quinta-feira, 30 de julho de 2020

Observações Cariocas de Todos os Tempos_ Ribeiro Couto



 Ribeiro Couto - Poemas escolhidos   A fisionomia da Lapa (mesmo independentemente de qualquer impressão pessoal e subjetiva) sofrera várias alterações. Por exemplo: não havia mais garçonetes. 
Ribeiro Couto, que mais ou menos por esse tempo passou dois anos no Rio, em estágio no Itamaraty, observava numa crônica: 

“Não ficarei na Lapa. Dos seus bares o regulamento policial afastou as caixeirinhas risonhas que imitavam o Reno à sobra dos Arcos. Onde cultivar o anonimato, o chope sentimental e a meditação confusa a esta hora em que me assaltam os demônios da nostalgia? “Na praia.”

E era mais ou menos isso o que todos faziam: iam para a praia, isto é, para Copacabana. Foi então o tempo de grande esplendor do Alcazar, o famoso bar-restaurante com terrasse do Posto 5. Eu, carioca legítimo e não de adoção, não me conformava muito com isso. Em 1948 escrevia:

‘Como o Rio tem mudado nos últimos anos! Pode-se quase dizer que Copacabana vai aos poucos matando o Rio. Porque Copacabana pouco ou nada tem a ver com o Rio. Copacabana é alegre, é luminosa, é turística, cosmopolita, vitaminada, esportiva e incontestavelmente bela.

Mas não é o Rio. O Rio é a velha cidade imperial das ruas mal calçadas que os crepúsculos se iluminavam a bico de gás. Soa os becos estreitos e sinuosos, com recordações coloniais apontando a cada passo. É a evocação persistente e viva dos romances de Macedo, da música de Nazareth, das serenatas boêmias dos bairros sossegados dos subúrbios tristonhos, em noites profundamente quietas de misterioso luar... O Rio é a rua da Misericórdia, a praça da Bandeira, o Catete, o largo do Machado, a Tijuca, Vila Isabel, Flamengo, Laranjeiras, Andaraí, Engenho Novo. O Rio é a Lapa.’

Foi por isso que muitos anos depois, em 1957, quando Renato Perez, entrevistando-me para o Correio da Manhã, quis saber se eu, carioca, em São Paulo Tinha muitas saudades do Rio:

– Não – respondi. – Tenho muitas saudades do Rio quando estou no Rio.”

 
Ribeiro Couto, foi um jornalista, magistrado, diplomata, poeta, contista e romancista brasileiro. Foi membro da Academia Brasileira de Letras desde 28 de março de 1934, até sua morte em 1963.


domingo, 26 de julho de 2020

Uma rua no Leblon, no Posto 11


A Rua Leblon...

 ou Rua Oswaldo Goeldi está localizada no centro do quarteirão, entre a Rua Almirante Guilhem e Avenida Afrânio de Melo Franco. Tem entradas pelo número 200 da Avenida Delfim Moreira e saída pela Avenida General San Martin.
Rua Leblon, localizada quase em frente ao Posto11



Entrada - Av Delfim Moreira



O lote é comprido e estreito, e tem duas frentes, uma pela a Avenida Delfim Moreira e outra, pela Avenida General San Martin. Para garantir seu máximo aproveitamento, no início dos anos de 1940, foi desmembrado e loteado, conforme o PAAL nº 7896.

Sua forma de implantação é de vila particular, tendo no meio do lote uma rua estreita, com unidades residenciais enfileiradas e voltadas para a rua, sendo nove unidades no lado impar e oito no lado par. 

Ao todo são cerca de 17 imóveis na rua, entre dois e seis pavimentos e pelas fachadas dos três preservados, pode-se ver os contornos da arquitetura dos anos de 1940.

Algumas casas...

A casa na Rua Leblon nº 3, onde os Stones (Gerald e Tony), os Parens (Drew e Brian), os Morthlands (Margaret e Bronwyn) e os Meads (Margaret) viveram durante a década de 1960. ."


Foto tirada em 1962


Essa rua é um oásis de tranquilidade e um dos endereços mais nobres do Brasil. Das 18 casas apenas três são preservadas pela APAC do Leblon e não podem ser modificadas. A branca que aparece nas fotos abaixo e em uma matéria antiga da Revista de Arquitetura não está entre as três.


Foto mostram a Rua Leblon no final da década de 1940.

Nenhuma descrição de foto disponível.
A imagem pode conter: texto que diz "poblem. comples numeron aocenle Canccou anquiteto ondluç.in hscinle crли nesdia Casa de um arquiteto J. Fontes Ferreira ENGENHEIRO ARQUITETO qqueno jardim tem progetas tribuiçio: escolhido Portico aberto; Ipanem PLIRATa sequanto automdse rctanil anstru .mdar térreo, recuado rua alcançar cemuris owsiitot IO ARQUITETUIRA"


Infelizmente para nós e, claro, para tranquilidade de seus moradores,  a rua foi fechada por portões e só moradores e visitantes podem atravessar da Rua General San Martin para a Avenida Delfim Moreira.

Uma das tombadas é essa de estilo normando.


A imagem pode conter: pessoas em pé, listras, casa, árvore, céu e atividades ao ar livre


Na foto abaixo, de 1949, podemos ver três integrantes da família Escobar em frente à casa, um legítimo bangalô normando à beira-mar, ainda sem muros.

Construída na década de 1940 até hoje pertence à família Escobar.
Ela é tombada e atualmente não pode ser modificada, muito menos demolida.

Sua arquitetura rara a coloca no top 10 de casas antigas mais lindas do Leblon.


Fotos da família Escolar
Nenhuma descrição de foto disponível.

A imagem pode conter: 1 pessoa, área interna
Lourdes Escobar, na rua, em frente à sua casa.
 Foto gentilmente cedida por ela.



Uma curiosidade da Rua Leblon:

Aos interessados de plantão, existe uma casa na exclusiva Rua Leblon. Ela está à venda pela bagatela de R$ 11.000.000,00(onze milhões de reais). Tem 221 m²,  taxa de condomínio no valor de R$ 3.600,00 e IPTU de R$ 19.035,00.





Em tempo:

Pintores Brasileiros – OSWALDO GOELDI - VÍRUS DA ARTE & CIA. 

Oswaldo Goeldi foi um grande artista plástico brasileiro.

Carioca, nasceu em 1895 e morreu em 1961. Gravador, desenhista, ilustrador, professor, se dedicou à xilogravura e teve sua história ligada ao Leblon, onde morou em seu pequeno apartamento/atelier na Rua Almirante Guilhem, no Leblon.







quinta-feira, 23 de julho de 2020

A primeira foto da cidade do Rio de Janeiro, 1840







Reprodução em negativo de vidro feita pelo fotógrafo Marc Ferrez, na década de 1880.


Cerca de 9 minutos foi o tempo necessário para se obter uma das primeiras imagens do Rio de Janeiro, captada em janeiro de 1840 por Louis Comte. 

Louis Comte era capelão do navio francês que deveria ter dado a volta ao mundo mas que, por conta de uma série de problemas internos, jamais concluiu a viagem.
O Oriental-Hydrographe tinha o objetivo de proporcionar uma experiência em alto mar para jovens da elite francesa. No entanto, houve problemas desde o início: muitos desistiram logo nos primeiros dias. Também aconteceram desavenças entre a tripulação. Houve até registro de duelos dentro do navio. Por fim, a embarcação naufragou em Valparaíso, no litoral do Chile.

Antes disso, porém, o navio passou pelo Brasil – e foi nesse momento que a história da viagem cruzou com a do Rio de Janeiro.

Os tripulantes traziam cinco daguerreótipos a bordo. Um deles era usado por Louis Comte
Durante a permanência em terras cariocas, Louis Comte se hospedou no Hotel Pharoux, de onde fez a foto, de uma das janelas do quarto andar da hospedaria.

O tempo, que hoje se reduz a menos de 1 segundo para tirar uma fotografia e já ver o resultado, surpreendeu na época o Jornal do Commercio

“É preciso ter visto a coisa 
com os seus próprios olhos 
para poder fazer ideia da rapidez 
e do resultado da operação”, 

diz artigo publicado 
no dia 17 de janeiro de 1840


Essa era a primeira vez que um ensaio com um daguerreótipo, primeiro aparelho que possibilitou o processo fotográfico, chegava “do lado de cá”, como anunciou o jornal. 

A fotografia retrata o chafariz colonial no Largo do Paço, no centro do Rio de Janeiro.




quarta-feira, 22 de julho de 2020

Uma história carioca...

Sessão especial celebra aniversário de 170 anos do nascimento de ...


Existe uma história que diz que 
certa vez Rui Barbosa, 
ao chegar em casa, em Botafogo, 
ouviu um barulho estranho 
vindo do seu quintal.



Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação.
Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus patos, disse-lhe:

"- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à qüinqüagésima potência que o vulgo denomina nada."

E o ladrão, confuso, diz:

"- Dotô, resumino, eu levo ou deixo os pato?"


segunda-feira, 20 de julho de 2020

Antigos jornais cariocas...há 50 anos





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