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sábado, 7 de março de 2015

Rio 450... foi notícia no IV Centenário em 1965

Um olhar de ontem...

A Lapa que iria desaparecer, hoje 50 anos depois, se revitalizou e é um dos maiores points da cidade.



recorte/ jornal O GLOBO de 3 de março de 1965






quinta-feira, 5 de março de 2015

RIO 450...mais um olhar no IV centenário, há 50 anos


O Rio de Janeiro ganhou para seu IV Centenário várias cabeças coroadas da beleza, a começar pela Rainha do IV Centenário.

Resultado de imagem para solange dutra novelli


 Representante de Botafogo, estudante do Colégio Andrews e da Cultura Inglesa, Solange Dutra Novelli foi escolhida entre 22 candidatas. Dezessete anos, olhos verdes e cabelos louros, Solange recebeu a coroa sob os aplausos do Maracanãzinho lotado.

Filha única, foi debutante no último baile do Itamaraty, promovido pelo colunista José Ronaldo Câmara, quando foi convidada a participar do concurso que elegeria a Rainha do IV Centenário do Rio de Janeiro, aos 17 anos, ficou na dúvida. Se ganhasse, toda a sua vida ia mudar. Adeus tardes no Castelinho e no Iate, papos com os amigos, praia.

Certa vez, contou que chegou a indagar aos organizadores:

"— E se eu me arrepender? Posso desistir?
Foi então, quando soube que podia,
que resolvi aceitar.
Mas o que mais me convenceu foi o argumento
de que eu seria rainha por um século,
não teria que passar nem faixa nem coroa"

Detalhe do maiô de sainha do concurso. Aliás fofo e elegantérrimo!

Nina Chaves estampou Solange na capa do caderno ELA, de O GLOBO. A revista Manchete também  juntou todas as jovens que levantaram títulos de beleza para aquele ano.


Na foto maior, da esquerda para a direita: 

Revista Manchete,  ano 13, nº 712 de  11/12/1965

Marina da Conceição Silva (Marina Montini), Rainha Mulata do IV Centenário;

Solange Sousa Barbosa, Rainha dos Jogos da Primavera;

Maria Raquel de Andrade, Miss Guanabara, Miss Brasil;

Miriam Salgado Lima, Garota de Ipanema;

Tônia Passos, Miss Suéter;

Sônia Maria Cardoso, Senhorita Rio;

Clara Bastos, Rainha do Sweepstake.

No entanto,  Solange  Dutra Novelli, Rainha do IV Centenário, só saiu na foto menor, à esquerda da página, pois chegou atrasada para o encontro, devido a um problema no seu carro. 

Ao lado de Solange, outra majestade de destaque foi Marina Montini, Mulata IV Centenário, que surgiu como rainha do bloco de embalo Bafo da Onça e se tornou  musa, nos anos 70, do pintor Di Cavalcanti.






Hoje, Solange - Solange Medina - comanda um escritório com dez arquitetos.  Marina Montini faleceu em 2006.


domingo, 1 de março de 2015

RIO 450... É hoje!


Pintura a aquarela de Elizabeth Dias


Ah!... esse RIO QUE MORA NO MAR
da geografia divina

Ah!... esse RIO QUE MORA NO MAR
que mesmo antes da era do modismo do compartilhamento, isso já praticava,
acolhendo quem por aqui chegava, de braços abertos, cariocando os de todos os cantos

Ah!... esse RIO QUE MORA NO MAR
do Leme ao Pontal, que não há outro igual, como diria Tim Maia

Ah!... esse RIO QUE MORA NO MAR
dos garçons, taxistas, cozinheiros; dos bolinhos, sardinhas,do biscoito de polvilho, do mate e limão

Ah!... esse RIO QUE MORA NO MAR
das esquinas, dos mosaicos das pedrinhas portuguesas,e até dos postes tortos de Ipanema

Ah!... esse  RIO QUE MORA NO MAR
da bola rolando no Maracanã que encolheu

Ah!... esse  RIO QUE MORA NO MAR
dos algodoeiros que  deixam as calçadas amarelas, dos alaranjados e vermelhos dos flamboyants e de tantas amendoeiras e suas amêndoas despencantes que colocam em risco nossas cabeças

 Ah!... esse  RIO QUE MORA NO MAR
das famílias de micos que hoje pulam pelos galhos, andam pela fiação da cidade desafiadoras e sem receio, a qualquer hora

Ah!... esse  RIO QUE MORA NO MAR
das muitas transformações ruins que vi de 65 - o garboso IV Centenário -  até hoje, principalmente do que se foi como o silêncio nas praças, da memória da edificação destruída, das nossas areias invadidas e desrespeitadas

Ah!... esse  RIO QUE MORA NO MAR
da baía, das lagoas, mangues e palmeiras

Ah!... esse  RIO QUE MORA NO MAR
que luta contra a sua destruição 

Ah!... esse  RIO QUE MORA NO MAR
que apesar de... acaba num instante com qualquer tristeza

Ah!... esse  RIO QUE MORA NO MAR
MEU RIO... QUE COMO CARIOCA DA GEMA...EU SEMPRE HEI DE AMAR




sábado, 28 de fevereiro de 2015

RIO 450...2


DOMINGO, 1° DE MARÇO,
NOSSA QUERIDA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
VAI COMEMORAR 450 ANOS. 


Pintura a aquarela de Elizabeth Dias



Em homenagem à data, ao longo dos próximos dias todos os posts falarão um pouco da visão em 1965, quando comemoramos 400 anos. Vale recordar!

*************  

Em 1965,
 Juarez Galvão Ferreira
(engenheiro, escritor, teatrólogo, musicólogo, historiador do Rio),
redigiu um poema denominado
“Aos Fundadores”,
que vale hoje,
50 anos depois, recordar.


 Aos fundadores 

  Juarez Galvão Ferreira



Canto I - A Missão

São poucos os homens, mas são destemidos!

Perigo não há que lhes dome a vontade!

A missão que traziam, com sonhos crescidos,

Era entrar pela terra e fundar a cidade.

Às vezes alguns demonstravam receio,

Que os filhos da terra jurassem vingança.

Mas logo acudia, co' a voz em gorjeio,

José de Anchieta, ensinando a esperança.

A luz do cruzeiro era um guia luzente,

E então, que importavam Aimberê, Guaxará !

Tocados de fé, aguardavam somente

A voz de comando de Estácio de Sá !



Canto II - Um marco no Cara de Cão

Entraram na barra, do lado do oeste,

Um "graças a deus" se escutou como um brado.

Em março, a primeiro, cumpriram a lei:

Desceram à terra, ignota e agreste,

Fundaram a cidade, em nome do rei !

Roçaram a terra, cortaram madeira.

"pensar em perigos, ninguém é capaz"

Do chefe as palavras fizeram bandeira:

"da instância não haja fazer pé atrás"!

Bem cedo fizeram humilde capela,

Lá junto do morro da "cara de cão".

Deixaram p'rá sempre o povo à tutela

Do santo e do mártir, São Sebastião!



Canto III - O Confronto

Que lutas tiveram! Que fome passaram!

Zuniam dos índios as flechas certeiras,

E tiros se ouviam, de algum arcabuz!

Na terra e no mar assaz pelejavam,

Deixavam à mostra as almas guerreiras,

Ornadas de escudos em forma de cruz !

Dois anos tiveram de lutas cruéis.

Dois anos buscaram a vitória final.

E até as saudades no peito escondiam,

Contanto que ao rei ficassem fiéis.

Por trás da tranqueira de seu arraial,

Guardavam o inimigo,mas não o temiam



Canto IV - Guanabara de sangue

Em meio a esta luta, tão dura e tão má,

Recebem de longe o auxílio almejado:

Chegava a armada em que vem Mem de Sá,

Trazendo o reforço a tanto esperado !

Dois dias depois, a luta começa:

Com dois batalhões, atacam a trincheira

Que tem por comando Birá - u - açu.

Se tinem espadas, as setas sibilam,

De ambas as partes a alma guerreira

Estruge no peito, indômito e nu !

Estrondam pelouros, e aos gritos de guerra

O chão vai ficando de sangue marcado

De tantos heróis ! Que importa, porém,

Se o fim colimado é a posse da terra !

No instante final, com o forte tombado,

Estácio tombara, ferido também !
   
Canto V - O Fundador

Em tosca choupana, Estácio morreu.

Certeira flechada ferira-lhe a face.

Suave perfume, a alguns pareceu

A bênção divina, no seu desenlace.

Ninguém percebera, nas mãos bem guardada,

Do bravo, do heróico, do audaz capitão,

Pequena semente, coberta de louros,

Que junto ao seu corpo seria plantada.

A flor que brotasse teria um pendão:

"fundar a cidade, de exemplo aos vindouros !"

Por todos os séc'los o sonho estará

Presente na alma de um povo presente,

Nascido na flama de audaz combatente,

Regado c' o sangue de Estácio de Sá ! 


Juarez Galvão Ferreira,
nascido em Fortaleza / CE em 14/10/1919, veio para o Rio num “Ita” em 1927, concluiu o ginásio no Colégio São Bento, em 1938, formou-se em Engenharia Civil em 1943, na antiga Escola Nacional de Engenharia (hoje UFRJ). Foi também escritor, musicólogo, discófilo, bibliófilo, teatrólogo. Foi empresário privado, ingressou por concurso no antigo Depto Nacional de Portos (depois Portobrás) e presidiu por 11 anos a Companhia Brasileira de Dragagem. Foi casado com a professora primária Maria Luiza Cordeiro Dias Ferreira, falecida em 06/09/1996. O casal teve apenas um filho, Gil Cordeiro Dias Ferreira, Oficial de Marinha e Administrador.
Juarez faleceu em 20/10/2007, aos 88 anos.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Rio 450...1


O Rio de Janeiro de 1965, no IV Centenário
 




A cidade em 1965 tinha cerca de quatro milhões de habitantes. Hoje, a população já passa dos 6,4 milhões, segundo estimativa de 2014 do IBGE.

Eram 570 praças e largos. Hoje, são 2.020, de acordo com balanço do Instituto Pereira Passos (IPP). Nas ruas, os bondes cediam espaço aos ônibus. Além disso, a cidade se expandiu, principalmente em direção à Zona Oeste, onde Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes se consolidaram como novos bairros da classe média.

O Rio tinha passado pelo trauma de ter perdido o status de capital do país, em 1960. O Rio era então o Estado da Guanabara.

Também houve transformações na maneira de vestir dos cariocas. No Rio de Janeiro de 1965 a moda vai a reboque dos novos papéis da mulher na sociedade, com sua inserção no ensino superior e no mercado de trabalho.

A moda da época é exemplar, ao propor um desnudamento do corpo feminino e um relaxamento da moda masculina, com o uso de cores variadas, estampas, tecidos fluidos, cabelos longos. Chega por fim ao estilo chamado unissex, no qual homens e mulheres se vestiam praticamente de forma igual. No Rio do IV Centenário, as jovens encurtavam as saias cada vez mais nas universidades - as mínis, no entanto, só chegaram com força pouco tempo depois. Foi na mesma época que se tornou comum o uso de calças, em especial os jeans importados.



 

O concurso de Miss Guanabara tinha uma passarela reproduzindo o símbolo do IV Centenário.


Revista Manchete de 3/7/1965


A jovem Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Botafogo - hoje a socialite Maria Raquel de Carvalho  -  foi eleita Miss Guanabara 1965 e, também, a Miss Brasil de 1965.








As praias da Zona Sul, como Copacabana, Ipanema e Arpoador, as boates e os bares da cidade eram alguns espaços privilegiados para a exposição do corpo, para a exibição dos novos modelos de vestimenta que vinham da Europa e dos Estados Unidos. Isso reforçava o cosmopolitismo do Rio, ampliando o seu protagonismo na difusão de tendências comportamentais

A praia preferida da população no IV Centenário era a de Copacabana, com uma avenida Atlântica estreita, sem calçadão central. 


A trilha sonora da época do IV Centenário incluía alguns temas hoje grandes clássicos da bossa nova

e ...

...o Campeão Carioca de Futebol de 1965 foi o Flamengo, com 10 vitórias em 14 jogos.

FLAMENGO CAMPEÃO CARIOCA DE 1965 
 O Timaço,
da esquerda para a direita:

Waldomiro, Ditão, Jaime, Silva, Nelsinho, Neves, Carlinhos, Almir,
Paulo Henrique, Rodrigues e Murilo

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Rio ontem e hoje na imagem


 Da demolição de cortiços à abertura da Avenida Rio Branco. Fotógrafo oficial do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, o alagoano Augusto Malta documentou, a pedido do prefeito Pereira Passos, as transformações da capital no início do século 20. Quase 100 anos depois, o fotógrafo e designer Marcello Cavalcanti, de 34 anos, decidiu juntar o antigo e o novo mesclando a obra de Augusto com fotografias atuais da cidade,

Um interessante trabalho.

Vista do Vidigal contrasta o Leblon inabitado do início do século passado com a Ipanema tomada por edificações de hoje


Vista do Vidigal, na Zona Sul do Rio (Foto: Augusto Malta / Marcello Cavalcanti)


Praia do Leblon atualmente e há 100 anos

Praia do Leblon há 100 anos e atualmente (Foto: Augusto Malta / Marcello Cavalcanti)

Av. Vieira Souto nos dias de hoje e na década de 30
Avenida Vieira Souto, em Ipanema, na década de 30 e nos dias de hoje (Foto: Augusto Malta / Marcello Cavalcanti)

Registro antigo e atual da Cinelândia e Theatro Municipal

Registro antigo e atual da Cinelândia e Theatro Municipal (Foto: Augusto Malta / Marcello Cavalcanti)

Avenida Vieira Souto

Retrato da Lagoa Rodrigo de Freitas nos dias de hoje e antigamente (Foto: Augusto Malta / Marcello Cavalcanti)

Centro do Rio

Registro antigo e atual do Centro do Rio (Foto: Augusto Malta / Marcello Cavalcanti)

Posto 8 de Ipanema fotografado em 2014 e 1928

Posto 8 de Ipanema fotografado em 1929 e em 2014 (Foto: Augusto Malta / Marcello Cavalcanti)

Lapa

Augusto Malta (Foto: Augusto Malta / Marcello Cavalcanti)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

'Casa das Águas', no Rio

Em comemoração aos 450 anos do Rio, um edifício centenário na região da Cruz Vermelha, no Centro do Rio, está sendo restaurado para abrigar o futuro Centro Cultural Casa das Águas.

Detalhe da fechada da Casa das Águas após restauração (Foto: Káthia Mello / G1)

O imóvel, onde já funcionou a sede da antiga Inspeção Geral de Obras Públicas da Capital, entre outros órgãos públicos da União, será o primeiro espaço dedicado a falar, exclusivamente, sobre a água no Brasil.

Água será a grande estrela do espaço. Será possível acompanhar seu ciclo, seus estados e seus usos no Brasil e no mundo, através do tempo. Elementos cenográficos vão representar a história de como a água chega a nossas casas, como ela está distribuída em nosso planeta e quais são os problemas enfrentados pelo homem para que consiga preservar este bem.

O prédio, construído no final do século 19, na Rua Mata Cavalo, hoje Riachuelo, foi adquirido em 1901 pelo Governo da República, por meio do Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas para servir de sede à Inspeção Geral de Obras Públicas da Capital Federal. Anos depois, em 1930, o órgão e o imóvel passaram a pertencer ao Ministério da Educação e Saúde Pública.

Mais tarde, plantas de 1966 a 1968 mostram que o edifício foi cadastrado como Companhia Estadual de águas da Guanabara (Cedag), atual Cedae.

Já em 1992, o prédio passou a integrar o Corredor Cultural da Lapa, com o decreto municipal que determinou o tombamento ou preservação das edificações da região da Cruz Vermelha e adjacências.

Três anos depois, o Arquivo Público do Estado foi transferido do prédio do Tribunal de Contas (TCE) para a Rua do Riachuelo. Porém, devido à falta de manutenção no local, o acervo foi retirado. Finalmente, em 2011, começou a restauração.

No site do centro cultural, o público poderá ter informações sobre visitas guiadas e programas educativos.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

De hoje a 450 dias, o Rio fará 450 anos!

A cidade do Rio de Janeiro vive
a 450 dias de completar 450 anos, no dia 1° de março de 2015.





O RIO QUE MORA NO MAR quer que essa data se torne um marco onde esse número 450 seja a tônica pra essa cidade.

Não seja apenas  motivo de festas e discursos vazios, gastos com cachês e palcos, o velho pão e circo que nunca levou a nada.

450 dias de intensa atividade cultural, de ensino exigente e dedicado, de atendimento de saúde e hospitalar eficientes, de segurança de confiança, sem impunidades e protecionismos.

450 dias de uma real tolerância zero seja com o que for, contra quem for, contra o avanço de sinal, contra a direção irresponsável, contra o estacionamento irregular, contra o barulho e a baderna , contra a sujeira, o lixo;

450 dias de moralização nos jeitinhos, nas construções irregulares, das invasões oportunistas sejam onde forem;

450 dias de respeito à mobilidade urbana, de respeito ao patrimônio da cidade, monumentos e locais;

450 dias de respeito à natureza da cidade, às areias das praias, trilhas e jardins que viram lixeiras em fins de semana e feriados, vítimas do vandalismo e pouco caso dos frequentadores; combate ao lixo despejado impunemente nas encostas, no esgoto, nas lagoas e rios da cidade;

450 dias de incentivo ao que é verdadeiramente nosso.  Despertar para as coisas realmente nossas e não ceder lugar a interesses que só prejudicam a cidade e estão criando um falso perfil do que é carioca.

450 dias de obras realmente necessárias. Chega de obras de fachadas! Que acabem os alagamentos, as inundações, que tiram a mobilidade urbana, dificultam a vida da cidade e destroem vidas e famílias.

450 dias de competência de gestão!

 E isso não precisa muito. Só de amor. 

Amor que olha, que cuida, preserva  que faz não olhar só para o próprio umbigo, mas para o lado.Um amor à cidade que hoje não se cultiva, não se incentiva, porque é piegas. Esse é o verdadeiro, não o que monta palco, o que diz blá-blá-blá.


AMOR AO RIO!