Mostrando postagens com marcador cariocas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cariocas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

O carioca Oscar Niemeyer, aniversariante de dezembro

 Oscar Niemeyer nasceu no bairro de Laranjeiras, na rua Passos Manuel, que receberia no futuro o nome de seu avô Ribeiro de Almeida, ministro do Supremo Tribunal Federal.

Para a sua cidade natal deixou obras marcantes, que aqui destacamos três delas, como nossa homenagem e respeito ao grande arquiteto. 

Seu primeiro projeto individual,  no Rio de Janeiro , foi a Obra do Berço, em 1937  e inaugurado em 1938, no bairro da Lagoa.. Neste edifício nota-se a presença dos elementos defendidos na arquitetura moderna e a influência do arquiteto francês Le Corbusier: o pilotis, a planta livre, a  fachada livre -  possibilitando a abertura total de janelas -  o terraço-jardim e o brise-soleil, pela primeira vez utilizado na vertical.



maquete


O edifício do MEC, inaugurado em 1943, foi outro marco em sua carreira. Em 1936, o escritório onde Niemeyer trabalhava como estagiário, dirigido por Lúcio Costa e Carlos Leão, foi chamado pelo então ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema (que anulara o concurso público ganho por Archimedes Memoria), para projetar o novo edifício do Ministério. Foi montada uma equipe de arquitetos, que trabalharam sob assessoria ao arquiteto Le Corbusier. Essa equipe era formada por Affonso Eduardo ReidyErnani VasconcellosJorge MoreiraCarlos Leão e Oscar Niemeyer.

O edifício do MEC eleva-se da rua apoiando-se em pilotis, o que mantém o prédio "suspenso", permitindo o trânsito livre de pedestres por baixo dele. Ainda, o prédio uniu os maiores nomes do modernismo brasileiro, com azulejos de Portinari, esculturas de Alfredo Ceschiatti e jardins de Roberto Burle Marx e é considerado o primeiro grande marco da arquitetura moderna no Brasil.





A casa das Canoas nome da estrada em que se encontra,  na realidade Rua Carvalho de Azevedo, em São Conrado - construída como sua residência é outro destaque  de sua arquitetura. Construída em 1951 e 52,  foi tombada em 2007 pelo IPHAN. Ela é uma diferenciada integração entre espaços arquitetônicos abertos e ambiente natural de rochavegetação e água, uma das mais indiscutíveis obras-de-arte de Niemeyer.





" MINHA PREOCUPAÇÃO FOI PROJETAR ESSA RESIDÊNCIA COM INTEIRA LIBERDADE, 
ADAPTANDO-A AOS DESNÍVEIS DO TERRENO,
 SEM O MODIFICAR, FAZENDO-A EM CURVAS, 
DE FORMA A PERMITIR QUE A VEGETAÇÃO NELAS PENETRASSE, 

SEM A SEPARAÇÃO OSTENSIVA DA LINHA RETA."



Uma curiosidade:
Dois anos depois de concluída a casa, o fundador da Bauhaus, Walter Gropius – que havia recentemente abandonado seu cargo como Diretor da Escola de Arquitetura de Harvard – veio ao Brasil para ser jurado do Prêmio de Arquitetura, da 2ª Bienal de São Paulo. E como era de se imaginar, os dois gênios se encontraram e Niemeyer o convidou para uma visita na Casa das Canoas. Gropius, precursor do funcionalismo e radicalmente contra o pensamento singular e individualista na arquitetura e no design, conheceu a tal casa, e comentou: " Sua casa é bonita, mas não é multiplicável".
E, nitidamente, ergueu uma discussão, e disse:
“A Bauhaus, que é a turma mais imbecil que apareceu, chamava a arquitetura de a casa habitat. Não interessava a forma, desde que o quarto estivesse perto do banheiro, a cozinha perto da sala e funcionasse bem. Foi um período de burrice que conseguimos vencer. A escola que eles construíram nunca ninguém pensou nela, porque não tem interesse nenhum, ninguém nunca ouviu falar. E o chefe do negócio, o Walter Gropius, era um babaca completo. Ele foi na minha casa nas Canoas, subiu comigo e disse a maior besteira que já ouvi: “Sua casa é muito bonita, mas não é multiplicável”. Pensei: que filho da puta! Para ser multiplicável teria que ser em terreno plano, teria que procurar um terreno igual e meu objetivo não era uma casa multiplicável, era uma casa boa para eu morar. Eles eram assim, sem brilho nenhum. E o trabalho que ele deixou é um monte de casas que se repetem. Foi um momento que ameaçou a arquitetura, mas Le Corbusier e os outros reagiram. Foi um momento em que a burrice queria entrar na arquitetura, mas foi reprimida.”

É claro que nenhum deles estava certo – ou errado. Tanto Gropius quanto Niemeyer são nomes cravados na história da arquitetura, com pensamentos e características únicas. E mesmo Niemeyer, que criticou com mão de ferro a Bauhaus, com certeza a usou como inspiração para desenvolver os Ministérios de Brasília, assim como toda a gama de prédios residenciais e comerciais na nova capital do país: projetos multiplicáveis, funcionais e pensados para o “todo”, e não no indivíduo. 

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Em tempos de saúde...



"A ignorância é uma calamidade pública ..."

Essas palavras são do Dr. Miguel Couto, primeiro ministro da Saúde do Brasil. 


Terceiro ocupante da Cadeira 40, da Academia Brasileira de Letras,  Miguel Couto foi eleito em 9 de dezembro de 1916, na sucessão de Afonso Arinos.

Ainda antes da Revolução de outubro de 1930, proferira Miguel Couto, na Associação Brasileira de Educação, a 2 de julho de 1927, uma conferência em que apresentava um projeto sobre educação, largamente distribuído em todas as escolas normais e institutos profissionais da então Capital Federal. Era sugerida, nesse documento...

 ... a criação do Ministério da Educação, 
com “dois departamentos: o do ensino e o da higiene”.

QUANTA SABEDORIA!

REMEXENDO NO BAÚ... há dez anos...
Saiba outras curiosidades sobre esse carioca ilustre...clique AQUI.

terça-feira, 26 de junho de 2018

A carioca Adalgisa Colombo, a mais bela de 58, há 60 anos















(clique nas fotos para ampliar)


 recortes jornal O GLOBO, de 23 de junho de 1958

domingo, 27 de agosto de 2017

O carioca Wilson das Neves...


Resultado de imagem para wilson das neves

...não foi pouca coisa, não!

Wilson das Neves acompanhou a pianista Carolina Cardoso de Menezes, tocou  com o pianista Eumir Deodato no conjunto Os Catedráticos, e com  Durval Ferreira no grupo Os Gatos.

Acompanhou artistas como Elis Regina, Egberto Gismonti, Wilson Simonal, Elizeth Cardoso, Roberto Carlos, Francis Hime, Taiguara.

Resultado de imagem para wilson das neves

Em 1975 participou da gravação dos emblemáticos discos Lugar Comum, do músico João Donato; Meu Primeiro Amor, da cantora Nara Leão e tocou timbales no clássico África Brasil, de Jorge Ben.

Figura presente no samba, o baterista tocou ao lado de grandes nomes do gênero como João Nogueira, Beth Carvalho, Cartola, Nelson Cavaquinho, Clara Nunes, Roberto Ribeiro, dentre outros.

Era " imperiano", onde marcava presença tocando tamborim na bateria da Império Serrano.



Resultado de imagem para wilson das neves
Como compositor, foi parceiro de Aldir Blanc, Paulo Cesar Pinheiro, Nei Lopes, Ivor Lancellotti, Moacyr Luz e Chico Buarque, com quem tocava desde 1982.

Em mais de cinquenta anos de carreira como baterista, participou de mais de 600 gravações, pra nosso deleite.











RIP,
grande Wilson das Neves!


quinta-feira, 27 de julho de 2017

Na onda do carioca Lima Barreto


Com a FLIP deste ano homenageando Lima Barreto, o escritor carioca fica na onda e vira moda.

Desde sempre já é aqui no blog, que relembra que o  primeiro RIO QUE MORA NO MAR, em  28 de fevereiro de 2008, se inspirou em... Lima Barreto.

Aliás, esse texto do RIO QUE MORA NO MAR foi e é plagiadíssimo em vários blogs internet afora desde então, e, infelizmente, sem os devidos créditos.


Remexendo no baú,
trago à tona  três posts,
em que falo desse carioca genial.

Vale (re)ler!

  Ressacas  






sábado, 24 de junho de 2017

Festa de São João


Festa de São João (1961)
de Heitor dos Prazeres, 
o pintor e poeta carioca
que gostava de retratar a vida
nas antigas favelas cariocas.
Festa de São João (1961) - Heitor dos Prazeres:



Nasceu no Rio de Janeiro, em 1898, e aqui faleceu em 1966. Cresceu na cercanias da zona do Mangue e da Praça 11. Aos 7 anos de idade trabalhava na rua. Frequentou as primeiras rodas de samba na casa da Tia Ciata. Está entre os fundadores da escola de samba Mangueira; e também 'Vai Como Pode', hoje Portela, nos anos 20.

Resultado de imagem para heitor dos prazeresExpoente do cavaquinho, criou um método revolucionário para o instrumento. Compositor, instrumentista e letrista, em parceria com Noel Rosa compôs a música carnavalesca Pierrô Apaixonado. Notabilizou-se como compositor de música popular. Foi um dos grandes compositores do samba carioca. Conviveu com sambistas como João da Baiana, Ismael Silva, Alcebíades Barcelos (Bide), Marçal, Cartola e muitos outros que participaram da criação das primeiras escolas de samba.

Em meados dos anos 30 começou a pintar mulatas, malandros, o samba e o mundo da favela. Participou da Bienal de São Paulo em 1951. Fez diversas individuais no Brasil e mostras nacionais e internacionais. Um se seus quadros foi adquirido pela rainha da Inglaterra.

Crianças brincando de soltar balão e pipas, pular corda e jogar argolas, homens jogando sinuca e baralho, jovens em festas juninas e rodas de samba são algumas situações que Heitor dos Prazeres mostrou em seus quadros coloridos e alegres. Uma das características mais marcantes em seus trabalhos são os rostos das pessoas sempre pintados lateralmente e com a cabeça e o olhar para o alto.

A origem de garoto pobre da Praça Onze fez de Heitor dos Prazeres um artista sensível à vida e à cultura carioca.


terça-feira, 23 de maio de 2017

Mário Reis, o canto carioca bossa-nova e pioneiro


Em dobradinha com o blog NOSSOS VIZINHOS ILUSTRES, falamos aqui, também, de Mário Reis.

Destacamos o LP  Ao Meu Rio, de 1965,  que Mário Reis gravou, pela legendária gravadora Elenco, à convite de Aloysio de Oliveira. Um fantástico disco em homenagem ao  IV Centenário do Rio de Janeiro.




Intérprete revolucionário da canção brasileira, considerado um dos precursores da Bossa Nova, no LP “Ao meu Rio” ele regravou alguns de seus maiores sucessos. O disco tem arranjos e regência do maestro Gaya.

As faixas...
  • cadê mimi
  • jura
  • o destino é deus
  • quem dá
  • flor tropical
  • quando o samba acabou
  • agora é cinza
  • sofrer é da vida
  • pelo telefone
  • linda morena
  • dorinha meu amor
  • gavião calçudo
  • formosa







sexta-feira, 27 de março de 2015

Hermínio Bello de Carvalho completa 80 anos...

... no próximo dia 28 de março.  


O produtor, poeta e letrista parceiro de grandes como Cartola, Dona Ivone Lara e Paulinho da Viola e   descobridor -  na Taberna da Glória -  do talento de Clementina de Jesus, sempre seguiu à risca seu mestre inspirador Mário de Andrade :“ ter os ouvidos atentos a tudo o que há de bom no mundo".

E sempre fez isso.

Na Rádio Nacional, como ouvinte e frequentador, onde conheceu mestres como Radamés Gnattali; na escola pública onde estudou canto orfeônico; na igreja e o canto gregoriano; no Teatro Municipal dos Concertos para a Juventude; quando ouviu Aracy de Almeida cantando Noel.

Em recente entrevista se definiu como o“mulato de cabelos brancos e olhos verdes ...que tem  uma atração quase sexual pela estranheza ", revelando " a admiração pela rouquidão de Louis Armstrong, a dramaticidade misturada à languidez e ao torpor da bebida de Billie Holliday, o ineditismo do canto de Aracy de Almeida, o violão e a voz de Nelson Cavaquinho, a estranheza introspectiva de Zezé Gonzaga, que cantava como se passasse uma pátina de ouro pela canção."

"Clementina.
Quando a ouvi,
tive materializada
toda a estranheza fascinante
que poderia imaginar."


  Hermínio foi também o responsável por marcos na cena carioca como o espetáculo Rosa de ouro e o Projeto Pixinguinha.

Rosa de Ouro acaba de completar 50 anos. O espetáculo  produzido por Kleber Santos  para o Teatro Jovem, há  revelou, aos 63 anos, uma das mais autênticas e talentosas cantoras brasileiras, Clementina de Jesus, possibilitou o reencontro com o público da maior estrela de revista dos nossos palcos, Aracy Cortes, além de lançar  o mais representativo conjunto vocal dos morros cariocas, formado por compositores das escolas de samba Estação Primeira, Portela, Acadêmicos do Salgueiro e Aprendizes de Lucas.

VIVAS A
HERMÍNIO BELLO DE CARVALHO!




sábado, 21 de março de 2015

100 anos do carioca Haroldo Barbosa

Ele nasceu em 21 de março de 1915. Autor de rádio, TV e sambas-canção, Haroldo Barbosa mereceria todas as homenagens no seu centenário, mas a memória nacional anda desmemoriada.

O jornalista e pesquisador João Máximo escreveu belo texto, que merece aqui ser reproduzido.

" Os 100 anos de Haroldo Barbosa (nasceu em 21 de março de 1915) deveriam ser comemorados ao mesmo tempo pelo rádio, pela televisão, pela música, pelo Rio. O Jockey Club poderia reeditar o prêmio que dedicou a ele após sua morte em 1979. E a boemia inteligente e bem-humorada do carioca – se é que ainda existe – faria sua parte erguendo copos num bar do Centro (talvez o Villarino) para saudar um de seus melhores representantes. Pois Haroldo Barbosa, artista-símbolo de um Rio de Janeiro que se foi, merece tudo isso.
Sua importância não está apenas em ter atuado em tão diferentes áreas (há quem o aponte como nosso primeiro artista multimídia). Nem está em ter feito quase tudo com impressionante qualidade. Uma coisa e outra, evidentemente, contam. Mais vale, porém, a marca que ele deixou em cada uma de suas múltiplas atuações. O humor do rádio e, mais tarde, da televisão, teve nele e em seu principal parceiro, Max Nunes, dois fixadores do gênero. Seus programas na Tupi (”Cidade Alegre”, “Favelinha”) e na Mayrink Veiga (“A cidade se diverte”, “Levertimentos”, “Vai da Valsa”) ajudaram a projetar Sérgio Porto e Antônio Maria como roteiristas e revelaram talentos de comediantes como Chico Anísio. Ao trocar o rádio pela televisão, com passagens pela Tupi e Excelsior, antes de chegar à Globo, Barbosa contribuiu para que a linguagem do humor (antes, apenas sonora) adquirisse cores novas com a inclusão da imagem. Do que são provas “Satiricon”, “Faça humor, não faça a guerra”, “Planeta dos homens”, sempre com a cumplicidade de Max Nunes. Entre as criações de Barbosa ainda reprisadas (e imitadas), está a “Escolinha do professor Raimundo”.
Toda essa formação, porém, vem mesmo do rádio. Nascido em Laranjeiras e criado em Vila Isabel – onde conviveu com Noel Rosa e, mais ainda, com Hélio, irmão mais moço de Noel – Barbosa chegou a atuar como contrarregra do famoso “Programa Casé”. De início, substituindo o irmão, Evaldo Ruy, que ainda conquistaria seu lugar como letrista, parceiro de Custódio Mesquita. No rádio, Haroldo seria praticamente tudo: contrarregra, sonoplasta, redator de publicidade, produtor, discotecário, arquivista, locutor auxiliar de Oduvaldo Cozzi em transmissões esportivas e até cantor. Com o pseudônimo de Harold Brown, e imitando Al Jolson, não durou muito em mais esse ofício. Preferiu ser secretário e braço direito de um cantor de verdade, Francisco Alves, então conhecido como o “Rei da Voz”.
"PRA QUE DISCUTIR COM MADAME"
Nessa época, já estava na Rádio Nacional, onde cumpriria papel fundamental na transformação da emissora na mais importante do país, fenômeno de comunicação na época. Ali, além de discotecário e arquivista, Haroldo Barbosa chegou a escrever e produzir oito programas por semana, mais três novelas e dois humorísticos. Foi um dos criadores de “Um milhão de melodias”, luxuoso musical para lançamento da Coca-Cola no Brasil. Para esse programa, criou perto de 500 versões de música estrangeira. Embora, paralelamente, já tivesse a seu crédito algumas excelentes sambas (“Adeus, América” e “Tintim por tintim”, ambos com Geraldo Jacques; e “Eu quero um samba” e “Pra que discutir com madame?”, com Janet de Almeida; e “De conversa em conversa”, com Lúcio Alves), sua atividade musical nesse período concentrou-se nas versões, a maior parte para o mesmo Francisco Alves cantar em seu programa semanal “A canção romântica”.
Haroldo Barbosa foi muito criticado por fazer tanta versão. Até os músicos da Nacional, Radamés Gnattali, Lyrio Panicalli, Léo Peracchi, reconheciam sua musicalidade. Capaz de criar com o maestro Carioca a fanfarra de metais que anunciava o “Repórter Esso”, de transformar cançoneta francesa em prefixo de César de Alencar, de ajudar a criar o sinal sonoro da emissora (“Luar do Sertão” pelo vibrafone de Luciano Perrone) e de produzir inúmeros jingles, os admiradores achavam que devia se dedicar mais à música brasileira. Ele contra-argumentava: se o repertório de “Um milhões de melodias” era internacional, melhor que fosse cantado bem, em português, do que mal, em outro idioma.
"O PANGARÉ" NO TURFE
De 1950 a 1963, Haroldo Barbosa assinou no Globo uma coluna de turfe intitulada “O pangaré”. Notas e crônicas saborosas, invadindo os bastidores das corridas de cavalo, substituíam as seções tradicionais de palpites. Por muito tempo, segundo sua filha, a escritora Maria Carmem Barbosa, ele se dividiu entre dois meios quase opostos: o do pessoal do rádio e da música, o seu preferido, e o do Jockey Club, onde convivia com “ricos e poderosos”. Dono de oito cavalos, escrevendo sobre turfe, apaixonado pelas corridas, fazia o possível para se sentir em casa. Um dia, um dos ricos e poderosos, o ex-ministro Osvaldo Aranha, convidou Barbosa para um churrasco em seu haras.
– Era o Haras Vargem Alegre, em Barra do Piraí – lembra Maria Carmem. – Fomos todos, papai, mamãe, eu, meus irmãos. Conhecemos o lugar, realmente maravilhoso, mas voltamos sem que papai fosse cumprimentar Osvaldo Aranha. De noite, já deitado, paletó de pijama aberto, ele recebeu telefonema do próprio Osvaldo Aranha, muito zangado por papai ter saído sem falar com ele. Papai ouviu a bronca já de pé, paletó de pijama fechado, como se em posição de sentido diante de um superior.
Longe do Jockey, outro homem: confiante, seguro, consciente de seu valor e com reconhecido poder de sedução sobre os amigos da roda. No Villarino, pontificava. Foi o bar onde Tom virou parceiro de Vinicius – e onde se reunia a boemia vespertina de radialistas, jornalistas, músicos, artistas vários, antes de partirem para a noite da Zona Sul. Trabalhavam todos no Centro. Foi no Villarino que, em 1955, o tricolor Haroldo Barbosa e o rubro-negro Ary Barroso apostaram os bigodes num Fla-Flu. Tendo o Fluminense vencido por 4 a 2, Haroldo não perdoou: ele e a turma foram descobrir Barroso escondido na casa das irmãs Batista e lhe rasparam o bigode.
A boemia vespertina e o turfe o aproximaram do que seria o seu grande parceiro musical nos anos 60, o maranhense Luís Reis, 11 anos mais moço. Além de comentar turfe para a Rádio Jornal do Brasil, onde os cabelos longos valeram-lhe o apelido de El Cabellera, Luiz tocava um piano cheio de bossa e era inspirado melodista. Os sambas que fizeram juntos dizem bem dos dois lados do Haroldo letrista. Por eles, via-se que, por trás do humorista, havia o lírico, o apaixonado.


Se há graça nos versos de “Palhaçada” (“Cara de palhaço, pinta de palhaço, roupa de palhaço...”), “Fiz o bobão” e “Só vou de mulher”, é o amor que faz de “Nossos momentos”, “Canção da manhã feliz” e “Moeda quebrada” alguns dos melhores momentos do samba-canção romântico pós-bossa nova. 
 
NEM DO MORRO NEM GRÃ-FINO
 
A opção por esse tipo de música foi atitude consciente. Barbosa e Reis, que morreria quatro meses depois do parceiro, jamais quiseram fazer sambão, onda que voltava mais uma vez. Muito menos aderir à bossa nova.
 
– Meu pai permaneceu fiel a ele mesmo – opina Maria Carmem. – Não era sambista de morro, de onde vinha o sambão, nem grã-fino da Zona Sul, como a turma da bossa nova.
 
Por ironia, João Gilberto ainda iria se dedicar a um repertório repleto de antigas coisas de Haroldo Barbosa, enquanto este, de braço dado com Luiz Reis, ousava fazer um tipo de canção romântica que os bossanovistas combatiam. Felizmente para todos, as duas bossas coexistiram.
 
Elizeth Cardoso foi a lançadora de quase todas essas canções românticas.
 
Por ser cantora sob medida para elas – e pela amizade que tinha com Haroldo desde o tempo em que Evaldo Ruy era apaixonado por ela. Barbosa jamais se refez da perda do irmão (alcoólatra como o pai de ambos, Evaldo suicidou-se em 1954). Como boêmios, os dois irmãos só não se pareciam no tocante à bebida, sendo Haroldo um consumidor moderado. Mas, embora com estilos distintos, havia muito de paixão nas respectivas letras. Haroldo, como Evaldo, teve muitas mulheres, além da primeira esposa, Maria, mãe de Lucena, Maria Carmem e Haroldinho. Numa entrevista em que conta como fizeram “Nossos momentos” (numa festa barulhenta, entre ruídos de copos e sons de vitrola), Reis disse acreditar que se conhecia Barbosa muito mais pelas canções de amor do que pelas piadas."




sábado, 5 de julho de 2014

Um encontro inusitado de dois cariocas




Aliás, um encontro de dois cariocas ...
inspirado por um inglês: 

Machado de Assis, 
Carlos Lyra e... 
Shakespeare







Machado de Assis escreveu
o lindo poema Quando ela fala,
em homenagem à sua amada Carolina.

Quando ela fala, parece
Que a voz da brisa se cala
Talvez um anjo emudece
Quando ela fala

Meu coração dolorido
As suas mágoas exala
E volta ao gozo perdido
Quando ela fala

Pudesse eu eternamente
Ao lado dela, escutá-la
Ouvir sua alma inocente
Quando ela fala

Minh'alma, já semimorta
Conseguira ao céu alçá-la
Porque o céu abre uma porta
Quando ela fala

Esse poema comprova  o contrário de muitas afirmações a respeito de Machado de Assis, de que seria um prosador puro. Esse poema é lírico, leve, gracioso como só um poeta poderia fazer. Quem não tem a vocação da poesia, não tem a singeleza própria de um poeta.

Machado , grande prosador, grande poeta! Ele publicou duzentos e setenta e oito poemas e quase 21 mil versos.

Em 1999, Carlos Lyra musicou o poema Quando ela fala.

A canção foi interpretada por sua filha Kay Lyra na cerimônia do translado dos restos mortais do escritor e de sua esposa Carolina para o Mausoléu da Academia Brasileira de Letras.


Onde está Shakespeare na história?

 Machado um apaixonado dele, se inspirou nos seus versos

“She speaks!/ O speak again, bright angel!”
da fala de Romeu,  em Romeu e Julieta , que escreve como epígrafe do poema Quando ela fala.

Versos do século XIV,
inspiram um poema no século XIX ,
que ganha melodia no século XX.


QUE PARCERIA!




domingo, 23 de março de 2014

O Anjo Surfista Carioca

Uma vez por mês, dezenas de devotos fazem peregrinação ao túmulo de um surfista no Cemitério São João Batista, em Botafogo. No jazigo estão os restos mortais de Guido Vidal França Schäffer, médico e seminarista de 34 anos, morto há cinco, quando surfava no mar do Recreio dos Bandeirantes. Fiéis deixam no local placas de mármore em reconhecimento às graças alcançadas. Morador de Copacabana, Guido poderá se tornar o mais novo santo brasileiro.


 
O primeiro passo rumo a sua canonização será dado no dia 12 de maio, quando o delegado episcopal para a Causa dos Santos da Arquidiocese do Rio, Dom Roberto Lopes, irá a Roma para dar entrada no processo de beatificação no Vaticano.

Dezenas de devotos se reúnem para missa todo dia 22 próximo ao túmulo de Guido Schäffer, no Cemitério São João Batista. Corpo será exumado e transferido para uma igreja
Foto:  Fernando Souza / Agência O Dia

A Congregação para as Causas dos Santos terá que conceder o ‘nihil obstat’, uma espécie de nada consta, para que Guido se torne beato. A previsão é que a autorização saia em até seis meses. A partir daí, será instalado no Brasil o Tribunal Arquidiocesano para analisar a santidade na vida do médico, nascido em 1974.
O corpo de Guido será exumado e levado para uma das igrejas que frequentava, na Zona Sul. “É um caso interessante. Ele era médico dos pobres. Tinha forte liderança na evangelização dos jovens e um grande coração”, reconhece Dom Roberto.

O religioso é o responsável por reunir material, como depoimentos, laudos, exames e fotos, que comprovem a existência de um milagre operado por intercessão do médico seminarista.

Inúmeros relatos de cura têm sido atribuídos a Guido, como o de uma criança que se salvou de uma hipotonia severa (fraqueza muscular que leva à perda de movimento das pernas e braços), e o de uma freira que se curou de diabetes.

O pai Guido Schäffer, 77 anos, diz que o filho intercedeu por ele em cirurgia. Maria Nazareth, a mãe, se emociona ao falar de sua vocação
Foto:  Fernando Souza / Agência O Dia

Um dos casos mais impressionantes é o da bacharel em Direito Márcia Sacramento, 43 anos, que chegou a trabalhar com Guido, no serviço voluntário na Santa Casa de Misericórdia do Rio. Ela conta que logo após a morte do amigo, se casou e foi viver na Alemanha. Dois meses depois, durante uma viagem a um mosteiro na Itália, diz ter tido uma visão do seminarista. “Eu o enxerguei vindo na minha direção. Depois ele sumiu e uma criança me perguntei se eu estava esperando um bebezinho. Nem sabia, mas já estava grávida”, se emociona. A gravidez não foi fácil. Com uma gestação de risco devido a sangramentos frequentes, Márcia apelou a Guido. Na mesma noite, os sangramentos cessaram. “Para mim foi um milagre”, acredita Márcia, que deu ao filho o nome de Guido.
O pai, o médico Guido Schäffer, 77 anos, também diz ter sentido a mão do filho na mesa de cirurgia. “Fui operado da coluna. Sentia dores terríveis. Nenhum remédio fazia efeito, e eu já não conseguia levantar da cama. Meu médico alertou minha esposa que eu poderia não sair vivo do hospital. Mas não só me recuperei, como nunca mais tive crises”.

São Francisco carioca para os devotos
A vocação de Guido foi percebida por sua mãe, Maria Nazareth, 65 anos, ainda na infância. “Com 6 anos, eu o encontrei chorando no quarto. Disse que havia visto Jesus, e Ele havia lhe dito para obedecer os pais e prestar atenção no que o padre dizia porque um dia iria cuidar dos outros”, diz, emocionada.

Para ela, a santidade do filho se manifestava no amor aos pobres. “Guido dava tudo o que tinha. Voltava para casa descalço e sem casaco se alguém estivesse com frio”, lembra Maria. Segundo ela, os mais gratos eram moradores de rua. “Eles diziam que as pessoas davam comida, mas só o Guido sentava do lado e os ouvia”, conta a mãe.

Márcia atribui a Guido a graça de ter sido mãe. No túmulo, fiéis colocam placas de agradecimento. Ele morreu afogado surfando há cinco anos
Foto:  Bruno de Lima / Agência O Dia / Reprodução

Dom Roberto Lopes também acredita na sua santidade. “Guido era um homem do século 20 e, ao mesmo tempo, um São Francisco carioca, que serve de modelo para a Igreja e para a juventude mundial”, ressalta.
Apesar do pouco tempo desde sua morte, a fama de santo do seminarista já correu o mundo. “Já enviei santinhos dele para Filipinas, França, Peru e África do Sul”, enumera a mãe. Por mês, mais de 1 mil pessoas visitam o site (guidoschaffer.com.br). Em maio, será lançado um documentário sobre sua vida, baseado no livro ‘O Anjo Surfista’ .


reprodução - Jornal O DIA/Maria Luisa Barros

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Vinícius de Moraes 100 anos! VIVA!


 
Onde anda você...?


É verso da sua bela canção...

...que agora inspira o blog pra encontrar, nos dias atuais, o poetinha carioca.
Encontrar na sua música, nos seus versos, textos, sorrisos, shows gravados.Tanto material que nos traz de volta seu jeitinho, sua vidinha, plagiando os diminutivos tão presentes na sua fala.

Certa vez, dele disse Carlos Drummond de Andrade:
"Vinicius é o único poeta brasileiro
que ousou viver sob o signo da paixão.
Quer dizer, da poesia em estado natural.
Eu queria ter sido Vinicius de Moraes". 

Otto Lara Resende assim o definiu:
"Manuel Bandeira viveu e morreu
com as raízes enterradas no Recife.
João Cabral continua ligado à cana de açúcar.
Drummond nunca deixou de ser mineiro. 
Vinicius é um poeta em paz com a sua cidade, o Rio.
É o único poeta carioca.
 

Mas Vinicius dizia, de si mesmo, nada mais ser que

"um labirinto em busca de uma saída."

Por falar em saudade...

Quero nessa semana de seu centenário recordar, e homenagear, o grande Vinícius, listando vários posts, aqui do blog, que passeiam pela sua obra e vida.

Clique e saboreie!

Vinicius 95 anos, parte1

Vinicius 95 anos, parte2

Vinicius 95 anos, parte 3

Vinicius 95 anos, parte 4

Vinicius 95 anos, parte 5

Vinicius, trinta anos sem o poetinha

Vinicius e a garota de Ipanema

Vinicius e o Orfeu Negro

Ernesto Nazareth e Vinicius de Moraes

Vinicius, o filme

"...cada volta tua há de apagar
o que esta ausência tua me causou..."
 
VIVA DIA 19 DE OUTUBRO, CENTENÁRIO DE VINÍCIUS DE MORAES!

terça-feira, 9 de julho de 2013

Aizita Nascimento...a carioca que revolucionou o Maracanãzinho



Todos os anos, entre maio e junho a cidade se envolvia e torcia por sua representante das passarelas.
Era tempo de desfiles no Maracãzinho. Era tempo de Miss Guanabara!

Assim, naquele junho de 1963, entre mais de duas dezenas de concorrentes, que desfilavam  oito jovens  eram anunciadas  finalistas do concurso Miss Guanabara 1963, dentre elas, a mulata Aizita Nascimento. Aizita Nascimento , enfermeira formada, era a representante do Renascença Clube.




O Renascença Clube foi um clube fundado em 1951, por um grupo de 29 negros pertencentes à classe média, cansados das discriminações sofridas em outros clubes e agremiações do Rio de Janeiro. Criado como um espaço social  e cultural próprio, o Renascença nasceu numa casa antiga, pequena, com grande quintal arborizado, localizada no bairro do Méier , na Rua Pedro Carvalho e mais tarde se mudou para o atual endereço, Rua Barão de São Francisco.

O público daquele sábado ,que lotava o Maracanãzinho - estimado em 25 mil pessoas - queria o título para Aizita Nascimento e gritava ... QUEREMOS A MULATA !

Vi tudo isso pela televisão. Tinha 10 anos. A transmissão pela TV do concurso de miss ía ao ar pela antiga  TV Tupi.

Mas o resultado foi decepcionante. Quando foi anunciado , um choque:  Aizita Nascimento em ...SEXTO lugar.
 Miss Fluminense , Vera Lúcia Maia e  Miss Clube Riachuelo, Eliane Silveira, tinham empatado no primeiro lugar  com 50 pontos.

E Vera Lúcia Maia ganhou no desempate.
BAITA SURPRESA!


Muitas vaias, inconformismo e constrangimento, com a continuação do grito QUEREMOS A MULATA !

Aliás, QUEREMOS A MULATA,  é o título da crônica do jornalista Henrique Pongetti, na revista MANCHETE, publicada na edição de 6 de julho de 1963, sobre o acontecido.

Voilá...
"Como quase todo mundo sabe, fiz parte dos olheiros que escolheram a Miss Guanabara deste ano. Doce tarefa! Sobretudo muito melhor do que fazer parte do júri para eleger um daqueles gigantes bolotudos, de músculos pulando fora do corpo, tipo Mister Universo, nos quais a robustez chega a parecer um abuso contra a natureza, e dos quais as próprias mães que os tiveram pequeninos, iguais aos outros, devem levar constantes sustos.

Mas se doce é a tarefa, nem por isso deixa de ser difícil. Entre seis mulheres de uma beleza equivalente, você, juiz, fica num drama de consciência terrível. Tem vontade de escrever o nome delas em papelinhos e de fazer o sorteio. Saiu a Riachuelo no lugar da Flamengo? Ou a Madureira no lugar da Fluminense ? Quem manda não haver uma esmagadoramente bela para ganhar à primeira vista e deixar sem sentimento de culpa o júri e sem pretexto de vaias a torcida?

Acresce que a beleza, para a maioria do povo, não obedece a cânones: é uma opinião, ou melhor dizendo, uma sensação. Se tiver quadris bem roliços, se estiver mais para a tanajura do que para a Miss Universo, ganhará aplausos frenéticos ao longo de toda a passarela. O público não quer Donas Estátuas: quer Donas Boas.

É isso mesmo, meu amigos. Eu sou um esteta., vi de perto a Vênus de Milo, estou em excelentes relações com Fídias e outros “ cobras” da estatuária, sei de cor as medidas julgadas ideais para um corpo feminino, tomei banho de sol com as mais certinhas de Saint-Tropez e de Portofino, mas o homem da arquibancada do Maracanãzinho não tem nada com isso. Se eu aprovo a cara, ele aprova a coroa. Jogamos com a mesma moeda de forma inconciliável: numa face a minha Vênus, na outra face a sua alucinante tanajura.

- É bonita, não resta dúvida, mas repare como é defeituosa de quadris.
- Defeituosa? O senhor acha defeito aquela generosidade de Deus? Então viva o defeito e fique com aquelas achatadas, aquelas tábuas de passar a ferro!
- Um momento: o senhor conhece os cânones da beleza mulata?

Havia uma mulata do Renascença Clube na passarela do Maracanãzinho. Uma cara bonita, com um sorriso desses que dão vontade de pegar a mulher no colo e sair com ela sorrindo entre filas de angustiados e de vencidos. Um sorriso para cartazes de campanhas contra a depressão, pró planos trienais, ou muito mais. Contagioso, sedativo, euforizante. Eu votei nela para uma das oito finalistas. Pelo seu sorriso, pela sua maneira de olhar deixando mel na menina dos olhos da gente, pela sua humanidade em não se sentir diferente das outras vinte e três por ter a pele mais escura.

Não poderia vencer o primeiro lugar porque havia outras de corpo mas bem feito e de rosto igualmente bonito, e certamente mais harmonioso. Era um pouco baixa e pecava também por aquele excesso característico da acima referida espécie de formigas. Que pensava o povo a respeito?

Ora, o povo! O povo acabou, como sempre, que num caso desses, antes tanajura do que tábua de passar a ferro, e esquecendo seus clubes e suas candidatas passou a pedir em coro o primeiro lugar para ela: - Queremos a mulata ! Queremos a mulata! Queremos a mulata!

Tem, havido vários queremos na história deste país, inclusive o queremos Vargas, mas queremos, assim, inflamado e imperativo, duvi-d-o-dó. Era o grito do instinto, do sangue, e, em o percebendo, a mulata cada vez apurava mais o dengo e o ritmo do molejo, aumentando atrás de si as palmas que conquistara à sua frente, gloriosa na cara e ultra gloriosa na coroa.

Ah, meu caro Embaixador Lincoln Gordon ! Que pena não estar ao meu lado, na mesa julgadora, um daqueles racistas ferozes dos Estados Unidos do Sul do seu país, para ver a escurinha vencendo vinte três brancas diante do júri extra-oficial de uns quinze mil homens, quase todos brancos! De toda aquela noite eu não guardo tanto a silhueta esportiva da filha de Nora Ney, a vencedora, como guardo o sorriso da mulatinha, símbolo do nosso anti-racismo. Da nossa cristianidade igualitária. E em verdade vos digo que, nesta terra de gente igual pela alma, e não pela pele, a humanidade verá um dia ser proclamada mais bela do mundo uma negra cor de ébano ou uma mulata cor de canela. A musa de um Ataulfo, a musa de um Jamelão, pela vontade de Deus."

Aizita foi capa de muitas revistas, ingressou na carreira artística e também participou de jornalísticos na TV. 




No programa ALMOÇO COM AS ESTRELAS, de Aérton Perlingeiro, dividindo a mesa com Hebe Camargo, Leonardo Vilar e o próprio Aérton
 


Ao lado de Grande Otelo,  participou do grande sucesso  da época, o programa “Times Square”, da TV Excelsior, no quadro SAMBA DE BRANCO (composição de João Roberto Kelly)



Aizita e Grande Otelo
na entrada final do SAMBA DE BRANCO





No final dos anos 1980, Aizita Nascimento  passou a viver em São Paulo, trabalhando como enfermeira.

No próximo dia 14 de julho , a carioca Aizita Nascimento completará 74 anos.


Fontes:
acervo de revistas Manchete,
site Passarela Cultural
,
Clube Renascença


quinta-feira, 27 de junho de 2013

O AMOR É O MEU PAÍS!


O carioca IVAN LINS, aniversariante desse mês de junho, compôs  - em parceria com Ronaldo Monteiro de Souza - para o V Festival Internacional da Canção (FIC) a linda " O amor é o meu país", classificada em 2° lugar.

Tudo a ver com o momento atual, recordo, aqui, aquele dia no Macaranãzinho , onde nos emocionamos.

A linda letra nos diz

Eu queria, eu queria, eu queria
Um segundo lá no fundo de você
Eu queria, me perdera, me perdoa
Por que eu ando à toa
Sem chegar
Tão mais longe se torna o cais
Lindo é voltar
É difícil o meu caminhar
Mas vou tentar
Não importa qual seja a dor
Nem as pedras que eu vou pisar
Não me importo se é pra chegar
Eu sei, eu sei
De você fiz o meu País
Vestindo festa e final feliz
Eu vi, eu vi
O amor é o meu País
E sim, eu vi
O amor é o meu País



Vale a pena curtir a canção em dois momentos:

  • (Re)ver o momento no FIC e, depois o lindo arranjo atual para orquestra.






O AMOR É O MEU PAÍS!


terça-feira, 7 de maio de 2013

Cyro Monteiro, outro centenário, no Rio, a comemorar

Nesse ano de 2013, vamos comemorar, também, o centenário do carioca do bairro do Rocha, CYRO MONTEIRO.



No próximo dia 28 de maio, o  cantor da  caixinha de fósforos marcando o ritmo, voz suave e encorpada, cheia de ginga, o Formigão – apelido que ganhou dos amigos e que carregou pela vida inteir - faria aniversário.

Rubro-negro dos mais apaixonados, Cyro Monteiro tinha o hábito de presentear com uma camisetinha do clube do coração, cada filho de amigo que nascia. E sentia prazer especial no gesto, quando o pai torcia por outro time do Rio de Janeiro.

Foi o caso do compositor Chico Buarque. Torcedor do Fluminense, Chico foi presenteado com o manto sagrado do Mengão quando nasceu sua primeira filha, e, devolveu o mimo a Ciro, com um samba lindo, chamado Receita para virar casaca de neném


“Amigo Ciro
Muito te admiro
Meu chapéu te tiro
Muito humildemente.
Minha petiza
Agradece a camisa
Que lhe deste à guisa
De gentil presente
Mas, caro nego
Um pano rubro-negro
É presente de grego
Não de um bom irmão...”

Considerado  por Vinicius de Moraes como “o maior cantor popular brasileiro de todos os tempos”, foi um colecionador de sucessos:
  • Beija-me, Mário Rossi e Roberto Martins
  • Boogie-woogie na favela, Denis Brean
  • Escurinho, Geraldo Pereira 
  • Falsa baiana, Geraldo Pereira (com Benedito Lacerda & Seu Regional)
  • O bonde de São Januário, Ataulfo Alves e Wilson Batista
  • O que se leva dessa vida, Pedro Caetano 
  • Oh, seu Oscar!, Ataulfo Alves e Wilson Batista 
  • Os quindins de Iaiá, Ari Barroso
  • Se acaso você chegasse, Felisberto Martins e Lupicínio Rodrigues
  • Sereia de Copacabana, A. F. Marques e Antenor Borges

    dentre outros.

    Alguns Lps da carreira
   
     






 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Lançamentos cariocas...2



Livro sobre a trajetória da grande Leny Andrade, da Coleção APLAUSO, música.


E mais, o novo CD onde canta o Rei Roberto Carlos em espanhol, ”Canciones del Rey”, produzido por Roberto Menescal.



Quem puder, vale assistir ao show de lançamento...

Teatro Rival Petrobras
Dias 05 e 06/04 – Sexta-feira e Sábado  às 20h00.
Rua Álvaro Alvim, 33/37, na  Cinelândia

terça-feira, 2 de abril de 2013

Lançamentos cariocas...


Som da melhor qualidade pra ouvir !


Novo CD com o encontro dos cariocas Francis Hime e Guinga






Novo DVD do carioca Jorge Vercillo



quinta-feira, 21 de março de 2013

Canção de Outono




da carioca
                                              Cecília Meireles
 

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles
que não se levantarão…

Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão…