segunda-feira, 13 de abril de 2009

Uma espera de 91 anos que valeu a pena!

Em 1831, Dom Pedro anunciou que abdicava o trono de Imperador do Brasil para seu filho e voltaria a Portugal. Foi a oportunidade que o músico Francisco Manuel da Silva estava esperando para apresentar a sua composição. E com um verso do desembargador Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva, o hino foi cantado pela primeira vez no dia 13 de abril de 1831, na festa de despedida de Dom Pedro I.
Assim, o hino existiu com o nome de "Hino 7 de Abril", data do anúncio da abdicação, por muito tempo. No entanto, a letra de Ovídio Saraiva - considerada ofensiva pelos portugueses, onde foram chamados até de "monstros" - foi esquecida em pouco tempo. E só a música de Francisco Manuel da Silva foi sendo executada em todas as solenidades públicas, a partir de 1837.

Para comemorar a coroação de Dom Pedro II, em 1841, o hino recebeu novos versos, de um autor desconhecido, e por determinação de Dom Pedro II, passou a melodia - sem letra - ser considerada o Hino do Império e ser tocada em solenidades


E o Brasil continuava a ter um hino sem letra.

Após a Proclamação da República, em 1889, o governo provisório resolveu fazer um concurso para escolher um novo hino, com o espírito republicano. A partir de um poema escolhido, de Medeiros e Albuquerque, publicado no jornal Diário do Comércio do Rio de Janeiro em 26 de novembro de 1889 - o do verso "Liberdade, Liberdade, abre as asas sobre nós" - vários maestros se dispuseram a musicá-lo.


Houve julgamento de 29 composições para a letra - em 4 de janeiro de 1890 - e quatro selecionadas. No dia 15 de janeiro, numa audição em homenagem a Deodoro, no Teatro Santana, o marechal jogou uma ducha de água fria na escolha e disse: "Prefiro o velho", se referindo ao hino antigo.

Mas insistiram e cinco dias depois, no Teatro Lírico do Rio de Janeiro, com banda marcial e coro sob a regência do maestro Carlos de Mesquita as músicas finalistas chegavam à audição para escolha final. As 4 composições eram de: Antonio Francisco Braga, Jerônimo de Queirós, Alberto Nepomuceno e Leopoldo Miguez. O mais aplaudido foi o do maestro Leopoldo Miguez, que também foi escolhido pela Comissão Julgadora.


Mas o presidente Deodoro não se deu por vencido e após deixar o camarote oficial, voltou em seguida, quando o ministro do Interior, Aristides Lobo, leu seu decreto que conserva a música de Francisco Manuel da Silva como hino nacional. A orquestra tocou a música e a platéia delirou. O hino, sem letra, continuaria a ser o oficial.

Como prêmio de consolação, a obra de Medeiros e Albuquerque e de Leopoldo Miguez ficou como o Hino da Proclamação da República.


E a letra?

Enfim, em 1909 surgiu o poema de Joaquim Osório Duque Estrada, não oficialmente, e que ainda levaria vários anos e mais 11 modificações para se tornar a letra oficial do hino nacional, só declarada pelo presidente Epitácio Pessoa, no dia 6 de setembro de 1922, na véspera das comemorações do Centenário da Independência . Duque Estrada ganhou 5 contos de réis pela letra e como Francisco Manoel já tinha morrido, em 1865, o maestro Alberto Nepomuceno foi chamado para fazer as adaptações na música.


Finalmente, depois de 91 anos, o Hino Nacional estava pronto!

A letra do Hino Nacional compõe-se de duas partes, cada uma com vinte e cinco versos, assim distribuídos: doze decassílabos, sete tetrassílabos, dois heptassílabos, dois hendecassílabos e dois trissílabos.
Outra curiosidade é a dos substantivos, adjetivos e verbos relacionados a brilho e luz: sol, raios, Cruzeiro, luz, florão, sol; fúlgidos, vívido, límpido, esplêndido, iluminado, estrelado; brilhou, resplandece, fulguras.

Dia 13 de abril, DIA DO HINO NACIONAL BRASILEIRO.

Belo hino. Ouçamos e cantemos sempre!


Um comentário:

  1. Beth, o Rio que mora no mar antecipou a notícia sobre o Hino Nacional divulgada no Jornal Nacional às 20h 30min.
    Um beijo
    Ana Maria.

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