terça-feira, 23 de junho de 2015

Mordida de carrapato iniciou o hábito do banho no Brasil

Quando o Brasil era colônia tomar banho era uma atividade, digamos, inusitada.

Por uma série de fatores, principalmente religiosos, os europeus não eram adeptos da prática. Aos poucos isso foi mudando – graças a Deus -, muito por causa dos médicos da época.

O que influenciou bastante foi o tratamento ao qual D. João VI foi submetido. Para se curar de uma ferida lhe foi recomendado banho de mar. Houve muita resistência, mas construiu-se assim a Casa de Banho de D. João para que ele se banhasse no mar.

Casa de banho de D. João VI, no Caju / Reprodução de Internet


 O monarca foi picado por um carrapato e o ferimento infeccionou. Os médicos, no final do século XVIII, começaram a recomendar os banhos de mar porque o sal da água ajudava na cicatrização de ferimentos. E esse foi o tratamento proposto ao rei.

A Família Real usou uma casa de nove cômodo que pertencia ao negociante de café Antonio Tavares Guerra, no Caju, para que servisse de local de apoio para que D. João tomasse seus banhos. A residência ficou conhecido como “Chácara Imperial Quinta do Caju”, mas se popularizou como Casa de Banho de D. João VI. A residência ficava , no então balneário do Caju, um paraíso com paisagem ainda intocada pelo homem.

O ritual de banho de D. João era engraçado para quem assistia.

Além do medo da água e do mar, o monarca tinha pavor de siris e outros animais marinhos. A região era conhecida até por receber baleias. Para não ser mordido pelos animais, o rei decidiu que só entraria no mar dentro de um barril com furos dos lados. Dom João entrava no barril ainda na areia e os escravos o carregavam até a água.

A casa não foi muito usada, mas tem um simbolismo histórico que hoje está esquecido. O local foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 1938, mas ficou abandonado por anos. A praia foi aterrada para a construção do porto do Rio e também da Ponte Rio-Niterói.

De pé até hoje, infelizmente o local está abandonado. Desde 1996 a Comlurb se responsabiliza pela casa e montou ali o museu da companhia de limpeza do Rio. O local ficou aberto ao público por um ano, e desde então está fechado.

Letreiro do Museu da Comlurb / Reprodução de Internet
 
 
Fonte:  Athos Moura

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