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sexta-feira, 22 de março de 2013

Sobre os trens cariocas

Aqui, em outro post,  já falamos da Estrada de Ferro da Leopoldina. Hoje vamos rememorar a outra estrada de ferro que parte da cidade.

 Em 29 de março de 1858 era inaugurada a Estrada de Ferro Dom Pedro II, atual Central do Brasil.

 Estação Central do Brasil, 1870
Foto: Marc Ferrez

Sob a direção de Christiano Benedicto Ottoni, a estrada de ferro  tinha como objetivo a construção de uma espécie de "espinha dorsal" entre o Rio de Janeiro e a estação de Japeri, que teria conexões com todas as regiões do Brasil através de ramais a serem construídos pela própria companhia, ou, por meio de outras ferrovias.

O trem da época era a vapor. E por sua densa nuvem de vapor e fuligem, expelida por sua chaminé, acabou apelidado de Maria Fumaça, que hoje ainda existe em breves passeios turísticos no interior do país.

D. Pedro II foi um grande incentivador das estradas de ferro do Brasil e sempre que podia, fazia questão de estimular e acompanhar de perto sua construção. Ele e a família imperial estavam na viagem inaugural da ferrovia, que ia da Estação Aclamação, no Rio de Janeiro, até a localidade de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Marapicu, atual Queimados, Mais tarde a ferrovia se estendeu até Belém, atual Japeri, no sopé da Serra do Mar.

Até 1865,  a
Estrada de Ferro Dom Pedro II manteve-se como uma empresa privada - a maior empresa do Império - depois  foi encampada pelo Governo Imperial.

 Certa vez, em viagem ao exterior, D. Pedro II disse


“Na vinda examinei
aqui as oficinas centrais
desta estrada de ferro.
São muito importantes;
porém não tão bonitas
como as da estrada de ferro do Rio” 


(Diário de d. Pedro II, 29 de abril de 1876). 

reprodução da internet

A ferrovia tinha seu traçado semelhante ao da antiga estrada colonial que levava ao porto do Rio de Janeiro as riquezas minerais de Minas. Se pelo Caminho Novo, ganharam o mar, o ouro e o diamante, pela estrada de ferro igual destino encontrou o ouro verde. 

Apesar disso, apesar do vantajoso transporte de café e de cargas gerais, mais de 50% da receita da Estrada de Ferro Dom Pedro II era oriunda dos passageiros. Desde 1861 já existiam os famosos trens de subúrbio do Rio.

A  estrada de ferro tinha uma extensão de 48210 km, partindo da Estação da Côrte - chamada de Campo- localizada no mesmo local onde hoje se ergue o ainda imponente edifício da Estação D. Pedro II, no Campo da Aclamação (denominação que o Campo de Santana recebeu em 1822 e que perdurou durante um certo período da história, por ter sido o palco da aclamação de D. Pedro I como Imperador Constitucional do Brasil) até Queimados. 

Além das estações de início e fim da linha (Côrte e Queimados respectivamente), havia quatro intermediárias: Engenho Novo, Cascadura, Sapopemba (atual Deodoro) e Maxambomba (atual Nova Iguaçu).
O transporte suburbano, porém, só começou três anos depois, ao ser inaugurada uma linha entre a estação inicial e Cascadura e que contava com apenas um trem diário, que partia às 17:15h e retornava duas horas depois, com uma só parada intermediária, no Engenho Novo, razão pela qual, naquela época, esse bairro ficou sendo considerado como o marco inicial dos subúrbios. 






Cascadura, a primeira estação do subúrbio
reprodução da internet
O advento da ferrovia proporcionou um forte surto de progresso à região e a cidade foi se expandindo; outras estações foram sendo construídas ao longo da linha para servirem aos arrabaldes já existentes, assim como a outros que surgiram com o decorrer do tempo e que passaram a ser conhecidos como os “subúrbios da D. Pedro II”.

Com a República, em 22 de novembro de 1889, a Estrada de Ferro Dom Pedro II  passou a chamar-se Estrada de Ferro Central do Brasil e essas localidades se tornaram os “subúrbios da Central”. 

Por analogia, as localidades à margem das demais ferrovias do Rio passaram, também, a ser chamadas de subúrbio. O transporte ferroviário tornou-se, então, no principal fator de desenvolvimento e integração das áreas suburbanas à vida da cidade, hoje relegado a um papel secundário devido ao abandono das autoridades governamentais ao longo do tempo.



sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Estação da Leopoldina

Hoje transformada em espaço cultural, a antiga Estação Barão de Mauá da Estrada de Ferro Leopoldina, na Avenida Francisco Bicalho, foi inaugurada num dia 6 de novembro, em 1926, com esse nome, uma justa homenagem a quem foi o pioneiro do transporte ferroviário nacional. Irineu Evangelista de Souza, Barão e depois Visconde de Mauá(1813-1889), criou a primeira linha férrea da América Latina em 1854, ligando Fragoso, em Magé, à Raiz da Serra, linha que funcionou até 1964.

Planejada para ser a estação central, teve o projeto de uma construção de grande porte, com 130m de fachada principal e quatro pavimentos. A arquitetura de Roberi Prentice, arquiteto inglês, é um raro exemplar da arquitetura oficial do período Edwardiano no Brasil, representante de uma longa linhagem de construções palacianas inglesas.

"Internamente, há um grande espaço na Gare, que tem no seu teto em estrutura metálica (as estruturas para as estradas de ferro brasileiras vinham prontas da Inglaterra e eram montadas aqui no Brasil), uma característica arquitetônica clássica de estações ferroviárias do século XIX e início do XX. O grande salão, assim coberto, é cercado por colunas toscanas e arcos plenos; e o acesso ao salão principal do prédio, dá-se através de arco sobre uma marquise".
A Estrada de Ferro Leopoldina foi a continuadora da Rio de Janeiro Northern, que iniciou seus serviços em 1870. Erroneamente se pensa que o nome foi uma homenagem à Imperatriz Maria Carolina Leopoldina, primeira esposa de D. Pedro I e mãe de D. Pedro II, ou sua neta, homônima, filha de D. Pedro II e Da. Tereza Cristina Maria. Porém, na realidade, o seu nome se deve à cidade mineira de Leopoldina, ponto terminal da estrada em 1870.


Quando foi à falência, em 1883, os ingleses dela tomaram conta, até o início da Primeira Guerra Mundial. A sua estação principal de cargas e passageiros era na Prainha - atual Praça Mauá, local dos "ferry boats" - que levava os vagões para Niterói, ponto de partida para o Estado de Minas e Rio de Janeiro. Quanto aos trens para Petrópolis, até 1926 partiam da Estação São Francisco Xavier, no Engenho Velho.

No hall principal foi colocado o busto de Irineu Evangelista de Souza, que foi trazido da antiga Estação de Petrópolis.
Década de 20 - final das obras

Interior da estação