segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A ENCRENCA é carioca

O uso de estrangeirismo costuma ampliar o vocabulário, enriquecer o idioma. São palavras facilitando a comunicação, a exposição de ideias e simplificando a linguagem.

Muitas nasceram em terras cariocas, fruto de um caldo de vários temperos.

Um delas acabou em... encrenca.
Muitos já conhecem a história, mas vale recordar.

Em meados do século XIX chegavam imigrantes ao Brasil, entre eles judias pobres que acabaram se prostituindo e que ficaram conhecidas como "polacas".

As "polacas" chegaram ao Rio de Janeiro por volta de 1867 e boa parte delas chegava ao Brasil depois de passarem pela cidade de Buenos Aires. Habitavam os bordeis na zona do mangue da cidade, e dái a palavra "zona" passar a significar local de prostituição e as expressões "caiu na zona" ou "uma mulher da zona" ser sinônimo de uma mulher que se prostituíra.

A linguagem das polacas para comunicação entre si era o iídiche, língua bastante utilizada pelos judeus da Europa Central e Oriental, e por aqui, para darem recados entre si.

Na Zona do Mangue, as doenças venéreas eram muito comuns e ao suspeitarem de que um cliente portava algum tipo de doença venérea, elas chamavam o sujeito de “ein krenke”, que em iídiche, o termo era comumente utilizado para definir a ideia de “doença”.

Também usavam a expressão para espantar a polícia, que dava incertas nos bordéis.
Elas gritavam
"ein krenke, ein krenke, ein krenke..."

como um aviso sobre eventuais clientes contaminados, que todos entendiam ... ENCRENCA.

Daí que se conclui que a ENCRENCA é... carioca.

Encrenca que inspirou pinturas de primeira linha.

Quando Lasar Segall chegou ao Rio de Janeiro, no final de 1923, conheceu a região do Mangue. As impressões dessa zona de prostituição carioca resultaram em pinturas, em uma coleção de gravuras executadas em metal e madeira, a partir de 1928, na França, e no álbum Mangue, de 1943. Nas gravuras da série Mangue, os corpos femininos são traçados por linhas arredondadas, guardando sua sensualidade natural, mas as cenas são formalmente tensas. As mulheres se oferecem semiencobertas por venezianas, escondidas por cortinas, de costas ou apenas vislumbradas nas soleiras das portas. Nos anos 1950, o tema da prostituição inspira a série das Erradias.


Xilogravura - Lasar Segall


Di Cavalcanti
foi outro frequentador que com suas geniais curvas e tintas registrou a Zona do Mangue: Mangue, de 1929, grafite e aquarela sobre papel.





2 comentários:

  1. Isso está parecendo o mesmo tipo de lenda urbana que diz que "forró" vem de "for all"...

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  2. Acho interessante essas postagens !

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