quarta-feira, 6 de março de 2013

Histórias de mulheres na cidade do Rio de Janeiro


No final da década de 1910, alguma senhoras das sociedades carioca, entre elas a Baronesa do Bonfim, Maria José Vilas Boas de Siqueira Mesquita, a filha Jerônima Mesquita  e sua amiga, a enfermeira Stella Guerra Duval, formaram o grupo denominado Damas da Cruz Verde.

 Jerônima

 Stella

Inicialmente prestaram auxílio no combate à gripe espanhola, que em 1918 assolava as cidades portuárias do Brasil. Dessa experiência nasceu o projeto de fundar a maternidade Pró-Matre, no Rio de Janeiro.

A primeira reunião do grupo aconteceu no dia 1º de abril de 1918 -  há quase 95 anos - e contou com a presença de Laurinda Santos Lobo, Jenny Monteiro Amaral, Helena Figueiredo Araújo, Jerônima Mesquita, Ernestina Passos Bulhões de Carvalho, Nair de Azevedo Teixeira, Maria Engrássia Celso Carneiro de Mendonça e Lo Landbery , além do professor Fernando Magalhães, ginecologista e obstetra, e de Fernando Guerra Duval, marido de Stella,que conduziu o encontro. Decidiram pela implantação de programas de proteção à mulher pobre e à infância carente. 

Como primeiro passo, foram buscar o apoio do Presidente Wenceslau Brás, ao qual solicitaram um casarão na avenida Venezuela para instalarem a entidade.

A maternidade foi inaugurada em 9 de fevereiro de1919, com duas enfermarias, uma de obstetrícia e outra de ginecologia, num total de 40 leitos. O ambulatório para atendimento às gestantes alcançou rapidamente a média semanal de 162 consultas. Criaram ainda, logo a seguir, uma creche com capacidade para abrigar 20 crianças. Em poucos anos ampliaram os postos de atendimento, bem como os serviços de assistência à população feminina e a infância. 

As iniciativas desenvolvidas pelas Damas da Cruz Verde ganharam maior amplitude política com o surgimento da FBPF Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, em 1922. A maior parte desse influente grupo ajudou a fundar essa organização, que incorporou as reivindicações assistenciais a seu programa político.

As militantes mantinham sempre um espaço para debates sobre a proteção à maternidade e à infância, tanto nos congressos que realizavam, quanto em suas ações públicas em defesa dos direitos da mulher.


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