Mostrando postagens com marcador há 100 anos no Rio de Janeiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador há 100 anos no Rio de Janeiro. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

1919...Copacabana há 100 anos


A imagem pode conter: atividades ao ar livre

A recém inaugurada Avenida Atlântica


Resultado de imagem para augusto malta copacabana 1919

A ressaca de 1919

Thumbnail

Avenida Atlântica reconstruída e com nova iluminação pública

onde percebemos os quintais, os fundos das casas, de frente para o mar

domingo, 17 de fevereiro de 2019

O Carnaval de 1919... há 100 anos!



Manuel Bandeira publica em 1919 o seu segundo livro de poemas intitulado Carnaval. Nessa obra já faz uso do verso livre. Por isso, os modernistas viram em Manuel Bandeira um precursor do movimento Modernista.


Imagem relacionada

Nessa obra percebermos que o poeta vai mais e mais se engajando com os ideais modernistas. Em Carnaval temos ainda o início da libertação das formas fixas e a opção pela liberdade formal, que se tornaria uma das marcas registradas de sua poesia.
Em 1919, aconteceu o Carnaval da Gripe. 

No ano anterior, uma epidemia de gripe abalou a cidade, mas isso não impediu que a enfermidade fosse tema predominante nas músicas, bailes e desfiles das Sociedades Carnavalescas. Em uma cidade de um milhão de habitantes, morreram, segundo estimativas, 15 mil. Mais de 600 mil teriam ficado doentes. Os médicos aconselhavam limão, canela e canja de galinha.

No fim de fevereiro, os cidadãos dessa cidade caíram na farra, comemorando o fato de que tinham sobrevivido ao flagelo. Os cronistas qualificam o Carnaval de 1919 como um dos mais animados. Ao que parece, houve um exorcismo carnavalesco. As revistas de época, O Malho, Careta e outras, documentam em dezenas de fotografias a folia que animou a cidade. Inúmeras músicas de carnaval com letras que “brincavam” com a doença, notas sobre a criação de blocos carnavalescos suburbanos e convites para bailes.

No carnaval de 1919, Júlio Silva desfilou pela primeira vez o Bloco do Eu Sozinho e, se transformava no Lorde João Curuti do Pelo Hempé. Em 1919 ele começou a desfilar com sua tabuleta solitária. Envergava uma fantasia de fraque, com chapéu de tirolês e calça listrada. Com seu pavilhão levantado, brincava alheio à multidão, cantando para si mesmo, em desacordo com o samba dos outros. Diversificou a fantasia e desfilou pelos sessenta anos seguintes.


 Imagem relacionada


Músicas de Carnaval da época ...

Assim é que é! 
Viva a folia! 
Viva Momo
 – Viva a Troça! 
Não há tristeza que 
possa Suportar tanta alegria. 
Quem não morreu da Espanhola, 
Quem dela pode escapar 
Não dá mais tratos à bola 
Toca a rir, 
Toca a brincar... 

Música de carnaval cantada nos Democráticos, 
promovendo um baile no dia 11 de janeiro de 1919. 

Outras músicas e blocos faziam referências ao chamado Chá da Meia-Noite e à Santa Casa da Misericórdia. Existia o boato de que a Santa Casa distribuía um chá aos doentes, e que nesse chá havia um veneno. 




CURIOSIDADE:

Durante o carnaval, Pixinguinha não trabalhava, pois saía com seu bloco chamado GRUPO DO CAXANGÁ.  No carnaval de 1919, ao passarem pelo cine Palais, fizeram uma parada para homenagear o senhor Isaac ,dono do cinema no qual Pixinguinha trabalhava. Ouvindo o pessoal, o proprietário do cinema entusiasmou-se e sugeriu a organização de um conjunto menor para tocar na sala de espera. O conjunto depois de dúvidas sobre qual seria seu nome, o próprio senhor Isaac resolveu a questão:

" - Vocês não são oito? Então põe " Os Oito Batutas!"

Assim se deu a estreia do conjunto em abril de 1919, capitaneado por Pixinguinha e Donga.


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Rio, há mais de 100 anos



A paisagem de Botafogo, em 1910... AUGUSTO MALTA

Imagem relacionada

quarta-feira, 22 de março de 2017

Moda Carioca...

Na Revista FON-FON de 24 de março de 1917, 

há 100 anos, 
a moda carioca.






sábado, 21 de março de 2015

100 anos do carioca Haroldo Barbosa

Ele nasceu em 21 de março de 1915. Autor de rádio, TV e sambas-canção, Haroldo Barbosa mereceria todas as homenagens no seu centenário, mas a memória nacional anda desmemoriada.

O jornalista e pesquisador João Máximo escreveu belo texto, que merece aqui ser reproduzido.

" Os 100 anos de Haroldo Barbosa (nasceu em 21 de março de 1915) deveriam ser comemorados ao mesmo tempo pelo rádio, pela televisão, pela música, pelo Rio. O Jockey Club poderia reeditar o prêmio que dedicou a ele após sua morte em 1979. E a boemia inteligente e bem-humorada do carioca – se é que ainda existe – faria sua parte erguendo copos num bar do Centro (talvez o Villarino) para saudar um de seus melhores representantes. Pois Haroldo Barbosa, artista-símbolo de um Rio de Janeiro que se foi, merece tudo isso.
Sua importância não está apenas em ter atuado em tão diferentes áreas (há quem o aponte como nosso primeiro artista multimídia). Nem está em ter feito quase tudo com impressionante qualidade. Uma coisa e outra, evidentemente, contam. Mais vale, porém, a marca que ele deixou em cada uma de suas múltiplas atuações. O humor do rádio e, mais tarde, da televisão, teve nele e em seu principal parceiro, Max Nunes, dois fixadores do gênero. Seus programas na Tupi (”Cidade Alegre”, “Favelinha”) e na Mayrink Veiga (“A cidade se diverte”, “Levertimentos”, “Vai da Valsa”) ajudaram a projetar Sérgio Porto e Antônio Maria como roteiristas e revelaram talentos de comediantes como Chico Anísio. Ao trocar o rádio pela televisão, com passagens pela Tupi e Excelsior, antes de chegar à Globo, Barbosa contribuiu para que a linguagem do humor (antes, apenas sonora) adquirisse cores novas com a inclusão da imagem. Do que são provas “Satiricon”, “Faça humor, não faça a guerra”, “Planeta dos homens”, sempre com a cumplicidade de Max Nunes. Entre as criações de Barbosa ainda reprisadas (e imitadas), está a “Escolinha do professor Raimundo”.
Toda essa formação, porém, vem mesmo do rádio. Nascido em Laranjeiras e criado em Vila Isabel – onde conviveu com Noel Rosa e, mais ainda, com Hélio, irmão mais moço de Noel – Barbosa chegou a atuar como contrarregra do famoso “Programa Casé”. De início, substituindo o irmão, Evaldo Ruy, que ainda conquistaria seu lugar como letrista, parceiro de Custódio Mesquita. No rádio, Haroldo seria praticamente tudo: contrarregra, sonoplasta, redator de publicidade, produtor, discotecário, arquivista, locutor auxiliar de Oduvaldo Cozzi em transmissões esportivas e até cantor. Com o pseudônimo de Harold Brown, e imitando Al Jolson, não durou muito em mais esse ofício. Preferiu ser secretário e braço direito de um cantor de verdade, Francisco Alves, então conhecido como o “Rei da Voz”.
"PRA QUE DISCUTIR COM MADAME"
Nessa época, já estava na Rádio Nacional, onde cumpriria papel fundamental na transformação da emissora na mais importante do país, fenômeno de comunicação na época. Ali, além de discotecário e arquivista, Haroldo Barbosa chegou a escrever e produzir oito programas por semana, mais três novelas e dois humorísticos. Foi um dos criadores de “Um milhão de melodias”, luxuoso musical para lançamento da Coca-Cola no Brasil. Para esse programa, criou perto de 500 versões de música estrangeira. Embora, paralelamente, já tivesse a seu crédito algumas excelentes sambas (“Adeus, América” e “Tintim por tintim”, ambos com Geraldo Jacques; e “Eu quero um samba” e “Pra que discutir com madame?”, com Janet de Almeida; e “De conversa em conversa”, com Lúcio Alves), sua atividade musical nesse período concentrou-se nas versões, a maior parte para o mesmo Francisco Alves cantar em seu programa semanal “A canção romântica”.
Haroldo Barbosa foi muito criticado por fazer tanta versão. Até os músicos da Nacional, Radamés Gnattali, Lyrio Panicalli, Léo Peracchi, reconheciam sua musicalidade. Capaz de criar com o maestro Carioca a fanfarra de metais que anunciava o “Repórter Esso”, de transformar cançoneta francesa em prefixo de César de Alencar, de ajudar a criar o sinal sonoro da emissora (“Luar do Sertão” pelo vibrafone de Luciano Perrone) e de produzir inúmeros jingles, os admiradores achavam que devia se dedicar mais à música brasileira. Ele contra-argumentava: se o repertório de “Um milhões de melodias” era internacional, melhor que fosse cantado bem, em português, do que mal, em outro idioma.
"O PANGARÉ" NO TURFE
De 1950 a 1963, Haroldo Barbosa assinou no Globo uma coluna de turfe intitulada “O pangaré”. Notas e crônicas saborosas, invadindo os bastidores das corridas de cavalo, substituíam as seções tradicionais de palpites. Por muito tempo, segundo sua filha, a escritora Maria Carmem Barbosa, ele se dividiu entre dois meios quase opostos: o do pessoal do rádio e da música, o seu preferido, e o do Jockey Club, onde convivia com “ricos e poderosos”. Dono de oito cavalos, escrevendo sobre turfe, apaixonado pelas corridas, fazia o possível para se sentir em casa. Um dia, um dos ricos e poderosos, o ex-ministro Osvaldo Aranha, convidou Barbosa para um churrasco em seu haras.
– Era o Haras Vargem Alegre, em Barra do Piraí – lembra Maria Carmem. – Fomos todos, papai, mamãe, eu, meus irmãos. Conhecemos o lugar, realmente maravilhoso, mas voltamos sem que papai fosse cumprimentar Osvaldo Aranha. De noite, já deitado, paletó de pijama aberto, ele recebeu telefonema do próprio Osvaldo Aranha, muito zangado por papai ter saído sem falar com ele. Papai ouviu a bronca já de pé, paletó de pijama fechado, como se em posição de sentido diante de um superior.
Longe do Jockey, outro homem: confiante, seguro, consciente de seu valor e com reconhecido poder de sedução sobre os amigos da roda. No Villarino, pontificava. Foi o bar onde Tom virou parceiro de Vinicius – e onde se reunia a boemia vespertina de radialistas, jornalistas, músicos, artistas vários, antes de partirem para a noite da Zona Sul. Trabalhavam todos no Centro. Foi no Villarino que, em 1955, o tricolor Haroldo Barbosa e o rubro-negro Ary Barroso apostaram os bigodes num Fla-Flu. Tendo o Fluminense vencido por 4 a 2, Haroldo não perdoou: ele e a turma foram descobrir Barroso escondido na casa das irmãs Batista e lhe rasparam o bigode.
A boemia vespertina e o turfe o aproximaram do que seria o seu grande parceiro musical nos anos 60, o maranhense Luís Reis, 11 anos mais moço. Além de comentar turfe para a Rádio Jornal do Brasil, onde os cabelos longos valeram-lhe o apelido de El Cabellera, Luiz tocava um piano cheio de bossa e era inspirado melodista. Os sambas que fizeram juntos dizem bem dos dois lados do Haroldo letrista. Por eles, via-se que, por trás do humorista, havia o lírico, o apaixonado.


Se há graça nos versos de “Palhaçada” (“Cara de palhaço, pinta de palhaço, roupa de palhaço...”), “Fiz o bobão” e “Só vou de mulher”, é o amor que faz de “Nossos momentos”, “Canção da manhã feliz” e “Moeda quebrada” alguns dos melhores momentos do samba-canção romântico pós-bossa nova. 
 
NEM DO MORRO NEM GRÃ-FINO
 
A opção por esse tipo de música foi atitude consciente. Barbosa e Reis, que morreria quatro meses depois do parceiro, jamais quiseram fazer sambão, onda que voltava mais uma vez. Muito menos aderir à bossa nova.
 
– Meu pai permaneceu fiel a ele mesmo – opina Maria Carmem. – Não era sambista de morro, de onde vinha o sambão, nem grã-fino da Zona Sul, como a turma da bossa nova.
 
Por ironia, João Gilberto ainda iria se dedicar a um repertório repleto de antigas coisas de Haroldo Barbosa, enquanto este, de braço dado com Luiz Reis, ousava fazer um tipo de canção romântica que os bossanovistas combatiam. Felizmente para todos, as duas bossas coexistiram.
 
Elizeth Cardoso foi a lançadora de quase todas essas canções românticas.
 
Por ser cantora sob medida para elas – e pela amizade que tinha com Haroldo desde o tempo em que Evaldo Ruy era apaixonado por ela. Barbosa jamais se refez da perda do irmão (alcoólatra como o pai de ambos, Evaldo suicidou-se em 1954). Como boêmios, os dois irmãos só não se pareciam no tocante à bebida, sendo Haroldo um consumidor moderado. Mas, embora com estilos distintos, havia muito de paixão nas respectivas letras. Haroldo, como Evaldo, teve muitas mulheres, além da primeira esposa, Maria, mãe de Lucena, Maria Carmem e Haroldinho. Numa entrevista em que conta como fizeram “Nossos momentos” (numa festa barulhenta, entre ruídos de copos e sons de vitrola), Reis disse acreditar que se conhecia Barbosa muito mais pelas canções de amor do que pelas piadas."




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

100 anos da Casa Turuna

Os foliões mais tradicionais ou as pessoas que costumam frequentar a Saara, região de comércio popular do Centro do Rio de Janeiro, conhecem bem a mais tradicional casa de venda de fantasias do Rio de Janeiro, a Casa Turuna.

O que muitos não conhecem talvez seja a longevidade do estabelecimento
que, este ano, completa 100 anos.


1921


CASA TURUNA, 105 ANOS DE CARNAVAL. Uma... - Suvaco do Cristo ...


A Casa Turuna surgiu em 1915, da iniciativa de dois imigrantes portugueses. Apesar de investirem em tecidos e outros artigos para casa, as fantasias eram o destaque principal da loja. Isso, provavelmente, se devia à localização do estabelecimento: a Praça 11, lugar tradicional no desfile de cordões carnavalescos no começo do século 20.

O nome Turuna surgiu graças ao bloco dos Turunas, que desfilava na região. O nome pegou porque um dos donos da loja também tinha o apelido de "Turuna", que significa valentão, de acordo com o vocabulário da época.

A proximidade entre as famílias dos dois imigrantes portugueses fez com que o filho de um dos sócios se casasse com a filha de outro, tornando a loja um empreendimento familiar, como permanece até hoje.

Além da Praça 11, a Casa Turuna passou pela Rua da Alfândega até chegar ao local que ocupa desde a década de 40, na esquina da Rua Senhor dos Passos com Avenida Passos, na Saara.

O carnaval é onde está a tradição da loja. Ela vende tecidos e fantasias durante ano todo, mas o forte é o carnaval. É onde está a tradição dela. Templo das fantasias , na Casa Turuna tudo o que brilha e tem cor forte sai como água: chitões, brocados, lamês. E há, também, pedras e lantejoulas de todos os formatos e tamanhos.

A loja hoje é de propriedade de Marcelo Servos, bisneto dos fundadores e trabalha com a variedade de fantasias, da colombina às temáticas anos 60, os tradicionais piratas ou presidiários, as tendências de moda e mais pedidas como a Branca de Neve e Mulher Maravilha.
Chapéus, plumas, máscaras,
perucas e até macacões de vaca,
pendurados no teto
e espalhados por toda a loja,
lembram alegorias de escolas de samba;
a concentração de pessoas ali dentro
com certeza se assemelha a de um bloco.



Marcelo Servos, o atual administrador da Casa Turuna, abraçado com manequins com fantasias de Chiquinha e anjo (Foto: Cristina Boeckel/ G1)



Mas a sucessão familiar na Casa Turuna deve parar em Marcelo Servos.
Marcelo Servos trabalha na loja da família há 30 anos, mas suas lembranças relacionadas ao lugar são muito mais antigas. 

“Comecei com 16 anos de idade e hoje estou com 46. 
A minha lembrança mais antiga relacionada a loja é, 
desde pequeno, vir brincar aqui”.


 A família tem apenas um sobrinho, que não se interessa pelo trabalho no comércio. Ele acredita que, após sua aposentadoria, a loja fechará ou será vendida.





segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Hoje , 2014, no Rio e no Brasil...

...como há 100 anos, em 1914.
Em discurso no Senado Federal,  Rui Barbosa disse


"De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto."


Nada mudou.
TÁ DIFÍCIL DE ENGOLIR!


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Imagens cariocas há 100 anos_2


 Baía de Guanabara, na altura do porto



quarta-feira, 17 de abril de 2013

Imagens cariocas há 100 anos _1


 Copacabana, na altura do Posto 6



sábado, 12 de janeiro de 2013

RUBEM BRAGA, 100 ANOS



Foto/ reprodução 

Rubem Braga,  homem-crônica, como muitos o consideraram , com mais de 15 000  textos escritos do gênero, celebraria, nesse 12 de janeiro seu centenário.


" Há mil Rubens dentro de Rubem Braga"  Clarice Lispector 


Capixaba, escolheu para seu pouso - como  os pássaros que tanto amava - o Rio de Janeiro, onde recriou a atmosfera interiorana de sua Cachoeiro de Itapemirim -  a mesma terra de Sérgio Sampaio (“Eu vou botar meu bloco na rua”) e de Roberto Carlos - , numa área comum do condomínio, num espaço ocioso é árido, junto à casa de máquinas,transformando sua moradia na mais verdejante cobertura do bairro. Ali em Ipanema, na Barão da Torre.

Vizinha de bairro, cá debaixo da rua sempre vi o verde suspenso e fiquei a imaginar o pomar e como seria. Entre a grama, romã, goiabeira, pimenteira, pitangueiras, jabuticabeiras, coqueiro-anão e mangueiras, e beija-flores, rolinhas e sabiás -estes que inspiraram o nome de sua editora -  Rubem Braga  escreveu, e muito bem,  o gênero vira-lata da literatura brasileira,   como ele mesmo tratava a própria obra: a crônica para o dia seguinte.

"Meu terraço é frequentado por passarinhos, 
como tico-tico (mais de uma vez já fizeram ninhos aqui,
e de uma delas um chupim botou ovos lá, 
e o pobre tico-tico teve de criar aqueles filhotões pretos, 
maiores do que ele) rolinha, pombos, bem-te-vis 
(que às vezes comem peixinhos de um pequeno tanque que eu tenho) e, 
sempre que tem fruta madura, sanhaços; é interessante que os pardais,
que enchem as árvores da praça, não aparecem aqui." 


Fotos/ reprodução 


"Devo confessar que não entendo nada de jardim, 
tenho mão ruim para plantar qualquer coisa,
 meu terraço vive sempre meio bagunçado e com mudas novas
(outro dia plantei canela, pegou, mas não está crescendo muito)
 às vezes espalho sementes de flores francesas
 e ficam uns recantos bonitos, às vezes semeio, semeio e não nasce nada."


"Foi Roberto Burle Marx quem desenhou o jardim do meu terraço,
 e tudo o que ele "receitou" pegou bem, e aguenta o sol 
e os ventos de sudoeste e a lestada cheia de sal do mar, 
mas com o tempo eu fui mudando, acabei por exemplo com as iúcas,
que ferem como punhais, plantei grama japonesa (soyza matrella) que ele próprio,
 Burle Marx, me deu muito mais tarde e que invadiu tudo."

( (trechos da crônica "Terraço", 1973, inédita em antologia)


O autor que gostaria de criar uma história que, de boca em boca, fosse mudando a vida das pessoas( "Meu ideal seria escrever..." ). segundo Manuel Bandeira escrevia ainda melhor quando não sabia sobre o que escrever. Clarice Lispector fez coro nesse sentido: para ela, não havia ninguém melhor em enrolar o leitor. Exemplos não faltam. Certa vez disse


“Às vezes a gente parece que finge que trabalha; o leitor lê a crônica e no fim chega à conclusão de que não temos assunto. Erro dele. Quando não tenho nenhum frete a fazer, sempre carrego alguma coisa, que é o peso de minha alma, e olhem lá que não é pouco.”

E não é pouco mesmo. Descreveu a cidade, hábitos, costumes, mazelas, belezas com sua linguagem coloquial e temáticas simples. Como a crônica abaixo escrita há 60 anos, em 1953.

Ele nos deixou em 1990, mas sempre é tempo para saborear seus textos... e comemorar seu centenário!





O Verão e as Mulheres


Talvez tenha acabado o verão. Há um grande vento frio cavalgando as ondas, mas o céu está limpo e o sol é muito claro. Duas aves dançam sobre as espumas assanhadas. As cigarras não cantam mais. Talvez tenha acabado o verão.

Estamos tranqüilos. Fizemos este verão com paciência e firmeza, como os veteranos fazem a guerra. Estivemos atentos à lua e ao mar; suamos nosso corpo; contemplamos as evoluções de nossas mulheres, pois sabemos o quanto é perigoso para elas o verão.

Sim, as mulheres estão sujeitas a uma grande influência do verão; no bojo do mês de janeiro elas sentem o coração lânguido, e se espreguiçam de um modo especial; seus olhos brilham devagar, elas começam a dizer uma coisa e param no meio, ficam olhando as folhas das amendoeiras como se tivessem acabado de descobrir um estranho passarinho. Seus cabelos tornam-se mais claros e às vezes os olhos também; algumas crescem imperceptivelmente meio centímetro. Estremecem quando de súbito defrontam um gato; são assaltadas por uma remota vontade de miar; e certamente, quando a tarde cai, ronronam para si mesmas.

Entregam-se a redes; é sabido, ao longo de toda a faixa tropical do globo, que as mulheres não habituadas a rede e que nelas se deitam ao crepúsculo, no estio, são perseguidas por fantasias e algumas imaginam que podem voar de uma nuvem a outra nuvem com facilidade. Sendo embaladas, elas se comprazem nesse jogo passivo e às vezes tendem a se deixar raptar, por deleite ou preguiça.

Observei uma dessas pessoas na véspera do solstício, em 20 de dezembro, quando o sol ia atingindo o  primeiro ponto do Capricórnio, e a acompanhei até as imediações do Carnaval. Sentia-se que ia acontecer algo, no segundo dia da lua cheia de fevereiro; sua boca estava entreaberta: fiz um sinal aos interessados, e ela pôde ser salva.

Se realmente já chegou o outono, embora não o dia 22, me avisem. Sucederam muitas coisas; é tempo de buscar um pouco de recolhimento e pensar em fazer um poema.

Vamos atenuar os acontecimentos, e encarar com mais doçura e confiança as nossas mulheres. As que sobreviveram a este verão.
Março, 1953.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Há 100 anos...


O amigo do RIO QUE MORA NO MAR, Gil Ferreira, nos lembra do centenário da sede social do Clube Naval, no Centro da cidade.

Hoje, em comemoração, será inaugurada iluminação da fachada, às 20 horas.

O Clube Naval foi fundado em 12 de abril de 1884 e sua sede social, dependência mais antiga do Clube, funcionou em diversos pontos no Centro do Rio de Janeiro, antes de ser instalada, definitivamente, no prédio da esquina da Avenida Rio Branco com Avenida Almirante Barroso.

No local, forma juntamente com o Theatro Municipal, o antigo Supremo Tribunal Federal - hoje Centro Cultural Justiça Federal - Museu Nacional de Belas Artes e Biblioteca Nacional, o principal núcleo cultural da cidade.

domingo, 25 de abril de 2010

Custodio Mesquita, 100 anos


Esse ano é um ano de muitos centenários na nossa MPB.
Nesse domingo de abril o carioca do bairro de Laranjeiras, Custódio Mesquita, completaria 100 anos.

Compositor de harmonias requintadas fizeram de Custódio Mesquita de Pinheiro um dos grandes nomes dos anos 30 e 40, quase sempre citado como o Tom Jobim de seu tempo. Pianista virtuoso, regente , foi o precursor da moderna música brasileira. Algumas de suas canções têm um clima vanguardista, para a época, antecipando arranjos que somente seriam vistos durante a bossa nova. Teve parceiros musicais notáveis como Mário Lago, Sadi Cabral, Noel Rosa, Paulo Roberto, Orestes Barbosa dentre outros e suas composições foram sucesso nas vozes de Orlando Silva, Aurora Miranda, Carmen Miranda, Mario Reis, Silvio Caldas e tantas outras belas vozes.


Custódio Mesquita entre Aurora e Carmen Miranda,
intérpretes de suas músicas, durante um cruzeiro à Buenos Aires.


Infelizmente Custódio Mesquita está praticamente esquecido. Nenhuma regravação, nenhum lançamento, nenhum show está aí para relembrar as suas melodias, nessa data.

As últimas releituras de suas canções já têm tempo. Em 1974, Gal Costa regravou Saia do caminho, e três anos depois Nana Caymmi e , também, Miúcha e Tom Jobim a regravaram. Maria Bethânia , em 1977, regravou o samba Promessa e em 1983, Cauby Peixoto regravou Mulher.

Pena.

Mas deixamos aqui pequena amostra. Vale clicar e ouvir.