terça-feira, 27 de julho de 2010

Já teve um Cabral?

Tantas moedas já passaram pelas nossas mãos e carteiras, ao longo do tempo.
De quantas você lembra?
O que elas compraram e não compram mais.
Sou do tempo do CRUZEIRO, do Tamandaré.



Ser criança e ganhar uma nota de CR$ 5,00 - a do Barão do Rio Branco - era uma fortuna.

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Depois de crescida, o sonho de consumo passou a ser o Cabral. Nossa! Tudo isso do tempo que éramos Estados Unidos, do Brasil, claro.








 O CRUZEIRO, criado dia 5 de Outubro de 1942,
Cédulas do Brasil – Descubra Castelo





quarta-feira, 21 de julho de 2010

Há 50 anos...

...ontem e ainda hoje, infelizmente
  • "DIZEM que a memória do povo é fraca, mas o caso do assassino da menina Tânia Maria, pelo Frankenstein de saias, Neide Maia Lopes, duvido que o povo esqueça. O local onde a garotinha foi morta, um terreno baldio junto ao matadouro da Penha (Rio de Janeiro), está convertido num pequeno santuário, onde, diàriamente, milhares de pessoas fazem preces, levam flôres, acendem velas e pedem graças. O pequeno pedaço de chão onde a criança morreu queimada, após levar tiro na cabeça, foi cercado por barras de ferro, imitando um pequeno berço, por um popular anônimo. No dia seguinte à morte de Tânia, já se erguia no local uma cruz branca, e, desde então, a peregrinação não cessou. Começa de manhã e vai até altas horas da noite. Senhoras, moradoras nas imediações, contam que cêrca de 1.000 pessoas por dia, muitas vindas de longe ou em trânsito pelas rodovias Rio-São Paulo e Rio-Petrópolis, vão até o local onde morreu a “Flor do Campo”. Êste é o nome que poetas desconhecidos deram à pobre menina. À cruz estão pregados poemas de louvor e glorificação à pequena vítima. Êsses poemas falam: “Ó Santa menina - O mundo não era teu - Tu fôste predestinada - Para a glória do céu”. Também foi pregado à cruzinha branca o “Hino à Flor do Campo”, com estrofes assim: “Ó menina imaculada - Ó meu anjo salvador - Aqui, aqui te louvamos - Com a nossa imensa dor”. Continua: “Vamos todos para o campo - Lá morreu a nossa flor - Aqui, aqui te ofertamos - Todo nosso grande amor”. E o Hino termina: “Êste campo consagrado - É da filha do Senhor - Aqui, aqui nós rezamos - Ó meu anjo salvador”. Em volta do pequeno carneiro improvisado, oram, ajoelhadas, mulheres idosas, mocinhas e crianças, como se estivessem ante um altar. Velhas mães, não contendo sua indignação, dizem que a Polícia deveria deixar a mulher-fera nas mãos do povo. Quando a Polícia divulgou que iria fazer a reconstituição do crime, dezenas de mulheres ficaram de prontidão no local, esperando a chegada de Neide para liquidá-la. E muitas têm esperança de poderem ainda fazer justiça com as próprias mãos se a reconstituição vier a ser realizada. As próprias detentas de Penitenciária de Mulheres de Bangu, revoltadas, ameaçaram trucidar Neide. Elas que cometeram crimes de tôda espécie, acham que a perversidade da assassina de Tânia foi além dos limites. Enquanto a revolta da opinião pública não arrefece, volta-se a discutir a questão da pena de morte. Nesta reportagem, os leitores terão o ponto de vista de várias pessoas autorizadas no assunto. Da soma dessas opiniões, conclui-se uma coisa; com pena de morte ou prisão perpétua, ou sem uma coisa ou outra, o que urge é reformar o Código Penal, para que, através de castigos mais rigorosos, mais intimidativos, ponha-se um paradeiro à seqüência de crimes tão bárbaros...
    ...No Brasil, pràticamente, a pena, nos delitos mais graves, não passa de 15 anos, graças à facilidade legal do livramento condicional, que reduz à metade as penas detentivas ou a 2 terços na reincidência. É claro que essa fraqueza influi, decisivamente, para a exacerbação da criminalidade no País, onde os mais temíveis delinqüentes voltam sempre à circulação para de novo delinqüir, como é notório entre nós. Os piores homicidas, na verdade, são condenados a 12, 20, 24 anos e raramente a 30. Graças ao livramento condicional, voltam ao convívio social após cumprirem a metade ou 2 terços dessas penas... Não é de admirar, pois, que haja mais homicídios no Rio de Janeiro que em tôda a Inglaterra. É que, naquele país, o criminoso não escapa: ou é condenado à morte ou à prisão perpétua; se louco, é internado por tôda a vida. A enérgica repressão penal é ainda o meio mais eficaz para a defesa social contra o crime..."
ARLINDO SILVA , Revista O CRUZEIRO, julho de 1960 ( mantida a grafia original)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Roberto Ribeiro

Hoje, 20 de julho de 2010, Roberto Ribeiro ( nascido Dermeval Miranda Maciel) faria 70 anos de vida e 50 anos de carreira.

Com sua voz ímpar no timbre, foi um grande intérprete na história do samba e da MPB.

Destaque para as interpretações de "Acreditar", "Estrela de Madureira", "Todo Menino É um Rei", "Malandros Maneiros", "Fala Brasil", "Amor de Verdade", sucessos inesquecíveis.

À frente da Império Serrano, levou a escola ao antológico campeonato, em 1972, com Alô, Alô, Taí Carmem Miranda , quando pela primeira vez cantou um samba enredo com fraseado improvisado, chamadas e paradinhas, copiadas até hoje.

Passou a sofrer de um seríssimo problema de vista e, em janeiro de 1996, faleceu em virtude de um atropelamento no bairro de Jacarepaguá.


Nossa homenagem!

Ouça aqui a linda ESTRELA DE MADUREIRA, e faça o download grátis.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Vai uma dança aí?

Em tempos de danças fazendo sucesso na TV, vale lembrar que o carioca sempre gostou de dançar e nos seus salões ela esteve presente, dando a nota da alegria carioca.
Foi num mês de julho, há mais de 160 anos - no dia 3 de julho de 1845 - que uma dança estrangeira foi apresentada à cidade e virou febre.
A dança foi a POLCA, que pela primeira vez, no Teatro São Pedro, no Rio de Janeiro, aportou vinda da Boêmia, à época parte do império austro-húngaro.

Depois dessa apresentação, a polca se transformou em dança de salão. Invadiu teatros e ruas, tornando-se popular pelo seu aspecto brejeiro e alegre, através dos grupos de choro, grupos carnavalescos e compositores importantes que aderiram ao ritmo, como Calado, Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazareth dentre outros.


Aliás, a primeira música composta por Ernesto Nazareth foi uma polca, "Você Bem Sabe", editada pela Casa Arthur Napoleão. Certa vez, participando de uma roda de música, tão em voga no seu tempo, respondeu à polca do chorão flautista Viriato Figueira da Silva, com outra polca: "Não Caio Noutra".

Quer ouvir ou fazer download da deliciosa polca Ameno Resedá,? É só clicar no título da música.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Trinta anos sem o poetinha

Pra recordar Vinicius de Moraes...



Em outros posts sobre Vinicius, aqui do blog, citamos parte desse lindo texto, que agora segue, abaixo, completo.
Vale a pena (re)ler...sempre!


Recado de Primavera

Rubem Braga
(Setembro, 1980)



"Meu caro Vinicius de Moraes: escrevo-lhe aqui de Ipanema para lhe dar uma notícia grave: a Primavera chegou. Você partiu antes. É a primeira Primavera, de 1913 para cá, sem a sua participação. Seu nome virou placa de rua; e nessa rua, que tem seu nome na placa, vi ontem três garotas de Ipanema que usavam minissaias. Parece que a moda voltou nesta Primavera — acho que você aprovaria.

O mar anda virado; houve uma Lestada muito forte, depois veio um Sudoeste com chuva e frio. E daqui de minha casa vejo uma vaga de espuma galgar o costão sul da Ilha das Palmas. São violências primaveris. O sinal mais humilde da chegada da Primavera vi aqui junto de minha varanda. Um tico-tico com uma folhinha seca de capim no bico. Ele está fazendo ninho numa touceira de samambaia, debaixo da pitangueira. Pouco depois vi que se aproximava, muito matreiro, um pássaro-preto, desses que chamam de chopim. Não trazia nada no bico; vinha apenas fiscalizar, saber se o outro já havia arrumado o ninho para ele pôr seus ovos. Isto é uma história tão antiga que parece que só podia acontecer lá no fundo da roça, talvez no tempo do Império. Pois está acontecendo aqui em Ipanema, em minha casa, poeta. Acontecendo como a Primavera.

Estive em Blumenau, onde há moitas de azaléias e manacás em flor; e em cada mocinha loira, uma esperança de Vera Fischer. Agora vou ao Maranhão, reino de Ferreira Gullar, cuja poesia você tanto amava, e que fez 50 anos.

O tempo vai passando, poeta. Chega a Primavera nesta Ipanema, toda cheia de sua música e de seus versos. Eu ainda vou ficando um pouco por aqui — a vigiar, em seu nome, as ondas, os tico-ticos e as moças em flor. Adeus. "


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E mais...Vinicius no show que virou LP, com Tom Jobim, Toquinho e Miucha