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terça-feira, 18 de agosto de 2020

Moradias...ontem e hoje


Curiosos anúncios de imóveis há 65 anos...






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O palacete não resistiu muito.
Em 1959, nessa esquina se construía um prédio de luxo, 
e suas unidades foram colocadas à venda nos classificados;



As duas esquinas hoje são ocupadas por dois edifícios. 

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Hoje,  o Edifício Cesar


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Hoje, o Edifício Bonaparte



terça-feira, 25 de junho de 2019

Arquitetura carioca... a "CASA SEM JANELAS"



Em Copacabana, 
uma construção recebe olhares atentos: 
a Casa Villiot
Ela parece não ter vista, parece não ter janelas.

Imagem relacionada


A Casa Villiot fica na Rua Sá Ferreira, nº 80,  e foi erguida para ser a residência do engenheiro civil Victor Villiot Martins (1882-1954), influente homem carioca do seu tempo, antes morador da Praia do Flamengo, n° 20, segundo o Almanak Laemmert do ano de 1909
As obras, projetadas na década de 1920 por Antônio Virzi, arquiteto importante do início do século XX, terminaram em 1929 e tiveram como construtores Jayme Machado e Umberto Kaulino, respeitados nomes deste mercado na época.

Imagem relacionada   Fachada lateral  Detalhe da volumetria


Detalhe da fonte no interior da casa  Vista do interior da sala  Detalhe da volumetria


Pela sua arquitetura a Casa Villiot foi apelidada de ‘casa sem janelas’. Ganhou esse apelido por realmente parecer não ter janelas. Uma olhada menos atenta à construção passa a ideia de que as paredes são fortalezas sem vista para o lado de fora ou circulação de ar.

Com 306 m² e dois pavimentos a construção foi protegida pela legislação municipal de tombamento em 1995, declarada de utilidade pública em 1996 sendo destinado à Secretaria Municipal da Cultura para ser transformado em equipamento de uso cultural, e desapropriada pela Prefeitura do Rio de Janeiro no ano 2000.

Abrigou o Centro de Referência da Música Carioca e atualmente uma placa em seu portão indica que no local funciona a Biblioteca Municipal Carlos Drummond de Andrade.


sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Belas casas do Rio em 1916...

... Somente uma delas sobreviveu até os dias atuais.


Matéria da Revista da Semana -  número 2, em fevereiro de 1916 - com duas páginas, onde são mostradas fotos das mais belas casas do Rio de Janeiro no início do século XX. 

A imagem pode conter: atividades ao ar livre

Primeira página: a residência do Coronel Alberto Rodrigues na rua Senador Vergueiro, no Flamengo. Essa casa era denominada Villa Marinna, projetada pelo arquiteto italiano Antônio Virzi, que projetou várias casas na cidade. Foi construída em 1912 e demolida em 1960. Nessa página dentro dos círculos, temos dois exemplares de casas da Avenida Atlântica, em Copacabana. Na parte inferior, as residências do Sr. Gomes da Cruz e do Dr. Bueno do Prado na Praia do Flamengo.

A imagem pode conter: atividades ao ar livre

Segunda página:  a residência do Sr. J. Ferrer, e abaixo palacetes na entrada da rua Paissandu, na Praia do Flamengo. No destaque oval, a residência do Sr. Eduardo Otto Theiler, conhecida como “castelinho francês”, na então Avenida de Ligação (atual Av. Oswaldo Cruz) número 4, esquina com a Praia do Flamengo. Esta é a única a única existente das casas mostradas pela reportagem, 102 anos depois.
Embora esteja tombada pelo patrimônio Municipal desde 1985, encontra-se em mal estado de conservação, deteriorada pela passagem do tempo e pela ausência de manutenção, além da fachada estar pichada.  
Originalmente, a casa era uma residência única, mas atualmente encontra-se subdivida em quatro pequenos apartamentos! 

O castelinho francês foi projetado pelo notável Heitor de Mello em 1912 e construído entre 1912-13 para ser a residência da família do advogado Eduardo Otto Theiler, falecido em 1967. A casa ganhou esse nome de castelinho francês por apresentar um estilo Renascentista francês, uma das vertentes do Ecletismo, que trabalha com linguagens estilísticas de diferentes origens. O projeto aplicou uma decoração neogótica em uma fachada neo renascentista. A fachada do castelinho foi toda ornada com criaturas que nos remetem diretamente aos castelos medievais góticos - gárgulas, dragões e homens-morcego - esculturas que foram criadas por Woldemar Bogdanoff. 

domingo, 3 de junho de 2018

Castelinho, mal-assombrado do Flamengo, leiloado há 50 anos



Depois de fechado muitos anos 
e com uma lenda de maldição, 
o castelinho da Praia do Flamengo, 
número 158, 
foi leiloado em Belo Horizonte 
no dia 3 de junho de 1968. 
Há 50 anos.

Após uma série de mortes violentas e misteriosas, desde os primeiros proprietários -  um casal de velhinhos - morreram atropelados na porta, outros ocupantes que também não tiveram morte normal. Um deles, atropelado na porta em 1965, foi jogado contra o portão de ferro, onde ficou espetado, de braços abertos. História digna dos castelos de Edgard  Alan Poe.

O Castelinho, miscelânea de estilos, predominando o mourisco e o barroco ficou fechado com cadeados e arame farpado, foi propriedade de uma pobre menina rica... MARIA DE LOURDES FEU FERNANDES.

recorte do jornal de 3 de junho de 1968



Foto dos anos 1910
Imagem relacionada

Nos dias atuais


O Castelinho do Flamengo foi planejado no ano de 1916.

Nele se encontram um conjunto de variados gêneros de arquitetura. Foi um arquiteto italiano chamado Gino Coppedè que o projetou. Fez o desenho por solicitação da família Silva Cardoso e Silva. A família viveu ali até 1932.

O imóvel foi vendido para o Sr. Avelino Fernandes que vivia em Belo Horizonte e queria uma residência no Rio de Janeiro para viver com sua esposa Dona Rosalina Feu Fernandes e a sua filha Maria de Lourdes Feu Fernandes. A família empobreceu e vendeu o castelinho para o Senador Mendonça Martins. Com o o falecimento do senador, a casa entrou em litígio entre os possíveis herdeiros. Já os ruídos e atritos escutados, corresponde  à construção feita de madeira. A madeira contrai, dilata, com o tempo e com a chuva. Portas batem. Há ranger quando a gente sobe e desce as escadas. Temos uma madeira que está há cem anos nesta casa. A quem está mais suscetível ao susto, é possível que isso seja interpretado como assombração.

Nos dias de hoje, ali funciona o Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho.


domingo, 6 de agosto de 2017

Edifício Marajoara, art déco carioca



Edifício Marajoara localizado na Rua Prudente de Morais nº 814, em Ipanema é um belo exemplar do ART DÉCO na arquitetura carioca.




Projetado pelo arquiteto Alcides Cotia teve sua construção iniciada nos primeiros anos da década de 1940. Na época, em meio à segunda guerra mundial, o prédio acabou ganhando um abrigo antiaéreo em seu subsolo, que hoje é usado como depósito. Em 1945 os moradores começaram a ocupar os 32 apartamentos de três quartos, distribuídos em oito andares. O grande destaque dessa construção, que já foi a mais alta do bairro, é a inspiração marajoara espalhada pela fachada, entrada e até no nome do prédio.

Resultado de imagem para Fernando Ferreira Botelho, o dodô do Flamengo
Dentre eles está Fernando Ferreira Botelho, também conhecido como Dodô, o primeiro goleiro profissional do time do Flamengo, na década de 1930. Nascido em três de março de 1913, ele vive no mesmo imóvel há 72 anos. Quando ele encerrou a carreira o Flamengo lhe pagou uma indenização, que quitou cerca de 65% do valor do imóvel. Nessa época, segundo Dodô, o Marajoara, tinha vista até da Avenida Niemeyer.


Portão de ferro e vidro e lindas faixas trabalhadas em baixo relevo, com motivos que nos remetem a um grafismo de espírito indígena marajoara; corrimão em ferro

Nos fundos do Edifício Marajoara, a circulação de ar é completa por se tratar de uma construção feita em centro de terreno. Ao fundo temos o mar de Ipanema entre os prédios!

As janelas têm venezianas e sob os vãos das janelas aparecem lindas faixas trabalhadas em baixo relevo, com motivos que nos remetem a um grafismo de espírito indígena marajoara.


  

domingo, 3 de julho de 2016

A famosa questão dos terrenos do bairro do Leblon...


... deixados pelo grande cientista
Álvaro Alvim a seus filhos
foi considerado, nos meios forenses,
a mais longa demanda do judiciário carioca.

Álvaro Alvim

A causa, encerrada em 1961, girava em torno do direito de propriedade da chamada "Chácara 92", que ocupava quase a metade do Leblon.

Começou em 1894, com uma ação executiva de Álvaro Alvim contra o comerciante e grande proprietário José Arnaldo Machado.

Nesta ação Álvaro Alvim arrematou a Chácara 92, desdobrada, depois em mais mais de uma centena de lotes.

O devedor e depois seus herdeiros embargaram a arrematação, sob vários fundamentos. Desde então várias ações foram tentadas contra os herdeiros de Álvaro Alvim, todas sem êxito, até que finalmente em 1960, a Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado reconheceu, definitivamente, os direitos dos herdeiros de Álvaro Alvim.

Na longa demanda grandes nomes da cultura jurídica tomaram parte. Seu primeiro patrono foi Pires Brandão, um dos maiores advogados da época. Rui Barbosa deu parecer na questão, logo no início.Outros nomes de notáveis como Virgílio de Sá Pereira, Mário Guimarães, Vítor Nunes Leal, Dario de Almeida Magalhães e, finalmente, Alcino de Paula Salazar, atuaram no processo.

Os terrenos de Álvaro Alvim, quando foram arrematados, valiam em média 3 contos de reis ( 3 mil cruzeiros, valor de 1961 quando da execução da sentença) por chácaras de 30 a 40 mil metros quadrados e o metro quadrado no Leblon já valia em média 30 mil cruzeiros.

Em 1961, para efeito de taxas judiciárias foi avaliada em 200 milhões de cruzeiros.

Os herdeiros de Álvaro Alvim foram três: Laura Alvim, Mariana Alvim e Álvaro Alvim Filho.

E AÍ SURGIU UM CONDOMÍNIO DE LUXO

O terreno da Chácara 92 transformou-se em um condomínio de luxo.Onde caberiam 20 prédios, a incorporadora imobiliária Veplan construiu, em 1969, somente três: o edifício Carême, com frente para a Av. Delfim Moreira; o edifício Bougainville, com frente para a rua General Urquiza; e o edifício Flamboyant, com frente para a Av. Bartolomeu Mitre.




Durante a construção

O três prédios integram o Condomínio Chácara 92, que possui área total de 7.000 metros quadrados, sendo mais de 5.000 metros quadrados são de áreas de lazer (com enorme piscina), jardins projetados por Burle Marx, e até mesmo um mini zoológico!

O mais nobre dos 3 prédios é inequivocamente o edifício Carême - Avenida Delfim Moreira 710 -  com 2 apartamentos por andar, cada um deles atendido por um elevador social exclusivo, área interna de 353 metros quadrados, distribuídos por 4 quartos (um deles suite de frente para o mar do Leblon), sala íntima, escritório (também voltado para o mar do Leblon) e 2 quartos de empregada.




domingo, 7 de abril de 2013

Edifício A NOITE, na Praça Mauá

"Uma parte preciosa
da identidade brasileira paira,
silenciosamente, nos 22 andares
do edifício A Noite,
na Praça Mauá. "

Construído em 1929 na região portuária do Rio,o prédio, O Edifício Joseph Gire, mais conhecido como edifício A Noite,  abrigou até outubro de 2012 as instalações da mitológica Rádio Nacional.

O local havia sido ocupado anteriormente pelo Liceu Literário Português, que se mudou para a rua Senador Dantas, em frente ao Largo da Carioca, no centro da cidade.


 Praça Mauá, 1920
Antes da construção do edifício A NOITE

 O nome do prédio se deve ao jornal A Noite , que ali instalou sua sede e foi editado -  tiragem diária e vespertina -  de 18 de junho de 1911 a 27 de dezembro de 1957 quando foi extinto. A Noite teve origem em desentendimentos ocorridos na direção do jornal Gazeta de Notícias, que precipitaram a saída de Irineu Marinho para fundar esse jornal, que por sua vez foi o embrião do jornal O Globo.

Os responsáveis pelo projeto arquitetônico foram o arquiteto francês Joseph Gire  - o responsável pelo projeto do Hotel Copacabana Palace) e o arquiteto brasileiro Elisário Bahiana. Foi construído entre 1927 e 1929 utilizando a nova tecnologia do concreto armado, dando grande impulso à engenharia praticada no Brasil de então. Os cálculos estruturais foram realizados pelo engenheiro Emílio Henrique Baumgart, mais tarde responsável pelo Ministério da Educação e Cultura. 

Com 22 andares e uma altura de 102 metros, foi o o primeiro arranha-céu da América Latina, o mais alto até ser ultrapassado pelo Edifício Martinelli, inaugurado em 1934. Tanto as fachadas como as áreas internas comuns revelam influências do estilo art decó, ainda que o interior tenha sido descaracterizado por reformas modernas. O edifício servia também de mirante que oferecia uma vista privilegiada da cidade e da Baía da Guanabara.

O edifício aproximava-se dos modelos de arranha-céus norte-americanos como os que compunham a paisagem da cidade de Chicago, muito longe dos modelos europeus até então favorecidos no Brasil. Um fato importante é que a partir da construção do edifício A Noite começou o processo de verticalização da cidade do Rio.

 O edifício em construção


O edifício recém-inaugurado

Em 1931, o Zepelin passa à sua frente

Hoje o prédio ganhou seu tombamento, ocorrido por intermédio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) -  lavrado em dois livros: o Histórico e o de Belas Artes -  e abre possibilidades para que a memória cultural do país não se perca. Também aguarda  as reformas de adequação às normas de segurança.

Nesse projeto há a organização do Museu do Rádio Nacional, vinculado à história da importante emissora que funcionou no prédio, que possui um grande acervo de programas e musicais que lá aconteceram.

terça-feira, 19 de março de 2013

Igreja de São José, da Lagoa

Aqui já falamos da Igreja de São José, no Centro da Cidade.

 Nesse DIA DE SÃO JOSÉ vamos visitar uma outra igreja, na cidade, que leva seu nome: a IGREJA DE SÃO JOSÉ, no bairro da Lagoa.

Cartão postal da época da inauguração

Foto da fachada


 Foto do interior

 
No terreno da atual igreja existia a pequena capela de São José, erguida em 1898 para servir aos funcionários da Fábrica de Tecidos Corcovado e aos operários das demais manufaturas daquela região em franco crescimento industrial.

A Igreja de São José, da Lagoa tem um dos lados para o Colégio de Aplicação da UFRJ e fundos para o Hospital da Lagoa. É uma igreja em formato oval de traços modernos, longamente envidraçada  - a primeira do mundo a ter vidro ray-ban cuja estrutura vertical em curvas é revestida de pastilhas azuis.

O projeto modernista data de 1961e é do arquiteto Edgar de Oliveira da Fonseca, o mesmo autor do projeto da Catedral Metropolitana, da Avenida Chile, e do campus da PUC, na Gávea, que tem como marca os pilotis - um dos fundamentos da arquitetura de Le Corbusier - ," onde todos se encontram e tudo acontece."

Vale revisitar um pouco da história da região.

 No início da ocupação da cidade, os atuais bairros da Lagoa e Jardim Botânico eram repletos de chácaras e sítios.


No final do século XIX, começaram a surgir as fábricas, a partir da criação de linhas de bonde em 1871.  Em 1884, implantava-se no bairro a Companhia de Tecidos Carioca, na atual Rua Pacheco Leão, junto ao Rio do Algodão, onde se instalou a Vila Operária Sauer. Em 1889, surgiu a Fábrica de Tecidos Corcovado, na Rua Jardim Botânico. Depois de demolidas, as fábricas deram origem a ruas residenciais do bairro.

A Fábrica de Tecidos Corcovado foi fundada por José da Cruz, em 1889, em terras da antiga chácara de João Calhau.

A foto de Marc Ferrez, abaixo, mostra a fábrica como vista da Fonte da Saudade.


A fábrica encerrou suas atividades na década de 1940 e teve seu terreno desmembrado em lotes para a construção de moradias, já de população de maior poder aquisitivo que os operários.



A vila dos operários da Fábrica Carioca, composta por 132 casas em 1921, e a Vila Sauer, de propriedade da Companhia de Saneamento, cuja construção se iniciou em 1891 e se compunha por 89 casas para famílias operárias e 22 cômodos para solteiros, estes situados em um mesmo prédio da rua Abreu Fialho.

Quando a América Fabril comprou a Fábrica Carioca de Tecidos, incorporou também a Vila Sauer. 

Assim, na década de 1920, todo o casario operário do Horto passou à propriedade da América Fabril. Porém as terras da região eram, e ainda são, da União. As vilas operárias situavam-se onde hoje se encontram as ruas Abreu Fialho, Caminhoá, Estella, Pacheco Leão, Fernando Magalhães, Alberto Ribeiro e Mestre Joviniano.

A Fábrica Carioca tinha um Clube para os seus funcionários, situado onde hoje é a Rede Globo (Rua Von Martius) e era tradicional no seu time de futebol e nos bailes que promovia. Havia ainda a Escola da Fábrica, a farmácia da Fábrica... uma série de instituições de fomento a Cultura e ao lazer dos trabalhadores. Muito desse patrimônio foi incorporado pela América Fabril e alguma coisa ficou para trás no tempo, restando apenas na memória dos moradores.



Muitos desses operários das fábricas e moradores da Chácara do Algodão eram militantes comunistas e a organização deles era bastante combativa e ligada ao Partido Comunista.



 




Fotos   Reprodução da internet

domingo, 11 de novembro de 2012

Arquitetura escondida no Rio

Os cobogós do Liceu de Artes e Ofícios, na Cidade Nova, 
prédio considerado pós-modernista. 
O edifício foi projetado por Enéas Silva, na década de 50
Elementos modernistas se misturam no projeto do Liceu de Artes e Ofícios  

Eles não criaram a paisagem carioca. E, nem sempre, são os autores dos grandes ícones da arquitetura da cidade, como o Teatro Municipal ou o Edifício Gustavo Capanema. Mas marcaram sua assinatura em belas construções, que hoje fazem do Rio um mosaico interessante de diferentes estilos e épocas. Com um pouco de calma e o olhar atento, o pedestre descobre verdadeiras obras de arte a céu aberto em meio à selva de pedra.
E ainda faz uma viagem ao passado.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Antigas residências cariocas



Antiga residência da Rua Paul Redfern, 36,  em Ipanema



Pertenceu ao arquiteto Alexander Altberg, que viveu nesta casa com os pais e com sua primeira esposa por vários anos.

Os únicos testemunhos disponíveis desta obra são uma foto da fachada, publicada na Revista base N° 2, e uma foto do terraço-jardim.
Revista base, Capa do n° 2. Rio de Janeiro, set. 1933. Editor: Alexander Altberg
O tratamento volumétrico da fachada evocava a linguagem contrutiva do De Stijl, enquanto o tratamento das superfícies claramente ecoava a policromia dos projetos habitacionais de Bruno Taut em Berlim. Alexandre reporta que as “faixas“ não foram determinadas pelo uso da cor, mas sim de materiais (argamassa cinza com mica e com pigmento vermelho)."
Tendo vivenciado o efervescente contexto berlinense, no qual a Arquitetura Moderna já havia se consolidado, Alexander Altberg  - ex-estudante da Bauhaus, onde permaneceu até o início de 1926, e co-organizador do importante 1° Salão de Arquitetura Tropical em abril de 1933 no Rio de Janeiro - começou suas atividades no Brasil num momento em que esta contava com mais oponentes que simpatizantes. 

O processo de verticalização do Rio de Janeiro já tinha se iniciado no início dos anos 30, mas as condições técnicas ainda eram precárias para permitir a realização de edifícios modernos com standards semelhantes aos europeus ou norte-americanos. 
CURIOSIDADE 1: 
Essa casa e outras duas também por ele, ali construídas, foram recusadas pelo “Censor de Fachadas“ da Prefeitura, um certo Engenheiro Vasconcellos, que gabava-se de sua “veia literária“ e escrevia crônicas para o jornal “A Noite“. Dialogando em francês, Alexandre Altberg foi conquistando sua simpatia em longas conversas sobre literatura européia, e assim obteve os almejados “carimbos“ de licença
 CURIOSIDADE 2: 
As casas, projetadas por Altberg, na atualidade.A da direita é a mostrada acima. Totalmente modificada.

 
( fonte: Vitruvius e pesquisa de fotos na internet)



sábado, 20 de novembro de 2010

As últimas casas do Leblon

Uma das últimas casas das quadras paralelas à Praia do Leblon vai ao chão em breve para dar lugar a mais um prédio de apartamentos de alto padrão.

Localizado na Rua José Linhares 21, o imóvel de dois andares e subsolo foi vendido há três meses à construtora Concal, que pretende erguer no local um empreendimento com três apartamentos - dois duplex e um triplex.

( Foto: Marcelo Piu - O Globo) 

Fora do perímetro da Área de Proteção ao Ambiente Cultural (Apac) do Leblon e a poucos metros da orla, a casa, erguida num terreno de cerca de 200 metros quadrados, foi negociada numa transação milionária, cujos valores são guardados a sete chaves pela construtora.(*) Batizado de Conde San Remo, o novo prédio já teve as unidades vendidas - por valores variando entre R$ 4,5 milhões e R$ 6,5 milhões - antes mesmo de o imóvel ser demolido.


A  casa pertencia ao jornalista Ricardo Boechat ( na foto toda pichada) e  o prédio, a ser construído, terá 25 metros de altura - o máximo permitido para a rua pelo Plano de Estruturação Urbana (PEU) do Leblon. Os apartamentos terão entre 195 e 321 metros quadrados e pelo menos duas vagas de garagem cada um.

Casas fora da Apac são cobiçadas por construtoras

As casas da praia ou próximas a ela não são os únicos alvos do mercado imobiliário no Leblon. Com os espaços para construção ficando cada vez mais escassos no bairro, os olhos das construtoras têm se voltado aos pequenos prédios não protegidos pela Apac. De acordo com o presidente da Concal, de 50 a 60 pequenos imóveis multifamiliares são considerados hoje potenciais negócios futuros. Eles reúnem condições favoráveis por não contarem com garagens ou elevadores, acumularem problemas de conservação ou dívidas em tributos ou terem proprietários mais permeáveis a negociações. Só a Concal ergue no momento cinco obras na área, sendo quatro no Leblon e uma em Ipanema. E está em negociação avançada com os donos de outros três imóveis.

- Essas cinco obras estão totalmente vendidas antes de estarem prontas. Para cada unidade construída hoje no Leblon, temos uma lista de espera de três pessoas - diz Caldas.

Raridades no bairro, poucas casas ainda resistem aos apelos do mercado imobiliário.

Com a iminente demolição na José Linhares 21, restarão ainda, nas quadras da praia, um conjunto de três casas: na esquina das ruas Rainha Guilhermina e General San Martin, duas delas ocupadas por empreendimentos comerciais; uma na Rua Aristides Espíndola 19, onde funciona o tradicional restaurante Antiquarius; dois imóveis geminados na Avenida Delfim Moreira; e as casas de vila da Rua Leblon.

FONTE: OGlobo Online


(*) Um adendo:não saiu por menos de R$ 5 milhões, pelos preços de mercado