quinta-feira, 18 de junho de 2020

Crônicas Cariocas de Todos os Tempos... Nelson Rodrigues


Em junho de 1980, há 30 anos, 
Nelson Rodrigues publicava 
essa saborosa crônica 
em que ressaltava...

"... nós vivemos uma época cínica. Ninguém se espanta"

Nelson Rodrigues – Wikipédia, a enciclopédia livre


Ainda hoje vivemos. Leia!








sábado, 13 de junho de 2020

Nair de Teffé, a caricaturista Rian


O Feminino e o Sagrado - MULHERES MARCANTES: Nair de Tefé (1886/1981)
Bela, pioneira e do bar, Nair de Teffé, nascida na Petrópolis em 10 de junho de 1886, transgrediu tudo o que podia com toda a naturalidade do mundo. Filha da aristocracia brasileira, mais precisamente do Barão de Teffé, Nair foi educada na Europa durante a infância e parte da adolescência e sua aptidão para o desenho desponta logo aos nove anos de idade. Em sua biografia, a artista relata que fez uma caricatura de uma das freiras professoras do convento de Saint Ursuline, onde estudava; para Nair, a mulher tinha um nariz comprido bom para ser desenhado. A travessura foi descoberta pela madre superiora e a pequena ficou de castigo em um quarto escuro por oito horas sem pão e chocolate.

O comportamento de Nair era pauta dos jornais

A dose se repetiu em casa, ao receber a visita de Madame Carrier, amiga da família. Nair foi obrigada pelas boas maneiras a ouvir a senhora falar por quase duas horas sobre cozinha, tema que a artista detestava e que gerou uma de suas frases marcantes: “a única coisa que gosto da cozinha é a comida”. Após a visita indesejada, Nair correu para o quarto e fez uma caricatura daquela que a importunava. Dessa vez, mostrou aos pais e o resultado da arte foi ficar sem sobremesa no jantar como forma de repúdio à indisciplina.

Percebendo as habilidades da filha, o Barão de Teffé a incentivou. De volta ao Brasil, com 19 anos, Nair de Teffé pintava, desenhava, tocava piano e falava seis idiomas, como era esperado das jovens da elite brasileira – afinal, era preciso se mostrar prendada para o futuro marido, porém ela não se importava com as convenções sociais.

Nair foi a primeira mulher no Brasil a usar calças compridas, peça tida exclusivamente como do vestuário masculino; também montava a cavalo com as pernas abertas, o que era inconcebível para uma dama, que deveria posicionar as duas apenas de um lado da montaria; tocava violão, instrumento sinônimo de boemia e cujo porte nas ruas poderia render voz de prisão por vadiagem; criou a “Troupe Rian” para encenar peças teatrais com o objetivo de angariar fundos para a construção da Catedral de Petrópolis e beneficiar obras sociais; e, por último, seu feito mais conhecido foi ser a primeira caricaturista mulher do Brasil (e talvez do mundo).

Durante sua mocidade no Brasil, Nair animava bailes e saraus da alta sociedade petropolitana com suas caricaturas. No início, eram desenhos de suas amigas e pessoas próximas à família, para evitar problemas e possíveis constrangimentos. A partir de 1906, os burburinhos a respeito das ilustrações de Nair começam a correr na Pensão Central, um dos pontos de elegância da cidade de Petrópolis, e a artista passa a receber encomendas de caricaturas, chegando a desenhar até 20 retratos em um único dia. Com o aval do pai, a jovem caricaturista pôde expor seus trabalhos na Chapelaria Watson e na Casa Davi, ambas no Rio de Janeiro.

A brincadeira de salão ultrapassou as paredes dos saraus e foi parar na imprensa. Nair de Teffé tornou-se conhecida ao retratar a artista francesa Réjane para a revista “Fon-Fon!“ em 1909. Com toda essa atenção voltada para uma figura feminina em um meio predominantemente masculino, Nair teve que se ocultar no pseudônimo de “Rian”, uma saída ardilosa, já que refletia seu nome ao contrário e lembrava sonoramente a palavra “rien”, “nada” em francês.


Exposição das caricaturas de Rian em 1912, 

documentada pela revista “Fon-Fon!”


Nair de Teffé

Nair de Teffé

Nair teve suas caricaturas publicadas nas revistas “Fon-Fon!”, “O Malho”, “Revista da Semana” e “Vida Doméstica”, além dos periódicos “O Binóculo”, “Gazeta de Notícias”, “Gazeta de Petrópolis” e “A Careta”. Seus desenhos também chegaram em Paris pelas publicações “Le Rire”, “Fantasio” e “Excelsior”, tendo sido convidada pelo diretor da última, Pierre Láfitte, para tornar-se colaboradora fixa e residir em Paris. Entretanto, o pai de Nair a impediu alegando estar velho e doente. Apesar de ser incentivada no ofício da caricatura pelo Barão de Teffé, a jovem ilustradora não podia receber pelos trabalhos. Afinal, fazer dessa atividade fonte de renda significaria maior liberdade financeira para a mulher e redução do controle parental sobre a vida da filha, criada para se educar visando um excelente casamento.

Com a fama de caricaturista, Nair de Teffé conta, em entrevista ao Estadão, em 1979, que passou a ser recebida nos salões “com muita desconfiança pelos homens e com medo pelas mulheres, que por muitas vezes se escondiam atrás dos finos leques”. Os pais também a aconselharam que deixasse a caricatura de lado com medo de que a filha fosse odiada, mas isso nunca a intimidou. Nos traços de Rian, a artista desafia a ordem estabelecida.

Em suas portrait-charges, caricaturas individuais que se concentram na figura humana sem preocupação com o fundo da cena, a artista mostrava mais que as personalidades da elite: Nair fazia críticas sutis àquela sociedade que escondia as mulheres debaixo de chapéus luxuosos e extravagantes, à maneira de viver e agir do período, além de incomodar alguns políticos não só com seus retratos caricatos, mas com suas atitudes. Os amigos de Teffé transformavam a expressão latina “ridendo castigat mores” (“rindo castigam-se os costumes”, tradução livre) em “Riant castigat mores”, uma brincadeira com o pseudônimo da artista, que por meio da caricatura castigava os costumes daquela sociedade


Portrait-charges de Rian para grandes veículosPortrait-charges de Rian para grandes veículos, como a revista “Fon-Fon!” (Imagem: reprodução)

Primeira-dama moderninha

Para sua coleção de primeiras vezes, Nair soma a de primeira-dama que tocou música popular no Palácio do Catete. Aos 27 anos, Nair de Teffé se casou com o marechal Hermes da Fonseca — presidente, 30 anos mais velho e recentemente viúvo, tríade de elementos que funcionou como prato cheio para a imprensa. Somado a isso, os filhos do marechal não compareceram à cerimônia.


A fama das caricaturas e do comportamento de Nair a precediam, o que lhe rendeu a alcunha de “primeira-dama moderninha”. A artista frequentava o Bar do Jeremias, reduto de boêmios, músicos, intelectuais e local proibido para mulheres, ainda mais para uma primeira-dama. O gosto de Nair pela música popular nunca foi segredo e em um dos recitais no Palácio do Catete, residência presidencial, ela tocou no violão ao lado de Catulo da Paixão Cearense (1863-1946), o maxixe “Corta Jaca” composto por Chiquinha Gonzaga (1847-1935). O episódio foi um prato cheio para Rui Barbosa, opositor de Hermes e ferrenho crítico de Nair, que já fazia caricaturas do político:

Nair de Teffé: A primeira cartunista do planeta - xapuriinfo.dream ...Nair de Teffé

“Mas o Corta Jaca de que eu ouvira falar há muito tempo, o que vem a ser ele, sr. Presidente? A mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batuque, do cateretê e do samba. Mas nas recepções presidenciais o Corta Jaca é executado com todas as honras da música de Wagner, e não se quer que a consciência deste país se revolte, que as nossas faces se enrubesçam e que a mocidade se ria.”

(Discurso proferido por Rui Barbosa em novembro de 1914)


Em entrevista ao Estadão, a caricaturista compartilha que Rui Barbosa já foi à tribuna dizer que se sentia ofendido pela “meninota Nair” e que deveria existir uma lei de proteção às figuras importantes como ele. Após o discurso, Nair preparou uma série de caricaturas do político que foram disputadas pelos jornais e revistas da época.

Nair de TefféRui Barbosa, crítico ferrenho de Rian, caricaturado pela artista (Imagem: reprodução)


Infelizmente, a produção de Nair não continuou durante o restante do mandato de seu marido, apesar da promessa do mesmo quando o pedido de casamento foi feito: “Quando Hermes me pediu em casamento eu aceitei com a condição de continuar meu trabalho. Ele não só concordou com a minha proposta, como também se prontificou a carregar a minha maleta de trabalho se eu precisasse”, relata Nair ao Estadão.

Assim que o mandato de Hermes da Fonseca terminou, Nair retornou à Europa para tratar um problema no quadril resultante de uma queda. Retornou ao Brasil em 1921, chegando a tempo de participar da Semana de Arte Moderna de 1922. Após o falecimento de Hermes, em 1923, Nair volta a morar em Petrópolis em 1928 e é eleita presidenta da Academia de Ciências e Letras, mais tarde transformada em Academia Petropolitana de Letras. Entrou para a Academia Fluminense de Letras em 1929 e também foi presidenta da instituição.

Com a morte dos pais em 1930, Nair trocou Petrópolis pelo Rio de Janeiro. Sempre cercada por figuras masculinas, ora o pai, ora o marido, que impediram sua independência financeira, a artista agora se via sozinha como gestora da herança familiar. Ela perdeu boa parte do dinheiro no Jogo do Bicho, mas mesmo assim conseguiu um empréstimo na Caixa Econômica Federal para erguer em Copacabana o Cine Rian, cinema que resistiu até 1983, sendo demolido posteriormente.

SAIBA MAIS SOBRE O CINE RIAN no post...  AQUI  

No auge de seus 70 anos, Nair de Teffé volta a fazer caricaturas de figuras políticas como Jânio Quadros, Juscelino Kubitschek e Fidel Castro. Quando completou 95 anos, Nair faleceu no dia de seu aniversário, tornando-se referência não só como primeira mulher caricaturista, mas como uma mulher que não se submeteu às imposições socioculturais da época, nem quando ocupou o posto de primeira-dama.



Caricaturas de JK, Jânio Quadros e Fidel Castro por Rian (Imagens: reprodução)



quarta-feira, 10 de junho de 2020

Dia dos Namorados




A data do romance é celebrada ,por aqui, em 12 de junho desde 1948.

E o motivo é exclusivamente comercial: o objetivo da loja A Exposição de melhorar o resultado das vendas em junho, que sempre eram muito fracas, mês de desaquecimento das vendas. O dia 12 foi escolhido por ser véspera da celebração de Santo Antônio, que já era famoso no Brasil por ser o santo casamenteiro.

As primeiras propagandas que instituiriam a data no país.

Mães e namorados dão gás ao varejo há 70 anos – 2 – Varejo em dia




Mães e namorados dão gás ao varejo há 70 anos – 2 – Varejo em dia




Dia dos Namorados: “Amor com amor se paga” - NPLAN Comunicação



Outras propagandas, de outras lojas
DIA DOS NAMORADOS ; o que João Doria tem a ver com a data ...





Em junho de 1949, a Galeria Silvestre, na Rua Sete de Setembro, Centro do Rio, já estampava nas páginas do GLOBO o anúncio

“Neste dia...Pense em quem ama..Mas não esqueça um PRESENTE!”. 


Dona do slogan “O palácio das donas de casa”, a loja anunciava com orgulho itens como lustres, “abat-jours”, artigos para “cosinha”, enceradeiras, aparelhos domesticos, ventiladores e rádios. 

Em 1952, a Coty apresentava sua linha de cosméticos com um cupido carregando a faixa 

“Dia dos Namorados. Dia de Coty”. 

Colônias, extratos, sabonetes, sais para banho e estojos (de maquiagem) eram os presentes que tinham o público feminino como alvo. 

A hoje extinta Magazine Mesbla, por sua vez, valorizava as blusas femininas para o inverno e as bolsas de lona mesclada.

Ainda nos anos 50, as lojas Ducal anunciavam, “somente até Sábado”, a corrente para chaves Souvenir, “o presente ideal para ele”. Já a Barbosa Freitas, em Copacabana, na Zona Sul, sugeria como presente masculino o barbeador elétrico Remington, garantindo que “Êle ficará maravilhado”. As canetas Sheaffer’s, em 1959, se apresentavam como “a forma mais expressiva de presentear” homens e mulheres."

Em 1979 um anúncio de uma empresas financeira chamava a atenção mirando os casais com planos para o futuro. O slogan? “Caderneta de Poupança Residência quer dizer: eu quero casar com você”. 

Nas comemorações em 2010, refletindo décadas de mudanças nos costumes, os motéis também anunciaram presentes para os casais. Um deles, por exemplo, dizia que “melhor que antecipar sua comemoração, é repetir a dose no Dia dos Namorados”, enquanto outro oferecia 25% de desconto para o casal.


Atualmente, o Dia dos Namorados já é a terceira melhor data para o comércio no país - atrás apenas do Natal e do Dia das Mães.

domingo, 7 de junho de 2020

Crônicas Cariocas de Todos so Tempos...Otto Lara Resende



Em junho de 1980, há 40 anos,  
o jornalista Otto Lara Resende publicou
 esse belo texto, onde destaca

"...quem duvida experimente a sua modernidade ".

Crônica] Vista cansada – Otto Lara Resende | Revista Macondo ...



Ainda hoje experimente! Leia e saboreie!


sábado, 6 de junho de 2020

Em junho de 1960, há 60 anos, a primeira Miss Guanabara











































Gina cujo nome verdadeiro é Jean - filha de pai escocês e mãe norte-americana, - recebeu a faixa do governador Sette Camara, tinha 19 anos de idade, 1m72 de altura, 93 cm de busto e de quadris.





 Casou com um militar, Ademar Garcia e vive hoje em uma casa em São Francisco, NIterói, conservando seu jardim e procurando ocupar o tempo com as coisas simples da vida. Teve três filhos, que lhe deram netos e bisneto.


Gina. Dos tempos de concurso, ela preserva a rotina saudável e o andar de miss
Foto:
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Márcio Alves