Um dia resolvi fazer um blog e não demorei muito pra pensar no nome, porque veio logo, à mente, o verso da belíssima canção Rio, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli...
...Rio que mora no mar.
Hoje em dia, depois de muito tempo navegando nessa praia de histórias cariocas, com a licença dos mestres, já acho até, com ousadia, que a expressão é um pouco minha.
E agora nesse dia 25 de outubro, nos 80 anos de Roberto Menescal , o melhor pra homenageá-lo, aqui no blog, é mostrar algumas gravações antológicas de suas canções, que tanto bem fizeram e fazem aos nosso ouvidos.
. NÓS E O MAR, na versão instrumental do Tamba Trio
. NARA, na interpretação de Menescal e Wanda Sá
. A VOLTA, na interpretação de Elis Regina
. VOCÊ, na interpretação de Pery Ribeiro
. A MORTE DE UM DEUS DE SAL, na interpretação de Marcos Valle
E terminando essa breve seleção,
uma música recente, linda,
parceria de Roberto Menescal e Andrea Amorim
. UM TIQUINHO SÓ, com o sensacional Quarteto do Rio
Quarenta e seis canções participaram do Festival Internacional da Canção em 1967,
entre elas:
Eu te Amo, Amor, de Francis Hime e Vinicius de Moraes; Nem É Carnaval, de Toninho Horta e Márcio Borges; Cantiga, de Dori Caymmi e Nelson Motta; Segue Cantando, de Marcos e Paulo Sérgio Valle; São os do Norte que Vêm, de Capiba e Ariano Suassuna; Canta, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli; Fala Baixinho, de Pixinguinha e Hermínio Bello de Carvalho; Canto de Despedida, de Edu Lobo e Capinan; Carolina, de Chico Buarque de Hollanda; Da Serra, da Terra e de Mar, de Geraldo Vandré, Théo de Barros e Hermeto Paschoal; Maria, Minha Fé e Morro Velho, de Milton Nascimento
e Travessia, de Milton Nascimento e Fernando Brant.
As eliminatórias foram realizadas no Maracanãzinho, nos dias 19 e 21 de outubro de 1967 (uma quinta-feira e um sábado). A grande final foi no domingo, dia 22.
A canção Margarida, apresentada na primeira eliminatória, dia 19, logo em sua primeira apresentação, conquistou o público, com seu refrão de cantiga de roda fácil de decorar:
“E apareceu a Margarida, olê, olê, olá/e apareceu a Margarida, olê, seus cavaleiros”.
Em segundo lugar ficou Travessia, em terceiro, Carolina
O inusitado às vezes ajuda. Foi o que aconteceu com Guarabira, que foi forçado pelos companheiros
a inscrever no II FIC a música “ Margarida” , que já fazia parte do repertório do grupo e estava ensaiada para o
disco.
Guarabira, vencedor, ao fundo Gracinha Leporace, grande revelação do FIC daquele ano
A música nasceu de uma brincadeira entre ele e
Sidney Miller, que o desafiou a compor uma música baseada em alguma canção
folclórica, como “Boi da Cara Preta”, de Dorival Caymmi.
Sidney Miller fez “
Marré-de-Cy” e Guarabira fez “Margarida”, cuja letra falava de uma decepção
amorosa nos seus 16 anos. A origem do refrão era uma canção de roda francesa “Seche
tes Larmes, Marie” (Enxugue as lágrimas, Maria), que já havia sido utilizada,
em 1964, na marchinha de carnaval “Marcha do Remador” por Antônio Almeida e
Oldemar Magalhães, cantada por Emilinha Borba.
Guarabira pediu a vários cantores
para interpretar "Margarida”, inclusive Agnaldo Timóteo, mas ninguém se
interessou. Não teve outra alternativa, reuniu seus amigos do grupo Manifesto
para defender a música com ele. E deu certo.
Vale ouvir Gracinha Leporace, grande revelação do FIC daquele ano, em Canção de Esperar Você, de seu irmão Fernando Leporace
Teve um tempo em que outubro era tempo de festivais.
Esperávamos ansiosamente para ouvir novas canções pra nos embalar e torcer, e cantar.
Hoje, uma pena, esse tempo vai longe. Por isso vale remexer no baú e recordar.