terça-feira, 14 de abril de 2009

Vai um cafezinho aí?

Presente em muitos momentos, ele se mistura, se destaca, inspira, dá o tom.
É quase um amigo inseparável.
Do que estou falando? Do café.
Nesse DIA MUNDIAL DO CAFÉ, vale o passeio pelo universo desse autêntico carioca.
Que tal um capuccino, ou um expresso, ou ainda uma média - como diria Noel Rosa, " que não seja requentada" ? Assim é o café. Vários sabores para variados paladares e exigências, feito com coador de pano, papel descartável ou em máquina.
O hábito de tomar café foi desenvolvido na cultura árabe, onde inclusive, em 1475, foi até promulgada uma lei permitindo à mulher pedir o divórcio, se o marido fosse incapaz de lhe prover uma quantidade diária dessa bebida.
Tão em moda por terras cariocas, as cafeterias surgiram em Meca, onde as primeiras tornaram-se famosas pelo luxo e encontros entre comerciantes e discussão de negócios.
"...Se foi através do Maranhão que o café entrou no Brasil,
foi a partir de sua chegada ao Rio de Janeiro
que a sua grande saga começou e se consolidou."
( "O Café na História, no Folclore e nas Belas Artes", de Basílio de Magalhães )
Hoje, onde se encontra o centro da cidade do Rio de Janeiro e locais como o Pão de Açúcar e o Corcovado foram áreas iniciais de plantio de café. A primeira estrada de ferro foi construída, ligando a serra até a estação de Campo de Santana, e mais tarde, os trilhos da ferrovia chegaram à beira dos trapiches da Saúde, através de um túnel cavado sob o Morro do Pinto, onde havia um intenso movimento portuário na Prainha,como se chamava o local onde ficava o porto do Rio de Janeiro. Aliás, ele foi durante décadas o principal porto de escoamento da produção brasileira de café. Sua importância cresceu em meados do século XIX com a "rápida expansão do comércio do café, oriundo das alturas do maciço da Tijuca ou dos portos do recôncavo".
De sabor a fonte de inspiração cultural, encontramos o café na pintura, na música, na literatura.
Desde o clássico erudito de Mozart - Cantata do Café - ao clássico popular de Roberto Carlos - Café da Manhã - , passando pelo óleo de Portinari, de 1935, o café até já afirmou sua importância como personagem.
Vejamos a passsagem de Dom Casmurro, do grande Machado de Assis:
"Se eu não olhasse para Ezequiel, é provável
que não estivesse aqui escrevendo este livro,
porque o meu primeiro ímpeto foi correr ao café e bebê-lo.
Cheguei a pegar na xícara, mas o pequeno beijava-me a mão,
como de costume, e a vista dele, como o gesto,
deu-me outro impulso que me custa dizer aqui;
mas vá lá, diga-se tudo. Chamem-me embora assassino;
não serei eu que os desdiga ou contradiga;
o meu segundo impulso foi criminoso.
Inclinei-me e perguntei a Ezequiel se já tomara café."
Através do café, Machado delineia as ações de Bentinho, narrador de Dom Casmurro. A partir do instante em que tem certeza da traição de Capitu e de que Ezequiel não é o seu filho, decide, em um primeiro momento, suicidar-se, tomando café envenenado. O segundo impulso de Bentinho, descartada a possibilidade de suicídio, foi o de matar Ezequiel, envenenando-o.
"Dêem-me café; eu quero escrever! ".
Essas foram as últimas palavras do Príncipe dos poetas, o grande carioca Olavo Bilac, antes de falecer,segundo a manchete do jornal A Rua, publicado em 1918.
Tudo isso é o café. Sabor, aroma, companheiro, que relebramos aqui nesse dia a ele dedicado.

3 comentários:

  1. Elizabeth, interessante a história do café. Quando criança, ganhei um livro sobre a vinda do café no Brasil. Não sei se fantasiaram mas contava que Francisco Palheta trouxe uma muda da planta e que durante a longa viagem de navio racionaram a água potável. Ele passou sede mas não deixou de molhar a planta. Em homenagem a ele existia o Café Palheta; uma das lojas no final da Ouvidor com o Largo de S.Francisco e a outra, se não me engano, na Av. Rio Branco, esquina de 7 de Setembro. Abrs. Aristóteles

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  2. O blog Rio que mora no Mar, de minha amiga Beth, em suas Histórias e Curiosidades Cariocas ...leitura sempre se traduz em momentos de raro prazer: "Vai um cafezinho aí?" imperdível!
    Beijos
    Ana Maria.

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  3. Elizabeth,

    A crônica, como sempre, está na altura do homenageado.

    Neste caso, quando bem preparado: uma delícia!

    Um abraço do

    Nando

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