terça-feira, 18 de março de 2014

Um edifício chamado 200

Em 1954, há 60 anos, um anúncio de pagina inteira no jornal O GLOBO avisava que

“com um mínimo de capital”

era possível tornar-se proprietário no Edifício Richard, na Rua Barata Ribeiro 200, esquina com a Praça Cardeal Arcoverde, em Copacabana.
O anúncio alardeava
“conjunto arquitetônico moderno”

“apartamentos bem arejados, indevassáveis”

“construção de primeira e acabamento esmerado”,

“próximo à praia”


 Quem adquiriu um dos mais de 500 apartamentos (são 45 por andar !), no “conjunto arquitetônico moderno”, acabou abrigado num endereço que se tornaria recorrente na crônica policial da cidade.

As brigas, as tragédias e os escândalos protagonizados por alguns de seus seus milhares de moradores inspiraram, no início da década de 70, a peça "Barata Ribeiro 200", de Paulo Pontes. Os moradores,  na época não gostaram da citação e decidiram recorrer à Justiça.

O nome da peça foi mudado para "Um edifício chamado 200".
 
De uns tempos pra cá o edifício também mudou de número. Passou a ser Barata Ribeiro, 194.
Tem coisas que de tão increditáveis não dá pra entender como se dá licença pra que se construam.
Licenças como essa, acabaram erguendo vários edifícios nesse perfil, que em nada contribuem para a qualidade de vida de seus moradores, nem pra cidade.

Além do Edifício Richard, há alguns outros famosos prédios com população maior que muita cidadezinha, também construídos na década de 1950, como o Master, também em Copacabana – retratado em excelente documentário – , o Solimar – ex- Rajá – em Botafogo, o Balança mas não cai, na Praça Onze, o Parque Residencial Laranjeiras, o Minhocão na Gávea.

O   governo Carlos Lacerda – um grande governo que essa cidade jamais voltou a ter-  proibiu em 1960 a construção de quitinetes.
Mas o o governo Saturnino Braga – o que faliu a prefeitura do Rio – voltou a permitir a construção em 1988.

foto - reprodução internet
Em tempo, curiosidades:
Só pra se ter uma comparação da moeda daquele tempo e o poder aquisitivo.

  • O salário mínimo em 1954 era CR$ 1200,00 ( hum mil e duzentos cruzeiros).
    Em julho,  Jango, então Ministro do Trabalho, de Getúlio Vargas, decide dar um aumento de 100% - pasmem! -  e ele passa a ser CR$ 2 400,00 e permanece nesse valor até outubro de 1956, quando aumenta 60%, no governo JK.
  • Aumentos generosos, inexistentes nos dias de hoje!
  • A prestação desse apartamento no Edifício Richard era pouco mais de um salário mínimo, no lançamento. E menos que um salário depois.

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