domingo, 30 de novembro de 2008

Hoje, aniversário de Affonso Penna


Sua atividade febril e incansável no exercício da Presidência da República e sua baixa estatura física, registradas pelos cronistas e caricaturistas daquela época, lhe valeram a alcunha de “Presidente Tico-Tico”.

Nesta data de seu aniversário, destaque para a palavra de várias personalidades a respeito de Affonso Penna.
Seu filho, o jurista, Ministro da Justiça (no governo Artur Bernardes), membro da Academia Brasileira de Letras – Affonso Penna Junior - então catedrático de Direito Civil na Faculdade de Direito de Minas Gerais, em seu discurso de paraninfo da turma graduada em 1920, assim se referiu ao Conselheiro Affonso Penna:

“ Daquele a quem a bondade de seus pares tem conferido as honras de fundador desta Casa, daquele cujo nome sem mancha eu tenho a difícil honra de trazer sem deslustre, ouvi, muitas vezes, que mais tivera em vista, nesta fundação, a formação ética do jurista que a sua ilustração ou cultura técnica.”
O Barão do Rio Branco, em sessão de 30/06/1909 do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro:
“todos os que o conhecemos de perto, amigos e colaboradores que ele escolhera para a tarefa de bem encaminhar o futuro nacional, todos fomos tocados por esse entusiasmo vivaz, por esse nobre e generoso alento juvenil, como a própria esperança. .. O Brasil inteiro que igualmente o acompanhou nessa empresa faz-lhe a justiça de acreditar na pureza de suas intenções, via nele um verdadeiro estadista desejoso de assegurar-nos a paz de que tanto precisamos e precisam todos os povos.”
O renomado jurista Professor Alfredo Valladão em conferência realizada em 25/12/1947 no Instituto dos Advogados Brasileiros :
“ é que Affonso Penna acompanhava bem de perto, com todo nobre interesse, a vida cultural de seus coestaduanos, principalmente das gerações novas, e, nas posições a que atingiu, sabia galardoá-los como lhe parecesse de justiça, ia-lhes ao encontro, não esperava pedidos, nem galardoava por pedidos: esta foi a norma constante de sua vida nobilíssima, no cenário de Minas Gerais e no cenário do Brasil.” Mais adiante disse: “o amor à cultura, ao direito e à justiça, iluminado ainda pela fé e pelo patriotismo, constituiu a nota dominante da vida gloriosa de Affonso Augusto Moreira Penna”.
O Ministro Augusto Tavares de Lyra, em entrevista publicada pelo “Jornal do Brasil” em 16/06/1957, mencionou:
“uma longa experiência da administração, um trato semi-secular com todas as questões brasileiras fazia de Affonso Penna um Presidente que descia aos detalhes no exame dos problemas com seus ministros. Tudo sabia, tudo queria saber.”
Gilberto Freire, em seu livro Ordem e Progresso, refere-se ao depoimento do Ministro Plenipotenciário francês Charles Wiener sobre o Presidente Affonso Penna:
“... De Affonso Penna escreveu um seu admirador europeu, o ministro plenipotenciário francês Charles Wiener, à página 201 de um interessante livro de impressões do Brasil aparecido em Paris em 1907, que era “de petite taille, mince et pâle”. O que não impedia fosse o ilustre mineiro, pela voz suave e pela palavra “gracieuse, souvent spirituelle”, um homem encantador. Homem encantador, mas “amarelinho” miúdo e franzino. Um dos vários pequenotes e pálidos da época de Santos Dumont e de Rui Barbosa, de Severino Vieira e Coelho Neto.”
O editor, poeta e escritor Augusto Frederico Schmidt, em sua coluna no jornal “O Globo” de 30/06/1959, ano do cinqüentenário da morte do Presidente Affonso Penna, escreveu:
“nasci quando Affonso Penna era o Presidente da República. Minha avó dizia-me – quando nasceste, o nosso Presidente era um homem bom, digno e simples, parecido com os melhores homens que conhecemos na monarquia. Muito ouvi falar da moderação, da compostura e da doçura de Affonso Penna. Essa doçura não excluía uma boa dose de malícia, a malícia peculiar do mineiro daquele tempo. O Conselheiro não era homem de confissões, de queixas públicas, antes recatado, sóbrio, guardador de suas histórias, sereno diante da opinião pública. O cinqüentenário da morte do bom Presidente Penna me emociona.”
Josué Montello , proeminente membro da Academia Brasileira de Letras, em seu artigo – “A Lição Mineira de Affonso Penna” - publicado pelo “Jornal do Brasil” em 12/08/1986, disse:

“ creio que a leitura do livro magistral de Américo Jacobina Lacombe – Affonso Penna e sua época – pelo Presidente José Sarney, vem a calhar, como uma boa lição mineira, na hora em que a paciência é uma boa rima para competência, na chefia do governo. Competência, Affonso Penna demonstrou que possuía. E paciência, também.”
Por ocasião das comemorações, em 2006, do centenário da eleição e posse de Affonso Penna na suprema magistratura da Nação, o Dr. José Anchieta da Silva, ilustre advogado e ocupante de elevados cargos em renomadas instituições de Minas Gerais, assim se pronunciou:
“é preciso lembrar os vultos de nossa história, tornando-os presentes, para lembrar aos homens públicos do nosso tempo que, com ética e firmeza de propósitos, independentemente de ideologia e credos, é possível atingir o ideal de um novo Estado,um Estado-altruísta, um Estado-ético.”

sábado, 29 de novembro de 2008


A praça é a antiga Praça do Hipódromo Nacional, que mais tarde passou a se chamar praça Castilho França - nome que jamais foi usado pelos tijucanos. Ela recebe o nome em homenagem ao ex-presidente da República, Affonso Penna.
Affonso Augusto Moreira Penna foi abolicionista desde menino. Discutia com o capataz da mineração de ouro do seu pai, sempre pedindo-lhe melhor tratamento aos escravos, aé que obteve a permissão para determinar ao capataz que as escravas após o 6º mês de gravidez, fizessem apenas trabalhos leves, como lavar e cozinhar. Quando jovem, já diplomado, sempre manteve correspondência com Castro Alves, com foco na abolição da escravatura e como Ministro do Império, assinou a Lei dos Sexagenários.
Mais tarde, afastado da política, foi chamado pelo Governo de Minas Gerais para defender o estado numa disputa judicial. Após ganhar a causa, o Presidente do Estado de Minas Gerais – João Pinheiro - perguntou-lhe sobre o valor dos honorários. Affonso Penna respondeu-lhe que jamais cobraria serviços ao seu estado natal, que era seu dever defender Minas Gerais, gratuitamente. Então, o Presidente do estado indagou a outros advogados o valor habitual dos honorários para o serviço prestado por Affonso Penna e enviou-lhe o pagamento. Affonso Penna usou este valor para a compra de um terreno em Belo Horizonte, doando-o para a construção da Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais (antiga Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais, sediada em Ouro Preto), que é denominada "a vetusta casa de Affonso Penna".
Entre outros, exerceu os cargos de: Conselheiro e Ministro de três pastas do Império (Agricultura e Viação, Guerra e Justiça), Deputado Estadual de Minas Gerais, Deputado Geral pelo Partido Liberal, Senador, Presidente do Banco da República (atual Banco do Brasil), Presidente do Estado de Minas Gerais, Presidente do Conselho Deliberativo de Belo Horizonte (cargo correspondente ao de Prefeito).Vice-Presidente e Presidente da República.

Em eleição direta recebeu 288.285 votos para Presidente da República. Antes de tomar posse, fez longa viagem a vários Estados das diversas regiões do país. Seu objetivo era ouvir e observar os problemas de cada Estado, para mais tarde, no exercício do cargo de Presidente, bem discernir as melhores alternativas de soluções.
O espírito de trabalho incansável acompanhou diariamente Affonso Penna no cargo de Presidente da República, como atestam as inúmeras obras efetuadas em somente 2 anos, 6 meses e 29 dias de governo.
Não parou de trabalhar, mesmo acometido de forte pneumonia. O agravamento desta doença, conjugado com desgostos sofridos(falecimento de um irmão querido e do seu filho Álvaro aos 25 anos de idade), levou-o a falecer.

Em seu leito de morte, no Palácio do Catete, Affonso Penna murmurou ao ouvido do ilustre médico Dr.Miguel Couto, a síntese dos valores maiores da sua vida:“DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA E LIBERDADE”.

Mineiro, de Santa Bárbara do Mato Dentro (hoje apenas Santa Bárbara), Affonso Augusto Moreira Penna nasceu no dia 30 de novembro de 1847 e faleceu em 14 de junho de 1909, no Palácio do Catete , hoje sede do Museu da República.
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Agradecimentos a Affonso Augusto Moreira Penna , bisneto de Affonso Penna, pela extensa biografia gentilmente fornecida, da qual reproduzimos alguns trechos neste post e no de amanhã.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

145 anos da 1ª edição


Essas memórias foram escritas, despretenciosamente por Manuel Antônio de Almeida, para saírem em folhetins no famoso CORREIO MERCANTIL. Mal sabia ele a obra-prima que produzira, principalmente quando o romance transformado em brochura - publicado sob o pseudônimo de “ Um Brasileiro” - transformou-se em retumbante encalhe.
Na realidade, não alcançou nenhum êxito por se tratar de algo novo. As pessoas estavam habituadas a ler textos para chorar e não reconheceram a novidade de um romance realista, com uma história que somava lirismo e comicidade e o irreverente registro dos costumes.

Manuel Antônio de Almeida era um carioca da Gamboa, nascido na rua do Propósito - à época, Praia da Gamboa - que se formou em Medicina, tornou-se médico sem clientes e preferiu o caminho do jornalismo e do serviço público.
Foi na função de administrado da Tipografia Nacional, que lhe coube dar a mão a um rapazinho mulato, de nome Joaquim, míope e gago, aprendiz de tipógrafo, que lia muito durante o trabalho.
Anos mais tarde quando faleceu prematuramente em um naufrágio perto de Macaé, no rol de amigos que mandaram celebrar missa pela sua alma, figurava o nome completo daquele Joaquim: Joaquim Maria Machado de Assis.
A primeira edição de MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS, como livro e com o nome do autor na capa saiu há 145 anos, em 1863, pela Typographia do Diário do Rio de Janeiro - situada à Rua do Rosário, 84 - após a morte de Manuel Antônio de Almeida, num dia 28 de novembro, em1861.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Museu Nacional de Belas Artes

Reprodução

Apesar de inaugurado há 70 anos, em 19 de agosto de 1938, a história do Museu Nacional de Belas Artes é bem mais antiga, e remonta à chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro em 1808, já que Dom João VI se fez acompanhar de um conjunto de obras de arte, algumas das quais permaneceram no país e figuram como o núcleo inicial da coleção.
O rei fundou a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, em 1826 a instituição passou a ser chamada de Academia Imperial de Belas Artes e com o advento da República, a academia foi rebatizada como Escola Nacional de Belas Artes, passando a ocupar sua sede atual na antiga Avenida Central, atual Avenida Rio Branco.
O autor do projeto do prédio foi o arquiteto espanhol Adolfo Morales de los Rios, mas durante a construção o desenho seria alterado por Rodolfo Bernardelli, então diretor da escola, e mais tarde Archimedes Memoria também acrescentaria outras mudanças. O resultado é uma construção eclética, com fachadas em diferentes estilos.

  • "A fachada principal na Avenida Rio Branco é inspirada na Renascença francesa, com frontões, colunatas e relevos em terracota representando as grandes civilizações da antigüidade, além de medalhões pintados por Henrique Bernardelli com retratos dos integrantes da Missão Francesa e outros artistas brasileiros. As laterais são mais simples, e fazem referência à Renascença italiana; possuem mosaicos parisienses com figuras de arquitetos, pintores e teóricos da arte, como Vasari, Vitrúvio e Da Vinci. A fachada posterior é um exemplo mais puro e austero do Neoclassicismo, com relevos ornamentais de Edward Cadwell Spruce. Na decoração interna foram usados materiais nobres como mármores e mosaicos, estuques, cristais, cerâmicas francesas e estatuária."
    ( IPHAN)

O edifício foi tombado pelo IPHAN em 24 de maio de 1973 e possui mais de 6000 m² de áreas de exposição, com cerca de 1.700 m² de reservas técnicas.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Mosquitos da dengue...

"... brigadas de mata-mosquitos - agentes sanitários munidos de larvicida e instrumentos apropriados para a eliminação dos focos - passaram a percorrer a cidade, lavando caixas d'água, desinfetando ralos e bueiros, limpando telhados e calhas e eliminando depósitos de larvas do inseto. Folhetos com instruções neste sentido distribuídos à imprensa, à população em geral e aos médicos."

Notícias de hoje? Não. Notícias de cem anos atrás.

Mas no início do século XX, o mosquito transmissor da dengue chegou até mesmo a ser erradicado, graças à atuação do médico e sanitarista Oswaldo Cruz, fundamental no combate à febre amarela, no século XIX, doença também transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Esse foi um dos assuntos prediletos das revistas e semanários da época, sempre com caricaturas de Oswaldo Cruz e das ações implementadas.




Oswaldo Cruz em carta - em 8 de março de 1907 - ao então presidente brasileiro Affonso Penna, diz que "graças à firmeza e vontade do governo, a febre amarela já não mais devasta sob a forma epidêmica a capital da República".

Torcemos que uma nova carta, com esse mesmo teor, nos dias atuais, possa acalmar nossas apreensões.