sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Disco


Vou "furar" aqui a amiga do RIO QUE MORA NO MAR , Helô,
do ótimo blog RIO EM DISCO - recomendo! -
e postar e
ste, que é um LP difícil de encontrar,
por ter sido feito no ocaso da era vinil e em tiragem comemorativa.
Lançado em 1992, no centenário de Copacabana,
tem na capa a paisagem da praia, quando tudo era
praticamente areal, e só existia o Copacabana Palace.
O disco trazia clássicos da música que falavam do bairro
e uma inédita, à época,
a última música composta por Ronaldo Bôscoli,
que nos versos precisos, deixava sua marca registrada.
Copacabana de Sempre - Menescal e Bôscoli
Copacabana, praia dourada
Marcada a sol em mim
Sei do seu corpo de areia
Sei das amargas sereias
Asas atadas aos pés
Ondas dos meus jacarés
Copacabana, berço da bossa
Coisas tão nossas im
Ficou tão lindo o seu rosto
Posto que bem mais mulher
Venha comigo pra ver
Tudo que eu quero dizer
Inda que seja breve
Ou que leve a vida e mais
Vamos por esses becos
Esquinas, bares que eu sei demais
Toda Copacabana que mora em frente
Ao mar azul de anil
Nada é mais carioca que a nossa copa
Que o seu perfil
Copacabana, de mar inteiro
Do mar primeiro bem
Eu me confesso pequeno
Face a seu corpo moreno
Face ao Atlântico Sul,
Copacabana

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Estábulos em Copa?

Difícil de imaginar - como chama o anúncio - um estábulo na Avenida N.S. de Copacabana - lá quase no Leme - e outro na Santa Clara, próximo à praia (pelo número, é). Mas havia também um na Rua Duvivier, esquina de Nª Sª de Copacabana, e alguns outros pelo bairro. Eles existiram até por volta de 1940. Lá as pessoas faziam filas com garrafas para esperar para receber o leite recém-ordenhado.
Detalhe para o chique do estilo art nouveau do anúncio e dos brasões de Portugal e do Brasil. José Marques era português.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

MAM 60 anos


Em 1948 foi assinada a ata inaugural do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, tendo como presidente Raymundo de Castro Maya, que se instalou, provisoriamente, na sede do Banco Boavista.
Seu acervo foi formado inicialmente ao longo dos anos 40 e 50 por inúmeras doações de artistas, empresários e algumas instituições oficiais, e hoje é uma das coleções de arte do século XX mais importantes no país.
Lugar historicamente privilegiado da vanguarda e do experimentalismo no país, o MAM do Rio de Janeiro viu nascer parte considerável de nossos movimentos artísticos e lançou muitos de nossos artistas mais importantes. Do Grupo Frente (1954), formado a partir da primeira turma de adultos de Ivan Serpa , ao Neoconcretismo (1959); do Ateliê de Gravura (1959) à Nova Objetividade Brasileira (1967), passando pelas exposições "Opinião 65" e "Opinião 66"; das mostras Resumo JB (1964- 1972) aos Salões de Verão (1969- 1974); dos Domingos da Criação (1971) à Área Experimental (1975- 1976), foram incontáveis os eventos e os artistas que por ele passaram, ou nele tiveram uma referência fundamental para o florescimento de suas obras.
O prédio modernista representa um marco na arquitetura brasileira, resultado das linhas retas do arquiteto Affonso Eduardo Reidy e do projeto paisagístico de Roberto Burle Marx.

"Pensado para dialogar com a paisagem - a horizontalidade da composição para fazer frente ao perfil dos morros cariocas -, as fachadas envidraçadas, trazendo para o interior o paisagismo de Burle Marx, o projeto de Reidy apresenta-se racionalista e plástico a um só tempo. Não há distância entre a estrutura e a aparência final. Os vãos livres têm um fim prático: a liberdade de composição oferecida ao espaço expositivo, o convite ao jardim no plano térreo. Do cuidado com o concreto aparente à escolha dos granitos e pedras portuguesas, o projeto ganha o parque. "

terça-feira, 28 de outubro de 2008

O bonde de São Januário


O GUIA DO PASSAGEIRO DE BONDE - janeiro de 1938 - , diz na sua introdução: 


"O bonde nada tem de bond...oso. é pesado, intransigente, tem um caráter tão firme que não recua sem muito refletir nem pedir licenças aos colegas que vêm correndo na cauda. É claro que com um bicho desse tamanho (tamanho de um bonde) é preciso que quem o toma se porte com a necessária precaução se quiser voltar para casa com os ossos no lugar em que a natureza os colocou, de acordo com os tratados de anatomia."


Espalhadas pela cidade, algumas de suas linhas foram inspiradoras de músicas.O bonde da linha São Januário foi uma delas. O itinerário dele era: Largo de São Francisco de Paula/ Andradas/ Presidente Vargas (lado impar)/ Francisco Bicalho/ Francisco Eugênio/ São Cristovão/ Fonseca Teles /São Luiz Gonzaga/ Praça Vicente Neiva /São Januário/ Teixeira Junior/ General Almério de Moura /Coronel Cabrita /Praça Argentina .O samba de 1940 fala da linha operária.


O bonde de São Januário (Wílson Batista e Ataulfo Alves)

Quem trabalha é que tem razão
Eu digo e não tenho medo de errar
O bonde São Januário
Leva mais um operário:
Sou eu que vou trabalhar
Antigamente eu não tinha juízo
Mas resolvi garantir meu futuro
Vejam vocês:
Sou feliz, vivo muito bem
A boemia não dá camisa a ninguém
É, digo bem


Mas a letra original não era essa. Antes, era 

leva mais um sócio otário e sou eu que vou trabalhar.

Por que mudaram a letra?
 
O contexto histórico era o Estado Novo, o Brasil de Getúlio Vargas. Nesse período, quem estivesse portando violão - a expressão do malandro - poderia ser preso. E aconteceu que a Polícia Especial e o Departamento de Imprensa e Propaganda - DIP - “sugeriram”, não com muita doçura, a mudança da letra. E se os autores não fizessem isso, seriam torturados. Assim, o sócio otário se tornou operário .

E a ironia, com o tempo, tornou-se uma louvação.




segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Túnel do Pasmado

Muito interessante o vídeo abaixo.
É uma reportagem sobre a inauguração do "moderno" Túnel do Pasmado.
A ligação do bairro de Botafogo aos de Copacabana e Urca, sob o morro do Pasmado, representou muitas facilidades de transporte e locomoção para a cidade.
As suas obras foram iniciadas em 1947, na administração do então prefeito Hildebrando de Góis, e concluídas em 1952 na administração de Mendes de Morais.
Como curiosidade, foi cenário para uma seqüência de ação no filme Roberto Carlos em ritmo de aventura, em 1967, quando o cantor passa, voando de helicóptero, por dentro do túnel.
Ouçam, também, os dados numéricos falados pelo locutor. Aliás, sua empostação da voz, é outra curiosidade, característica da época.

A favela que se vê acima no Morro do Pasmado foi demolida em 1964, com seus moradores sendo removidos para a Vila Kennedy, perto de Bangu.