segunda-feira, 15 de junho de 2015

Músicas de Festas Juninas...ANARRIÊ!

Em tempos de festa junina, vale afiar o repertório!





(Motivo popular / João de Barro / Alberto Ribeiro)
Capelinha de melão
É de São João
É de cravo, é de rosa
É de manjericão

Apanhei rosas pelos caminhos
As mensageiras do meu amor
Tu me fizeste com os seus espinhos
Uma coroa de dor

Mandei-te cravos, tu não ligaste
E nem lhes deste nenhum valor
Com duros cravos tu me pregaste
Na cruz do teu falso amor

(Alberto Ribeiro)
E um balão vai subindo
Vem caindo a garoa
O céu é tão lindo
E a noite é tão boa!
São João! São João!
Acende a fogueira
No meu coração

Sonho de papel
A girar na imensidão
Soltei em teu louvor
Um sonho multicor
Ó meu São João!

Meu balão azul
Foi subindo devagar
E o vento que soprou
Meu sonho carregou
Não vai mais voltar!

(Assis Valente)
Tentei fazer mais um balão
Do papel que você deixou
Mas o papel que você fez
Foi tão triste que o balão
Na tristeza se apagou

Fiquei triste a soluçar
A recordar um doce bem
De tristeza chorei
Com saudade de alguém
Sua jura de paixão
Que para mim você jurou
Foi mentira, foi balão
Que subiu e se queimou

Tentei fazer mais um balão
Das ilusões do coração
Faltou a luz do seu olhar
Sem a luz dos olhos seus
Meu balão não "subirá"

Escutando a multidão
Sempre a cantar pra se iludir
Eu também tentei cantar
Eu também tentei sorrir
Nessa noite de balões
Eu não me canso de esperar
Vão chegando as ilusões
Só você não quer chegar

(Osvaldo Santiago / Benedito Lacerda)
Com a filha de João
Antônio ia se casar
Mas Pedro fugiu com a noiva
Na hora de ir pro altar

A fogueira está queimando
E um balão está subindo
Antônio estava chorando
E Pedro estava fugindo
E no fim dessa história
Ao apagar-se a fogueira
João consolava Antônio
Que caiu na bebedeira

(Humberto Pinto / Kid Pepe)
Não me canso
De soltar tanto balão
Pra meu São João
Pra meu São João
Sinto
Uma dor no coração
Em ver a gurizada
"Tasca esse balão!"

Na festa lá da aldeia
Não faltava povaréu
As crianças estavam em roda
Com a goma e seu papel
Eu só lamento
Nela não poder brincar
Vendo a fogueira acesa
E eu não poder pular

O mundo é um sonho
E a vida assim se passa
O balão que vai subindo
Deve tudo à fumaça
Assim os homens
Que ostentam posição
Estão em cima, estão em baixo
Como acontece ao balão

(Lamartine Babo)
Chegou a hora da fogueira
É noite de São João
O céu fica todo iluminado
Fica o céu todo estrelado
Pintadinho de balão
Pensando no caboclo a noite inteira
Também fica uma fogueira
Dentro do meu coração

Quando eu era pequenino
De pé no chão
Eu cortava papel fino
Pra fazer balão
E o balão ia subindo
Para o azul da imensidão

Hoje em dia o meu destino
Não vive em paz
O balão de papel fino
Já não sobe mais
O balão da ilusão
Levou pedra e foi ao chão

(Antônio Nássara)
Carneirinho, carneirão
Sobe tudo que é balão
Ai, meu São João!
Vem caindo a saudade
Dentro do meu coração

Quando a noite do céu vem descendo
Traz consigo a saudade e a ilusão
Numa prece de amor revivendo
Acendem-se as luzes do meu São João

Coração é capela do sonho
Onde o amor vive sempre a rezar
Eu vivia contente e risonho
Num sonho feliz e feliz de te amar

(Herivelto Martins / Alcebíades Barcelos)
Santo Antônio, São Pedro e São João
Fizeram uma combinação
Tirar do firmamento as estrelas
Deixando a terra na escuridão

Se a terra ficar na escuridão
Não há de escurecer meu coração
Que para o iluminar
Eu tenho a luz do teu olhar

(Roberto Martins e Evaldo Ruy)
Ó Rosa Maria
Levante desta cadeira!
A noite está fria
Vamos pular a fogueira
Pegue um foguete e um busca-pé
Venha ajudar a soltar balão
Tome um refresco de capilé
Que é noite de São João

A turma toda esperando você
E você teima em ficar no salão
Rosa Maria não faça chiquê
Na noite de São João

(Herve Cordovil / Alberto Ribeiro)
Balão! Balão!
No céu desapareceu
O meu sonho de amor
Foi balão que a saudade envolveu
Vejo um balão bem pequenino
Envolvido numa cerração
É bem igual o destino
Do meu coração
(balão)

Fiz um brinquedinho de criança
Dos castelos da minha ilusão
Tudo acabou, só há cinzas
No meu coração

(Getúlio Marinho (Amor) / João Bastos Filho)
Pula a fogueira, Iaiá!
Pula a fogueira, Ioiô!
Cuidado para não se queimar
Olha que a fogueira
Já queimou o meu amor!

Nesta noite de festança
Todos caem na dança
Alegrando o coração
Foguetes, cantos e troça
Na cidade e na roça
Em louvor a São João

Nesta noite de folguedo
Todos brincam sem medo
A soltar seu pistolão
Morena flor do sertão
Quero saber se tu és
Dona do meu coração

(Lamartine Babo)
Rosa fui buscar
Para o meu amor
Enfeitei meu coração!
Ó meu São João, meu Santo Antônio
Meu São Pedro
Nós queremos vossa proteção

Santo Antônio, não se zangue não
Cá na terra há também João
Quando a chuva, quando a chuva
Aqui desanda
É São Pedro quem manda
Com seu pistolão

Santo Antônio, rei dos namorados
São João, o rei dos batizados
E São Pedro lá no céu
Fica com a chave
Sisudo e mais grave
Do que os meus pecados



(Ari Barroso)
Sobe meu balão!
Vai perguntar à lua
Que brilha no céu
Por que não ilumina o meu caminho
Até hoje eu ando sem amor, amor
E sem carinho

Meu balão foi sumindo
E depois queimou, queimou
E a lua também foi sumindo
E o céu inteiro se apagou


(João de Barro / Alberto Ribeiro)
Noite fria, tão fria de junho
Os balões para o céu vão subindo
Entre as nuvens aos poucos sumindo
Envoltos num tênue véu
Os balões devem ser com certeza
As estrelas do espaço profundo
São os balões lá do céu

Balão do meu sonho dourado
Subiste enfeitado, cheinho de luz
Depois as crianças tascaram
Rasgaram teu bojo de listas azuis
E tu que invejando as estrelas
Sonhavas ao vê-las ser astro no céu
Hoje, balão apagado, acabas rasgado
Em trapos ao léu

(Acebíades Barcelos / Armando Vieira Marçal)
Olha lá um balão!
Vem de gás apagado
Vai enganar a gente
Vai cair em cima do telhado
(olha um balão)

E parece uma estrela
A vagar no firmamento
Seu destino é ser levado
Sem destino pelo vento

O balão de minha vida
Anda em noite tão escura
Que quando ele for caindo
Ninguém tasca, ninguém fura

(Mário Travassos / A. L. Pimentel)
Na festa do meu destino
Entre fogos, fogueira e balão
Teu amor é um travesso menino
Que pula a fogueira do meu coração
Subindo pro céu da ilusão
Do bairro da Felicidade
Meu amor foi um lindo balão
Que subiu e fugiu deixando saudade

Vou pedir numa oração
Ao meu São João
Que me dê bem direitinho
O meu balão
E apague a tal fogueira
Que há no meu coração

(Assis Valente)
Cai, cai, balão!
Você não deve subir
Quem sobe muito
Cai depressa sem sentir
A ventania
De sua queda vai zombar
Cai, cai, balão!
Não deixe o vento te levar

Numa noite na fogueira
Enviei a São João
O meu sonho de criança
Num formato de balão
Mas o vento da mentira
Derrubou sem piedade
O balão do meu destino
Da cruel realidade

Atirada pelo mundo
Eu também sou um balão
Vou subindo de mentira
No azul da ilusão
Meu amor foi a fogueira
Que bem cedo se apagou
Hoje vivo de saudade
É a cinza que ficou!

(José Maria de Abreu / Francisco Matoso)
Suba meu lindo balão
Lá no céu procure São João
E se você chegar lá sem cair
Ele agradecido há de sorrir

E quando passar
Junto ao portão do meu amor
Diga pra ele que meu coração
É mais quente que o seu calor

Se você cair
Hei de sentir, lindo balão
E desta vez São João vai sorrir
Mas há de sorrir de compaixão

(Nássara / Orestes Barbosa)
Meu São João repare agora
Neste meu balão
Não deixe ele cair tão cedo
Porque eu tenho medo
Que se apague uma ilusão

Quem estiver acordado
E apanhar este balão
Há de ver como padece
Há de ver como padece
Quem perdeu um coração

Se o santo do carneirinho
Me visse assim como estou
Não conhecia a criança
Não conhecia a criança
Que tantos fogos soltou

Vejo o céu cheio de estrelas
Misturadas com os balões
Ele e elas sorrindo
Ele e elas sorrindo
Vão mentindo aos corações

(Lamartine Babo / Alcyr Pires Vermelho)
Chega, chega minha gente!
Temos roda na fogueira
Tem cará, tem mandioca e tem
Foguete lá no alto da ladeira

Tem morena do outro mundo
Bem pra lá do rancho fundo
Que me pareceu sincera
E não era, não era, não era, não era
No calor da primavera
Tem lourinha cor-de-fogo
Meu segundo desengano
Que me pareceu gelada
Gelada, gelada, gelada, gelada
Na fogueira doutro ano

(Portelo Juno / César Cruz)
Sobe meu balão
Sobe para nunca mais voltar
E leva pra São João
A tristeza que eu tenho
No meu coração

Sobe meu balão
Leva este cartão
E entrega a São João
E fica lá no paraíso
Onde o mundo é ilusão

Vejo as estrelas
Vejo os balões
Lindos fogos d’artifício
Mas não vejo meu São João
Pois eu vivo da ilusão

(Lamartine Babo)
Eu pedi numa oração
Ao querido São João
Que me desse um matrimônio
São João disse que não!
São João disse que não!
Isto é lá com Santo Antônio!
Eu pedi numa oração
Ao querido São João
Que me desse um matrimônio
Matrimônio! Matrimônio!
Isto é lá com Santo Antônio!

Implorei a São João
Desse ao menos um cartão
Que eu levava a Santo Antônio
São João ficou zangado
São João só dá cartão
Com direito a batizado
Implorei a São João
Desse ao menos um cartão
Que eu levava a Santo Antônio
Matrimônio! Matrimônio!
Isso é lá com Santo Antônio!

São João não me atendendo
A São Pedro fui correndo
Nos portões do paraíso
Disse o velho num sorriso:
Minha gente, eu sou chaveiro!
Nunca fui casamenteiro!
São João não me atendendo
A São Pedro fui correndo
Nos portões do paraíso
Matrimônio! Matrimônio!
Isso é lá com Santo Antônio

(Assis Valente)
Olhando o céu todo enfeitado
De balões de papel fino
Eu recordei o meu passado
Meus amores de menino
Eu corria acelerado
Pra segurar na sua mão
Que de macia parecia
Papel fino de balão

E hoje quando chega São João
Eu vejo quanta coisa se acabou
Suas mãos que pareciam de papel
E velhice impiedosa machucou

E hoje se eu pudesse voltaria
Ao tempo que eu vivia de ilusão
Ao tempo que eu brincava de esconder
Por detrás do seu vestido de balão

(Haroldo Lobo / Geraldo Medeiros)
O baile lá na roça
Foi até o sol raiar
A casa estava cheia
Mal podia se andar!
Estava tão gostoso
Aquele reboliço
Mas é que o sanfoneiro
Só tocava isso!

De vez em quando alguém
Vinha pedindo pra mudar
O sanfoneiro ria
Querendo agradar!
Diabo é que a sanfona
Tinha qualquer enguiço!
Mas é que o sanfoneiro
Só tocava isso!

(S… Antônio, João e Pedro. Revivendo, RVCD-067)
 



Fonte:
Almanaque Jangada Brasil, junho de 1999



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