quarta-feira, 22 de maio de 2019

Remexendo no baú do blog...surgia o shopping



Foi num mês de Maio, em 1974, há 45 anos,
 que surgia, timidamente,  
o conceito de shopping no Rio


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A imagem pode conter: atividades ao ar livre


Na foto acima, vemos o prédio do Cassino Atlântico, na Av. Atlântica esquina com a Rua Francisco Otaviano, que funcionou até 1945, quando foi proibido o jogo no Brasil pelo Pres. Eurico Dutra. 
Em 1953, este prédio passou a ser a sede da TV Rio, canal 13. Onde ficou até 1970.



A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e atividades ao ar livre


Em 70, ele foi demolido para dar lugar ao Palace Hotel, que foi inaugurado em 1980 com um show de Frank Sinatra; depois virou Hotel Sofitel. 
No térreo, funciona o Shopping Cassino Atlântico até hoje.




o anúncio de página dupla no jornal O GLOBO,
de lançamento do empreendimento
da VEPLAN RESIDÊNCIA





domingo, 19 de maio de 2019

Crônica Carioca de Todos os Tempos_Rachel de Queiroz_1959


Na edição da revista O CRUZEIRO de 30 de maio de 1959, há 60 anos, a interessante crônica de Rachel de Queiroz, na tradicional última página da revista.
 ( grafia original)

"Questionários 

Começou o ano de 1959, estava tardando: lá vem o amigo dos questionários (que se assina J. A. Côrrea, de São Paulo). Êle insiste porque sabe que o êxito é certo, os leitores ficam alvoroçados muita gente se interessa por responder também, ou discutir as respostas dadas. Acho que é coisa da natureza humana isso de gostar de ser interpelado e responder, explicar-se, nem que seja para sofrer. Não fôsse assim, como é que os entrevistados em certos programas de televisão se prestariam a expor-se num verdadeiro pelourinho, respondendo a indagações que, ou são indiscretas, ou são descorteses, ou são capciosas, ou são maldosas - e, invariàvelmente, mesmo quando formuladas por amigos, são perguntas de inimigo? Note-se que não censuro os produtores dos programas. Estão no seu papel de bons repórteres, tratando de tirar o máximo de informação e novidades dos seus entrevistados. O que me admira é a cooperação das “vítimas”. Porque se prestam ao interrogatório a trôco de nada - não é por obrigação, não é por dinheiro. Talvez porque o homem, na sua essência, é mesmo um bravo, um lutador, e gosta de sentir o desafio, descobrir adversários e meter-se com êles. Assim como os campeões da Idade Média que arriscavam a vida em torneios: o seu principal atrativo era mesmo sentir a presença do perigo. Eu, porém, que sou uma fraca mulher, confesso que jamais me entregaria àquelas feras. Nem por ouro, nem por prata, nem por sangue de Aragão. Vou-me ficando por estes inocentes questionários de leitores, que satisfazem de algum modo o nosso instinto de duelo — mas duelo ameno, daqueles que têm de acabar antes do primeiro sangue...

Mas eis as perguntas de J. A. Côrrea: 
1) - Vocês (refiro-me a certo grupo brasileiro de opinião, ao qual você pertence) têm-se mostrado ùltimamente muito pessimistas. Que querem que se faça? Que desista de tudo inclusive de lutar, de casar e ter filhos e de acreditar no futuro do Brasil?
Resposta: Deus me livre! Aliás nego que nós andemos pessimistas. As coisas é que andam ruins. E a prova de nosso otimismo é que, apesar de tudo, o conselho que lhe dou é que continue a lutar, a ter filhos, e a acreditar no futuro do Brasil. Embora eu não saiba bem o que é que você chama o "nosso" Brasil. Será êle o nosso mesmo, ou o "dêles"? 
2) - E, falando em pessimismo, se nada vale a pena, por que é que vocês ainda escrevem?
R: Já neguei o pessimismo. Quanto ao motivo para continuar escrevendo, só posso responder por mim: escrevo porque é êsse o meu ofício, o meu ganha-pão. Ah, se eu mandasse na minha sorte, seria outra coisa muito diferente. Dona de restaurante, atriz, ou - sonho dos sonhos - uma matriarca fazendeira, igual à minha avó Rachel, cheia de filhos e netos, no sertão do Ceará... 
3) - Você se interessa por luniks, explorers, UFO etc?
R: Muito. Mas tenho um mêdo danado dessas liberdades com o espaço sideral. Se o pessoal lá de cima se aborrece... 
4) - Diga a coisa que mais a comoveu, ùltimamente?
R: Uma conversa que tive com a mãe do Tenente Fernando, desaparecido na floresta amazônica. 
5) - Que tal o ano literário de 1958?
R: Excelente. Basta citar o novo volume de memórias do grande, não - do imenso Gilberto Amado; o monumental “Fundadores do Império” de Octávio Tarquínio de Souza. E quero dar um lugar especialíssimo às “Florestas” de A. Frederico Schmidt: confissão, depoimento, memória, poesia? - não sei, será isso tudo e mais ainda, sendo igualmente um dos mais altos momentos do poeta. 
6) - Fale sôbre política. Nacional?
R: Não falo absolutamente. Não quero me aborrecer nem aborrecer aos outros. 
7) - Qual seu candidato à Presidência da República?
R: Ainda estou assuntando. Mas parece que o Jânio é a pedra que rola da montanha. Cada dia aumenta mais. 
8) - E política internacional? Nesse terreno, que fato lhe pareceu mais importante, no ano passado e comêço dêste ano?
R: As insurreições coloniais. As lutas raciais na África e no resto do mundo. A crescente derrubada do homem branco e do seu poderio. 
9) - Qual será, na sua opinião, o vencedor da guerra fria: Rússia ou Estados Unidos?
R: Você quer respostas ou profecias? Em todo o caso, posso dizer que, na minha opinião, não haverá vencidos nem vencedores. Mesmo que rebente uma guerra de verdade. Ou quem sabe só haverá vencidos? 
10) - Se lhe dessem o govêrno do Brasil, que é que você faria?
R: E você acha que alguém iria cometer uma loucura dessas? 
Acabou. No mais, desculpem as faltas."

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terça-feira, 14 de maio de 2019

Remexendo no baú... pra comemorar de novo e sempre!


Foi num mês de maio, no Rio de Janeiro, 
que nasceu, carioca, 
a Esquadrilha da Fumaça. 
14 de Maio de 1952. 

Clique AQUI  e (re)leia a bela história!

Imagem relacionada  Resultado de imagem para esquadrilha da fumaça


sábado, 11 de maio de 2019

Dia das Mães... propagandas antigas



 Outros tempos, 
outros presentes.

Saia plissê, Ban-Lon, peignoir, combinação, cadeira da mamãe da Gelli...








sábado, 4 de maio de 2019

Curiosidades Cariocas...



Num dia 4 de maio, como hoje, mas do ano de 1962,
o anúncio em jornal de uma joalheria 
que diz da jóia valiosa que vai expor na vitrine.
Que tempos!
Impensável nos dias atuais.



terça-feira, 30 de abril de 2019

Remexendo no baú...a nova Copacabana!


Há 50 anos, em 1969,
começava a surgir 
a nova Avenida Atlântica .

Remexendo no baú do BLOG, vale o repeteco!
Clique AQUI!

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quinta-feira, 25 de abril de 2019

125 anos de Ipanema!

  

26 de abril de 2019
125 anos de Ipanema!




Vale o repeteco da crônica!

" Visitar Ipanema é bom, mas nela viver é especial. Como um dia disse Carlos Lyra,


É mais que um pedaço
É um braço do Rio
Tão carioca
Que desemboca no mar,


Os índios tamoios foram os primeiros moradores desse local a que deram o nome de Y-panema - água imprestável, ruim para a pesca.

Mas foi um certo barão, o de Ipanema, José Antônio Moreira Filho, que ao herdar do pai, em 1886, um desvalorizado areal da Fazenda Copacabana, decidiu explorar a área, comercialmente, lançando, em 1894, um empreendimento imobiliário, com o coronel José da Silva, seu sócio. Com 19 ruas e duas praças, surgiu, então, o loteamento Villa Ipanema.

Algumas ruas tiveram seus nomes dados em homenagem à família do Barão , como a Alberto de Campos e a Montenegro - atual Vinícius de Moraes – seus genros .

Num primeiro momento, ninguém quis morar no local, considerado longe demais, pois até lá só era possível ir de canoa ou a pé. A partir da chegada dos bondes, o bairro chamou a atenção, o negócio deslanchou e o barão começou a vender suas terras, principalmente a imigrantes.

Em 1927, as ruas Vieira Souto, Maria Quitéria e Prudente de Morais foram iluminadas com luzes incandescentes, atraindo ainda mais a atenção para a região. A partir daí, não demorou a acontecer o boom do bairro: foram inaugurados colégios (como o Notre-Dame e o São Paulo) e construído o prédio Issa, o primeiro com dois pavimentos.

Criar modismos sempre foi a principal marca do bairro. Muito antes da Rose di Primo - a criadora da tanga - e da revolucionária Leila Diniz, ao desfilar sua barriga de grávida, já em 1915, a bailarina americana Isadora Duncan nadava nua em suas águas.

Na década de 30, a chegada dos grandes cinemas – Cine Ipanema, Cine Pirajá, o Pax e o Cine Astória e o surgimento dos bares Jangadeiros, Zeppelin e Berlim (depois Bar Lagoa), tornaram Ipanema uma das melhores opções para boemia e para o lazer. Vocação confirmada, no final dos anos 60, pela inauguração do Teatro de Bolso e a transferência da atual feira Hippie – Feira de Arte que ocorria no Museu de Arte Moderna (MAM),para a praça general Osório.

Nos anos 60, Ipanema virou objeto de exportação. Foi lá que a bossa-nova se estabeleceu e a Banda de Ipanema passou. As moças do Castelinho acabaram descobrindo que bom mesmo era dividir o maiô no meio, se lambuzar com Rayto de Sol, jogar frescobol na beira da água, catar tatuí na areia e acompanhar os meninos de cabelo comprido, que seguiam para surfar as ondas.

O Castelinho era uma construção, no Arpoador, em estilo mourisco feia pra dedéu – gíria ipanemense - construído em 1904 pelo cônsul da Suécia, Johan Edward Jansson, que acabou virando restaurante, um autêntico pé-sujo, onde o chope era mais barato, os pastéis mais crocantes e o papo muito mais animado. No Mau Cheiro, outro bar do Arpoador, a nata da intelectualidade se reunia para beber e discutir a política cultural do país.

No verão 68/69, diante de um pôr-do-sol daqueles, o jornalista Carlos Leonam não se conformou e disse: “Essa tarde merece uma salva de palmas!”. Imediatamente, o grupo em que estava na altura do Posto 9 - Glauber Rocha, Jô Soares, João Saldanha, entre outros - deu início aos aplausos. Repetido e consagrado, mais tarde, em comercial de TV.

A praia dos anos 70 viu as dunas do barato , o local de encontro da geração desbunde, e dos 80, nascer nas suas areias o Circo Voador e o jornalista Fernando Gabeira chocar o Posto 9 usando uma tanga de crochê da sua prima, a jornalista Leda Nagle.

Ipanema ainda teve verões marcantes como o da lata e o do apito. E se tornou o maior pólo de moda do Brasil, com lojas, que ficaram para a história como Bibba, Blu Blu, Lelé da Cuca , Yes Brazil, Ethel e Company.

Aí surgiu uma canção, inspirada numa moça que passava frequentemente em frente ao Bar Veloso, na esquina da rua Montenegro e Prudente de Moraes. Ela encantou Tom Jobim e Vinícius de Moraes que estavam sempre no bar e surgiu Garota de Ipanema, música que ganhou o mundo. Quem era a garota? Heloísa Eneida Menezes Paes Pinto, que morava na rua Montenegro, nº 22 – próximo ao bar - e somente dois anos e meio depois, já com namorado, ficou sabendo que era a inspiração do sucesso. Quando se casou, Heloísa convidou Tom Jobim e sua esposa Thereza para serem padrinhos.

Essa província independente que influenciou hábitos e costumes, foi referência e unanimidade. Não há hoje, no Brasil, uma praia habitada que não tenha biquíni, surfe ou vendedor de sanduíche natural. Graças a Ipanema.

Hoje não tem mais tatuís . As dunas do Píer também não. Nem as empadas do Mau Cheiro, o bonde 12, nem a rua Montenegro, nem o Veloso. Nem a Churrascaria Carreta , a Sorveteria do Moraes,  a padaria Eldorado, a Chaika,e os cinemas de rua. Mas ainda estão em Ipanema a Casa Reis, o Honório e tantas outras novidades , que Ipanema inventa a cada dia, recriando suas esquinas, suas calçadas e sua praia.

Que continuam a ser, como nos versos de Tom Jobim...
cenário de cinema...poema à beira-mar."





segunda-feira, 22 de abril de 2019

Cronica Carioca de Todos os Tempos _Pixinguinha


23 de abril,
aniversário de Pixinguinha e por isso
DIA NACIONAL DO CHORO!


O genial jornalista Jota Efegê publicou  em março de 1973, 
um mês após a morte de Pixinguinha,
esse interessante relato sobre o mestre do choro.










domingo, 21 de abril de 2019

Tiradentes


No ano de 1787, 
cansado da vida militar, 
Tiradentes 
pediu licença no regimento, 
e veio para o Rio de Janeiro.




Vale relembrar

CLIQUE AQUI!





quarta-feira, 17 de abril de 2019

As amêndoas da Quinta- Feira Santa




O reverendo Robert Walsh foi um médico e capelão que chegou ao Rio de Janeiro em outubro de 1828, aos 56 anos. Em sua obra intitulada Notícias do Brasil: 1828-1829, publicada em 1830 e traduzido para o português em 1985, apresenta um breve resumo dos principais fatos que ocorreram aqui. Descreve com grande riqueza e precisão de detalhes fatos importantes 

e também os do cotidiano.

Assim ele descreve um costume 
que se perdeu da Quinta-Feira Santa carioca:
 as amêndoas


" Na noite da Quinta-Feira Santa era realizada uma passeata geral pela cidade, da qual participava todo o povo. Trajando suas roupas domingueiras, eles enchiam as ruas até o amanhecer. Como havia sempre luar nessa época e o tempo era ameno, todos participam dessa diversão.

A ocasião oferecia ainda o atrativo das... "amêndoas".

... a noite de Quinta-Feira Santa é o momento dedicado às escravas, as quais têm permissão para confeccionar e vender em seu próprio proveito as amêndoas confeitadas. À porta de todas as igrejas e nas suas proximidades estabelece-se uma festa, onde elas são vendidas.

Ali as pobre moças, trajando suas melhores roupas e usando seus modestos enfeites, exibem seus produtos, às vezes dispostos em mesas cobertas com uma toalha, às vezes no chão, ao lado de velas acesas. 

Constituem principalmente de 

amêndoas confeitadas, em cartuchos de papel ou em cestinhas também de papel, caprichosamente feitas e pintadas, ou então de figurinhas feitas de açúcar, de diferentes tipos e trajes, recheadas com uma variedade de guloseimas. 

Essas figuras são geralmente vendidas por duas patacas, e eu jamais fiz uma compra com tanto prazer como a que fiz ali naquela "feira santa", tão humanitariamente criada para promover a indústria das pobres escravas e lhes proporcionar algum lucro. Trata-se de uma da pequenas e numerosas instituições que põem em evidência o que há de bom e generoso no caráter dos brasileiros, e quase chegava a atenuar um pouco os horrores da escravidão ver naquela noite tantos escravos caprichosamente trajados, tão alegres e aparentemente tão felizes..."



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quinta-feira, 11 de abril de 2019

Crônica Carioca de Todos os Tempos...Henrique Pongetti



Em abril de 1962, 
o jornalista Henrique Pongetti escreveu 
mais uma de seus textos 
contando o Rio de Janeiro.

Vale saborear!



sábado, 6 de abril de 2019

Becos cariocas e suas histórias


Pelo traçado urbano da cidade do Rio de Janeiro proliferavam sinuosos becos e ruelas, que eram inúmeros no período colonial e alcançaram o início do século XX.

O memorialista Luiz Edmundo descreveu o aspecto dessas vias:


"As ruelas que se multiplicam para os lados da Misericórdia - Cotovelo, Fidalga, Ferreiros, Música, Moura e Batalha - 
são estreitas, com pouco mais de metro e meio de largura. 
São sulcos tenebrosos que cheiram a mofo, 
a pau-de-galinheiro, a sardinha frita e suor humano".



Alguns deles...

. Beco da Batalha, Beco dos Ferreiros e Beco da Fidalga

Ficavam no bairro da Misericórdia e não existem mais. A origem do nome do Beco da Batalha foi a existência de um oratório dedicado à devoção de Nossa Senhora da Batalha no próprio beco ou no largo do mesmo nome. 
Beco da Batalha, 1919, Augusto Malta

No Beco dos Ferreiros moravam muitos chineses e em suas casas se fumava ópio. 

Beco dos Ferreiros, 1941, Augusto Malta

No Beco da Fidalga morava dona Maria Antônia de Alencastro, parente do militar português Gomes Freire (1757 -1817).

Beco da Fidalga,1941, Augusto Malta 


. Beco da Música

Também no antigo bairro da Misericórdia, liga a avenida Antônio Carlos à rua Dom Manuel. 
 Seu nome era Beco do Administrador, mas foi rebatizado como Beco da Música, quando músicos do Regimento do Moura, aquartelados nas vizinhanças, passaram a ensaiar no local onde havia sido a sede da administração do monopólio do sal. 

Beco da Música, 1941, Augusto Malta


Segundo o historiador Felisberto Freire, nele estiveram os portões do Rio de Janeiro, no século XVI, quando a cidade 

"malnascida no Castelo, 
dispunha embaixo, na várzea,
de uma muralha para melhor protegê-la."


. Beco do Paço

Ficava perto da rua Dom Manuel e foi destruído para a abertura da rua Erasmo Braga.

Beco do Paço, 1941, Augusto Malta


. Beco do Rosário

Fica perto da rua Reitor Azevedo Amaral. 
Foi em uma lanchonete situada no beco que, em 1967, num sábado de Aleluia, começou um incêndio que destruiu grande parte da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.

Beco do Rosário, 1938, Augusto Malta


. Beco dos Barbeiros

Localiza-se entre a rua Primeiro de Março e a rua do Carmo. Foi aberto no período colonial, pela Ordem Terceira do Carmo, por exigência da Câmara Municipal. 





Tem esse nome por ter sido ocupado durante anos por negros barbeiros ambulantes, que possuíam até banda de música.

 O beco é calçado com grandes blocos de pedra, onde podem ser vistas as antigas calhas de ferro trabalhado para o escoamento das águas pluviais da Igreja da Ordem Terceira do Carmo.

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Em certo momento, cogitou-se mudar o nome do beco para Travessa Onze de Agosto, em homenagem à data de criação dos cursos jurídicos no Brasil. Mas a população não aceitou e continuou chamando a estreita rua de Beco dos Barbeiros, nome definitivamente oficializado em 1965. 

. Beco das Cancelas

É considerada a menor e mais estreita das ruas do Rio. Apenas 3 metros de largura e 28 de extensão.


Liga a Rua Buenos Aires à do Rosário. Tem esse nome porque ali havia duas cancelas que fechavam a rua e só abriam durante o dia. 

No Beco das Cancelas funcionou o famoso Café Cascata, contemporâneo de Machado de Assis,o primeiro café carioca a contratar garçonetes. O prédio desabou em 1897, mas foi logo reerguido. Outro café famoso do local foi o Amorim, freqüentado por banqueiros, tabeliães e comendadores e dono da fama de "um dos melhores cafezinhos da cidade".

. Beco dos Carmelitas

Ganhou esse nome por se localizar próximo à Igreja de N.S.do Carmo da Lapa do Desterro.

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Tinha má fama por ser frequentado por malandros e prostitutas da Lapa, rua da residência do lendário morador Madame Satã

Também passaram, e muito, por aquelas vielas, nomes como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Heitor Villas-Lobos, Di Cavalcanti, Ismael Nery, Lúcio Rangel, Mário Lago e Noel Rosa.  

O poeta Manuel Bandeira também frequentava o local, pois morava na Rua Moraes e Valle, bem em frente ao Beco dos Carmelitas. De sua janela, Bandeira contemplava o beco sujo onde viviam lavadeiras, costureiras e garçons dos cafés do Centro. Foi ali que Bandeira escreveu os poemas de Estrela da Manhã (1936) e Lira dos Cinqüenta Anos (1940) e "Última Canção do Beco", em 1942, quando de lá se mudou e o poeta da delicadeza - como  era conhecido - o escreveu como despedida.

"...Beco das minhas tristezas
Não me envergonhei de ti!
Foste rua de mulheres?
Todas são filhas de Deus!
Dantes foram carmelitas... 
E eras só de pobres quando,
Pobre, vim morar aqui..."



terça-feira, 2 de abril de 2019

Confeitaria Tijuca


Uma série de estabelecimentos comercias simbólicos estão bem guardados na lembrança de tantos que viveram no bairro da Tijuca ou lá frequentaram. Um desses locais é a...
 ...Confeitaria Tijuca.

"Os Srs. Batista Godinho Cia, apresentando aos cariocas e à elite tijucana em particular, as luxuosas e moderníssimas instalações da nova CONFEITARIA TIJUCA - Sorveteria e Casa de Chá - vêm corresponder a uma antiga aspiração dos moradores da Tijuca. Em suntuoso edifício, especialmente construído para esse fim, a Confeitaria Tijuca, dotada de ar condicionado e mobiliário confortabilíssimo, será o ponto predileto para as tradicionais reuniões da elegância da fina sociedade tijucana. "
dizia o texto do anúncio de apresentação

Inaugurada em 1943 no número 352 da Rua Conde de Bonfim,  ao lado do Metro Tijuca, a Confeitaria Tijuca foi um marco importante na história do bairro e batizada como "o novo arranha-céu da Praça Saenz Peña". Foi comparada à Confeitaria Colombo, da Rua Gonçalves Dias . Oferecia "serviço completo para banquetes" e tinha som de uma "orquestra permanente".

O anúncio publicado no jornal O Globo de 21 de janeiro de 1943 vê-se o destaque para as diversas firmas que participaram na construção do imóvel e instalaram serviços inovadores e sofisticados para a época.

clique para ampliar

"triunfam a inteligência, a operosidade e a técnica", 
apontam os anunciantes sobre a qualidade oferecida pelos senhores L. Mello & Irmão, responsáveis pela instalação da maquinaria de refrigeração elétrica, fazendo da Confeitaria Tijuca um dos locais pioneiros no Rio de Janeiro, fora do Centro, em receber tal tecnologia.

 "ambiente de requintado conforto"
 Decorado inteiramente em estilo marajoara, desde a iluminação dos letreiros em neon às "cadeiras confortáveis" de metal, passando pelas faces polidas e brilhantes dos espelhos, que "reúnem todo o encanto das coisas belas e grandiosas".

   "A maior organização da América do Sul"  
A Confeitaria Tijuca assim se intitulou em serviços de chá, sorvetes, almoços, lanches e jantares.

Em outro anúncio publicado na Revista da Semana, de 1944, vê-se a ilustração do que seriam os interiores da Confeitaria Tijuca: amplo salão de chá com casais elegantes, servidos por garçons em fraque com gravata borboleta. Do alto do salão, mostra um camarote onde estão maestro e orquestra.



Tenho uma ligação afetiva com essa confeitaria, pois minha mãe nela trabalhou.O padrinho da minha mãe era o gerente. Deixou de trabalhar por lá quando se casou em 1948.

Frequentei a Confeitaria Tijuca já no seu ocaso. Já não morava mais na Tijuca,  mas fiz o pré-vestibular no curso Vector, da Rua General Roca e no intervalo meu grupinho ia lanchar por lá. Já não tinha o glamour dos bons tempos. Fechou naquele mesmo ano e no seu lugar surgiu uma filial das Lojas Americanas, que permanecem nesse local até hoje.


sexta-feira, 29 de março de 2019

REMEXENDO NO BAÚ... é importante relembrar a história

Em tempos que se quer desconstruir a história e apresentá-la do seu jeito, é importante mostrar fatos e detalhes de quem viu e viveu. E não os achismos.

Daí é importante relembrar! 



A revista O CRUZEIRO publicou uma edição especial 
sobre o dia 31 de março de 1964,
há 55 anos,
na cidade do Rio de Janeiro.

Uma das reportagens descreveu o episódio acontecido no Palácio Guanabara. Eu, criança, à época, morava próximo e lembro de toda essa movimentação. Do tanque passando pela minha rua, rumo ao Palácio, do rádio ligado ouvindo as notícias, da apreensão, da manifestação às janelas.


"A batalha do Guanabara




 










Foto de Antônio Rudge








Durante um dia e uma noite, o Palácio da Guanabara e o Governador Carlos Lacerda foram nomes que representaram a resistência democrática na chamada “capital e política” do País. Ninguém pregou ôlho. As horas transcorreram em regime de sentinela bem acordada, até que a vitória se desenhasse no céu do Rio.

Os tanques do Exército estavam no Largo do Machado. No Palácio da Guanabara, o Governador Carlos Lacerda se mantinha em calma e em expectativa. Todo o secretariado presente. Eram 18,30 h do dia 31 de março.

O feriado escolar, depois de estudado, teve sua decretação feita às 23 horas. Cêrca de 300 oficiais das diversas armas se dirigiram para o Guanabara, a fim de solidarizar-se com o Governador.

Meia-noite: sabe-se do movimento de tropas de São Paulo em direção ao Rio de Janeiro. Junto à Igreja, um foguete (antitanque) é montado em longarinas de asa de avião.

Aos 5 minutos chega o Senador Artur Bernardes Filho. O Governador se mantém em vigília e fala com o Jornalista Jules Dubois, de Miami, Estados Unidos, e dá a notícia da adesão do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo. Lacerda sai aos 35 minutos, acompanhado apenas pelo general Mandim, responsável pela segurança de Palácio, e inspeciona, até aos 55 minutos, os arredores.

A uma hora da manhã, começaram a cortar os telefones da linha 25, que serve ao Guanabara, mas continuaram a funcionar três da linha 45,que passaram a ser utilizados pelo Governador. Às 2,45 h, corre em Palácio a notícia de que os fuzileiros navais iriam atacar. A expectativa prossegue até às 5 horas, quando entram mais 30 generais do Exército. Às 6,30h, nova notícia promoveu atitude semelhante, logo relaxada por saber-se que se tratava de um rebate falso.

O dia 1° de abril estava claro. Às 7,55h, o Governador Carlos Lacerda recebe o Manifesto dos Generais, que iria ser lido após o hasteamento da Bandeira Nacional, às 8 horas, através da Rádio Inconfidência, de Minas Gerais.

Às 8,30 h, Juracy Magalhães entra em Palácio e conferencia com Carlos Lacerda.

Às 10,45h, o presidente do Tribunal de Justiça, Dr. Vicente Faria Coelho, chega e conferencia com o Chefe do Executivo. Às 13,15h, entra em Palácio o Sr. Armando Falcão. As notícias se aceleram. Às 16 horas, há o momento de maior emoção para o Governador Carlos Lacerda: tanques do Exército, que se encontravam no Palácio das Laranjeiras, estão agora guarnecendo o Palácio da Guanabara. O Chefe do Executivo carioca, ao ouvir a notícia, chora e exclama:

- Graças a Deus! Deus está conosco!

O carnaval da vitória

Foi uma reação em cadeia. Anunciada a viagem do Presidente a Brasília e a vitória das fôrças revolucionárias, milhares de pessoas saíam às ruas, gritando, pulando, discursando tamém, num verdadeiro carnaval.

Grupos mais exaltados e tomados de fúria incendiaram o prédio da UNE, na Praia do Flamengo, quando os dirigentes comunistas da entidade já haviam desaparecido e abandonado a sua trincheira. Os mesmos grupos depredaram e incendiaram a “Ultima Hora”, na Praça da Bandeira. Isso foi um pouco de vingança e excesso condenável, pois a massa, o povo carioca, queria apenas viver aquelas horas de vitória e não vingar-se daqueles que tinham sido vencidos."





domingo, 24 de março de 2019

Remexendo no baú... saudades do Carequinha!



Dia 27 de março é o Dia do Circo.


Vamos recordar ... Carequinha!

Imagem relacionada

Ele povoou a infância 
de tantos cariocas que o curtiam, 
no seu circo pioneiro, na telinha.


Clique AQUI  leia ou releia 
e passeie por sua trajetória!



quarta-feira, 20 de março de 2019

Chegando o outono!

REMEXENDO NO BAÚ...


vale recordar algumas postagens 
que nos falam dessa adorável estação
por aqui em terras cariocas!

Resultado de imagem para OUTONO NO RIO DE JANEIRO

Clique e saboreie!





domingo, 17 de março de 2019

Ontem como hoje...curiosidades jurídicas acontecidas no Rio de Janeiro.



Em março de 1952,  os advogados Heráclito Sobral Pinto e Adaucto Lucio Cardoso impetravam Habeas Corpus (HC 32.331) junto ao Supremo Tribunal Federal em favor de Carlos Lacerda, jornalista e diretor do vespertino “Tribuna da Imprensa”.

Esse é um dentre outros documentos de valor histórico que a Coordenadoria de Arquivo do STF mantém.

Lacerda estava preso no Quartel do Batalhão da Polícia Militar da Rua Evaristo da Veiga, no Rio de Janeiro, por ordem do juiz da 24 ª Vara Criminal da Justiça do Distrito Federal (até então, a capital brasileira era o Rio de Janeiro).

Sua prisão ocorreu depois que seu jornal divulgou fatos sobre o envolvimento de funcionários do Departamento Federal de Segurança Pública com esquemas de corrupção.

Foram apontados os nomes das autoridades acusadas de improbidade administrativa e de abuso no exercício de suas funções.As revelações provocaram verdadeiro escândalo na opinião pública.

“Em vez de se defenderem, pelos meios legais, das acusações formais de que estavam sendo alvo, as autoridades policiais entraram a percorrer o caminho das violências, das ameaças e da arrogância, rasgando, nas bancas de jornais e nas paredes próximas onde estavam afixados, exemplares do vespertino Tribuna da Imprensa, sem que os seus superiores, avisados do abuso e da ilegalidade, se dignassem a tomar a mais leve providência”, sustentaram os advogados.

O jornal mais uma vez publicou os fatos, mostrando ao público as ameaças de que era vítima.

Como os policiais não foram punidos, o delegado Abelardo Luz e seus auxiliares invadiram o escritório do advogado Hilário Ruy Rolim, dele extorquindo, sob ameaça de morte, uma carta desmoralizante. Depois o agrediram e depredaram seu escritório.

A OAB interveio solicitando a abertura de Inquérito contra o delegado e seus subordinados. Estes, em represália, ofereceram Queixa-Crime contra o advogado, acusando-o de calúnia e injúria, pois consideravam que ele era o informante do jornal.

Carlos Lacerda recusou-se a comparecer todas as vezes que foi chamado a depor na delegacia como testemunha. Sempre dava declarações por escrito e as publicava na “Tribuna da Imprensa”, dizendo só saber dos acontecimentos que lhe eram repassados por uma fonte. “Só vou depor se for preso”, disse Lacerda.

O juiz da 24ª Vara Criminal da Justiça do Distrito Federal Pinto Falcão mandou prendê-lo sob a acusação de crime contra a segurança nacional.

“A transformação, assim, por que passou o paciente Carlos Lacerda da posição de testemunha para a de acusado num inquérito instaurado por força de queixa-crime dada contra terceiro, é um destes casos de teratologia processual que se apresenta como inédito nos anais da crônica forense no Brasil de todos os tempos, desde a Colônia até os dias do presente”, ironizou a defesa.

O Plenário concedeu a ordem, relaxando a prisão preventiva de Lacerda, por unanimidade, por não verificarem o motivo da prisão.



segunda-feira, 11 de março de 2019

II Festival Internacional do Filme, no Rio, há 50 anos


atualizado em 30/3/2019


Com uma sessão de gala, no cinema Roxy
iniciou-se no dia 17 de março de 1969,
II Festival Internacional do Filme.  

A "Oliver" de Carol Reed, 
inscrito como hors concours, coube a honra da abertura.

Resultado de imagem para "Oliver" de Carol Reed





recortes de jornal, 17/3/1969


Uma polêmica: o boicote ao festival


Nem tudo foi maravilhoso. O Festival Internacional do Filme de 1969, na realidade, foi caótico. Uma desorganização geral chegou a marcar a sessão de um filme, que teve celebridades barradas e empurra-empurra na entrada.  "Nunca vi uma coisa dessas no mundo inteiro", chegou a dizer Roman Polanski, vítima da confusão, à época.

A cineasta Agnès Varda que morreu aos 90 anos  - 29 de março - esteve por aqui nesse festival. A cineasta franco-belga esteve acompanhada de seu marido, o também diretor de cinema Jacques Demy (1931-1990).
Agnes Varda chegava por aqui aos seus 40, mas já tinha em seu currículo a consagração de "Cléo das 5 às 7", até hoje o seu filme mais famoso.
Varda ficou hospedada no Copacabana Palace. Com Demy, a cineasta foi à praia e tomou mate logo em seu primeiro dia na cidade.Também se dedicou a fazer fotos — vivia grudada em sua câmera.

Agnàs Varda e o seu marido Jacques Demy tomam mate na praia Foto: Arquivo o Globo / Agência O Globo  Varda não se separou de sua câmera Foto: Arquivo o Globo / Agência O Globo  Varda ficou hospedada no Copacabana Palace com outros nomes de peso que participaram do II Festivanl Internacional do Filme, como Joseph Von Sternberg e Roman Polanski Foto: Arquivo o Globo / Agência O Globo

Curiosidade:





Imagens do Arquivo Nacional mostra celebridades do cinema nacional e internacional prestigiaram a estreia do filme "A compadecida", que contou com a participação especial de Ariano Suassuna. Em seguida, personalidades compareceram à recepção oferecida pelo ministro da Educação e Cultura Tarso Dutra. Destacamos, entre outros ilustres convidados, Henry Stone, Anselmo Duarte, Paschoal Carlos Magno, Burle Marx e Alberto Cavalcanti.
                       


domingo, 10 de março de 2019

Remexendo no baú... dando um alô!



Hoje é seu dia:
10 de março.


Hoje ele é diferente.
Hoje suas funções são múltiplas,
mas mais do que nunca 
continua amigo inseparável.
QUEM? 
O nosso velho conhecido...
 o TELEFONE!




 Vale ler ou reler. Clique  AQUI e saboreie


sexta-feira, 8 de março de 2019

Remexendo no baú... sobre mulheres cariocas

Nesse dia 8 de março,
que mais que comemorar é refletir, 
vale o repeteco de 
histórias de mulheres cariocas.

Clique abaixo!





sábado, 2 de março de 2019

Sucessos de sempre no carnaval !


Foi a partir de 1899, que o povo teve músicas populares para cantar no carnavais  e que se tornaram sucessos até os dias de hoje.


Comemoramos algumas delas!


Ô Abre-Alas120 anos
  1899 - Chiquinha Gonzaga 




. O teu cabelo não nega - 90 anos
  1929 - Lamartine Babo




. A Jardineira - 80 anos
 1939 - Benedito Lacerda e Humberto Porto
  intérprete: Orlando Silva




. Chiquita Bacana - 70 anos
  1949 - Braguinha
   intérprete: Emilinha Borba



Me dá um dinheiro aí - 60 anos
1959 - Homero Ferreira/Glauco Ferreira/Ivan Ferreira
 intérprete: Moacir Franco




. Cabeleira do Zezé - 55 anos
1964 - João Roberto Kelly
 intérprete: Jorge Goulart




quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

1° de março...Aniversário do Rio de Janeiro


REMEXENDO NO BAÚ
vale  o repeteco!



"Eu poderia falar hoje por aqui ...

...do Rio de várias maneiras. 
Mas resolvi falar através de versos que dele falam...

do Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara, 
de Copacabana, princesinha do mar... pelas manhãs tu és a vida a cantar;
do samba centenário, natural daqui do rio de janeiro e que todo prosa diz 
sou eu quem levo a alegria para milhões de corações brasileiros

Poderia lembrar 
 das belezas da orla carioca, 
do Leme até o Pontal, que não há nada igual 
nas palavras do síndico Tim Maia. 

Saudar com ... 
Aquele abraço!, 
bordão do comediante Lilico, em voga no final dos anos 60 
e tão bem recriado nos versos da canção do Gil.

Poderia falar 
do meu Rio da mulher beleza 
 e lembrar da carioca ...
olha o jeitinho dela andar ou 
 da moça do corpo dourado, do sol de Ipanema
falar como Os cariocas, que 
no Iate Clube é que começa a vida 
e por isso , nós e o mar, 
 nessa onda que cresceu, morreu aos seus pés...
e a vontade que não tenha fim, este sol desse Rio 40 graus,
da cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos,.

Poderia dizer 
de um bom lugar para encontrar...
prá passear à beira-mar: Copacabana. 
E dali, de um chopp gelado em Copacabana...
Andar pela praia até o Leblon;

que domingo, 
eu vou pro Maracanã e torcer pro time que sou fã. (MENGO!)

É sempre bom falar desse Rio que é mar, eterno se fazer amar...

Ei, quero-quero, Oi, tico-tico, Anum, pardal, chapim... dos seus jardins

Ah... 
veleiros que passeiam pelo mar, as pipas que vão bailando pelo ar... 
e no cenário de tão lindo matiz, o carioca segue... pela Praça Onze tão querida ... 
deste meu Rio boa praça , 
simbolizando nesta Praça , tantas praças que ele tem.

Oh! 
Vento do seu mar no meu rosto...
E o sol a brilhar, brilhar...Calçada cheia de gente...

Poderia cantar
Vamos, carioca, sai do teu sono devagar ,
lembrar que tempo feliz, ai que saudade, Ipanema era só felicidade...
a que ponto a cidade turvaria, neste Rio de amor que se perdeu. ( triste!)

Meu
Rio que mora no mar 
Sorrio pro meu Rio 
Que tem no seu mar ...

Rio de Janeiro,
como gosto de você!

És o altar dos nossos corações ...
que Deus te cubra de felicidade"




domingo, 24 de fevereiro de 2019

Carnaval chegando e o filme se repete...

REMEXENDO NO BAÚ...vale o repeteco.

Ontem como hoje!

Fazendo xixi na rua

É este o primeiro registro iconográfico de um mau hábito :
fazer xixi na rua, onde bem lhe aprouver.

Aquarela de Jean Baptiste Debret

Com efeito, não são poucos os viajantes que se referem à sujeira das ruas do Centro do Rio no início do século XIX. As casas não tinham banheiros. No máximo, uma “casinha” no quintal, cuja fossa era limpa à noite por um escravo, o qual recolhia o conteúdo em tonéis de barro e depois conduzia esse “cabungo” na cabeça até a praia ou terreno baldio mais próximo, onde era feito o despejo. Como, freqüentemente, esse tonel vazava e tingia o infeliz de malcheirosas manchas, o povo apelidava esses pobres escravos de “tigres”. 

A urina, por sua vez, era despejada das janelas das casas em urinóis, em plena rua. Uma lei de 1776 obrigava apenas ao arremessante a bradar antes a advertência: “água vai!”. 

Quanto ao povo, este se desobrigava em qualquer lugar. Não existiam pudores ou restrições. Afinal de contas, eram poucas as mulheres que saíam às ruas e, quando saíam, era aos domingos, e sempre acompanhadas de seus maridos ou pais. Nas ruas do Rio, no dia-a-dia de 1800, somente homens e escravos perambulavam. Para piorar a situação, o mau exemplo vinha de cima. Vinha do próprio Rei! 

D. João VI comia muito, muito e mal. Diabético e doente, nem por isso se continha à mesa, devorando, por vezes, de quatro a seis frangos por refeição. Quando o Rei partia do Palácio de São Cristóvão em direção ao Centro, em sua carruagem não poderiam faltar um urinol, penico e os respectivos criados responsáveis pela sua higiene. No trajeto, a carruagem parava ao menos duas vezes. Quando era a vez do Rei “obrar”, a carruagem estancava, um criado montava o “trono” portátil e a guarda cercava Sua Majestade, impedindo os curiosos de ali passar. D. João sofria de flatulência, soltando gazes em todas as ocasiões, solenes ou não. Coitado do criado que esboçasse um riso ou gracejo. Seria cortado do serviço no Paço! 

Vieira Fazenda, historiador carioca, relata o caso duma procissão de Corpus Christi em que o Rei arriscou um flato e este veio “acompanhado”; o que obrigou D. João a correr para uma casa na Rua Direita (atual Primeiro de Março), atrás de um “trono”. D. Pedro I herdou esse problema. A diarréia histórica mais famosa que conhecemos é a que acometeu o Príncipe, às margens do Riacho Ipiranga, em São Paulo , a 7 de setembro de 1822. Os historiadores citam que a viagem se retardara muito porque D. Pedro tinha de “...se apear do cavalo de meia em meia hora para obrar”. Estava nessa situação quando o correio Paulo Bregaro lhe entregou as cartas do Conselho de Estado, que pediam nossa Independência. D. Pedro se conteve como pôde, reuniu a guarda, informou-os da situação e deu o famoso brado que nos libertou de Portugal. 

Em 1824, D. Pedro I assistia a uma parada dos soldados mercenários alemães na Fortaleza da Praia Vermelha, quando pediu desculpa aos oficiais, se agachou perto dum muro e “obrou” na frente dos embasbacados militares. Um desses militares alemães escreveu um diário onde relata que, quando ainda jovem, o Príncipe D. Pedro costumava urinar do alto da varanda do Palácio de São Cristóvão nos soldados que passavam embaixo. Nas cartas que enviou à sua amante, Marquesa de Santos, D. Pedro cita por várias vezes seus problemas gástricos. Numa missiva do Imperador datada de 13 de dezembro de 1827, existente no acervo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, ele conta que “...Cheguei à casa, tomei a tisana (remédio) e obrei até agora cinco vezes e muito.” Noutra carta, esta sem data, mas igualmente da coleção do IHGB, ele conta que “...Eu não passei muito bem... ...depois obrei e agora estou perfeitamente bom...” Nem todas as cartas de D. Pedro eram assim. Numa delas, datável de julho de 1826, ele até escreveu no envelope um poema à sua amada: 

“Este lindo passarinho canta,” 
“brinca, pica e fura,” 
“mas quando torna a repicar,” 
“é mais doce a pica dura.” 

A Marquesa era até informada dos problemas coprológicos das filhas do Imperador. Na carta datada de 23 de setembro de 1827, da coleção Caio de Mello Franco, D. Pedro relatava que a filha de ambos, Duquesa de Goiás, “...tomou um purgante de óleo de mamona, com que obrou três vezes e deitou uma lombriga.” 

Afinal, no meio dessa literatura “tão romântica”, D. Pedro pediu perdão à sua Marquesa pelos assuntos tão particulares assim relatados, justificando-se, na carta de 13 de dezembro de 1827, de que nele “A fruta é fina, posto que a casca seja grossa”. 



Fonte: Milton Teixeira, historiador