sábado, 5 de julho de 2014

Um encontro inusitado de dois cariocas

Aliás, um encontro de dois cariocas ...inspirado por um inglês:  Machado de Assis, Carlos Lyra e... Shakespeare



Machado de Assis escreveu
o lindo poema Quando ela fala,
em homenagem à sua amada Carolina.

Quando ela fala, parece
Que a voz da brisa se cala
Talvez um anjo emudece
Quando ela fala

Meu coração dolorido
As suas mágoas exala
E volta ao gozo perdido
Quando ela fala

Pudesse eu eternamente
Ao lado dela, escutá-la
Ouvir sua alma inocente
Quando ela fala

Minh'alma, já semimorta
Conseguira ao céu alçá-la
Porque o céu abre uma porta
Quando ela fala

Esse poema comprova  o contrário de muitas afirmações a respeito de Machado de Assis, de que seria um prosador puro. Esse poema é lírico, leve, gracioso como só um poeta poderia fazer. Quem não tem a vocação da poesia, não tem a singeleza própria de um poeta.

Machado , grande prosador, grande poeta! Ele publicou duzentos e setenta e oito poemas e quase 21 mil versos.

Em 1999, Carlos Lyra musicou o poema Quando ela fala.

A canção foi interpretada por sua filha Kay Lyra na cerimônia do translado dos restos mortais do escritor e de sua esposa Carolina para o Mausoléu da Academia Brasileira de Letras.


Onde está Shakespeare na história?

 Machado um apaixonado dele, se inspirou nos seus versos

“She speaks!/ O speak again, bright angel!”
da fala de Romeu,  em Romeu e Julieta , que escreve como epígrafe do poema Quando ela fala.

Versos do século XIV,
inspiram um poema no século XIX ,
que ganha melodia no século XX.

QUE PARCERIA!


Em tempo: e uma linda interpretação do Boca Livre, no século XXI!




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