O
produtor, poeta e letrista parceiro de
grandes como Cartola, Dona Ivone Lara e Paulinho da Viola e descobridor - na Taberna da
Glória - do talento de Clementina de Jesus, sempre seguiu à risca seu mestre inspirador Mário de Andrade :“ ter os ouvidos atentos a
tudo o que há de bom no mundo".
E sempre fez isso.
Na Rádio Nacional, como ouvinte e frequentador,
onde conheceu mestres como Radamés Gnattali; na escola pública onde
estudou
canto orfeônico; na igreja e o canto gregoriano; no Teatro Municipal dos
Concertos para a Juventude; quando ouviu Aracy de Almeida cantando
Noel.
Em recente entrevista se definiu como o“mulato de cabelos brancos
e olhos verdes ...que tem uma atração quase sexual pela estranheza ", revelando " a admiração pela rouquidão de Louis Armstrong, a dramaticidade
misturada à languidez e ao torpor da bebida de Billie Holliday, o
ineditismo do canto de Aracy de Almeida, o violão e a voz de Nelson
Cavaquinho, a estranheza introspectiva de Zezé Gonzaga, que cantava como
se passasse uma pátina de ouro pela canção."
"Clementina. Quando a
ouvi, tive materializada toda a estranheza fascinante que poderia
imaginar."
Hermínio foi também o responsável
por marcos na cena carioca como o espetáculoRosa de ouroe o Projeto Pixinguinha.
Rosa de Ouro acaba de
completar 50 anos. O espetáculo produzido por Kleber Santos para o Teatro Jovem, há revelou, aos 63 anos, uma das mais autênticas e talentosas
cantoras brasileiras, Clementina de Jesus, possibilitou o reencontro com
o público da maior estrela de revista dos nossos palcos, Aracy Cortes, além de lançar o mais representativo conjunto vocal dos morros cariocas,
formado por compositores das escolas de samba Estação Primeira, Portela,
Acadêmicos do Salgueiro e Aprendizes de Lucas.
Ele nasceu em 21 de março de 1915. Autor de rádio, TV e sambas-canção, Haroldo Barbosa mereceria todas as homenagens no seu centenário, mas a memória nacional anda desmemoriada.
O jornalista e pesquisador João Máximo escreveu belo texto, que merece aqui ser reproduzido.
" Os 100 anos de Haroldo Barbosa (nasceu em 21 de março de
1915) deveriam ser comemorados ao mesmo tempo pelo rádio, pela
televisão, pela música, pelo Rio. O Jockey Club poderia reeditar o
prêmio que dedicou a ele após sua morte em 1979. E a boemia inteligente e
bem-humorada do carioca – se é que ainda existe – faria sua parte
erguendo copos num bar do Centro (talvez o Villarino) para saudar um de
seus melhores representantes. Pois Haroldo Barbosa, artista-símbolo de
um Rio de Janeiro que se foi, merece tudo isso.
Sua importância não está apenas em ter atuado em tão
diferentes áreas (há quem o aponte como nosso primeiro artista
multimídia). Nem está em ter feito quase tudo com impressionante
qualidade. Uma coisa e outra, evidentemente, contam. Mais vale, porém, a
marca que ele deixou em cada uma de suas múltiplas atuações. O humor do
rádio e, mais tarde, da televisão, teve nele e em seu principal
parceiro, Max Nunes, dois fixadores do gênero. Seus programas na Tupi
(”Cidade Alegre”, “Favelinha”) e na Mayrink Veiga (“A cidade se
diverte”, “Levertimentos”, “Vai da Valsa”) ajudaram a projetar Sérgio
Porto e Antônio Maria como roteiristas e revelaram talentos de
comediantes como Chico Anísio. Ao trocar o rádio pela televisão, com
passagens pela Tupi e Excelsior, antes de chegar à Globo, Barbosa
contribuiu para que a linguagem do humor (antes, apenas sonora)
adquirisse cores novas com a inclusão da imagem. Do que são provas
“Satiricon”, “Faça humor, não faça a guerra”, “Planeta dos homens”,
sempre com a cumplicidade de Max Nunes. Entre as criações de Barbosa
ainda reprisadas (e imitadas), está a “Escolinha do professor Raimundo”. Toda essa formação, porém, vem mesmo do rádio. Nascido em
Laranjeiras e criado em Vila Isabel – onde conviveu com Noel Rosa e,
mais ainda, com Hélio, irmão mais moço de Noel – Barbosa chegou a atuar
como contrarregra do famoso “Programa Casé”. De início, substituindo o
irmão, Evaldo Ruy, que ainda conquistaria seu lugar como letrista,
parceiro de Custódio Mesquita. No rádio, Haroldo seria praticamente
tudo: contrarregra, sonoplasta, redator de publicidade, produtor,
discotecário, arquivista, locutor auxiliar de Oduvaldo Cozzi em
transmissões esportivas e até cantor. Com o pseudônimo de Harold Brown, e
imitando Al Jolson, não durou muito em mais esse ofício. Preferiu ser
secretário e braço direito de um cantor de verdade, Francisco Alves,
então conhecido como o “Rei da Voz”.
"PRA QUE DISCUTIR COM MADAME" Nessa
época, já estava na Rádio Nacional, onde cumpriria papel fundamental na
transformação da emissora na mais importante do país, fenômeno de
comunicação na época. Ali, além de discotecário e arquivista, Haroldo
Barbosa chegou a escrever e produzir oito programas por semana, mais
três novelas e dois humorísticos. Foi um dos criadores de “Um milhão de
melodias”, luxuoso musical para lançamento da Coca-Cola no Brasil. Para
esse programa, criou perto de 500 versões de música estrangeira. Embora,
paralelamente, já tivesse a seu crédito algumas excelentes sambas
(“Adeus, América” e “Tintim por tintim”, ambos com Geraldo Jacques; e
“Eu quero um samba” e “Pra que discutir com madame?”, com Janet de
Almeida; e “De conversa em conversa”, com Lúcio Alves), sua atividade
musical nesse período concentrou-se nas versões, a maior parte para o
mesmo Francisco Alves cantar em seu programa semanal “A canção
romântica”. Haroldo Barbosa foi muito criticado por fazer tanta versão.
Até os músicos da Nacional, Radamés Gnattali, Lyrio Panicalli, Léo
Peracchi, reconheciam sua musicalidade. Capaz de criar com o maestro
Carioca a fanfarra de metais que anunciava o “Repórter Esso”, de
transformar cançoneta francesa em prefixo de César de Alencar, de ajudar
a criar o sinal sonoro da emissora (“Luar do Sertão” pelo vibrafone de
Luciano Perrone) e de produzir inúmeros jingles, os admiradores achavam
que devia se dedicar mais à música brasileira. Ele contra-argumentava:
se o repertório de “Um milhões de melodias” era internacional, melhor
que fosse cantado bem, em português, do que mal, em outro idioma.
"O PANGARÉ" NO TURFE De
1950 a 1963, Haroldo Barbosa assinou no Globo uma coluna de turfe
intitulada “O pangaré”. Notas e crônicas saborosas, invadindo os
bastidores das corridas de cavalo, substituíam as seções tradicionais de
palpites. Por muito tempo, segundo sua filha, a escritora Maria Carmem
Barbosa, ele se dividiu entre dois meios quase opostos: o do pessoal do
rádio e da música, o seu preferido, e o do Jockey Club, onde convivia
com “ricos e poderosos”. Dono de oito cavalos, escrevendo sobre turfe,
apaixonado pelas corridas, fazia o possível para se sentir em casa. Um
dia, um dos ricos e poderosos, o ex-ministro Osvaldo Aranha, convidou
Barbosa para um churrasco em seu haras. – Era o Haras Vargem Alegre, em Barra do Piraí – lembra
Maria Carmem. – Fomos todos, papai, mamãe, eu, meus irmãos. Conhecemos o
lugar, realmente maravilhoso, mas voltamos sem que papai fosse
cumprimentar Osvaldo Aranha. De noite, já deitado, paletó de pijama
aberto, ele recebeu telefonema do próprio Osvaldo Aranha, muito zangado
por papai ter saído sem falar com ele. Papai ouviu a bronca já de pé,
paletó de pijama fechado, como se em posição de sentido diante de um
superior. Longe do Jockey, outro homem: confiante, seguro, consciente
de seu valor e com reconhecido poder de sedução sobre os amigos da roda.
No Villarino, pontificava. Foi o bar onde Tom virou parceiro de
Vinicius – e onde se reunia a boemia vespertina de radialistas,
jornalistas, músicos, artistas vários, antes de partirem para a noite da
Zona Sul. Trabalhavam todos no Centro. Foi no Villarino que, em 1955, o
tricolor Haroldo Barbosa e o rubro-negro Ary Barroso apostaram os
bigodes num Fla-Flu. Tendo o Fluminense vencido por 4 a 2, Haroldo não
perdoou: ele e a turma foram descobrir Barroso escondido na casa das
irmãs Batista e lhe rasparam o bigode. A boemia vespertina e o turfe o aproximaram do que seria o
seu grande parceiro musical nos anos 60, o maranhense Luís Reis, 11 anos
mais moço. Além de comentar turfe para a Rádio Jornal do Brasil, onde
os cabelos longos valeram-lhe o apelido de El Cabellera, Luiz tocava um
piano cheio de bossa e era inspirado melodista. Os sambas que fizeram
juntos dizem bem dos dois lados do Haroldo letrista. Por eles, via-se
que, por trás do humorista, havia o lírico, o apaixonado.
Se há graça nos versos de “Palhaçada” (“Cara de palhaço, pinta de palhaço,
roupa de palhaço...”), “Fiz o bobão” e “Só vou de mulher”, é o amor que faz de
“Nossos momentos”, “Canção da manhã feliz” e “Moeda quebrada” alguns dos
melhores momentos do samba-canção romântico pós-bossa nova.
NEM DO MORRO NEM GRÃ-FINO
A opção por esse tipo de música foi atitude consciente. Barbosa e Reis, que
morreria quatro meses depois do parceiro, jamais quiseram fazer sambão, onda que
voltava mais uma vez. Muito menos aderir à bossa nova.
– Meu pai permaneceu fiel a ele mesmo – opina Maria Carmem. – Não era
sambista de morro, de onde vinha o sambão, nem grã-fino da Zona Sul, como a
turma da bossa nova.
Por ironia, João Gilberto ainda iria se dedicar a um repertório repleto de
antigas coisas de Haroldo Barbosa, enquanto este, de braço dado com Luiz Reis,
ousava fazer um tipo de canção romântica que os bossanovistas combatiam.
Felizmente para todos, as duas bossas coexistiram.
Elizeth Cardoso foi a lançadora de quase todas essas canções românticas.
Por ser cantora sob medida para elas – e pela amizade que tinha com Haroldo
desde o tempo em que Evaldo Ruy era apaixonado por ela. Barbosa jamais se refez
da perda do irmão (alcoólatra como o pai de ambos, Evaldo suicidou-se em 1954).
Como boêmios, os dois irmãos só não se pareciam no tocante à bebida, sendo
Haroldo um consumidor moderado. Mas, embora com estilos distintos, havia muito
de paixão nas respectivas letras. Haroldo, como Evaldo, teve muitas mulheres,
além da primeira esposa, Maria, mãe de Lucena, Maria Carmem e Haroldinho. Numa
entrevista em que conta como fizeram “Nossos momentos” (numa festa barulhenta,
entre ruídos de copos e sons de vitrola), Reis disse acreditar que se conhecia
Barbosa muito mais pelas canções de amor do que pelas piadas."
Fon Fon, que se definia assim: ALEGRE, POLÍTICO, CRÍTICO E ESFUSIANTE.
E marcou época!
Fundada no Rio de Janeiro em 1907. Seu nome era uma onomatopéia do barulho produzido pela buzina dos automóveis.
Tendo como um de seus idealizadores o célebre escritor e crítico de arte Gonzaga Duque, tinha no enfoque dado a ilustração uma de suas principais características. Em 1914 teve a colaboração do pintor Di Cavalcanti . A revista tornou célebres ilustradores como Nair de Tefé, e K. Lixto. Tratava principalmente dos costumes e notícias do cotidiano e foi publicada até agosto de 1958.
A Careta foi uma revista humorística semanal (sempre aos sábados) de elevado padrão
gráfico, que circulou inicialmente entre 1908 (Junho) e 1960 (Novembro).
Durou 2.732 edições!
Foi fundada por Jorge Schmidt e teve entre seus colaboradores alguns dos melhores chargistas do país, como Raul Pederneiras e J. Carlos, diretor e ilustrador exclusivo da revista até 1921.
O Malho focava principalmente na vida política do país, a cultura e a crítica de costumes.
Com artigos escritos por Olavo Bilac, Pedro e Emílio de Rabelo, Arthur Azevedo, Álvaro Moreyra e outros mais, em 1930, O malho combateu a Aliança Liberal de
Getúlio Vargas, e com a posterior vitória da revolução Getulista, a
redação da revista foi empastelada, sede incendiada e a publicação
impedida de circular por um breve período. Sobrevive como revista de
noticias e literária, de 1935 a 1954, quando sai o último número.