O lastimável desabamento, ontem,
da ciclovia da Avenida Niemeyer,
nos revela a bela e segura engenharia centenária do local.
da ciclovia da Avenida Niemeyer,
nos revela a bela e segura engenharia centenária do local.
A Avenida Niemeyer foi inaugurada em 1916. Há 100 anos. Fará em outubro.
Seu nome é uma homenagem ao Comendador Conrado Jacob de Niemeyer.
O comendador Niemeyer (dono de grande extensão de terras na região,
chegando até a Estrada das Canoas, e o próprio bairro de São Conrado) , em 1915,
doou as terras da encosta à Prefeitura - visando a valorização das suas terras
- para que pudesse ser estendida, até a Praia da Gávea - nome antigo do atual
bairro de São Conrado - , uma estrada que partiria do final do Leblon.
O traçado da futura Avenida começou com o projeto para uma estrada de Ferro
em 1891 (Cia. Viação Férrea Sapucaí), que por ali faria a ligação de Botafogo a
Angra dos Reis. Chegou a ter seus 800 metros iniciados construídos em 1913,
porém, a companhia desistiu do empreendimento, por novas exigências da
Prefeitura.

construção da avenida Niemeyer
Na entrada do Túnel da Barra existe, até os dias atuais, um grande túnel cavado na rocha, parte integrante da estrada de ferro que seria construída. A entrada do túnel, atualmente, está lacrada com uma grade de ferro para evitar invasões.
Em 1920, quatro anos após a inauguração, a Avenida sofreu uma grande
reforma, foi alargada, sendo praticamente reinaugurada por causa da visita do
Rei Alberto da Bélgica e o projeto do engenheiro Paulo de Frontin.
O viaduto que retificava uma curvasob uma antiga reentrância no costão do Morro Dois Irmãoshomenageia o ilustre visitante: Viaduto Rei Alberto,nome hoje praticamente esquecido
foto Augusto Malta, setembro 1920 - reprodução
Ao longo do tempo a Avenida foi ganhando melhoramentos, como
. Carlos Sampaio, entre 1920 e 22, colocou nela acostamento.
. Alaôr Prata, entre 1922 e 1926, abriu ali o Circuito da Gávea - corridas automobilísticas de rua, fazendo parte do circuito do Rio de Janeiro a partir de 1933 e que só acabaram em 1954.
Nessas corridas as largadas se davam próximo do antigo Hotel Leblon, passavam pela Gruta da Imprensa, seguiam a Rocinha, voltando pela Rua Marquês de São Vicente.
Na altura do Viaduto Rei Alberto foi inaugurada a Gruta da Imprensa, assim chamada pois ali ficavam diversos repórteres para tirar fotos das corridas.
A visita do Rei, além de turismo nos trópicos tinha a missão de explorar o
potencial brasileiro para a aplicação dos recursos financeiros belgas.
Os mirantes construídos na via logo atraíram a nova burguesia motorizada da
cidade para a realização de piqueniques na deserta e aprazível via, a aproveitando
esse potencial a administração Alaor Prata (1922-1926) urbanizou a área aos pés do
viaduto, criando um novo mirante que rapidamente entrou na moda, piqueniques em
seus terraços foram muito comuns até o fim dos anos 40, quando esse tipo de
evento começou a sair de moda.
O local começou a ficar esquecido e ser frequentado mais por pescadores do
que veranistas e seus quitutes, de turismo apenas rápidas passagens para
fotografias. Também crimes no local, que ganharam manchetes, ajudaram a esvaziar ainda mais
o local.
A nova ciclovia de 3 meses desabou. A construção centenária continua lá. De pé. Pra nos contar uma história.

