quinta-feira, 26 de julho de 2018

Leblon...centenário, a controvérsia da data




Entre a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Oceano Atlântico, o Morro Dois Irmãos, o Canal do Jardim de Alá, na divisa com a Gávea, a Lagoa e Ipanema lá está ele...o bairro do Leblon.

Há 100 anos surgia o bairro.


Leblon, anos 1910, orla ainda sem os trilhos


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Av Delfim Moreira, anos 1920





O que era um campo arenoso, semeado de alagadiços e brejos, coberto de pitangueiras, espinheiros, palmeiras anãs, cactos e araçás, onde moravam uns poucos pescadores, deixou de ser um apêndice da Gávea para assumir as feições de bairro independente, por ocasião da Primeira Guerra Mundial, a partir da instalação de um ramal de tramways pela beira da praia, no trecho que, em 1918, passou a chamar-se Avenida Delfim Moreira.

Mas um mapa francês, de 1558, já situa no Leblon a aldeia Kariané. Esses tamoios teriam dado ao sítio o nome de Ypaum(espaço entre canais), em harmonia com a toponímia local. Muitos nomes de ruas do Leblon ainda guardam os nomes originais, que evocam a língua tupi: Igarapava (ancoradouro de canoa), Aperana (caminho errado), Sambaíba (designa um tipo de planta), Tubira (caminho de poeira), Itaquira (mina de água), etc.

Só em 1918 acontece a primeira ligação com Ipanema e adiante.


Há divergências na data. 
Há os que considerem a chegada dos bondes só em 1919. 
Não tem importância. 
Daí o centenário seria em 1919. 
Não tem importância.Comemoramos duas vezes.

No terminal, os carris faziam conexão com a linha originária da Gávea, que percorria a Rua do Pau (hoje, parte Dias Ferreira, parte Conde Bernadote), seguindo em direção à praia pela Rua do Sapé (atual Bartolomeu Mitre).
Pela praia, e depois feita por uma ponte sobre a barra da Lagoa ligando as Avenidas Vieira Souto, em Ipanema e a Delfim Moreira.
O Leblon não tinha luz elétrica, que só chegava a Ipanema. Havia poucas ruas, uma delas a Rua do Sapé, que ia do Largo das Três Vendas (Praça do Jóquei) até o Largo da Memória, que seria, hoje, a parte final da Avenida Bartolomeu Mitre. O Largo da Memória ficava entre as ruas Tubira e Juquiá, em frente ao antigo quartel da PM. A Rua Tubira também já existia, sendo a ligação para as areias da Praia do Zé do Pinto, que mais tarde deu lugar à favela da Praia do Sr. Pinto (depois Praia do Pinto), que foi uma das maiores da Zona Sul do Rio.
 Havia uma trilha, simples caminho de areia, que partia do Largo da Memória, seguia pela Praia do Sr. Pinto com o nome de Travessa do Pau (Rua Conde de Bernadote) e ia em direção ao mar. Mas antes passava pela Pedra do Bahiano (atrás do Conjunto dos Jornalistas) para encontrar o Caminho da Barra, que é como se chamava a margem do Canal no Jardim de Alah.

A linha do bonde circular Copacabana-Ipanema-Leblon-Gávea seria consolidada há 80 anos atrás, em 1938, com a construção de uma ponte sobre o canal do Jardim de Alá, ligando a Rua Visconde de Pirajá à Avenida Ataulfo de Paiva, colocando um fim às baldeações e à circulação de bondes pela praia.




Acima o tranquilo terminal da linha Jardim Leblon, que atendia basicamente Jardim Botânico e Leblon, e depois se expandiu e passou a terminar em Ipanema, próximo ao Jardim de Alah. Vale reparar na tela de arame colocada nas laterais, por questões de segurança.




O bairro do Leblon em 1938


Até o início do século, nem mesmo na linguagem do povo, aquele conjunto de chácaras desmembradas da antiga Fazenda Nacional da Lagoa tinha o nome de Leblon. Sua origem remonta a um tal francês,Charles Leblon, proprietário de um lote no areal — um quadrilátero delimitado, num sentido, pelas atuais Av. Visconde de Albuquerque e Rua General Urquiza e, no outro, pela Dias Ferreira e o mar —, que se convencionou chamar de Campo do Leblon.

Voltando no tempo, temos o Príncipe D. João VI que mandou desapropriar o Engenho da Lagoa, indenizando a herdeira Maria Leonor de Freitas Mello e Castro, e boa parte das terras que iam do Humaitá ao Leblon transformaram-se no Jardim Botânico. Como os terrenos de marinha não interessassem aos propósitos que animaram o Regente, foram cedidos, em 1808, a dona Aldonsa da Silva Rosa, feliz proprietária de toda a orla marítima que ia do Leme até o Leblon... e mais um pouco em direção ao sertão, extensão de terreno que se chamava à essa altura Fazenda Copacabana. Aldonsa transferiu a posse a Manoel dos Santos Passos, que legou em testamento ao sobrinho Antônio da Costa Passos, que, por morte, beneficiou os sobrinhos Francisco da Silva Melo e Francisco Nascimento de Almeida Gonzaga, que, em 1844, venderam tudo para Bernardino José Ribeiro e... voltamos ao Carlos Leblon que, por acaso, tinha os cabelos claros( daí a lenda do "le blond")

A primeira transversal à Avenida Ataulfo de Paiva, para quem vem de Ipanema, foi a Avenida Afrânio de Melo Franco, que já tinha esse nome no início da urbanização, nos anos 1910. Em seguida temos as seguintes ruas, com seus nomes da época e os atuais:


Nome antigo - Nome atual


. Rua Dom Pedrito - Rua Almirante Guilhem

Rua Francisco dos Santos (rua 10) - Rua Carlos Gois

Rua Francisco Ludolf (rua 11) - Rua Cupertino Durão

R. Com. Agostinho das Neves (12) e Acaraí - Rua José Linhares

Rua Domingos Moitinho (rua 13) - Rua João Líra

Rua Conde de Avellar (rua 14) - Avenida Bartolomeu Mitre

Praça Conde de Frontin - Praça Antero de Quental

Rua 15 (terminava na praça) - Rua General Urquiza

Rua Azevedo Lima (rua 16) - Rua General Venâncio Flores

Rua Miguel Braga (rua 17) - Rua General Artigas

Rua J.Antônio dos Santos (rua 18) - Rua Rainha Guilhermina

Rua Aristides Espínola (rua 19) - Rua Aristides Espinola

Rua Rita Ludolf (rua 20) - Rua Rita Ludolf

Rua 21 - Rua Jerônimo Monteiro

Rua Dr. Del Vechio - Avenida General San Martin

Av. Ataulfo de Paiva - Avenida Ataulfo de Paiva

Av. Delfim Moreira - Avenida Delfim Moreira

Rua do Pau e Sapé - Rua Dias Ferreira

Travessa do Pau - Rua Conde Bernadotte

Rua José Ludolf - Rua Humberto de Campos



Agora em 2018 ou em 2019
O RIO QUE MORA NO MAR fala e comemora.

Vivas aos 100 anos do Leblon!




Fotos: da internet

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