terça-feira, 3 de março de 2009

Um conto pra começar a contar








Eu tinha de ir. E com pressa.
Acabei saindo de crachá e tudo, pela avenida segurando o envelope. Era preciso comer rápido. Só dava pra um omelete de lanche. Almoço nem pensar, ver menu, enfrentar fila em restaurante - apesar que a idéia de um bom filé atraía - mas não adianta que não dava tempo.
São muitos detalhes para ver agora. No máximo um chocolate ao leite, pra descer algo doce pela garganta.
A essa hora lá no departamento todos esperam, por isso a pressa de chegar ao guichê. Claro que podiam ter escolhido outro. Não precisava ter sido eu. Não tive chance de argumentar!
A equipe depende do que vai acontecer, então, o negócio é pegar a viatura na garagem, assim que puder - metrô não vai dar - e dizer pro chofer para seguir pelo boulevard.

Ufa!Pelo menos alguns minutos para relaxar e mastigar. Vou aproveitar e dar uma olhada no jornal e ver aquela reportagem que faltou ler. Mas a luz por aqui não está boa. Esse abajur está fraco. É melhor deixar para depois...mas o que é aquilo ali na frente? Nossa! Jeito de madame, tão chic e cometendo tanta gafe. Cruzes!!! Pois é, charme não é pra qualquer um ...deixa pra lá! Não tenho mais tempo.
Ah! Meu organdi! Tinha de prender logo agora na cadeira? Chiiii!!!! vai aparecer a alça do sutiã. Droga! Preciso manter a pose. O negócio é ser diplomata e encarar essa novela pra resolver e voltar rápido. Aí vai ser só comemoração. Tantos fogos que vai parecer reveillon, vou até - garanto - ganhar um buquê de flores.
Hummmm....me lembrei. Bem que poderia ter trazido o carnê e passar lá na loja, que é ao lado e pagar. Aproveitava e via umas vitrines. Quem sabe até comprava aquela blusa de tricô que vi naquela vez, ou a de crochê com aquele bordado delicado de paietê.
Esqueci...deixa pra lá!
Que bom estou chegando. Agora é saltar, procurar o bureau, fazer a triagem e resolver se, esquecer os detalhes.
Ah!...o celular. Deixa eu atender. Alô! Já cheguei. É só atravessar o jardim.
Deixa eu ir. Vai dar tudo certo!


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Muitos devem estar perguntando o que o texto acima tem a ver com Rio de Janeiro.

Os mais observadores dirão que tem tudo a ver.

Na realidade , resolvi fazê-lo, e até com um certo clima de suspense , pra dar início a uma pequena série em homenagem ao Ano da França no Brasil, que oficialmente começa em abril, mas que aqui , no RIO QUE MORA NO MAR, começo agora, nesse mês de Março, mês do aniversário da cidade, talvez a mais francesa das cidades brasileiras.

E o pequeno conto reflete isso, propositadamente montado com palavras de origem francesa, que incorporamos à nossa lingua e estão presente no nosso dia-a-dia. Algumas mais óbvias, outras menos.

Quais são as palavras? Deixo por conta de vocês!

Amanhã eu conto.



Voilá!

4 comentários:

  1. Cris, ainda bem que o "rolamento" da roda do carro não quebrou...
    Um abraço.

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  2. E nem o guidão... rs.
    Abs

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  3. Elizabeth, desculpe-me. Errei seu nome chamando-o de Cris. Falha nossa.
    Abs

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  4. Adelino,

    Obrigada pela sua sempre presença por aqui no RIO QUE MORA NO MAR e seus comentários nos vários assuntos!

    Abs

    Elizabeth

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