terça-feira, 2 de dezembro de 2014

As baleias do Rio

Falamos, por aqui de bichos habitantes da cidade do Rio.

Muitos não sabem que, em tempos passados, 
baleias eram parte da paisagem da Baía de Guanabara. 

Após a fundação da Cidade do Rio de Janeiro e sua prosperidade e crescimento, a pesca de baleias foi de fundamental importância para a economia dos tempos coloniais.

O óleo de baleia era parte integrante da mistura contida no concreto usado no assentamento de pedras e alvenaria das antigas construções e fortificações e nesta época existiram muitas indústrias de pesca de baleia, as chamadas "armações".

Baleias assim como os barcos de pescas e as armações se localizavam em praias mais distantes do centro da cidade.

Óleo sobre tela, de Leandro Joaquim (c. 1738-1798), final do século XVIII
96 x 125,7 cm. 
A cena registra a pesca de baleias na Baía da Guanabara. Registre-se a existência de um grande número de animais da espécie em águas dos Rio de Janeiro no final do século XVIII. 



 

O escritor  Pedro Dória em seu livro 1565, ao descrever o Rio de Janeiro quinhentista, nos conta que as baleias frequentaram a Baía da Guanabara no inverno durante muito tempo, e sua pesca era das mais rentáveis. A carne era saborosa, as barbatanas serviam de lixa e sua gordura, o óleo, era combustível.
E mais, o óleo misturado com as conchas trituradas ou cal, dava uma argamassa resistente como poucas para a construção de prédios. (Os escravos às vezes bebiam o óleo direto do lampião, era alimento).
Quando aparecia uma baleia morta na praia era festa rapidamente chegavam canoas de toda parte, quem estava perto da área onde o animal marinho encalhou. A população largava o que estava fazendo e, com panelas, iam todos pegar, de graça, aquilo pelo que, em geral, pagavam caro. Mas tinha um defeito: depois de tudo que valia algo ser extirpado, era dificílimo livrar-se das tripas que sobravam, e o cheiro ocupava a cidade colonial do Rio de Janeiro por dias. (não é à toa que as armações ficavam sempre longe).
CACHALOTE OU CACHARRÉU era a baleia mais caçada e cobiçada na Baía de Guanabara.
O espermacete, extraído do cérebro do cachalote, uma matéria branca, oleosa, transparente e viscosa que, em contato com o ar, transforma-se em cera. Um animal adulto pode fornecer até cinco quilos desta matéria-prima. A indústria baleeira no Brasil interessou-se por ele na segunda metade do século XVIII para a fabricação de velas, também consumido nas boticas como detergente, consolidador, emoliente no preparo de unguentos, pomadas, bálsamos, cosméticos e sabões finos.
Os contratadores da pesca das baleias eram, antes de tudo, vassalos do rei, e como tal, buscavam sempre a inserção em espaços de atuação colonial, situações em que pudessem se firmar como membros da elite local, porque as colônias tinham na metrópole a sua referência moral.

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