terça-feira, 22 de setembro de 2020

PRIMAVERA NO RIO...


 O grande Braguinha, 
bem falou nos seus versos 
sobre a primavera no Rio.

E surgiram várias regravações dessa linda marcha, em diferentes épocas.


. A gravação pioneira, de 1934, de Carmem Miranda.



. A gravação da cantora Marlene e também da cantora Emilinha Borba




. A atriz Eliana canta no filme da Atlântida, Sinfonia Carioca em 1955



. Dalva de Oliveira também gravou a canção



. E também a cantora Miúcha








sexta-feira, 18 de setembro de 2020

O ESPELHO: revista carioca e semanal do século XIX

 

O Espelho 
é um exemplo de periódico que, 
apesar de não ter circulado 
por mais de seis meses, 
marcou a sua época. 

capa da edição n° 1


Foi editado sob a responsabilidade de F. Eleuterio de Souza, no Rio de Janeiro, sempre aos domingos, a partir de 4 de setembro de 1859, pela Typographia de F. de Paula Brito. 

Seu último exemplar, o de número 19, foi impresso pela Typ. Commercial de Regadas, a 8 de janeiro de 1860. Nele pode ser encontrado um panorama da vida cultural do Segundo Reinado, em parte graças a sua equipe de colaboradores, entre os quais Machado de Assis (1839-1908), Moreira de Azevedo, Silva Rabello, Macedo Junior (José Joaquim Candido de Macedo Junior), Justiniano José da Rocha e, eventualmente, Casimiro de Abreu (1839-1860)..

É na Divisão de Obras Raras da Biblioteca Nacional, que se encontram os originais desta coleção. 

O seu primeiro editorial, entitulado “Prospecto”, faz uma reflexão, sobre a imprensa, esta “grande seita fundada por Guthemberg”. Um subtítulo extenso e abrangente quer mostrar que a revista tem finalidade.


“Variada, mas de uma variedade que deleite e instrua, que moralize e sirva de recreio quer nos salões do rico, como no tugurio do pobre. Para este fim temos em vista a publicação dos romances originaes ou traduzidos, que nos parecem mais dignos de ser publicados, artigos sobre litteratura, industria e artes, poesias, e tudo quanto possa interessar ao nosso publico e especialmente ao bello sexo. Tambem publicaremos o que de novo apparecer sobre modas e opportunamente daremos os mais modernos figurinos, que de Paris mandaremos vir, e bem assim retratos e gravuras.”


É no segundo número do periódico que Machado de Assis (1839-1908) passa a ter sua primeira coluna fixa, a “Revista de theatros”, onde apresenta críticas teatrais com a assinatura de M.-as. Nas páginas d’O Espelho aparece um poema de sua autoria intitulado “A. D. Gabriella da Cunha”, uma atriz portuguesa. 

Na edição de n° 10, 
pesquisa recente encontra um texto, 
considerado inédito, de
 Machado de Assis, que fala sobre D. Pedro II

Apesar de não assinado, por que afirmar que o texto é de Machado de Assis?
São apontadas características marcantes do estilo da escrita, inclusive a ironia fina de Machado e também o fato  da localização do texto na edição. Sempre foi por ali que os textos de Machado foram publicados.

Vale ler e saborear!













O filme que batizou um jardim carioca



O filme que deu nome ao jardim 
que divide Leblon de Ipanema, 
JARDIM DE ALAH 
foi uma
produção de David O. Selznick 
e o primeiro filme de Marlene Dietrich 
em Technicolor, 1936.




Um filme sobre duas almas perdidas em busca do seu destino e do sentido para as suas vidas.
Tão simples, delicado e sentimental, que chega a ser encantador, auxiliado pelo fascínio criado pela paisagem. Marlene Dietrich e Charles Boyer mostram boa química e estão muito convincentes nos seus personagens, alinhavado por bela e exótica música, do grande Max Steiner.






Veja e curta!



terça-feira, 15 de setembro de 2020

Celeste Modas, recordando a moda carioca




Inaugurada 
em 18 de dezembro de 1948, 
a Celeste Modas
foi uma tradicional loja de roupas femininas 
no Rio de Janeiro. 



Vamos relembrar!

Fundada por  Celeste da Veiga Teixeira Lopes, portuguesa  da região de Trás-os-Montes, nasceu em 12 de janeiro de 1918 e veio jovem para o Brasil.

Quando Celeste era pequena, a família se mudou para Moçambique, onde o pai, Antônio, gerenciava uma fazenda. Nesse período Celeste e a irmã estudavam em colégio interno, mas passavam alguns fins de semana na fazenda com a família. O pai, entretanto, descobriu que os sócios em Portugal lhe haviam roubado e que estava falido. O fato gerou a morte do pai e a família voltou pra Portugal. À época Celeste tinha em torno de 13 anos. Ela nunca se acostumou com a vida em Portugal. Aos 23 anos resolveu vir com a irmã mais nova para o Brasil. Na época ainda estava em vigor o decreto 19.482, de 12 de dezembro de 1930, que limitava a entrada de estrangeiros no país. Eles tinham que se submeter, entre outras restrições, ao sistema de “cartas de chamada”, no qual um dos documentos necessários para a entrada no Brasil era uma “carta-convite” de um parente já residente no país, que ficava responsável pela vinda do futuro expatriado, por dar suporte financeiro, e lhe arranjar emprego. Entretanto, a partir de 1941, a política de imigração no Brasil passou a conferir um benefício aos cidadãos lusos, que não precisavam mais solicitar vistos provisórios e permanentes.

Celeste e a irmã Hermínia chegaram ao Rio no dia 7 de maio de 1941, na embarcação Serpa Pinto vinda do Porto, em Portugal.

Inicialmente as duas moraram com o tio. Entretanto, a prima Odete fez um comentário sobre elas viverem “às custas” do pai dela, o que mexeu com o orgulho de Celeste, que então foi procurar emprego e se mudou com a irmã para uma pensão no Centro. Esse emprego foi de vendedora n’A Imperial, uma das casas de moda feminina mais elegantes do Rio na época, e, em pouco tempo,  Celeste se tornou uma das principais vendedoras da casa e muito estimada pelo dono sr. Eduardo Alijó.

Um detalhe:  ele lhe deu de presente de casamento o vestido de noiva e uma cliente no dia do casamento -  mme. Severiano Ribeiro - fez uma surpresa à Celeste. Como Celeste havia mencionado que não teria dama de honra pois não havia crianças na família, ela levou sua filha mais velha à Igreja devidamente vestida e segurando um pequeno arranjo de flores, para esta ser a dama do casamento de Celeste.

Celeste conheceu o marido José Ferreira Lopes na pensão onde os dois almoçavam no Centro da cidade. José era um dos sócios d’A Moda, junto com os irmãos Manoel e Alves, e os primos Domingos e José Moltinho da Silva. Os dois se casaram em 1946, e foram morar em Botafogo, na rua Bambina. Depois do casamento, Celeste parou de trabalhar, uma prática comum na época. No ano seguinte, nasceu a filha Maria Cecília. Quase dois anos depois do casamento, o cunhado Manoel, irmão mais velho de José e sócio da loja A Moda, a convidou para uma sociedade que daria início à Celeste Modas.

Manoel Ferreira Lopes morava em Copacabana, numa casa na Rua Bolivar nº 125, com a mulher Javir e o filho Paulo. Segundo relatos, ele era como um patriarca da família Ferreira Lopes no Brasil. Manoel tinha vários terrenos em Copacabana. Na época do desenvolvimento imobiliário do bairro, Manoel fez acordos com construtoras e, em troca, ficava com imóveis nos prédios. 


Esse foi o caso da Avenida Copacabana 876, onde a Celeste Modas foi inaugurada em 18 de dezembro de 1948: Manoel ficou como proprietário da loja, do apartamento atrás da loja -  onde foi morar Celeste com o marido e a filha -  e ainda alguns apartamentos nos andares superiores


D. Celeste, ao centro, de vestido escuro



O imóvel tinha um ponto estratégico para uma loja: 
ficava ao lado da Confeitaria Colombo,  
uma referência no bairro, 
 onde às tardes se ia tomar um chá, 
como pôde ser observado em notas 
em colunas sociais dos jornais da época.


A Celeste Modas foi, desde sua constituição, uma empresa familiar. A loja tinha 120 m², e não possuía um espaço reservado para atender representantes, de forma que isso era feito no apartamento da família, que ficava nos fundos , quebrando a barreira entre espaço de trabalho e domiciliar. Os filhos também ajudavam desde pequenos, como por exemplo, faziam os embrulhos de presente durante o período de Natal .

A criação de um  salão na loja, no final dos anos 1950 
Em 1956, a família saiu do apartamento nos fundos da loja e foi para um apartamento próprio na Avenida Atlântica. E o apartamento se tornou a continuação da loja, se transformando num salão.
Um exemplo, símbolo dos mais significativos que denotou requinte. Ele trouxe um lugar de recepção destinado à conversação.  O salão da Celeste Modas não tinha a função de apresentação das roupas em modelos vivos – não havia isso na Celeste Modas e em nenhuma casa de Copacabana, mas o salão era um espaço ainda mais exclusivo, onde d. Celeste recebia as clientes, e onde essas clientes se sentiam prestigiadas por ganhar uma atenção especial da dona do estabelecimento. Além disso, no armário do salão ficava guardada toda a seleção de roupas habillé, o que dava um toque ainda mais sofisticado e especial ao espaço. Você se sentia na loja, como se fosse uma casa.


A simpatia e a delicadeza no atendimento.
D. Celeste leva, até à porta, Marta Rocha.




O segredo do sucesso e grande diferencial 
da Celeste Modas 
era a habilidade em vendas 
e carisma da d. Celeste.



A decoração foi outro ponto de destaque. Na Celeste Modas, os balcões eram decorados com um trabalho de marcenaria em alto relevo, e pintados de azul “celeste” claro, quase cinza.



Balcões em marcenaria com relevos e nichos iluminados nas paredes




A estrutura da vitrine foi outro ponto importante na construção da distinção, pois ela vedava o interior da loja: tinha uma cortina e dessa forma, da rua não se podia ver o interior da loja, deixando o ambiente mais reservado, uma característica típica das butiques francesas antigas.




Outros pequenos detalhes no estabelecimento contribuíam para a imagem de requinte. Um deles eram os embrulhos. Eles obedeciam a identidade visual da loja, que nessa época era toda azul e branca. Os embrulhos eram feitos em papel azul com papel azul fino por dentro. As caixas de presente eram de cartolina grossa creme, com um friso azul escuro nas extremidades da tampa, e a logomarca da Celeste Modas (que era a assinatura da d. Celeste) também em azul escuro.

antigo papel de presente com a marca e o fundo azul celeste


A Celeste Modas era chique para a classe média e média-alta que morava em Copacabana, principalmente se comparada ao que existia no bairro na época em que foi fundada, mas ela não atingia por completo a alta sociedade do Rio de Janeiro. Isso deve-se também ao fato de que o próprio bairro de Copacabana, conforme visto anteriormente, apesar de ter seu imaginário simbólico construído através de uma imagem de aristocracia, na verdade atraía a classe média, principalmente de outros bairros tradicionais do Rio de Janeiro como a Tijuca, Madureira, etc.

A casa atingia principalmente os políticos no poder e o café society: a burguesia ascendente, a classe média-alta, as misses e celebridades do rádio, posteriormente da TV.






Alguns cliente habitués da casa

  • Getúlio Vargas comprava com d. Celeste  no final de ano, onde ia comprar todos os presentes de Natal. para a esposa, para a filha, para o pessoal que trabalhava com ele, para as secretárias.
  • presidente Dutra comprava bolsas para dar de presente à mulher, dona Carmela.
  • Carlos Lacerda também era um dos clientes
  •  a atriz Eva Tudor; a atriz Marcia de Windsor, Martha Rocha,a também  miss, Terezinha Morango

Aliado a todos os itens mencionados que faziam a Celeste Modas ser percebida como uma casa chique, e que contribuíram para seu sucesso, não podemos esquecer de um igualmente importante: o produto. 





A Celeste Modas comprava os itens mais básicos E as roupas mais refinadas, como tailleurs de shantung, vestidos de seda, entre outros eram feitos internamente ou por costureiras contratadas, mas sempre a partir de itens comprados fora e/ou inspirados nas criações dos costureiros parisienses. Esses itens mais finos, de apresentação e confecção impecável, atingiam os padrões de elegância e bom gosto da época e eram seu chamariz. Além das boas costureiras que consertavam, faziam bainha, apertavam, alargavam, a Celeste Modas tinha  também um alfaiate, o sr. Costa,  que fazia tailleur como ninguém.


Curiosidades

  • Na Celeste Modas  as peças eram únicas. Não tinha uma peça igual à outra. Ninguém corria o risco de chegar a uma recepção e encontrar modelo igual ao seu. 
  • Havia também ações promocionais feitas pela loja diretamente com as clientes. As vendedoras da Celeste Modas eram instruídas a ligar nos aniversários para desejar felicidades, e enviar cartões de Natal, o que servia para estreitar ainda mais os laços das clientes com a loja.
  • Dois documentos guardados pela família confirmam essa prática: o cartão assinado por Sarah Kubitschek, datado de 18 de outubro de 1956, no qual a Primeira Dama “sensibilizada agradece as congratulações enviadas por ocasião de seu aniversário” ; e o telegrama enviado por João Goulart em 28 de maio de 1957, agradecendo “sensibilisado amável interesse dispensado meu estado saúde durante enfermidade me acometeu”.
  •  D. Celeste também sempre pensava em mimos para presentear as clientes no fim de ano, o que ajudava a aproxima-las ainda mais da casa. como agendas de telefone, escovinhas de roupa, lenços embrulhados em caixa de fósforo da loja, cadernos de biriba, capuz de plástico (para as senhoras não estragarem o penteado na chuva), entre outros


  • Outra prática da Celeste Modas que privilegiava as clientes era o “caderninho de conta”, que acabou se tornando outro método promocional da casa. Nos anos 1950 ainda não existia crediário ou cartão de crédito, então a Celeste Modas instituiu, para as clientes fiéis, o “caderninho”, que era simplesmente onde a casa anotava o valor devido pela cliente, criando um método informal de parcelamento das compras. Os valores das parcelas não eram fixos, e sim combinados com cada cliente. Entretanto, ao retornar no fim do mês para quitar parte da conta, a cliente acabava comprando mais, então a conta nunca fechava. 

Numa época em que ainda não se falava 
em marketing, ou branding, 
essas práticas foram pioneiras 
e extremamente criativas e inovadoras.


Celeste da Veiga Teixeira Lopes morreu em 17 de outubro de 1999 aos 82 anos. 
A Celeste Modas da Avenida Nossa Senhora de Copacabana 
fechou no início dos anos 2000.


quinta-feira, 10 de setembro de 2020

sábado, 5 de setembro de 2020

Arpoador de outros tempos...



Pra saborear...
















sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Em tempos de saúde...



"A ignorância é uma calamidade pública ..."

Essas palavras são do Dr. Miguel Couto, primeiro ministro da Saúde do Brasil. 


Terceiro ocupante da Cadeira 40, da Academia Brasileira de Letras,  Miguel Couto foi eleito em 9 de dezembro de 1916, na sucessão de Afonso Arinos.

Ainda antes da Revolução de outubro de 1930, proferira Miguel Couto, na Associação Brasileira de Educação, a 2 de julho de 1927, uma conferência em que apresentava um projeto sobre educação, largamente distribuído em todas as escolas normais e institutos profissionais da então Capital Federal. Era sugerida, nesse documento...

 ... a criação do Ministério da Educação, 
com “dois departamentos: o do ensino e o da higiene”.

QUANTA SABEDORIA!

REMEXENDO NO BAÚ... há dez anos...
Saiba outras curiosidades sobre esse carioca ilustre...clique AQUI.

sábado, 29 de agosto de 2020

Remexendo no baú carioca... o primeiro arranha-céu da orla


Antigo Edifício OK, 
atual Edifício Ribeiro Moreira.





Sua entrada, portaria e o art déco. 



Edifício Ribeiro Moreira de 1928... - Rio - Casas & Prédios ...   Portaria do Ribeiro Moreira. A porta do... - Rio - Casas & Prédios ...


Diário da Joaquina: ART DÉCO NO RIO DE JANEIRO

Saiba mais, (re)lendo a história.... AQUI



quarta-feira, 26 de agosto de 2020

A tradição do Grande Prêmio Brasil


O Grande Prêmio Brasil
acontece no Rio desde 1933,
sempre no mês de agosto.




O Jockey Club Brasileiro foi fundado em 1932, com a junção dos dois clubes promotores de corridas de cavalos do Rio de Janeiro: o Derby Club e o Jockey Club. Seu primeiro presidente foi o Dr. Lineu de Paula Machado,(foto ao lado) grande entusiasta e promotor do turfe no Rio de Janeiro.

A reunião inaugural do JCB foi realizada em 29 de maio do ano de sua fundação, no recém-construído Hipódromo da Gávea. Antigamente chamado de Hipódromo Brasileiro, sua pista e tribunas foram inauguradas seis anos antes da fusão dos dois clubes, em julho de 1926.


À época Linneo viajava muito para a Europa, e era substituído em suas ausências pelo benemérito Adhemar Faria, que era o Diretor Secretário.



filme de 1926


O Dr. Adhemar era muito amigo, desde quando cursaram juntos a faculdade de Direito, de outro benemérito do turfe brasileiro, Antônio Joaquim Peixoto de Castro Júnior, o fundador do Haras Mondesir. 

O Dr. Peixoto era o concessionário da Loteria Federal, e com o Dr. Adhemar, inventaram o que foi chamado de Sweepstake, que consistia em um sorteio preliminar de todos os bilhetes pelo número de concorrentes ao então novo Grande Prêmio Brasil. Cada concorrente defendia um bilhete, e o dono do bilhete fazia jus a um prêmio excepcional para a época, 300 contos de réis. Aguardaram a chegada do Dr. Linneo que estava na Europa, já com o plano completo do tal Sweepstake. A princípio o Dr. Linneo relutou, seria um passo temerário, mas acabou concordando, e daí veio um sucesso incomensurável.

O primeiro GP Brasil com o Sweepstake a grande promoção da Loteria Federal até para o estrangeiro, lotou por completo todas as dependências do JCB.

Loteria Federal do Brasil. Grande Sweepstake de 1947. G


Os históricos anúncios da Loteria Federal – Memorial do Consumo



Portal de Loterofilia

E desde 1933 até o ano passado foram disputados 86 vezes o GP Brasil. Através dos anos, participaram e até venceram animais do Uruguai, da Argentina, do Chile e da França. Das 86 provas já disputadas, os cavalos brasileiros venceram 56 vezes. Albatroz, Helíaco, Village King e Zenabre venceram duas vezes. Um argentino, Gualicho, também venceu duas vezes.

Entre os treinadores,
Ernani de Freitas venceu 6 vezes, D. Guignoni 5 vezes, e S. D´Amore, V. Nahid e Oswaldo Feijó 3 vezes cada. 

Quanto aos jóqueis,
 Juvenal Machado da Silva venceu 5 vezes. 
Quanto aos proprietários, 
os Haras São José e Expedictus em conjunto com o Stud Paula Machado venceram 6 vezes, o Haras Santa Maria de Araras venceu 4 vezes, e com 3 vitórias o Haras Santa Ana do Rio Grande


Em tempo: 
. a promoção do Sweepstake foi interrompida, contra a vontade do JCB.
. o Jockey Clube Brasileiro em função da atual situação, resolveu adiar a realização do Grande Prêmio Brasil para 27 de setembro de 2020.


domingo, 23 de agosto de 2020

Prédios antigos que contam a história da cidade



Muitas construções antigas do Rio se vão, 
outras poucas permanecem.


É o caso do tradicional Edifício Ceres, na avenida Vieira Souto, 572, em Ipanema. O Ceres, hoje com quase 70 anos, é uma das construções antigas mais belas da praia de Ipanema.



Pertenceu ao fazendeiro português Antônio D'Oliveira Carvalho e por lá morou com a esposa e seus nove filhos.
No início da década de 1950, Antônio resolveu demolir a residência para construir um edifício e distribuir os apartamentos entre seus nove filhos.

Em 1952, o prédio ficou pronto e foi batizado de Ceres em homenagem à deusa romana das plantas que brotam e do amor maternal. Na entrada, há um mural de pastilhas representando a Ceres em meio aos laranjais, que eram produzidos nas fazendas de Antonio.

O edifício tem apenas 5 andares e 15 apartamentos com cerca de 150 metros quadrados cada.


quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Anos 60...Rua Jaceguai, 27, onde nasceu boa música!


A Rua Jaceguai, 27, perto da Praça Varnhagen, 
no tradicional bairro carioca da Tijuca, 
abrigou um imóvel de dois andares 
que se tornaria importante para a MPB.





Foi por lá que nasceu -  na casa do médico psiquiatra Aluízio Porto Carreiro de Miranda  e sua esposa Maria Ruth -  um movimento artístico-cultural no final dos anos 60:  o MAU, MOVIMENTO ARTÍSTICO UNIVERSITÁRIO.

Em torno de 1961, Aluízio -  instrumentista do Cassino da Urca (década de 1940) e da Rádio Mayrink Veiga, na década de 1950 -  começou reunindo antigos companheiros e a partir daí a fama da boa música foi-se estendendo.  O casal começou a fazer rodas de violão e de bate-papo, frequentadas por Bororó, Cartola, Donga, João do Vale e Nássara.

Não demorou muito para que as filhas adolescentes, Regina e Angela, passassem a convidar os amigos. E assim, a nova geração passou a se encontrar  por lá, tendo o próprio Aluizio ao violão.

A casa foi ficando superlotada, os violões passando de mão em mão, enquanto era servida batida de maracujá feita num panelão e distribuída pelos copos com concha de feijão. Em ambiente de descontração, as pessoas cantavam em coro, até mesmo músicas proibidas na época, como "Guantanamera" e "Canção do subdesenvolvido".


As reuniões, sempre às sextas-feiras. 




Eram saraus, com violões e cantoria espontânea, nas quais os compositores mostravam suas músicas uns aos outros, em clima de incentivo à criatividade. O movimento gerou os Festivais Jaceguai, do Instituto de Educação. 

Seus principais integrantes, à época ainda universitários, foram

Ivan Lins, Gonzaguinha, Aldir Blanc, César Costa Filho, Sílvio da Silva Júnior, Sidney Mattos, Cláudio Cartier, Otávio Bonfá, Márcio Proença, Paulo Emílio, Cláudio Tolomei, Marco Aurélio, Sidney Matos e Ivan Wrigg. 
 Costumavam aparecer também
Nelson Panicali, Eduardo Lages, Ricardo Pontes, Wanderley Cunha, Darcy de Paulo, Wagner, Paulo Assis Brasil, José Mauro, Rolando Begonha Faria, Lucinha Lins, Flávio Faria, Luna Messina, Suzana Machado, Célia Vaz, Léa Penteado,  Omar, Adilson Godoy e Sílvia Maria. 

Os principais nomes do movimento participaram do Festival Universitário (que no início estava associado à TV Tupi do Rio de Janeiro), no final dos anos 60, e que foi vitrine do movimento.

Desde o início, as composições dos membros do MAU não estavam presas a um estilo fixo, ou seja, havia uma independência entre os seus membros tanto nos campos da estética quanto da política.

No I Festival Universitário da Canção Popular,  da Tupi, as 3 canções classificadas dos membros do MAU refletiram esta diferença.


  • Uma toada  - “Pobreza por Pobreza” (Gonzaguinha), defendida pelo próprio autor, continha todos os principais elementos da canção de protesto, pois tratava das dificuldades do sertanejo nordestino.
  • Um samba - “Meu Tamborim” (César Costa Filho e Ronaldo Monteiro dos Santos), conseguiu o 3º lugar, defendida por Beth Carvalho


  • Um partido alto  -  “Até o Amanhecer” (Ivan Lins e Waldemar Correia dos Santos)  que obteve o 5º lugar , defendida por Ciro Monteiro. 


Apesar das 4 edições do festival da Tupi (1968-1971) obterem pouca penetração popular e serem alvo de comentários que questionavam a qualidade musical dos mesmos, o seu papel para a divulgação dos membros do MAU foi vital.

Na segunda edição, em 1969, Gonzaguinha obteve a primeira colocação com “O Trem”, uma toada de protesto que retrata o sofrimento dos trabalhadores rurais e urbanos e dos desempregados, mas que enfrentou uma vaia estrondosa quando foi anunciada como a vencedora.



A favorita foi  a vibrante ( e para a qual eu torci!) "Mirante" , de Cesar Costa Filho e Ronaldo Monteiro de Souza, defendida por Cesar Costa Filho e a cantora Maria Creuza.





Ainda em 1969, o MAU desponta no IV FIC, Festival Internacional da Canção, realizado pela Rede Globo. Silvio da Silva Jr. e Aldir Blanc concorreram com “Serra Acima”, interpretada pelos Três Morais, que chegou à final.

Todavia, César Costa Filho conquistou o 3º lugar com “Visão Geral”, composta em parceria com Ruy Maurity e Ronaldo Monteiro de Souza.

“A rosa prosa bela
vem na primavera
e o jornal da tela
noticia a guerra” 





No Festival Universitário da Tupi de 1970, segundo Aldir Blanc e Silvio da Silva Junior, surge a canção-síntese do MAU: “Amigo é para essas coisas”, na interpretação do grupo MPB 4 e 2º lugar no Festival.


Também, os grande intérpretes da nossa MPB passaram a defender músicas do MAU nos festivais e a gravar essas e outras composições inéditas do grupo. 

Além do Soul e do Pop, a grande sensação do V FIC, em 1970,  foi o MAU. Premiados com o 2º lugar  - “O Amor é o Meu País”, de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza -  e com 4º lugar  - “Um Abraço Terno em Você, viu Mãe” , de Gonzaguinha -  e da classificação de “Diva” , de Aldir Blanc e César Costa Filho, o MAU chamou a atenção da TV Globo e das gravadoras.


Rapidamente a Rede Globo tentou recuperar o gênero musical na televisão brasileira, que estava desgastado desde o final da década de 1960. A nova empreitada global, se chamaria “Som Livre Exportação”, com a produção e direção de Solano Ribeiro, Walter Lacet e Eduardo Athayde.

Em 03 de dezembro de 1970, “Som Livre Exportação” estreava no horário nobre das quintas-feiras.

Contudo, os índices de audiência dos 4 primeiros programas desanimaram. Focar o MAU e os novos nomes não foi o suficiente para garantir uma espetacular audiência.  O principal patrocinador, a SHELL, sugeriu a contratação de Elis Regina como apresentadora fixa ao lado de Ivan Lins.

No início de 1971, a Rede Globo e a CBD (Companhia Brasileira de Discos) passam a dar uma maior atenção a Ivan Lins em relação aos outros membros do MAU e ele se tornou a imagem do programa e  alvo dos críticos, que o acusavam de “produtor musical de massa”.  Ivan Lins tornou-se um músico calcado na televisão, principalmente com a introdução de suas composições nas novelas globais.




Seu primeiro Lp “Agora” (Forma, 1971) chegou ao primeiro lugar no IBOPE, atingindo a marca de 70.000 cópias vendidas e




“Madalena”, (Ronaldo Monteiro de Souza e Ivan Lins) interpretada por Elis Regina, despontou.



Na renovação de contratos, somente Ivan Lins, César Costa Filho e Gonzaguinha foram mantidos. Com isso, o desaparecimento do MAU era previsível. No final de fevereiro, Ivan Lins anunciou a sua saída do MAU. Além de alegar falta de tempo, Ivan Lins justificou a sua saída através de criticas ao posicionamento do MAU em relação ao repertório e ao sucesso comercial.

Mas não demorou muito : o “Som Livre Exportação” foi cancelado em agosto de 1971, após o rompimento do contrato entre a emissora e Ivan Lins.

Pouco mais tarde Aldir Blanc fez a mesma trajetória e vários outros. Saíram do MAU. Estava decretado o fim do movimento, dos jovens egressos da Jaceguai  que vestiam coletes azuis( como podem ver no vídeo acima com todos em torno do piano de Ivan Lins, no Maracanãzinho,  no FIC de 1970).



terça-feira, 18 de agosto de 2020

Moradias...ontem e hoje


Curiosos anúncios de imóveis há 65 anos...






´

O palacete não resistiu muito.
Em 1959, nessa esquina se construía um prédio de luxo, 
e suas unidades foram colocadas à venda nos classificados;



As duas esquinas hoje são ocupadas por dois edifícios. 

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Hoje,  o Edifício Cesar


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Hoje, o Edifício Bonaparte



sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Outra casa que se foi em Copacabana...

..
... na esquina da 
Av. Rainha Elizabeth com a Av. Atlântica.

Foi a  casa do empresário Oliveira Júnior, dono de duas famosas marcas no Rio do passado: o Sabão Aristolino e o Xarope Grindelia de Oliveira Júnior. 

O Aristolino foi um sabonete líquido medicinal, o primeiro sabonete líquido fabricado no país, desde o início dos anos 1900.

Grindélia Oliveira Junior - 1917 - Propagandas Históricas ...



A casa, na realidade era um palacete que foi construído tardiamente, somente em 1930, enquanto as demais casas da região foram, na maioria, da década de 1910.  A casa em estilo eclético, que flerta entre o Fiorentino, e o Neo-Gótico, era toda revestida de pedras, revestimento de grande durabilidade empregado em várias outras casas do bairro, como o castelinho da Veplan e a famosa casa de pedras da Santa Clara (demolida em 2013).


Na foto abaixo, como pano de funo de um jogo de peteca, está a casa de pedras o empresário Oliveira Jr


foto Fernando Moura Peixoto



  A família Klabin sentada na areia. Atrás o palacete de Oliveira Jr




O palacete contava inclusive com uma sala com equipamentos de ginástica, uma raridade e luxo em uma época onde não ainda existiam as academias atuais. Contudo, a casa do empresário teve uma duração bastante efêmera, tendo permanecido naquela esquina por apenas cerca de 20 anos. Com a morte do empresário, a família perdeu tudo e  a casa foi demolida já no início da década de 1950. Foi vendida e veio abaixo rapidamente, e a sua filha única viveu desde então com um padrão de vida bem mais modesto, tendo falecido em um pequeno apartamento de quarto e sala, em Copacabana. No lugar do palacete, foi construído o edifício Rei Alberto  - entre1953 e 1955 - , cujo endereço é Av. Atlântica número 4098.

Hoje, esse edifício é vizinho ao edifício Vila Alba   Av. Atlântica número 4112. Na esquina oposta , fica o edifício Egalité, Av. Atlântica 4066.





Curiosidade: 

Surgida em julho de 1924 no Rio de Janeiro, Aristolino foi  uma revista de distribuição gratuita e tratava-se de um periódico  de propaganda do sabão - os editores eram Oliveira Júnior & Cia., do Laboratório Pharmaceutico de Oliveira Junior &Cia. Ltd., nome do farmacêutico responsável e proprietário - oferecendo matérias sobre produtos e sua influência na aparência e na saúde.

 Para se tornar assinante bastava enviar o endereço completo para o endereço indicado no expediente, à rua Dois de Dezembro, n. 77. Era impressa na Livraria, Papelaria e Litho-Typographia Pimenta de Mello & Cia., localizada na rua Sachet, 34 -  atualmente Travessa Ouvidor -  e tinha periodicidade semestral.

O subtítulo de Aristolino no primeiro número era revista de informações, literatura e variedades.A coleção da Biblioteca Nacional é formada por seis exemplares que podem ser consultados através da Hemeroteca Digital.

O primeiro exemplar não publicou editorial. 



O segundo, entretanto, inicia com uma carta com o título de Ao leitor. Nela os editores partilham a alegria com o sucesso alcançado no primeiro exemplar e falam da motivação em continuar com a empreitada.




As capas de Aristolino, coloridas, apresentavam sempre a pintura de belas mulheres.





Nas páginas internas, elas também marcaram presença. Atrizes de cinema ou teatro, da Europa ou da América. Suas imagens eram sempre relacionadas aos efeitos positivos proporcionados pelo uso dos produtos do laboratório farmacêutico. Em alguns casos é possível encontrar também, junto a foto, o registro das palavras endereçadas ao Sr. Oliveira Junior, em agradecimento ao sucesso decorrente do uso do produto.

Nas páginas de Aristolino também consta a propaganda de um concurso oferecido aos consumidores dos produtos do Laboratório. Semestralmente eram sorteados entre os que faziam uso dos produtos, um carro ou créditos em mercadorias nas lojas indicadas. Cada exemplar da revista recebia um número, que se repetia em um cupom a ser destacado, preenchido e enviado ao editor.

Em suas páginas, calendários, fases da lua e vários artigos sobre agricultura e melhor qualidade de vida. Entremeados a estes artigos, em páginas repletas de reproduções de telas de mulheres famosas, estão publicados poemas de autores como Olavo Bilac (1865-1918), Alberto de Oliveira (1857-1937), Pedro de Alcântara (1825-1891) – ex-imperador do Brasil, Fagundes Varela (1841-1875), Luiz Guimarães Junior (1845-1898), Raimundo Correia (1859-1911), Coelho Netto (1864-1934);
também contos de Arthur Azevedo (1855-1908) e Malba Tahan (1885-1921).


Dos poemas publicados nas páginas de Aristolino, 
destacamos um soneto do ex-Imperador do Brasil.



"Terra do Brasil

Espavorida agita-se a creança,
De nocturnos fantasmas com receio,
Mas se abrigo lhe dá materno seio
Fecha os doridos olhos e descança.

Perdida é para mim toda a esperança
De volver ao Brasil; de la me veio
Um pugillo de terra; e nesta creio
Brando será meu somno e sem tardança...
Qual o infante a dormir em peito amigo
Tristes sombras varrendo da memória,
Ó doce pátria, sonharei contigo!

E entre visões de paz, de luz, de gloria,
Sereno aguardarei no meu jazigo
A Justiça de Deus na voz da história!"