Há 40 anos(1972) e há 30 anos (1982)...Império na cabeça.
"É o Império Serrano que canta, dando uma de Carmen
Miranda"
Império Serrano na Presidente Vargas, ao amanhecer
Esse verso repeti inúmeras vezes, sem cansar, naquele amanhecer de segunda-feira, na Avenida Presidente. Vi e vivi esse grande desfile. Inesquecível!
Era um tempo de desfile em um dia só. Doze escolas e haja fôlego e animação. E aquele ano era o último ano do desfile na grande avenida. Pra lá, apesar dos protestos, nunca mais voltou. Arquibancadas montadas em madeira, que embalançavam - e muito! - sem cobertura e todos rezando pra não chover.
E foi assim, pra acordar o cansaço da noite que um pernambucano arretado, o genial Fernando Pinto acertou a receita. Um enredo de fácil identificação popular, uma
escola tradicional que estava há mais de uma década sem títulos e um samba que
caiu na boca do povo.
A vida de Carmen Miranda se transformou em um espetáculo de teatro de revista em desfile, com direito a um elenco de
primeira. A Pequena Notável foi representada por estrelas,como as atrizes Marlelne, Marília Pera e Leila Diniz.
O Império entrou rasgando a avenida com um samba de forte apelo popular, que
terminava com um refrão irresistível: "Cai, cai, cai, quem mandou
escorregar? Cai, cai, cai, cai, é melhor se levantar". O público levantou.
Cantou junto com Roberto Ribeiro, o grande puxador, que naquele carnaval despontava nos desfile inovando com seus chamados e breques, depois tão copiados.
A multidão correspondeu em forma de aplausos. E gritou JÁ GANHOU! A escola conquistou a avenida com muito samba de primeira, alegria e beleza.Um show de
samba e de carnaval.
"Bumbum paticumbum prugurundum..."
Dez anos depois de Carmen Miranda e de um último lugar, no ano anterior de 1981, o Império chegou em 1982 para dar a volta por cima, em grande estilo. Lá estava eu, de novo.
Pelas mãos da dupla Rosa
Magalhães e Lícia Lacerda, o enredo sobre a história das escolas de samba, de
autoria de Fernando Pamplona, que se chamaria "Praça Onze, Candelária, Sapecaí" , transformou-se em "Bum Bum Paticumbum Prugurundum", citado por Ismael Silva em uma
entrevista ao jornalista Sérgio Cabral.;
E assim a escola atravessou a Marquês da Sapucaí.
Na pista, o Império foi gigante, mostrando um carnaval alegre, visualmente
bem programado e com grande participação popular, mesmo entrando na Avenida
quando já passavam das 10h de uma manhã ensolarada de carnaval, num calor de
rachar.
Duas marchinhas e dois sambas dominaram as ruas e os salões:
GAROTA DE SAINT TROPEZ , de Braguinha, na voz de Jorge Veiga, falando da moda da calça comprida feminina de cós baixo e com umbigo aparecendo. Uma ousadia !
A letra dizia...
Uh lá lá, uh lá lá
Você é mais você
Com umbiguinho de fora
Garota de saint-tropez (BIS)
Laranja da Bahia
Tem umbiguinho de fora
Por que é que
você Maria
Escondeu o seu até agora?
VOU TER UM TROÇO, deArnô Provenzano, Otolindo Lopes e Jackson do Pandeiro com Jackson de Pandeiro
ÔBA de Oswaldo Nunes
Esse samba popularizou, de vez, os chamados blocos de embalo. Esse samba era o samba do ano do bloco Bafo da Onça, fundado no final dos anos 50 no bairro do Catumbi. Reunia cerca de 1,5
mil pessoas na Avenida Rio Branco e a voz - e a alma - do Bafo era OswaldoNunes, compositor dos lindos sambas do bloco.
Em 1962, o Bafo da Onça trouxe para a avenida o samba ÔBA, instituindo uma paradinha especial da bateria no compasso do verso. Foi um sucesso!
SE EU MORRER AMANHÃ, de Garcia Jr. e Jorge Martins, na interpretação de Gilberto Alves.
Há 60 anos começaram a ser
montadas arquibancadas para o público assistir aos desfiles, mas sem cobrança de ingresso do público, que foi instituída em 1961.
A escola de samba propriamente dita só completou seu ciclo de formação com as
características de escola de samba, no ano de 1952.
Nesse ano, o regulamento
dos desfiles obrigou asescolasde samba a virem
fantasiadas, com samba de enredo e alegorias e adereços. Esses novos quesitos
completaram a espinha dorsal das escolas de samba, diferenciando-se em
definitivo dos blocos.
Em 1952, as
agremiações passaram a desfilar em um tablado da Avenida Presidente Vargas e se
diferenciaram, em definitivo, dos blocos. As alas deixaram de vir uniformizadas,
passando a saír fantasiadas. Surgiram os sambas de enredo, as alegorias e os
adereços obrigatórios.
Osdesfilessaíram do tablado
em 1957 e chegam à Avenida Rio Branco.
As marchinhas de 1952, entraram para a lista dos sucessos de sempre.
Nesse ano surgiram MARIA CANDELÁRIAde Armando Cavalcanti e Klécius Caldas, na voz do "general da banda" BLECAUTE e SASSARICANDO de Armando Cavalcanti, Klécius Caldas, e J. Junior, na interpretação de VIRGÍNIA LANE
A música em um trecho do filme Tudo Azul
Outra cena do filme Tudo Azul, dirigido por Moacyr Fenelon.