sexta-feira, 17 de março de 2017

NAT KING COLE no Rio



Em meio à polêmica se nesse dia 17 de março 
é ou não o centenário de Nat King Cole, vale, sim, comemorar a vinda do astro à cidade do Rio.


Nat King Cole chegou no final dos anos 50, 1959, no início da bossa nova, e foi recebido com enorme carinho pelo público. Por aqui caiu de amores pelo Rio de Janeiro e, dizem, pela cerveja local.



"Eram 14 horas e 3 minutos quando o aparelho da Pan-American, procedente de Caracas, pousou no Galeão. Mal a porta se abriu os fãs que se encontravam no terraço e na pisto do aeroporto começaram a agitar frenèticamente suas bandeirinhas, repetindo em coro “Welcome Nat King Cole”. Somente após o desembarque dos passageiros comuns é que o famoso cantor popular norte-americano apareceu no alto da escada do avião. Vestia um terno cinza, gravatinha preta e camisa branca. Quando viu a multidão que o aguardava, deu um grande sorriso e acenou com a mão direita. “I am very glad to be here”, foram suas primeiras palavras ao cumprimentar Carlos Machado, que não escondia o contentamento. Metralhado pelos flashes dos fotógrafos, Nat dirigiu-se para a alfândega, só a muito custo conseguindo atravessar a pista do Galeão. Quando o sr. Oscar Ornstein, “public-relations” do Copacabana Palace, se aproximou para dar-lhe um abraço, o artista nem percebeu o gesto e prosseguiu."
(jornal Ultima Hora)


Tendo sido recebido com honras de chefe de Estado pelo próprio presidente Juscelino Kubitschek, no Palácio das Laranjeiras, JK o saudou com um sonoro “How do you do? I’m very happy to see you”. Nat estava acompanhado de Maria Ellington, sua esposa e Carlos Gastal, seu “manager”. O Presidente disse-lhe que o Brasil esperava com ansiedade sua visita. O cantor sentiu-se lisonjeado, agradeceu e aproveitou a oportunidade para entregar 2 pacotes contendo coleções de discos seus, autografados, para Márcia e Maristela, filhas de JK e suas fãs. 

Encontro  com presidente JK


Conta a lenda que JK teria tirado os sapatos e pedido ao visitante que cantasse sua música preferida, "Fascination", tendo sido prontamente atendido pelo cantor. Um luxo. Um pequeno show de Nat King Cole em sua sala.

Nat King Cole fez shows dias 17 de abril ,no Maracanãzinho com lotação de 20.000 pessoas;
18 de abril no Ginásio do Tijuca Tenis Clube, com lotação de 11.000 pessoas, onde a fila para a entrada no clube foi até  a Saens Peña e o clube precisou colocar até caixa de som na entrada  para o pessoal que não conseguiu entrar, ouvir o show do lado de fora. Nat King Cole voltou ao Maracanazinho em 19 de abril  para mais dois shows às 16 e às 21 horas, com 60 cruzeiros o valor para as arquibancadas.


Apresentação no Maracanazinho

Apresentação no Golden Room do Copacabana Palace


Os sucessos  de Nat por aqui era tão grande que canções como “Too young”“Blue gardenia” e “Pretend” ganhavam letras em português gravadas por Cauby Peixoto, Lúcio Alves e o veterano Carlos Galhardo.

Ficam os registros curiosos quanto à reação de Nat em qualquer lugar: se não houvesse ar refrigerado, pedia para voltar, imediatamente, ao hotel, por não suportar os 40 graus que fazia no Rio.
E, também, apaixonado pelo Brasil, o cantor norte-americano chegou a marcar um encontro para conhecer os astros do futebol Didi e Pelé, mas os jogadores não puderam comparecer.

Os ilustradores da época  - Carlos Estevão e Péricles - registraram, no seu traço, Nat King Cole.






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