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terça-feira, 10 de março de 2020

Em 50 anos o tempo mudou.



A estiagem de 1970 
contrasta com os tempos  
mais chuvosos dos dias atuais.


O recorte do início de março de 1970, mostra bem.





recorte de  10/3/1970, jornal O GLOBO


sábado, 1 de junho de 2019

HÁ 50 ANOS, 1 DE JUNHO DE 1969, O URUBU se tornou símbolo do MENGO!



Até o dia 1° de junho de 1969, 
chamar um flamenguista de urubu 
era uma provocação com contornos de ofensa. 
Para boa parte dos rubro-negros, 
o apelido era um insulto racista sobre torcida. 

Foto de arquivo

Tudo começou a mudar quando quatro jovens amigos, moradores do Leme, na Zona Sul do Rio, decidiram calar os críticos soltando um urubu no gramado do Maracanã, durante um clássico contra o Botafogo. A ave de rapina virou a sensação do confronto e trouxe sorte ao rubro-negro, que venceu por 2 a 1, quebrando um tabu de quatro anos sem vitórias sobre o rival.

O voo do urubu, que completa 50 anos neste sábado, começou a ser planejado bem antes daquela partida. 

Hoje, o episódio seria considerado crime ambiental. Urubus são animais silvestres e não podem ser retirados de seu habitat e nem muito menos sofrer maus tratos.

 Mas, na época, com idades entre 18 e 20 anos, os amigos Victor Ellery, Romilson Meirelles, Luiz Octávio Vaz e Erick Soledade não pensaram nessas questões. Eles estavam decididos a capturar um urubu e soltá-lo no Maracanã. De início, eles foram até a Lagoa Rodrigo de Freitas, numa tarde de sexta-feira, mas não encontraram sequer um exemplar da espécie:

— Naquela hora, não tinha nenhum urubu ali perto dos clubes Caiçara e Piraquê. Então, decidimos ir ao lixão, no Caju, mas era tarde e não pudemos entrar. Disseram para voltarmos no dia seguinte — lembra Vaz.
— Oferecemos um valor para quem capturasse um urubu pra gente, algo como uns R$ 50 hoje. Deu até briga. Um gari fez um laço e conseguiu trazer um urubu. Nós o enrolamos em uma espécie de manta e o levamos para o carro — explica Ellery.

O quarteto rubro-negro voltava para casa com o senso de dever cumprido, mas foi surpreendido como em um contra-ataque do adversário. Com o carro parado em um sinal da Avenida Brasil , o urubu se soltou da manta, o que imediatamente instaurou o caos no veículo:
— Foi um desespero total. Eu estava dirigindo abaixado (pausa para risos). Depois de muito custo, conseguimos imobilizá-lo. Levei algumas bicadas, e os outros três foram buscar uma sacola para colocar o urubu. Deve ter sido rápido, mas fiquei sozinho com ele dentro do carro, esse tempo me pareceu uma eternidade — lembra Meirelles.

O urubu passou a noite em um prédio, no Leme, com a cabeça imobilizada para não bicar ninguém. Mesmo debilitado, o animal recusou o cardápio nada adequado oferecido pelo quarteto: macarrão ou feijão com arroz. O jejum seria apenas mais uma das provações a que a ave seria submetida. No dia do jogo, o quarteto amarrou uma bandeira do Flamengo nas patas do animal, com suporte de bambu, e o animal entraria no estádio dentro de uma sacola, que estava enrolada numa faixa.





A REDENÇÃO DO URUBU

Soltar um urubu em pleno Maracanã, com uma bandeira do Flamengo foi, para o quarteto, um ato de desforra que alcançou proporções inimagináveis. Até aquele momento, o mascote do Flamengo era o marinheiro Popeye, uma herança do remo, esporte que deu origem ao clube. 

Já no dia seguinte ao jogo, o GLOBO trazia a notícia: "Urubu pousa na sorte do Botafogo". O marinheiro Popeye logo foi trocado pelo animal pelo cartunista Henfil, que humanizou o personagem nas páginas do “Jornal dos Sports”.

Retirado da sacola, o urubu, uma fêmea, ainda estava atônito quando o quarteto decidiu soltá-lo. Voou sobre a torcida do Botafogo, que, surpresa, não reagiu. 

A do Flamengo vibrava, gritando 

“É urubu, é urubu!”, 

até que o animal pousou no gramado, onde se tornou a estrela do clássico. A ave ofuscou a estreia do atacante argentino Doval, o Diabo Loiro, contratado junto ao San Lorenzo, da Argentina, como estrela da temporada.

Erick Soledade sente que o trabalho do grupo é confundido por causa do desenho de Henfil. Para ele, muitos torcedores desconhecem a ação do quarteto e acreditam que o traço do cartunista ressignificou o urubu como novo mascote do Flamengo.

— Os desenhos dele ficaram eternizados nas páginas dos jornais, mas foram reflexo da nossa ação, e isso muita gente não sabe, o que acaba tirando o nosso reconhecimento — avalia.






O ADEUS DA AVE

Se o urubu rubro-negro completa 50 anos de adoção pela torcida neste sábado, a ave que deu origem à escolha teve vida bem mais breve. 

Dois dias depois do jogo, O GLOBO noticiava: “Urubu que a torcida elegeu não teve sorte: morreu de fome”. O animal foi encontrado pela equipe de reportagem morto no fosso do estádio. Já tinha sido removido do banheiro, onde foi encontrado por funcionários da Administração dos Estádios do Estado da Guanabara (ADEG). A necropsia feita por uma veterinária do Zoológico apontou que o animal morrera de inanição.

No domingo seguinte, outro grupo de torcedores levou um urubu para o Maracanã, durante uma partida contra o Vasco. O animal foi novamente festejado pela torcida ao pisar no gramado, consolidando sua espécie como mascote do rubro-negro.

Para festejar a data do primeiro voo no Maracanã, o Flamengo informou que prepara duas ações surpresa. A primeira, neste sábado, no jogo válido pelo Campeonato Brasileiro contra o Fortaleza, no Estádio Nilton Santos, o Engenhão, no Rio, e na segunda ação na quarta-feira, contra o Corinthians, no Maracanã, em partida válida pela Copa do Brasil. Aguardemos!






Ouça os depoimentos do quarteto que começou essa história...




Fontes: 
Acervo O GLOBO
Clube de Regatas do Flamengo




sábado, 25 de novembro de 2017

Clássicos em Bossa-Nova

Um álbum que tem 50 anos e pouco conhecido.

Em ritmo de bossa-nova clássicos de Henry Mancini. Espetáculo!
Projeto artístico musical de Durval Ferreira, com arranjos de Dario Lopes.

 


Clique abaixo e curta!






segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Túnel Rebouças, carioca cinquentão!

A ligação entre a Zona Norte e a Zona Sul já era discutida desde a década de 20, quando o arquiteto francês Alfredo Agache desenhou o primeiro plano urbanístico da cidade. Na época, a única opção Norte-Sul existente era o túnel da Rua Alice (Rio Comprido-Laranjeiras), inaugurado ainda no Império, em 1887.

 O primeiro projeto do Túnel Rebouças ficou pronto em 1955, mas o túnel só começou a sair do papel em 1962, com Carlos Lacerda, então governador da Guanabara. Para sua construção, foram empregados 2.600 operários, sendo que 22 deles morreram, vítimas de explosões e desabamentos.

Túnel Rebouças em obras



O Túnel Rebouças foi inaugurado em 3 outubro de 1967 por Negrão de Lima, então governador da Guanabara. Na época, o túnel — que liga o Rio Comprido, na Zona Norte, ao Cosme Velho e à Lagoa, na Zona Sul — foi apresentado como alternativa para reduzir em nove quilômetros a distância entre as zonas Norte e Sul, sendo percorrida em apenas seis minutos.


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No dia da inauguração, cariocas fizeram fila para passarem pelo túnel.

As escavações do Rebouças, na gestão de Lacerda ficaram prontas após três anos do início das obras e uma solenidade comemorou o término da escavação das suas quatro galerias. Na abertura do túnel para os carros, ainda não havia sistema de ventilação instalado, a iluminação era precária e não era feito um controle sobre a quantidade de monóxido de carbono no local. Somente em 1968, um ano após a abertura, foi instalado o sistema de controle de poluição.

A princípio, somente carros podiam trafegar pelo túnel Rebouças. Apenas em 1976 foi permitido a uso da via por ônibus. As primeiras linhas que trafegaram pela obra foram 443 (Lins-Urca) e 473 (Triagem-Leme)

Por mês, são recolhidos, em média, quase quatro toneladas de lixo. Entre os achados, há documentos, chaves, celulares e material escolar. Até colchão já foi retirado das pistas.

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   Os nomes oficiais do túnel, André e Antônio Rebouças, são dos engenheiros abolicionistas, que ao lado de Machado de Assis, Cruz e Souza, José do Patrocínio, foram representantes da pequena classe média negra em ascensão no Segundo Reinado e vozes mais importantes em prol da abolição da escravatura. Netos de um alfaiate português e de uma escrava alforriada, os dois irmãos estão entre os primeiros negros a cursarem uma faculdade no país. Estudaram na antiga Escola Militar e na Escola Politécnica da UFRJ.

Mas histórias inusitadas também, pelo túnel, aconteceram e acontecem.

Os animais também não dão trégua aos controladores de trânsito do túnel. Os visitantes mais comuns são cachorros, mas porco, cabrito, cabra, bode, garça e até vaca já apareceram por lá. A vaca entrou pelo Cosme Velho e foi até o Rio Comprido, passou a mureta divisória e deu a volta pela outra galeria.

Se não fosse o flagrante das câmeras da CET-Rio, ninguém acreditaria que uma broca chegou a perfurar o teto do Rebouças em 19 de maio de 2015, provocando um grande vazamento (além, é claro, de congestionamento). O equipamento era de um morador da Rua Senador Lúcio Bittencourt, no Jardim Botânico, que resolveu furar um poço artesiano. Até hoje, o buraco permanece aberto.


Fonte: acervo O Globo
Fotos:internet




sexta-feira, 16 de junho de 2017

Avenida Chile que surgia há 50 anos, em 1967






recorte do jornal O GLOBO de 17 de junho de 1967.
Clique nas imagens para ampliar.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Tunel Santa Bárbara, 50 anos

A abertura de um túnel conectando os bairros de Laranjeiras (Zona Sul da cidade) e Catumbi (localizado entre a periferia da Área Central e a Zona Norte) foi assentada no Plano Agache, do urbanista francês Alfred Agache, em 1928. Mas só foi concluído no Governo Carlos Lacerda e inaugurado no dia 22 de abril de 1964.


Jornal O Globo, 23 de abril de 1964, primeira página

O Catumbi foi uma área nobre da cidade, bairro em que se instalaram as colônias portuguesa, espanhola e italiana em casario imponente. Por lá aconteciam significativas manifestações religiosas, notadamente em suas ruas sob a forma de procissões. Com o tempo, com a migração para outras regiões, começou a sofrer com a decadência e os casarões aristocratas começara a se transformar em cortiços, casas de cômodos.Por lá, também,nos anos 50 surgiram afamados blocos carnavalescos, como Bafo da Onça, que fizeram história no carnaval carioca. Com o advento do túnel o bairro se desvalorizou ainda mais, ao contrário da outra ponta do túnel, Laranjeiras.

O Tunel Santa Bárbara foi considerado , à época, como o mais moderno da América Latina sendo, por excelência, um marco na evolução técnica e histórica dos túneis na cidade. A partir dele novas metodologias de perfuração e manutenção de túneis passaram a ser aplicadas.
 
Foi o primeiro a demandar a criação de equipes de operação, monitoramento e cuidados especiais na sua administração; o que foi estendido, anos depois, a outros túneis de igual complexidade.
Em vista das inovações apresentadas destacava-se o fato de ser o primeiro a contar com sistema de ventilação e exaustão, aparelhagem de radar, contagem de veículos, sinalização luminosa, recebimento independente de eletricidade, geradores de emergência, bem como circuito fechado de televisão para monitoramento de enguiços e acidentes, dentre outras facilidades.

TRÊS CURIOSIDADES:
  • Dentro do túnel existiu uma capela, a Capela de Santa Bárbara, construída junto com o túnel em homenagem a operários mortos durante a obra. Nela um painel monumental de azulejos de Djanira , que desde 1995, recuperado, pode ser visto com mais conforto e com todos os seus detalhes no Museu Nacional de Belas Artes.
  • O primeiro problema no tráfego no interior do túnel ocorreu com um táxi vindo do Catumbi.Ele enguiçou no meio da pista. Imediatamente o radar registrou, transmitindo o sinal para o sistema de sinalização e logo começou a acender uma lâmpada amarela, pisca-pisca e com uma seta, indicando aos mortoristas o desvio de pista e, em minutos um reboque entrou no túnel e retirou o veículo. O motorista e o passageiro foram avisados como proceder pelos alto-falantes.
  •  Na primeira hora de abertura do túnel o radar registrou 2107 veículos, sendo 1743 no sentido Zona Sul/Zona Norte.

EM TEMPO:
Carlos Lacerda, ex-governador do antigo Estado da Guanabara,
completaria 100 anos no próximo dia 30 de abril.
Por isso, o RIO QUE MORA NO MAR vai nos próximos posts ,
em homenagem ao maior e melhor governante que o Rio de Janeiro
já teve, falar um pouco da relação Lacerda e a cidade.

segunda-feira, 31 de março de 2014

31 de março de 1964, há 50 anos no Rio de Janeiro

A revista O CRUZEIRO publicou uma edição especial sobre o dia 31 de março de 1964 na cidade do Rio de Janeiro.

Uma das reportagens descreveu o episódio acontecido no Palácio Guanabara. Eu, criança, à época, morava próximo e lembro de toda essa movimentação. Do tanque passando pela minha rua, rumo ao Palácio, do rádio ligado ouvindo as notícias, da apreensão, da manifestação às janelas.
 


"A batalha do Guanabara


 










Foto de Antônio Rudge





Durante um dia e uma noite, o Palácio da Guanabara e o Governador Carlos Lacerda foram nomes que representaram a resistência democrática na chamada “capital e política” do País. Ninguém pregou ôlho. As horas transcorreram em regime de sentinela bem acordada, até que a vitória se desenhasse no céu do Rio.
Os tanques do Exército estavam no Largo do Machado. No Palácio da Guanabara, o Governador Carlos Lacerda se mantinha em calma e em expectativa. Todo o secretariado presente. Eram 18,30 h do dia 31 de março.
O feriado escolar, depois de estudado, teve sua decretação feita às 23 horas. Cêrca de 300 oficiais das diversas armas se dirigiram para o Guanabara, a fim de solidarizar-se com o Governador.

Meia-noite: sabe-se do movimento de tropas de São Paulo em direção ao Rio de Janeiro. Junto à Igreja, um foguete (antitanque) é montado em longarinas de asa de avião.

Aos 5 minutos chega o Senador Artur Bernardes Filho. O Governador se mantém em vigília e fala com o Jornalista Jules Dubois, de Miami, Estados Unidos, e dá a notícia da adesão do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo. Lacerda sai aos 35 minutos, acompanhado apenas pelo general Mandim, responsável pela segurança de Palácio, e inspeciona, até aos 55 minutos, os arredores.

A uma hora da manhã, começaram a cortar os telefones da linha 25, que serve ao Guanabara, mas continuaram a funcionar três da linha 45,que passaram a ser utilizados pelo Governador. Às 2,45 h, corre em Palácio a notícia de que os fuzileiros navais iriam atacar. A expectativa prossegue até às 5 horas, quando entram mais 30 generais do Exército. Às 6,30h, nova notícia promoveu atitude semelhante, logo relaxada por saber-se que se tratava de um rebate falso.

O dia 1° de abril estava claro. Às 7,55h, o Governador Carlos Lacerda recebe o Manifesto dos Generais, que iria ser lido após o hasteamento da Bandeira Nacional, às 8 horas, através da Rádio Inconfidência, de Minas Gerais.

Às 8,30 h, Juracy Magalhães entra em Palácio e conferencia com Carlos Lacerda.

Às 10,45h, o presidente do Tribunal de Justiça, Dr. Vicente Faria Coelho, chega e conferencia com o Chefe do Executivo. Às 13,15h, entra em Palácio o Sr. Armando Falcão. As notícias se aceleram. Às 16 horas, há o momento de maior emoção para o Governador Carlos Lacerda: tanques do Exército, que se encontravam no Palácio das Laranjeiras, estão agora guarnecendo o Palácio da Guanabara. O Chefe do Executivo carioca, ao ouvir a notícia, chora e exclama:

- Graças a Deus! Deus está conosco!

O carnaval da vitória
Foi uma reação em cadeia. Anunciada a viagem do Presidente a Brasília e a vitória das fôrças revolucionárias, milhares de pessoas saíam às ruas, gritando, pulando, discursando tamém, num verdadeiro carnaval.

Grupos mais exaltados e tomados de fúria incendiaram o prédio da UNE, na Praia do Flamengo, quando os dirigentes comunistas da entidade já haviam desaparecido e abandonado a sua trincheira. Os mesmos grupos depredaram e incendiaram a “Ultima Hora”, na Praça da Bandeira. Isso foi um pouco de vingança e excesso condenável, pois a massa, o povo carioca, queria apenas viver aquelas horas de vitória e não vingar-se daqueles que tinham sido vencidos."


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O Homem do RIO

O Homem do Rio  - L´homme de Rio  - foi um filme, sucesso de 1964, há 50 anos,
com o ator Jean-Paul Belmondo.


O filme é uma perseguição por conta do roubo de uma relíquia amazônica do Museu do Homem, em Paris. São filmadas cenas em Brasília, quando esta ainda estava em construção, Jean-Paul Belmondo passa pela cidade e dá rasantes com um pequeno avião e também no Amazonas.

Várias cenas do filme se dão no Rio de Janeiro, inclusive as de perseguição.
Um filme bem brasileiro, um bom retrato no nosso país na década de 60. Conta com a participação do sambista carioca Zé Keti e Milton Ribeiro ( imortalizado no nosso cinema como o "cangaceiro malvado").

 

 

 Ficha Técnica:


 Título: O Homem do Rio ( L´homme de Rio)
Gênero: Ação, Comédia
Lançamento: 1964
País: França/Itália/Brasil
Direção e Roteiro: Philippe de Broca
Elenco: Jean-Paul Belmondo, Milton Ribeiro, Simone Renant, Adolfo Celi, Françoise Dorléac, Daniel Ceccaldi, Max Elloy, Lucien Raimbourg, Jean Servais, Roger Dumas, Ubiracy de Oliveira, Louise Chevalier, Nina Myral, Zé Keti


(O diretor Philippe de Broca e o ator Jean-Paul Belmondo já haviam trabalhado juntos em Cartouche, em 1961). 
 

terça-feira, 9 de julho de 2013

Aizita Nascimento...a carioca que revolucionou o Maracanãzinho



Todos os anos, entre maio e junho a cidade se envolvia e torcia por sua representante das passarelas.
Era tempo de desfiles no Maracãzinho. Era tempo de Miss Guanabara!

Assim, naquele junho de 1963, entre mais de duas dezenas de concorrentes, que desfilavam  oito jovens  eram anunciadas  finalistas do concurso Miss Guanabara 1963, dentre elas, a mulata Aizita Nascimento. Aizita Nascimento , enfermeira formada, era a representante do Renascença Clube.




O Renascença Clube foi um clube fundado em 1951, por um grupo de 29 negros pertencentes à classe média, cansados das discriminações sofridas em outros clubes e agremiações do Rio de Janeiro. Criado como um espaço social  e cultural próprio, o Renascença nasceu numa casa antiga, pequena, com grande quintal arborizado, localizada no bairro do Méier , na Rua Pedro Carvalho e mais tarde se mudou para o atual endereço, Rua Barão de São Francisco.

O público daquele sábado ,que lotava o Maracanãzinho - estimado em 25 mil pessoas - queria o título para Aizita Nascimento e gritava ... QUEREMOS A MULATA !

Vi tudo isso pela televisão. Tinha 10 anos. A transmissão pela TV do concurso de miss ía ao ar pela antiga  TV Tupi.

Mas o resultado foi decepcionante. Quando foi anunciado , um choque:  Aizita Nascimento em ...SEXTO lugar.
 Miss Fluminense , Vera Lúcia Maia e  Miss Clube Riachuelo, Eliane Silveira, tinham empatado no primeiro lugar  com 50 pontos.

E Vera Lúcia Maia ganhou no desempate.
BAITA SURPRESA!


Muitas vaias, inconformismo e constrangimento, com a continuação do grito QUEREMOS A MULATA !

Aliás, QUEREMOS A MULATA,  é o título da crônica do jornalista Henrique Pongetti, na revista MANCHETE, publicada na edição de 6 de julho de 1963, sobre o acontecido.

Voilá...
"Como quase todo mundo sabe, fiz parte dos olheiros que escolheram a Miss Guanabara deste ano. Doce tarefa! Sobretudo muito melhor do que fazer parte do júri para eleger um daqueles gigantes bolotudos, de músculos pulando fora do corpo, tipo Mister Universo, nos quais a robustez chega a parecer um abuso contra a natureza, e dos quais as próprias mães que os tiveram pequeninos, iguais aos outros, devem levar constantes sustos.

Mas se doce é a tarefa, nem por isso deixa de ser difícil. Entre seis mulheres de uma beleza equivalente, você, juiz, fica num drama de consciência terrível. Tem vontade de escrever o nome delas em papelinhos e de fazer o sorteio. Saiu a Riachuelo no lugar da Flamengo? Ou a Madureira no lugar da Fluminense ? Quem manda não haver uma esmagadoramente bela para ganhar à primeira vista e deixar sem sentimento de culpa o júri e sem pretexto de vaias a torcida?

Acresce que a beleza, para a maioria do povo, não obedece a cânones: é uma opinião, ou melhor dizendo, uma sensação. Se tiver quadris bem roliços, se estiver mais para a tanajura do que para a Miss Universo, ganhará aplausos frenéticos ao longo de toda a passarela. O público não quer Donas Estátuas: quer Donas Boas.

É isso mesmo, meu amigos. Eu sou um esteta., vi de perto a Vênus de Milo, estou em excelentes relações com Fídias e outros “ cobras” da estatuária, sei de cor as medidas julgadas ideais para um corpo feminino, tomei banho de sol com as mais certinhas de Saint-Tropez e de Portofino, mas o homem da arquibancada do Maracanãzinho não tem nada com isso. Se eu aprovo a cara, ele aprova a coroa. Jogamos com a mesma moeda de forma inconciliável: numa face a minha Vênus, na outra face a sua alucinante tanajura.

- É bonita, não resta dúvida, mas repare como é defeituosa de quadris.
- Defeituosa? O senhor acha defeito aquela generosidade de Deus? Então viva o defeito e fique com aquelas achatadas, aquelas tábuas de passar a ferro!
- Um momento: o senhor conhece os cânones da beleza mulata?

Havia uma mulata do Renascença Clube na passarela do Maracanãzinho. Uma cara bonita, com um sorriso desses que dão vontade de pegar a mulher no colo e sair com ela sorrindo entre filas de angustiados e de vencidos. Um sorriso para cartazes de campanhas contra a depressão, pró planos trienais, ou muito mais. Contagioso, sedativo, euforizante. Eu votei nela para uma das oito finalistas. Pelo seu sorriso, pela sua maneira de olhar deixando mel na menina dos olhos da gente, pela sua humanidade em não se sentir diferente das outras vinte e três por ter a pele mais escura.

Não poderia vencer o primeiro lugar porque havia outras de corpo mas bem feito e de rosto igualmente bonito, e certamente mais harmonioso. Era um pouco baixa e pecava também por aquele excesso característico da acima referida espécie de formigas. Que pensava o povo a respeito?

Ora, o povo! O povo acabou, como sempre, que num caso desses, antes tanajura do que tábua de passar a ferro, e esquecendo seus clubes e suas candidatas passou a pedir em coro o primeiro lugar para ela: - Queremos a mulata ! Queremos a mulata! Queremos a mulata!

Tem, havido vários queremos na história deste país, inclusive o queremos Vargas, mas queremos, assim, inflamado e imperativo, duvi-d-o-dó. Era o grito do instinto, do sangue, e, em o percebendo, a mulata cada vez apurava mais o dengo e o ritmo do molejo, aumentando atrás de si as palmas que conquistara à sua frente, gloriosa na cara e ultra gloriosa na coroa.

Ah, meu caro Embaixador Lincoln Gordon ! Que pena não estar ao meu lado, na mesa julgadora, um daqueles racistas ferozes dos Estados Unidos do Sul do seu país, para ver a escurinha vencendo vinte três brancas diante do júri extra-oficial de uns quinze mil homens, quase todos brancos! De toda aquela noite eu não guardo tanto a silhueta esportiva da filha de Nora Ney, a vencedora, como guardo o sorriso da mulatinha, símbolo do nosso anti-racismo. Da nossa cristianidade igualitária. E em verdade vos digo que, nesta terra de gente igual pela alma, e não pela pele, a humanidade verá um dia ser proclamada mais bela do mundo uma negra cor de ébano ou uma mulata cor de canela. A musa de um Ataulfo, a musa de um Jamelão, pela vontade de Deus."

Aizita foi capa de muitas revistas, ingressou na carreira artística e também participou de jornalísticos na TV. 




No programa ALMOÇO COM AS ESTRELAS, de Aérton Perlingeiro, dividindo a mesa com Hebe Camargo, Leonardo Vilar e o próprio Aérton
 


Ao lado de Grande Otelo,  participou do grande sucesso  da época, o programa “Times Square”, da TV Excelsior, no quadro SAMBA DE BRANCO (composição de João Roberto Kelly)



Aizita e Grande Otelo
na entrada final do SAMBA DE BRANCO





No final dos anos 1980, Aizita Nascimento  passou a viver em São Paulo, trabalhando como enfermeira.

No próximo dia 14 de julho , a carioca Aizita Nascimento completará 74 anos.


Fontes:
acervo de revistas Manchete,
site Passarela Cultural
,
Clube Renascença


domingo, 7 de julho de 2013

Quarteto em Cy...50 anos





As irmãs Cyva, Cybele, Cynara e Cylene de Sá Leite  viajaram do interior da Bahia para o Rio de Janeiro a fim de tentar uma carreira profissional e, em maio de 1963, gravaram a trilha sonora do filme Sol Sobre a Lama de Alex Viany ,se fizeram notar, e realizaram seu primeiro show na Boate Bottle’s, no lendário Beco das Barracas.

 http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/wp-content/uploads/2010/06/POSTER-Sol-Sobre-a-Lama.jpg


Assim nasceu o melhor grupo vocal feminino brasileiro, de todos os tempos. Um grupo que nasceu carioca - apesar das irmãs baianas - sob as bênçãos do poetinha Vinícius de Moraes e com o nome criado por Carlos Lyra, que destacou, no nome do conjunto, a sílaba das irmãs que tem o mesmo som da nota musical.

"Estas são as minhas menininhas,
São as quatro baianinhas que um dia eu descobri
Quarteto em Cy
Se eu fosse solteiro com as quatro casaria,
Elas sempre assim cantando o dia inteiro só pra mim."

(Vinícius de Moraes, na apresentação do histórico show na Boate Zum Zum, em 1964
Quarteto em Cy, Vinícius e Caymmi)


E agora em 2013 comemoramos 50 anos de uma trajetória de belas canções.



A canção  Imagem, com Quarteto em Cy e Tamba Trio,
no antológico LP, SOM DEFINITIVO, do selo FORMA
, de 1966


 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

ESSE RIO QUE EU AMO, o filme







Cartazes do filme

Esse Rio que Eu Amo foi exibido há 50 anos.

O filme da Atlântida, em outra linha, sem nada a ter com chanchada, foi dirigido por Carlos Hugo Christensen e com roteiro e diálogos de Millôr Fernandes.

Era dividido em quatro contos: Balbino, O homem do mar e O milhar seco de Orígenes Lessa, A Morte da Porta-Estandarte de Aníbal Machado e Noite de almirante, de Machado de Assis. As histórias melodramáticas  mostram,como pano de fundo, o carnaval carioca.

No Episódio 1 participaram, dentre outros, Jardel FilhoOdete Lara, Ciro Monteiro, Diana Morel;
No Episódio 2 , Wilson Grey, Waldir Maia;
No Episódio 3, Osvaldo Louzada, Lana Bittencourt, GRES Acadêmicos do Salgueiro;
No Episódio 4,  Tônia Carrero, Agildo Ribeiro, Monah Delacy, Daniel Filho, Hugo Carvan, Milton Rodrigues;

A canção do filme foi a Sinfonia do Rio de Janeiro, de  Tom Jobim e Billy Blanco, com arranjo musical de Lírio Panicalli, responsável também pelos arranjos de toda a  trilha do filme, que contou com as vozes de Lana Bittencourt, Normando, Ciro Monteiro e...Roberto Carlos.

Foi lançado, à época, um LP registrando as músicas, que se tornaram sucessos.

capa


contracapa

Em tempo: eu assisti no Roxy!



sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Um novo astro carioca se lançava há 50 anos

Capa do LP


O cantor carioca Miltinho, nome artístico de Milton Santos de Almeida, se lançou no Rio de Janeiro, com o LP solo "Um Novo Astro", há 50 anos, em 1960, com sua voz marcante, anasalada e ritmo diferenciado.

Desde a década de 40 já havia participado como ritmista e vocalista de importantes grupos musicais, como Namorados da Lua, Anjos do Inferno e Quatro Ases e Um Coringa. e também entre 1950 e 1957 tinha sido crooner da Orquestra Tabajara, de Severino Araújo e do grupo Milionários do Ritmo, de Djalma Ferreira. Mas esse LP sedimentou, definitivamente, sua carreira.


Seu maior sucesso foi a composição de Luiz Antônio, "Mulher de Trinta".

Nesse LP, também outras faixas que foram grandes sucessos:
Ri – (Luiz Antonio)
Idéias Erradas – (Dolores Duran & J. Ribamar)
Teimoso – (Luis Bandeira & Ari Monteiro)
Menina Moça – (Luiz Antonio)
Ultimatum – (Alcebíades Nogueira & Waldemar Gomes)
Triste Fim – (Carlos Sant’anna & Jaime Storino)
Fechei a Porta – (Sebastião Motta & Ferreira Dos Santos)
Você Só Você – (Waldemar Gomes & Luis Bandeira)
Fica Comigo – (Luis Antonio)
Volta – (Luis Antonio)
Eu e O Rio – (Luis Antonio)


Ouça Eu e O Rio em recente gravação junto com Emílio Santiago.

Este disco todo pode ser buscado AQUI!


domingo, 29 de agosto de 2010

Amigo da Onça, ontem como hoje

A charge, abaixo, de 50 anos atrás - 1960 - do AMIGO DA ONÇA, no traço do genial Péricles, já retrata com muito bom humor o que dá vontade de fazer, hoje, com tanto candidato desqualificado.



Nossa lembrança saudosa da sátira,
ironia e crítica inteligente de costumes de
Péricles de Andrade Maranhão,
aniversariante desse mês de agosto.

sábado, 7 de agosto de 2010

Pérolas do baú_2

Um compacto do baú!

Gravado em 1960, nele Luiz Bonfá canta ao violão Manhã de Carnaval.

Há 50 anos...




A música “Passeio no Rio" foi originalmente um jingle para a Varig, e seu título foi alterado, posteriormente, para “Amor em Brasília”, a fim de evitar constrangimentos ao seu amigo Tom Jobim, devido à semelhança com “Samba do avião”.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Pérolas do baú

Remexendo, lá estava esse Lp, que é de 1960.





As 12 faixas são:
1 Amor Amor – (Luiz Antonio)
2 Longe É O Céu – (Tom Jobim)
3 Poema Das Mãos – (Luiz Antonio)
4 Corcovado – (Tom Jobim)
5 Eu e O Rio – (Luiz Antonio)
6 Outra Vez – (Tom Jobim)
7 Chorou Chorou – (Luiz Antonio)
8 Só Em Teus Braços – (Tom Jobim)
9 Estrada Do Amor – (Luiz Antonio) )
10 Fotografia – (Tom Jobim)

11 Ri – (Luiz Antonio)
12 Este Seu Olhar – (Tom Jobim)

Há 50 anos... essa bela capa, belos arranjos e a interpretação sempre forte de Lana Bittencourt que a midia esqueceu.

Este LP marca o grande lançamento do samba canção "Se todos fossem iguais a você"- de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, até então pouquíssimo registrado e percebido - grande sucesso da carreira de Lana Bittencourt.

Para ouvir, clique aqui. O download é em MP3 e tem a versão free.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Há 50 anos...

...ontem e ainda hoje, infelizmente
  • "DIZEM que a memória do povo é fraca, mas o caso do assassino da menina Tânia Maria, pelo Frankenstein de saias, Neide Maia Lopes, duvido que o povo esqueça. O local onde a garotinha foi morta, um terreno baldio junto ao matadouro da Penha (Rio de Janeiro), está convertido num pequeno santuário, onde, diàriamente, milhares de pessoas fazem preces, levam flôres, acendem velas e pedem graças. O pequeno pedaço de chão onde a criança morreu queimada, após levar tiro na cabeça, foi cercado por barras de ferro, imitando um pequeno berço, por um popular anônimo. No dia seguinte à morte de Tânia, já se erguia no local uma cruz branca, e, desde então, a peregrinação não cessou. Começa de manhã e vai até altas horas da noite. Senhoras, moradoras nas imediações, contam que cêrca de 1.000 pessoas por dia, muitas vindas de longe ou em trânsito pelas rodovias Rio-São Paulo e Rio-Petrópolis, vão até o local onde morreu a “Flor do Campo”. Êste é o nome que poetas desconhecidos deram à pobre menina. À cruz estão pregados poemas de louvor e glorificação à pequena vítima. Êsses poemas falam: “Ó Santa menina - O mundo não era teu - Tu fôste predestinada - Para a glória do céu”. Também foi pregado à cruzinha branca o “Hino à Flor do Campo”, com estrofes assim: “Ó menina imaculada - Ó meu anjo salvador - Aqui, aqui te louvamos - Com a nossa imensa dor”. Continua: “Vamos todos para o campo - Lá morreu a nossa flor - Aqui, aqui te ofertamos - Todo nosso grande amor”. E o Hino termina: “Êste campo consagrado - É da filha do Senhor - Aqui, aqui nós rezamos - Ó meu anjo salvador”. Em volta do pequeno carneiro improvisado, oram, ajoelhadas, mulheres idosas, mocinhas e crianças, como se estivessem ante um altar. Velhas mães, não contendo sua indignação, dizem que a Polícia deveria deixar a mulher-fera nas mãos do povo. Quando a Polícia divulgou que iria fazer a reconstituição do crime, dezenas de mulheres ficaram de prontidão no local, esperando a chegada de Neide para liquidá-la. E muitas têm esperança de poderem ainda fazer justiça com as próprias mãos se a reconstituição vier a ser realizada. As próprias detentas de Penitenciária de Mulheres de Bangu, revoltadas, ameaçaram trucidar Neide. Elas que cometeram crimes de tôda espécie, acham que a perversidade da assassina de Tânia foi além dos limites. Enquanto a revolta da opinião pública não arrefece, volta-se a discutir a questão da pena de morte. Nesta reportagem, os leitores terão o ponto de vista de várias pessoas autorizadas no assunto. Da soma dessas opiniões, conclui-se uma coisa; com pena de morte ou prisão perpétua, ou sem uma coisa ou outra, o que urge é reformar o Código Penal, para que, através de castigos mais rigorosos, mais intimidativos, ponha-se um paradeiro à seqüência de crimes tão bárbaros...
    ...No Brasil, pràticamente, a pena, nos delitos mais graves, não passa de 15 anos, graças à facilidade legal do livramento condicional, que reduz à metade as penas detentivas ou a 2 terços na reincidência. É claro que essa fraqueza influi, decisivamente, para a exacerbação da criminalidade no País, onde os mais temíveis delinqüentes voltam sempre à circulação para de novo delinqüir, como é notório entre nós. Os piores homicidas, na verdade, são condenados a 12, 20, 24 anos e raramente a 30. Graças ao livramento condicional, voltam ao convívio social após cumprirem a metade ou 2 terços dessas penas... Não é de admirar, pois, que haja mais homicídios no Rio de Janeiro que em tôda a Inglaterra. É que, naquele país, o criminoso não escapa: ou é condenado à morte ou à prisão perpétua; se louco, é internado por tôda a vida. A enérgica repressão penal é ainda o meio mais eficaz para a defesa social contra o crime..."
ARLINDO SILVA , Revista O CRUZEIRO, julho de 1960 ( mantida a grafia original)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Há 50 anos...

...o Palácio do Catete , que durante 63 anos foi o coração do Poder Executivo no Brasil, e que 18 presidentes por lá moraram, se esvaziou.

Após a transferência da capital para Brasília, o palácio que no tempo do Império foi o Palácio Nova Friburgo e símbolo do poder econômico da elite cafeicultora escravocrata do Brasil oitocentista, encerrou outra fase de sua história. Construído entre 1858 e 1867 pelo comerciante e fazendeiro de café Antônio Clemente Pinto, Barão de Nova Friburgo, em estilo eclético, teve trabalho de artistas , entre eles o arquiteto Gustav Waehneldt e os pintores Emil Bauch, Gastão Tassini e Mario Bragaldi.


Foto: reprodução/cartão postal


Vinte anos após a morte do Barão e de sua esposa, 1889, o Palácio foi vendido à Companhia do Grande Hotel Internacional - mas não chegou a ser hotel - e, depois ao maior acionista da Companhia, o conselheiro Francisco de Paula Mayrink. Em 18 de abril de 1896, durante o mandato do presidente Prudente de Moraes, o Palácio foi adquirido pelo Governo Federal para sediar a Presidência da República, anteriormente instalada no Palácio do Itamaraty.

Grande reforma foi executada sob a orientação do engenheiro Aarão Reis e artistas como Antônio Parreiras, Décio Villares e o paisagista Paul Villon(jardins) participaram.

O palácio foi cenário político que presenciou as declarações de guerra à Alemanha, em 1917, e ao Eixo, em 1942, e, nesse mesmo ano, a implantação do Cruzeiro como sistema monetário nacional; a recepção aos Reis da Bélgica, em 1920, e a hospedagem do Cardeal Pacelli, posteriormente Papa Pio XII; o polêmico sarau organizado por Nair de Teffé, esposa do presidente Hermes da Fonseca, quando pela primeira vez a música popular - o Corta Jaca de Chiquinha Gonzaga - era interpretada em um salão aristocrático; os momentos de comoção nacional, como o velório do presidente Afonso Pena, em 1909, e o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954.

Juscelino Kubitschek,
infelizmente, encerrou a era presidencial do Palácio do Catete, com o Decreto Presidencial de 8 de março de 1960. A partir de então, ele começou a ser organizado para abrigar o Museu da República, inaugurado a 15 de novembro do mesmo ano.


sexta-feira, 19 de março de 2010

Há 50 anos...

Essa crônica , publicada há exatos 50 anos, no dia 19 de março de 1960, na revista O Cruzeiro, é mais um post para a retranca Crônicas de todos os tempos, onde vale a pena ler e reler relatos de outros tempos, olhar como era nossa cidade, seu jeito, suas gírias. Ver e rever.

Era uma quarta-feira de cinzas, o boom do carnaval tinha sido a presença de...Kim Novak.


"Ninguém conhece ninguém
JOSÉ AMÁDIO

A Kim Novak do cinema é beleza bossa-nova. É um pêssego, como todo mundo diz. Admitamos que a imagem não é muito original, mas que fazer com a voz do povo? A diabinha exibe uma sensualidade serena, quase irreal, como se estivesse envolta em névoa. Altona, quase gordota, quando fala derrama sôbre o interlocutor o seu olhar verde-avelã e se o dito interlocutor não é firme das pernas, senhoras minhas, vai direitinho ao chão. É suave, sem ser adocicada. É mel, sem ser açucarada. Abelhas espirituais estão sempre esvoaçando em cima de seus atributos físicos.
- Mulher assim, só de cem em cem anos - dizem os entendidos.Por que não comentar!

Quando Rita Hayworth deixou a Califórnia, em 1952, ou 3, o estúdio ficou sem sua prima-dona, sem sua Gilda, Harry Cohn, o big-boss, massageou a careca e decidiu que precisava fazer uma nova estrêla. E assim despontou Kim Novak. Despontou porque já surgiu estrêla, de quantas pontas não sei. Dez, vinte talvez, ou setenta. Ela foi inventada para tapar buraco. Quando chegou a Hollywood (era modêlo nobremente desconhecido), sem nunca ter ouvido sequer falar na arte de representar, e a colocaram diante das câmaras para teste, um produtor exasperou-se:
- Ela é incapaz de recitar até mesmo o Hino Nacional!Dizem que Cohn interferiu:- Para quê? Basta olhá-la.
E tinha razão. O público do mundo inteiro passou a olhá-la . Depois de seis filmes, era a bilheteria n.º 1 dos Estados Unidos, a nova deusa.
Made in Hollywood.

Mulher bonita não precisa de história, assim como rosa não precisa de história, nem nuvem precisa, nem crepúsculo, nem pássaro, sem trigal maduro. Uma rosa, como disse aquela nossa amiga, é uma rosa. Uma Kim é uma Kim. Bem Novak. Uma rosa amarela. Para explicá-la não adianta ser psicólogo ou mestre de almas. Creio que só um botânico a compreenderia. Uma rosa ampla, farta, que desabrochou com violência e espalha suas pétalas sempre renovadas pelo mundo inteiro. Uma rosa para todas os ventos. Digo isso com serenidade, sem arroubos de marinheiro de segunda viagem. Depois que andei às voltas com Elizabeth Taylor, fiquei vacinado contra artistas de cinema. Consigo enfrentá-las sem me sentir canibal em jejum. Verdade, verdade, a mulher mais bonita que vi em minha vida foi certa adolescente alemã que vendia cogumelos à margem de uma auto-estrada, na Alemanha. Eu viajava num Volkswagen com Ed Keffel quando a vi, numa indecisa manhã de novembro. Foi um choque, uma emoção, uma pancada de luz.
Instante de beleza.

Nosso primeiro bate-papo aconteceu no apartamento de Harry Stone, o embaixador de Hollywood no Brasil. Era como se estivéssemos na cratera de um vulcão ativo. Pobre môça! Dezenas de fotógrafos, de cinegrafistas e caçadores de autógrafos, de mocinhos que querem aparecer ao lado dos cartazes. O programa de entrevistas e horários, que Mr. Stone elaborara britânicamente, foi brasileiramente conturbado. Todos queriam a môça ao mesmo tempo. Parecia bicharada. Ela se manteve amável até o fim, forçando sorrisos, mas deve ter pensado cobras e elefantes da nossa educação. Deve ter pensado tatus e tamanduás, também. Conseguimos encerrá-la num quarto do apartamento. Estava quase chorando. Mas nada reclamou contra a turba, a não ser uns discretos “uffs”. Mário Camarinha, com seu inglês de Berkeley, tentou consolá-la. Ela retocou a maquilagem, com mais alguns “uffs”.
E passou para a história.

De perto, é ainda mais impressionante. Se eu fôsse editor do Larousse, escreveria só isso: Kim Novak, môça bonita. A gente tem vontade de tomá-la por um canudinho, como se fôsse cajuada. Seu encanto é tridimensional, e como estamos no regime da bossa-nova, diria que seus gestos são quase estereofônicos. Afirma que se considera uma jovem simples porque consegue ser ela mesma no epicentro do ciclone que é sua vida. Gosta de publicidade, é claro, precisa dela, mas luta para não se deixar envolver fundamentalmente. Procura, às vêzes, a liberdade do anonimato de que goza uma garôta de Bangu, por exemplo. Ou de Montmartre. É uma espécie de Cleópatra com alma de balconista da Sloper. Consegue ser assim, quando não está diante das câmaras. Tem a suprema coragem de ser fiel a si própria e de conciliar essa fidelidade com o puritanismo vigente.
Se é que vocês me entendem.

Kim detesta fundamentalmente o artificialismo da vida social. Não gosta de grã-finos, de um modo geral. Diz que prefere contato com o povo, com a gente simples. Foi por isso que permaneceu apenas 45 minutos no Baile do Municipal (show absoluto) e saiu para as ruas com Jorginho Guinle, seu acompanhante no Brasil. De calça comprida e camisa folgada, entrou num bloco de sujos no Tabuleiro da Baiana. Sua grande máscara preta permitiu que aderisse (incógnita) ao grupo do sereno para assistir à saída do Municipal. Aplaudiu as fantasias mais bonitas. Achou o pessoal "gentil e bondoso". Adorou o samba, tentou dançá-lo e ficou com as pernas doloridas. Sua música preferida foi "Me dá um Dinheiro Aí" (aprendeu a letra em português). Divertiu-se pelo prazer de se divertir, sem dopings. Num entardecer foi à Cantina Sorrento com o Jorginho e Oscar Ornstein comer democràticamente uma pizza napolitana do Emílio & tio. Não bebe, não fuma, não sei se joga. Diz textualmente que ama o amor. Mas nessa parte prefiro não tocar.
A môça é noiva.

Nasceu em Chicago, no dia 13 de fevereiro de 1933, estando a Natureza em instante de capricho. (Afirmei que mulher bonita não precisa de história mas jornalista é jornalista. Vou contá-la, embora todo mundo já a conheça.) Seus pais, Joseph e Blanche Novak (norte-americanos de ascendência tcheca), batizaram-na Marilyn Pauline. Mais tarde o estúdio rebatizou-a Kit Marlowe. Ela insistiu no Novak. Finalmente, a parada ficou resolvida: Kim Novak. Sua infância foi comum. O pai tinha desgôsto porque a menina era canhota (continua canhota e suas mãos não são bonitas). Diz que era magra, anêmica, e que na escola estava sempre nos últimos lugares. Adolescente, treinou para modêlo e mereceu os primeiros assobios. Tanto ela como a irmã (três anos mais velha) tiveram aulas de piano, canto e dança. Aos 19 anos era modêlo profissional. Foi como garôta-propaganda que deu com os costados em Hollywood.
Costados que lhe garantiram fama.

Tem admiração por Fidel Castro e, quando o barbudo assumiu o poder, enviou-lhe longo telegrama de apoio. Também gosta de Krutchev, com quem bateu papo em Hollywood. Considera o Presidente Einsenhower um regular jogador de gôlfe (isso não me disse, mas sei). Seu partido nos Estados Unidos é o Democrata “mas também depende de quem estiver concorrendo às eleições”. Seu filme preferido: Picnic. Gosta de gatos e é dona daquele com quem contracenou em Sortilégio de Amor. Pinta, esculpe e faz poesia. Gostou muito do Rio de Janeiro e ficou impresionada com o Cristo Redentor. Diz que, com aquela estátua, a cidade fica parecendo uma grande igreja.
É católica.

Em Hollywood consideram-na temperamental. De quando em quando é acometida por aquêles ataques histéricos tão comuns às prima-donas. Sempre fica nervosa antes de filmar. Vive rodeada de talismãs e amuletos. Seu primeiro papel de responsabilidade (Picnic) deixou-a em estado de tensão constante. Tinha mêdo do diretor Joshua Logan, tinha mêdo do cartaz de William Holden e de Rosalind Russel. Durante a filmagem de Pal Joey, fêz o estúdio inteiro esperar por ela durante duas horas. Entre os que a aguardavam, estava Rita Hayworth, a deusa que substituíra. Sua vida emocional também é muito complexa e diversificada. Até pouco tempo submetia-se a tratamento psicanalítico. Já apareceu na capa de tôdas as revistas importantes do mundo. Já passou centenas de horas da sua vida concedendo entrevistas, posando para fotógrafos e cinegrafistas. É inteligente e sabe falar com desembaraço. Entretanto, quando foi inventada, o estúdio obrigou-a a decorar respostas. Para perguntas assim:
- Você gosta de ler? Que livros prefere?A resposta era assim:Poesia e prosa. Adoro Shakespeare e bons livros de filosofia.
Agora responde por conta própria.

Os cameramen a consideram uma das estrêlas mais fotogênicas do cinema. Seu rosto é material inesgotável. Fotografa bem em qualquer ângulo e o resultado comove os espectadores. Em Um Corpo que Cai (Vertigo) estava irreal de tão bonita. E, representou muito bem. Como atriz madura. Em suma: grau 100 para a lourinha Novak. Perguntou-lhe se gostava de Liz Taylor. Respondeu:
- Quem não gosta?
Por tudo isso, pelo que ela é, pelo que a gente gostaria que ela fôsse, meto-me na pele de uma das nossas macacas de auditório e afirmo com certa solenidade:
- É a maior "


Obs. : a grafia original foi mantida.