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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Lagoa Rodrigo de Freitas


Lagoa Rodrigo de Freitas há 90 anos,
pelas lentes
de Augusto Malta.

QUANTA DIFERENÇA!





terça-feira, 6 de agosto de 2013

Hotel Copacabana Palace, 90 anos


Avenida Atlântica, 1702, 
bairro de Copacabana, 
Rio de Janeiro. 

Esse é o endereço do Hotel Copacabana Palace que está completando 90 anos.



Aberto ao público em 13 de agosto de 1923, foi construído pelo empresário Octávio Guinle e Francisco Castro Silva entre 1919 e 1923, atendendo a uma solicitação do então presidente Epitácio Pessoa, que desejava um grande hotel de turismo na então capital do país, para ajudar a hospedar os visitantes esperados para a  Exposição do Centenário da Independência do Brasil, em 1922. Em compensação, o Governo Federal concederia incentivos fiscais, assim como a licença para que nele funcionasse um cassino — uma exigência do empresário.

O hotel foi o primeiro grande edifício em Copacabana, cercado apenas por pequenas casas e mansões.

o Copacabana Palace em  cartão postal




O projeto do arquiteto francês Joseph Gire se inspirou em dois famosos hotéis da Riviera Francesa: o Negresco, em Nice, e o Carlton, em Cannes. A estrutura, sóbria e imponente, foi erguida pelo engenheiro César Melo e Cunha, que empregou, em larga escala, o mármore de Carrara e cristais da Boêmia.

Devido às dificuldades  na importação de mármores e cristais, na execução das suas fundações (com catorze metros de profundidade, conforme exigido pelo projeto); à falta de tecnologia e experiência no país para tal confecção; e a uma violenta ressaca que, em 1922, destruiu a Avenida Atlântica, causando danos aos pavimentos inferiores do hotel, o hotel só foi inaugurado quase um ano após a Exposição do Centenário. 

Mas inaugurou em grande estilo, com a presença da cantora, atriz e vedete francesa Mistinguett, que, mesmo tendo as famosas “mais belas pernas do mundo”, foi proibida de mostrá-las na festa. 

O atraso fez com que o presidente Artur Bernardes tentasse cassar a licença para o funcionamento do cassino , o que a família Guinle, após dez anos de disputa na justiça, ganhou a causa. O hotel e seu cassino foram essenciais para a consolidação da fama e glamour do bairro nas décadas seguintes.



anos 20, no tempo do desenho invertido das ondas das calçadas

Em 1934, foi construída a piscina do hotel, com projeto do engenheiro César Melo e Cunha, ampliada em 1949. Em 1938, inaugurou-se o “Golden Room”, com um espetáculo de Maurice Chevalier.

A piscina ontem e hoje


1954


 

A visita de celebridades internacionais

  Brigitte Bardot  em 1963, há 50 anos


o famoso Baile de Debutantes


testemunha das ressacas

Ressaca de 1922



Com a proibição do jogo no país, o cassino foi transformado em uma casa de espetáculos, e o hotel passou por uma ampla reforma,surgindo a pérgula lateral e o anexo nos fundos, inaugurado em 1949. Tal reforma ficou ao cargo do arquiteto Wladimir Alves de Sousa.

Em 1985, projetou-se a sua demolição. No entanto, o Copacabana Palace foi tombado pelo patrimônio histórico. No final da década de 80 foi vendido ao grupo Orient-Express Hotels, que o modernizou sem descaracterizá-lo.

Curiosidades:
  • O hotel serviu de tema para o musical “Flying Down to Rio”, de 1933. Veja AQUI.
  • O genial Mario Reis foi seu morador durante anos. Morou na suíte 140 do Copacabana Palace, de 1957 até sua morte.
    Intérprete revolucionário e considerado o inventor do canto brasileiro, nos anos 30, em 1971, fez um retorno à cena e três shows no Golden Room do Copacabana Palace. 
    Intérprete revolucionário e considerado o inventor do canto brasileiro, nos anos 30, em 1971, fez um retorno à cena e três shows no Golden Room do Copacabana Palace.
Mário Reis durante o show no Golden Room
  • Washington Luís, apesar de ter nascido em Macaé, ganhou fama e poder político no estado de São Paulo. Assumiu como Presidente do Brasil em 1926.

  • Bonitão, amava cantar umas marchinhas, frequentava bailes carnavalescos, adorava usar cartolas, ternos bem cortados, coisa chique...até arriscava soltar o gogó em óperas. Pouca coisa não. Por essas e outras era chamado de "rei da fuzarca".
    Casado com Sofia Paes de Barros, em 23 de maio de 1928, Washington Luís entrou no luxuosíssimo Copacabana Palace para encontrar sua amante, uma marquesa italiana de 28 anos recém- desquitada do marido, Elvira Vishi Maurich .  Depois de um jantar bacana, com champanhe, aconteceu um atentado. No quarto, Elvira sacou uma pistola e deu um tiro no Presidente do Brasil. O motivo até hoje especulado foi ciúmes.
    Ferido, Washington Luís foi socorrido pelo dono do Hotel, Octávio Guinle. Tudo na maior descrição. Um médico da família foi chamado às pressas. O político foi levado para a Casa de Saúde Pedro Ernesto e foi operado. Para a imprensa e para a população, a internação e a operação foram por causa de uma crise de apendicite.
    Elvira, quatro dias depois do atentado, se jogou da janela do quarto andar. Especula-se que foi pressionada. Na versão oficial entrou suicídio.






quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Em 1 de novembro... há 90 anos

Em 1 de novembro de 1922,  há 90 anos, morria, no Rio de Janeiro, o escritor  Lima Barreto.


Carioca,  foi jornalista e um dos mais importantes escritores libertários brasileirosLima Barreto, mulato num Brasil que mal acabara de abolir oficialmente a escravatura, teve oportunidade de boa instrução escolar.

Começou a sua colaboração na imprensa desde estudante, em 1902, no A Quinzena Alegre, depois no TagarelaO Diabo, e na Revista da Época. Em jornais de maior circulação, começou em 1905, escrevendo no Correio da Manhã uma série de reportagens sobre a demolição do Morro do Castelo. Daí em diante, colaborou em vários jornais e revistas, Fon-Fon, FlorealGazeta da TardeJornal do CommercioCorreio da Noite e A Noiteonde publicou, em folhetim, Numa e a Ninfa.

Simpático ao anarquismo, passou a militar na imprensa socialista.  Foi o crítico mais agudo da época da República Velha no Brasil, rompendo com o nacionalismo ufanista e pondo a nu a roupagem da República, que manteve os privilégios de famílias aristocráticas e dos militares.
Sua vida foi atribulada pelo alcoolismo e por internações psiquiátricas, ocorridas durante suas crises severas de depressão - à época era um dos sintomas pertencentes ao diagnóstico de neurastenia.
Em sua obra, de temática social, privilegiou os pobres, os boêmios e os arruinados. 

Vale (re)ler o texto SUBÚRBIO, do livro Clara dos Anjos, escrito em 1922, no ano de sua morte  e só publicado postumamente em 1948.

"O subúrbio propriamente dito é uma longa faixa de terra que se alonga, desde o Rocha ou São Francisco Xavier, até Sapopemba, tendo para eixo a linha férrea da Central. Para os lados, não se aprofunda muito, sobretudo quando encontra colinas e montanhas que tenham a sua expansão; mas, assim mesmo, o subúrbio continua invadindo, com as suas azinhagas e trilhos, charnecas e morrotes.  Passamos por um lugar que supomos deserto, e olhamos, por acaso, o fundo de uma grota, donde brotam ainda árvores de capoeira, lá damos com um casebre tosco, que, para ser alcançado, torna-se preciso descer uma ladeirota quase a prumo; andamos mais e levantamos o olhar para um canto do horizonte e lá vemos, em cima de uma elevação, um ou mais barracões, para os quais não topamos logo da primeira vista com a ladeira de acesso.  
Há casas, casinhas,  casebres, barracões, choças, por toda a parte onde se possa fincar quatro estacas de pau e uni-las por paredes duvidosas. Todo o material para estas construções serve: são latas de fósforos distendidas, telhas velhas, folhas de zinco, e, para as nervuras das paredes de taipa, o bambu, que não é barato. 
Há verdadeiros aldeamentos dessas barracas, nas coroas dos morros, que as árvores e os bambuais escondem aos olhos dos transeuntes.  Nelas, há sempre uma bica para todos os habitantes e nenhuma espécie de esgoto.  Toda essa população pobríssima, vive sob a ameaça constante da varíola e, quando ela dá para aquelas bandas, é um verdadeiro flagelo. 
Afastando-nos do eixo da zona suburbana, logo o aspecto das ruas muda.  Não há mais gradis de ferros, nem casas com tendências aristocráticas: há o barracão, a choça e uma ou outra casa que tal.  Tudo isto muito espaçado e separado; entretanto, encontram-se por vezes, “correres” de pequenas casas, de duas janelas e porta ao centro, formando o que chamamos “avenida”. 
As ruas distantes da linha da Central vivem cheias de tabuleiros de grama e de capim, que são aproveitados pelas famílias para coradouro.  De manhã até a noite, ficam povoadas de toda espécie de pequenos animais domésticos: galinhas, patos, marrecos, cabritos, carneiros e porcos, sem esquecer os cães, que, com todos aqueles, fraternizam. 
Quando chega a tardinha, de cada portão se ouve o “toque de reunir”: “Mimoso”!  É um bode que a dona chama.  “Sereia”!  É uma leitoa que uma criança faz entrar em casa; e assim por diante. 
Carneiros, cabritos, marrecos, galinhas, perus – tudo entra pela porta principal, atravessa a casa toda e vai se recolher ao quintalejo aos fundos. 
Se acontece faltar um dos seus “bichos”, a dona da casa faz um barulho de todos os diabos, descompõe os filhos e filhas, atribui o furto à vizinha tal.  Esta vem a saber, e eis um bate-boca formado, que às vezes desanda em pugilato entre os maridos.A gente pobre é difícil de se suportar mutuamente; por qualquer ninharia, encontrando ponto de honra, brigando, especialmente as mulheres. 
O estado de irritabilidade, provindo das constantes dificuldades por que passam, a incapacidade de encontrar fora de seu habitual campo de visão motivo para explicar o seu mal-estar, fazem-nas descarregar as suas queixas, em forma de desaforos velados, nas vizinhas com que antipatizam por lhes parecer mais felizes.  Todas elas se têm na mais alta conta, provindas da mais alta prosápia; mas são pobríssimas e necessitadas.  Uma diferença acidental de cor é causa para que possa se julgar superior à vizinha; o fato do marido desta ganhar mais do que o daquela é outro.  Um “belchior” de mesquinharias açula-lhes a vaidade e alimenta-lhes o despeito. 
Em geral essas brigas duram pouco.  Lá vem uma moléstia num dos pequenos desta, e logo aquela a socorre com os seus vidros de homeopatia. 
Por esse intrincado labirinto de ruas e bibocas é que vive uma grande parte da população da cidade, a cuja existência o governo fecha os olhos, embora lhes cobre atrozes impostos, empregados em obras inúteis e suntuárias noutros pontos do Rio de Janeiro."

Duas fotos de subúrbios cariocas, nos tempos de Lima Barreto, início do século XX,  pelas lentes de Augusto Malta.

O então sofisticado Jardim do Méier, em torno de 1915

A Pavuna em 1918





sexta-feira, 29 de maio de 2009

Há 90 anos...

Celebra-se hoje os 90 anos da prova que tornou Einstein conhecido mundialmente e um dos maiores ícones de nossa era : a deflexão da luz pela gravidade, a Relatividade Geral. As fotografias obtidas em Sobral, no Ceará, foram fundamentais para isso, mas o fato é ignorado por grande parte da comunidade científica.

Einstein, em passagem pelo Rio de Janeiro, teria reconhecido:
“O problema que minha mente formulou foi respondido pelo luminoso céu do Brasil”.

O sucesso da missão inglesa que comprovou a teoria de Einstein se deveu, em parte, ao apoio logístico e levantamentos climáticos feitos por Henrique Morize, então diretor do Observatório Nacional do Rio de Janeiro.