segunda-feira, 31 de março de 2014

31 de março de 1964, há 50 anos no Rio de Janeiro

A revista O CRUZEIRO publicou uma edição especial sobre o dia 31 de março de 1964 na cidade do Rio de Janeiro.

Uma das reportagens descreveu o episódio acontecido no Palácio Guanabara. Eu, criança, à época, morava próximo e lembro de toda essa movimentação. Do tanque passando pela minha rua, rumo ao Palácio, do rádio ligado ouvindo as notícias, da apreensão, da manifestação às janelas.
 


"A batalha do Guanabara


 










Foto de Antônio Rudge





Durante um dia e uma noite, o Palácio da Guanabara e o Governador Carlos Lacerda foram nomes que representaram a resistência democrática na chamada “capital e política” do País. Ninguém pregou ôlho. As horas transcorreram em regime de sentinela bem acordada, até que a vitória se desenhasse no céu do Rio.
Os tanques do Exército estavam no Largo do Machado. No Palácio da Guanabara, o Governador Carlos Lacerda se mantinha em calma e em expectativa. Todo o secretariado presente. Eram 18,30 h do dia 31 de março.
O feriado escolar, depois de estudado, teve sua decretação feita às 23 horas. Cêrca de 300 oficiais das diversas armas se dirigiram para o Guanabara, a fim de solidarizar-se com o Governador.

Meia-noite: sabe-se do movimento de tropas de São Paulo em direção ao Rio de Janeiro. Junto à Igreja, um foguete (antitanque) é montado em longarinas de asa de avião.

Aos 5 minutos chega o Senador Artur Bernardes Filho. O Governador se mantém em vigília e fala com o Jornalista Jules Dubois, de Miami, Estados Unidos, e dá a notícia da adesão do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo. Lacerda sai aos 35 minutos, acompanhado apenas pelo general Mandim, responsável pela segurança de Palácio, e inspeciona, até aos 55 minutos, os arredores.

A uma hora da manhã, começaram a cortar os telefones da linha 25, que serve ao Guanabara, mas continuaram a funcionar três da linha 45,que passaram a ser utilizados pelo Governador. Às 2,45 h, corre em Palácio a notícia de que os fuzileiros navais iriam atacar. A expectativa prossegue até às 5 horas, quando entram mais 30 generais do Exército. Às 6,30h, nova notícia promoveu atitude semelhante, logo relaxada por saber-se que se tratava de um rebate falso.

O dia 1° de abril estava claro. Às 7,55h, o Governador Carlos Lacerda recebe o Manifesto dos Generais, que iria ser lido após o hasteamento da Bandeira Nacional, às 8 horas, através da Rádio Inconfidência, de Minas Gerais.

Às 8,30 h, Juracy Magalhães entra em Palácio e conferencia com Carlos Lacerda.

Às 10,45h, o presidente do Tribunal de Justiça, Dr. Vicente Faria Coelho, chega e conferencia com o Chefe do Executivo. Às 13,15h, entra em Palácio o Sr. Armando Falcão. As notícias se aceleram. Às 16 horas, há o momento de maior emoção para o Governador Carlos Lacerda: tanques do Exército, que se encontravam no Palácio das Laranjeiras, estão agora guarnecendo o Palácio da Guanabara. O Chefe do Executivo carioca, ao ouvir a notícia, chora e exclama:

- Graças a Deus! Deus está conosco!

O carnaval da vitória
Foi uma reação em cadeia. Anunciada a viagem do Presidente a Brasília e a vitória das fôrças revolucionárias, milhares de pessoas saíam às ruas, gritando, pulando, discursando tamém, num verdadeiro carnaval.

Grupos mais exaltados e tomados de fúria incendiaram o prédio da UNE, na Praia do Flamengo, quando os dirigentes comunistas da entidade já haviam desaparecido e abandonado a sua trincheira. Os mesmos grupos depredaram e incendiaram a “Ultima Hora”, na Praça da Bandeira. Isso foi um pouco de vingança e excesso condenável, pois a massa, o povo carioca, queria apenas viver aquelas horas de vitória e não vingar-se daqueles que tinham sido vencidos."


sexta-feira, 28 de março de 2014

Reclames cariocas

Há 60 anos, em 1954, dois anúncios nos ofereciam produtos que não existem mais e muito populares à época, na cidade

A loja BARBOSA FREITAS, que se chamava elegantemente de CASA BARBOSA FREITAS, em Copacabana
e OVOS DE PÁSCOA NEUGEBAUER

O FACILITÁRIO era o nome do crediário da loja. Foi um dos primeiros crediários da cidade.




quarta-feira, 26 de março de 2014

Gazeta do Rio de Janeiro

A Gazeta do Rio de Janeiro  foi o primeiro jornal impresso no Brasil. Foi fundado em 10 de setembro de 1808 e circulava duas vezes por semana na capital carioca.

Até à sua publicação, era terminantemente proibido aos habitantes do Brasil o acesso a publicações.



primeiro número



Feito pela Imprensa Régia, órgão que atualmente publica o Diário Oficial da União, o jornal divulgava basicamente comunicados oficiais e publicações sobre decisões reais.

Até 1812, o informativo era dirigido pelo frei Tibúrcio José da Rocha, substituído depois pelo coronel Manuel Ferreira de Araújo Guimarães e por Francisco Ferreira Goulart. A Gazeta também apresentava – mesmo que de forma superficial e de acordo com os interesses portugueses – notícias sobre a política internacional, obras e textos científicos.

Em 1821, o jornal passou a se chamar apenas Gazeta do Rio e com a Independência do Brasil, em 1822, a publicação foi extinta e substituída pelo jornal Diário Fluminense, criado pelo Imperador D. Pedro I.

 
DUAS CURIOSIDADES:

  • Todo material da Gazeta do Rio de Janeiro passava por censura prévia.
  • Antes de o governo português publicar a Gazeta do Rio de Janeiro, Hipólito José da Costa lançou no Brasil, em 1° de julho de 1808, o jornal Correio Braziliense, que foi impresso em Londres, na Inglaterra e trazido clandestinamente para o país.

domingo, 23 de março de 2014

O Anjo Surfista Carioca

Uma vez por mês, dezenas de devotos fazem peregrinação ao túmulo de um surfista no Cemitério São João Batista, em Botafogo. No jazigo estão os restos mortais de Guido Vidal França Schäffer, médico e seminarista de 34 anos, morto há cinco, quando surfava no mar do Recreio dos Bandeirantes. Fiéis deixam no local placas de mármore em reconhecimento às graças alcançadas. Morador de Copacabana, Guido poderá se tornar o mais novo santo brasileiro.


 
O primeiro passo rumo a sua canonização será dado no dia 12 de maio, quando o delegado episcopal para a Causa dos Santos da Arquidiocese do Rio, Dom Roberto Lopes, irá a Roma para dar entrada no processo de beatificação no Vaticano.

Dezenas de devotos se reúnem para missa todo dia 22 próximo ao túmulo de Guido Schäffer, no Cemitério São João Batista. Corpo será exumado e transferido para uma igreja
Foto:  Fernando Souza / Agência O Dia

A Congregação para as Causas dos Santos terá que conceder o ‘nihil obstat’, uma espécie de nada consta, para que Guido se torne beato. A previsão é que a autorização saia em até seis meses. A partir daí, será instalado no Brasil o Tribunal Arquidiocesano para analisar a santidade na vida do médico, nascido em 1974.
O corpo de Guido será exumado e levado para uma das igrejas que frequentava, na Zona Sul. “É um caso interessante. Ele era médico dos pobres. Tinha forte liderança na evangelização dos jovens e um grande coração”, reconhece Dom Roberto.

O religioso é o responsável por reunir material, como depoimentos, laudos, exames e fotos, que comprovem a existência de um milagre operado por intercessão do médico seminarista.

Inúmeros relatos de cura têm sido atribuídos a Guido, como o de uma criança que se salvou de uma hipotonia severa (fraqueza muscular que leva à perda de movimento das pernas e braços), e o de uma freira que se curou de diabetes.

O pai Guido Schäffer, 77 anos, diz que o filho intercedeu por ele em cirurgia. Maria Nazareth, a mãe, se emociona ao falar de sua vocação
Foto:  Fernando Souza / Agência O Dia

Um dos casos mais impressionantes é o da bacharel em Direito Márcia Sacramento, 43 anos, que chegou a trabalhar com Guido, no serviço voluntário na Santa Casa de Misericórdia do Rio. Ela conta que logo após a morte do amigo, se casou e foi viver na Alemanha. Dois meses depois, durante uma viagem a um mosteiro na Itália, diz ter tido uma visão do seminarista. “Eu o enxerguei vindo na minha direção. Depois ele sumiu e uma criança me perguntei se eu estava esperando um bebezinho. Nem sabia, mas já estava grávida”, se emociona. A gravidez não foi fácil. Com uma gestação de risco devido a sangramentos frequentes, Márcia apelou a Guido. Na mesma noite, os sangramentos cessaram. “Para mim foi um milagre”, acredita Márcia, que deu ao filho o nome de Guido.
O pai, o médico Guido Schäffer, 77 anos, também diz ter sentido a mão do filho na mesa de cirurgia. “Fui operado da coluna. Sentia dores terríveis. Nenhum remédio fazia efeito, e eu já não conseguia levantar da cama. Meu médico alertou minha esposa que eu poderia não sair vivo do hospital. Mas não só me recuperei, como nunca mais tive crises”.

São Francisco carioca para os devotos
A vocação de Guido foi percebida por sua mãe, Maria Nazareth, 65 anos, ainda na infância. “Com 6 anos, eu o encontrei chorando no quarto. Disse que havia visto Jesus, e Ele havia lhe dito para obedecer os pais e prestar atenção no que o padre dizia porque um dia iria cuidar dos outros”, diz, emocionada.

Para ela, a santidade do filho se manifestava no amor aos pobres. “Guido dava tudo o que tinha. Voltava para casa descalço e sem casaco se alguém estivesse com frio”, lembra Maria. Segundo ela, os mais gratos eram moradores de rua. “Eles diziam que as pessoas davam comida, mas só o Guido sentava do lado e os ouvia”, conta a mãe.

Márcia atribui a Guido a graça de ter sido mãe. No túmulo, fiéis colocam placas de agradecimento. Ele morreu afogado surfando há cinco anos
Foto:  Bruno de Lima / Agência O Dia / Reprodução

Dom Roberto Lopes também acredita na sua santidade. “Guido era um homem do século 20 e, ao mesmo tempo, um São Francisco carioca, que serve de modelo para a Igreja e para a juventude mundial”, ressalta.
Apesar do pouco tempo desde sua morte, a fama de santo do seminarista já correu o mundo. “Já enviei santinhos dele para Filipinas, França, Peru e África do Sul”, enumera a mãe. Por mês, mais de 1 mil pessoas visitam o site (guidoschaffer.com.br). Em maio, será lançado um documentário sobre sua vida, baseado no livro ‘O Anjo Surfista’ .


reprodução - Jornal O DIA/Maria Luisa Barros

sexta-feira, 21 de março de 2014

Licania tomentosa

Você conhece a Licania tomentosa?


Com certeza, sim.  Já passou por ela dezenas de vezes, e nela se refrescou.

Nada mais é do que um oitis.

Resultado de imagem para oitis licania tomentosa


Foi Pereira Passos que plantou os oitis da cidade e eles são grandes personagens da grande reforma de Pereira Passos. 
Copa cheia, alta, sombra o ano todo; raizes profundas que não quebram calçadas. E ainda com tronco reto e copa certinha, o oitis é a árvore com cara de árvore.

A cidade do Rio de Janeiro era uma antes dos oitis. Fotos através dos tempos mostram que belo paisagismo os oitis deram à paisagem carioca.

Veja um exemplo  da Cinelândia em frente à Biblioteca Nacional antes dos oitis e depois.
Belo! Outro desenho.






Os oitis se espalham por toda a cidade, especialmente pelo Centro e Zona Sul.

Infelizmente nos anos 1970, fizeram um plantio desmedido de amendoeiras, árvores inadequadas para a cidade, para o clima, e tiraram algum espaço dos oitis, que poderiam ter sido mais plantados.

Os oitis dão nome a uma rua no bairro da Gávea: Rua dos Oitis. 

Rua de gabarito limitado de onde se pode observar o desenho do Maciço da Tijuca, e que tem a curiosidade do Cristo Redentor dar as suas costas à Rua dos Oitis, o que não o deixa menos bonito, o contorno do Corcovado, por sua vez, fica bem mais em evidência do que na orla da Baía de Guanabara.



Por todo o bairro de Copacabana tem muito oitis.

Vejam o belo "mar" verde de oitis da Rua Santa Clara. Segue até o mar.



Também moro numa outra rua só de oitis. Seus galhos estão em frente às minhas janelas, sua sombra é um deleite no calor, além de sua beleza ao longo da rua.