaris e tamagotchis, jogava-se bola o dia inteiro. O resto do dia inteiro era curtido na praia. Mas isso, a convivência entre os ricos e os pobres da Praia do Pinto, num bairro em que preponderava a mais genuína classe média, e otras cositas mas são assuntos que demandam novos espaços, novas crônicas. 
Por enquanto, vou matando a saudade, reconfortando-me com uma primeira dose dessas coisas velhas e ricas que tive a ventura de possuir e testemunhar. Acho que precisava olhar para trás e veio-me na hora certa. Não agüento mais consumir essa vida que não pára e, ao mesmo tempo, não leva a nada. Angústia por angústia, prefiro a sofreguidão que possam causar-me essas recordações à trama diabólica que me atormenta e atrela a esse cometa estúpido, obstinado, que me carrega por onde não quero ir."

( Reprodução do livro O Antigo Leblon – uma aldeia encantada , escrito em 1999, por Rogério Barbosa Lima)



sábado, 14 de maio de 2016

Praia do Leblon em três tempos



O Morro Dois Irmãos, a Pedra da Gávea e a orla Ipanema /Leblon vista do Arpoador, em 1952

Rio de Janeiro (RJ) - [década 1950 - 1960] - Rio Antigo - Praia do Leblon - Avenida Vieira Souto - Foto Arquivo / Agência O Globo - Neg.: 32418 Agência O Globo

A praia do Leblon nos anos 1960



Final da Praia do Leblon, onde hoje tem o posto 12 e a carrocinha da Geneal, nos anos 1970


O comum nos três tempos é uma praia sem a inconveniência de barraqueiros e uma praia do bairro.



quinta-feira, 12 de maio de 2016

GMAR e a caça ao tubarão nas águas cariocas

Há 17 anos, em 1999,  foi acionado o corpo do GMar, quatro lanchas, dois botes e dezenas de mergulhadores comandaram uma caça tensa no meio da Baía de Guanabara, na Praia do Flamengo e na Enseada de Botafogo a tubarões que atacaram um mergulhador.

A ordem era usar arpões para matar o animal.

Era uma segunda-feira, dia 6 de dezembro, e o mergulhador Frederico Nóbrega, de 39 anos foi mordido na perna. A Praia do Flamengo chegou a ser interditada na terça-feira pela manha, depois que pescadores contaram ter visto "um grande peixe preto" perto da margem.  Ele havia acabado de mergulhar quando sentiu uma pancada forte e foi puxado para baixo e sangue se espalhou pela água. 
Quando o mergulhador foi retirado da água havia uma mordida de 25 centímetros em sua coxa direita. Os dentes do animal atravessaram a roupa de mergulho. Ele ficou desesperado, achou que fosse perder a perna e os médicos que o atenderam disseram que se não fosse a proteção da roupa de neoprene, o tubarão poderia ter arrancado um pedaço da coxa.
Segundo especialistas, tratava-se um tubarão de cerca de 1,80 metro, presença até então inédita, em águas cariocas.
O tubarão deve ter chegado à baía durante a maré vazante, quando entra água do oceano, de temperatura mais baixa e ficado alguns dias na baía por causa da água fria, em torno de 17º C".




O oceanógrafo David Zee, à época, criticou a operação de guerra montada.



(recorte/ jornal O GLOBO de 7/12/1999)


O tubarão ou tubarões não foram localizados.



segunda-feira, 9 de maio de 2016

Rio pro mundo...começando a semana com boa música


A gravação de 1966, há 50 anos, da canção Minha Namorada , de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, com Edu Lobo e Sylvia Telles.






sexta-feira, 6 de maio de 2016

Crônicas cariocas de todos os tempos...Dia das Mães


Rubem Braga, considerado o melhor cronista brasileiro de todos os tempos, dedica o texto abaixo, extraído do livro “A Cidade e a Roça”,  de 1964, página 57, ao Dia das Mães... embora com o final inadequado, ainda que autêntico.

Saboroso e alegre texto, homenagem do blog ao próximo domingo!

"Mãe 
O menino e seu amiguinho brincavam nas primeiras espumas; o pai fumava um cigarro na praia, batendo papo com um amigo. E o mundo era inocente, na manhã de sol.
                                
Foi então que chegou a Mãe (esta crônica é modesta contribuição ao Dia das Mães), muito elegante em seu short, e mais ainda em seu maiô. Trouxe óculos escuros, uma
esteirinha para se esticar, óleo para a pele, revista para ler, pente para se pentear — e trouxe seu coração de Mãe que imediatamente se pôs aflito achando que o menino estava muito longe e o mar estava muito forte.
                                
Depois de fingir três vezes não ouvir seu nome gritado pelo pai, o garoto saiu do mar resmungando, mas logo voltou a se interessar pela alegria da vida, batendo bola com o amigo.
 Então a Mãe começou a folhear a revista mundana — "que vestido horroroso o da Marieta neste coquetel" — "que presente de casamento vamos dar à Lúcia? tem de ser uma coisa boa" — e outros
pequenos assuntos sociais foram aflorados numa conversa preguiçosa. Mas de repente:
                                
 — Cadê Joãozinho?
                                
O outro menino, interpelado, informou que Joãozinho tinha ido em casa apanhar uma bola maior.
                                
  — Meu Deus, esse menino atravessando a rua sozinho! Vai lá,
 João, para atravessar com ele, pelo menos na volta!
                                
O pai (fica em minúscula; o Dia é da Mãe) achou que não era preciso:
                                
   — O menino tem OITO anos, Maria!
                                
   — OITO anos, não, oito anos, uma criança. Se todo dia morre gente grande atropelada, que dirá um menino distraído como esse!
                                
 E erguendo-se olhava os carros que passavam, todos guiados por assassinos (em potencial) de seu filhinho.
                                
   — Bem, eu vou lá só para você não ficar assustada.
                                
Talvez a sombra do medo tivesse ganho também o coração do pai; mas quando ele se levantou e calçou a alpercata para atravessar os vinte metros de areia fofa e escaldante que o
separavam da calçada, o garoto apareceu correndo alegremente com uma bola vermelha na mão, e a paz voltou a reinar sobre a face da praia.
                                
Agora o amigo do casal estava contando pequenos escândalos de uma festa a que fora na véspera, e o casal ouvia, muito interessado — "mas a Niquinha com o coronel? não é possível!" — quando a Mãe se ergueu de repente:
                                
  — E o Joãozinho?
                                
Os três olharam em todas as direções, sem resultado. O marido, muito calmo — "deve estar por aí", a Mãe gradativamente nervosa — "mas por aí, onde?" — o amigo  otimista, mas levemente apreensivo. Havia cinco ou seis meninos dentro da água, nenhum era o Joãozinho. Na areia havia outros. Um deles, de costas, cavava um buraco com as mãos, longe.
                                
  — Joãozinho!
                                
O pai levantou-se, foi lá, não era. Mas conseguiu encontrar o amigo do filho e perguntou por ele.
                                
  — Não sei, eu estava catando conchas, ele estava catando comigo, depois ele sumiu.
                                
A Mãe, que viera correndo, interpelou novamente o amigo do filho. "Mas sumiu como? para onde? entrou na água? não sabe? mas que menino pateta!" O garoto, com cara de bobo, e assustado com o interrogatório, se afastava, mas a Mãe foi segurá-lo pelo braço: "Mas diga, menino, ele entrou no mar? como é que você não viu, você não estava com ele? hein? ele entrou no mar?".
                                
  — Acho que entrou... ou então foi-se embora.
                                
De pé, lábios trêmulos, a Mãe olhava para um lado e outro, apertando bem os olhos míopes para examinar todas as crianças em volta. Todos os meninos de oito anos se parecem
na praia, com seus corpinhos queimados e suas cabecinhas castanhas. E como ela queria que cada um fosse seu filho, durante um segundo cada um daqueles meninos era o seu filho, exatamente ele, enfim — mas um gesto, um pequeno movimento de cabeça, e deixava de ser. Correu para um lado e outro. De súbito ficou parada olhando o mar, olhando com tanto ódio e medo (lembrava-se muito bem da história acontecida dois a três anos antes, um menino estava na praia com os pais, eles se distraíram um instante, o menino estava brincando no rasinho, o mar o levou, o corpinho só apareceu cinco dias depois, aqui nesta pr aia mesmo!) — deu um grito para as ondas e espumas — "Joãozinho!".
                                
Banhistas distraídos foram interrogados — se viram algum menino entrando no mar — o pai e o amigo partiram para um lado e outro da praia, a Mãe ficou ali, trêmula, nada mais existia para ela, sua casa e família, o marido, os bailes, os Nunes, tudo era ridículo e odioso, toda essa gente estúpida na praia que não sabia de seu filho, todos eram culpados
 — "Joãozinho !" — ela mesma não tinha mais nome nem era mulher, era um bicho ferido, trêmulo, mas terrível, traído no mais essencial de seu ser, cheia de pânico e de ódio, capaz de tudo —
"Joãozinho !"
 — ele apareceu bem perto, trazendo na mão um sorvete que fora comprar. Quase jogou longe o sorvete do menino com um tapa, mandou que ele ficasse sentado ali, se saísse um passo iria ver, ia apanhar muito, menino desgraçado!
                                
O pai e o amigo voltaram a sentar, o menino riscava a areia com o dedo grande do pé, e quando sentiu que a tempestade estava passando fez o comentário em voz baixa, a cabeça curva, mas os olhos erguidos na direção dos pais:
                                
— Mãe é chaaata..."



                                    

                                    

terça-feira, 3 de maio de 2016

1966...Surf Board no Rio

1966, há 50 anos, se consolida a segunda geração da Bossa Nova, na realidade o surgimento do que se convencionou chamar de MPB.

"Existia uma confluência de gêneros, era um movimento musical atrás do outro, uma grande onda de criatividade começando a botar a cara",
                                           
relembra o músico Roberto Menescal.



Pra recordar um pouco... do antológico LP de 1966, de Roberto Menescal...
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