sexta-feira, 30 de abril de 2010

Miss Guanabara

Ah!... o Miss Guanabara deixou saudades.

Título de miss já foi sinônimo de muito glamour, de audiência de uma Tv que começava.

Quantas disputas comentadas! Quantas capas de revistas! Quantas discussões sobre resultados!

A partir de 1954, quando os concursos se tornaram oficiais, então, começaram os tempos áureos, mas, por esse tempo, o concurso ainda elegia Miss Distrito Federal.

No Rio, a miss era escolhida entre representantes dos clubes e instituições cariocas, ao contrário de outros estados, entre representantes de cidades. E isso esquentava a competição com torcidas. Dessa época lembramos as duas cariocas que se tornaram Miss Brasil com suas presenças marcantes: Adalgisa Colombo, representante do Botafogo de Futebol e Regatas, em 1958, a primeira carioca a ser Miss Brasil - que renunciou durante o reinado por estar de casamento marcado, mas nunca perdeu a coroa - e Vera Regina Ribeiro em 1959, representante do Clube Vila Isabel.

E aí a capital se mudou e veio o Miss Guanabara.

Começou em 1960, com o glamour e a novidade do Rio se transformando em estado e acontecendo com toda a pompa. Antecedia o Miss Brasil . Os estados brasileiros se apresentam... Assim começava a canção das misses. Quem lembra?
A primeira Miss Guanabara foi Gina MacPherson, que acabou também se elegendo Miss Brasil.



Durante os anos 60, quando o Maracanãzinho recebia um público de 30000 espectadores. Era garota e curti muito esse tempo. Foi Miss Guanabara, em 1961, Alda Coutinho , em 1962 Vera Lúcia Saba ,em 1963 Vera Lúcia Maia, em 1964 Vera Lúcia Couto dos Santos , em 1965 Maria Raquel de Andrade, em 1966 Ana Cristina Ridzi, em 1967 Vera Lúcia de Castro, em 1968 Maria da Glória Carvalho e em 1969 Mara de Carvalho Ferro.

O concurso de Miss Guanabara traz, à tona, algumas curiosidades.

A candidata Geórgia Quental foi proibida de se inscrever no primeiro concurso, depois de uma reunião dos dirigentes de todos os clubes. A revista Manchete, da época disse:

...Geórgia é manequim profissional. E o que pode haver de mal nisso? Um manequim sabe desfilar, já foi selecionado por sua beleza e as outras entrariam quase sem chance. De qualquer maneira Geórgia foi ao Maracanãzinho e muita gente lamentou que não entrasse no concurso. Em 1959, Geórgia Quental tinha tentando ser candidata ao título de Miss Distrito Federal, mas Mena Fialha, proprietária da Casa Canadá, para onde Geórgia desfilava, preferiu apoiar Adalgisa Colombo, que também era manequim.
E a saga das Veras ? Outra curiosidade.
Parecia que bastava ter esse nome pra vencer.
Mas essa história... fica pro próximo post.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Carolina... o tempo passou na janela

Esse verso de Chico Buarque, me lembra uma outra artista esquecida da memória carioca: Carolina Cardoso de Menezes. O tempo passou na janela e seu talento, sua arte não são mais falados e escutados.

Compositora e pianista carioca, fez sucesso na Era do Rádio, onde trabalhou nas principais delas, como Tupi, Educadora e Mayrink Veiga. Pianista eclética, gravou gêneros estrangeiros também, inclusive compôs foxes. Intérprete por excelência de Ernesto Nazareth, foi a responsável por introduzir o piano no choro e considerada, por muitos, uma das precursoras do rock no Brasil,
com sua composição Brasil Rock, de 1957.
Carolina Cardoso de Menezes participou da histórica gravação do samba Na Pavuna, de Almirante e Homero Dornelas.
O pesquisador Sérgio Cabral em seu livro No tempo de Almirante conta essa participação:
  • "Almirante, que além de ter criado a letra da segunda parte e as três batidas que se seguem ao coro de "Na Pavuna" (certamente o ‘gimmick’ da música), improvisou durante a gravação, chamando o ritmo com o grito "escola" e introduzindo um breque: "Olá seu Nicoláu, quer mingáu?", ganhando, em troca, uma resposta bem humorada de Carolina Cardoso de Menezes ao piano. Carolina, por sinal, começa tocando a introdução e não tira mais a mão do piano, até o final da gravação".
Garimpando, alguns LPs da carreira de Carolina Cardoso de Menezes e suas belas capas.


Se quiser fazer download deste disco em MP3, clique AQUI.
Clique abaixo e ouça uma das faixas desse LP:
Com que Roupa, de Noel Rosa


Carolina nos deixou no dia 31 de dezembro de 1999, aos 83 anos.
Os mais próximos afirmam que ela faleceu, levando consigo a tristeza de não ter sido convidada para participar do encerramento da minissérie Chiquinha Gonzaga , produzida pela TV Globo, em 1999.










domingo, 25 de abril de 2010

Custodio Mesquita, 100 anos


Esse ano é um ano de muitos centenários na nossa MPB.
Nesse domingo de abril o carioca do bairro de Laranjeiras, Custódio Mesquita, completaria 100 anos.

Compositor de harmonias requintadas fizeram de Custódio Mesquita de Pinheiro um dos grandes nomes dos anos 30 e 40, quase sempre citado como o Tom Jobim de seu tempo. Pianista virtuoso, regente , foi o precursor da moderna música brasileira. Algumas de suas canções têm um clima vanguardista, para a época, antecipando arranjos que somente seriam vistos durante a bossa nova. Teve parceiros musicais notáveis como Mário Lago, Sadi Cabral, Noel Rosa, Paulo Roberto, Orestes Barbosa dentre outros e suas composições foram sucesso nas vozes de Orlando Silva, Aurora Miranda, Carmen Miranda, Mario Reis, Silvio Caldas e tantas outras belas vozes.


Custódio Mesquita entre Aurora e Carmen Miranda,
intérpretes de suas músicas, durante um cruzeiro à Buenos Aires.


Infelizmente Custódio Mesquita está praticamente esquecido. Nenhuma regravação, nenhum lançamento, nenhum show está aí para relembrar as suas melodias, nessa data.

As últimas releituras de suas canções já têm tempo. Em 1974, Gal Costa regravou Saia do caminho, e três anos depois Nana Caymmi e , também, Miúcha e Tom Jobim a regravaram. Maria Bethânia , em 1977, regravou o samba Promessa e em 1983, Cauby Peixoto regravou Mulher.

Pena.

Mas deixamos aqui pequena amostra. Vale clicar e ouvir.







sábado, 24 de abril de 2010

Rio de Janeiro... em tempo eu te amo

Nesses tempos de tanto desrespeito à cidade,
vale citar a bela canção CARIOCA DE ALGEMA,
de Carlos Lyra e Milor Fernandes.

Eu gosto do mundo
que é meu lugar
Gosto mais do Rio
que é de gostar
Rio tanta cor,
Rio tanto mar
Vou morrer um dia,
morrer amando
Amando o Rio
Rima com calor,
rima com luar
Esse Rio lindo cheio de mar
De montanhas verdes, feitiços mil
Rio, mar que explode, reflete a vida
Num céu de anil
Rio, essa cidade igual não tem não
Aumenta as batidas do coração
Rio tão gostoso, assim carnoso
Me faz sentir tão pecaminoso
Sou moço guloso é de viver
Vou viver no Rio até morrer
Rio me provoca como um poema
Me prende e faz mais um carioca
De algema...
Perdoem senhores que não falo a esmo
O valor maior é da vida mesmo
Que vem e me entrosa num Rio assim
O amor de verdade é
que é cidade Maravilhosa...pra mim!

Carioca de Algema dá título ao álbum de Carlos Lyra, de 1994. Vale ouvir!


Como também sou carioca de algema, assino embaixo desse belíssima letra.

Em tempo: a expressão " em tempo eu te amo" no título desse post é de outra linda canção de Carlos Lyra, desse mesmo álbum, e também dedicada à cidade.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dia de São Jorge


O feriado é carioca desde 2001. Desde este ano a cidade pára pra reverenciar seu santo de proteção às suas lutas.
Uma das tradições desse dia é a Cavalgada. A festa acontece há quase 50 anos, em Santa Cruz, desde 1963, após uma epidemia de febre amarela atingir a região, quando devotos do santo prometeram organizar uma grande procissão, todos os anos, caso a epidemia acabasse. Imediatamente os casos cessaram e a população foi salva.

Esse ano, pela primeira vez, o Arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta vai participar da cavalgada, com cerca de 4 mil cavaleiros, que sairá do Largo do Bodegão, no final da tarde, às 17h 30m.

A homenagem ao santo começa sempre cedo, com a alvorada às 5h da manhã, seguida de missa, na tradicional igreja - Igreja de São Gonçalo e São Jorge - da Rua da Alfândega, 382, no Centro, onde, ao longo do dia, imensas filas se estendem pela Avenida Presidente Vargas, para reverenciar o Santo Guerreiro. Às 8h, uma carreata com a imagem de São Jorge sai em direção à Igreja de São Jorge, em Quintino, na Rua Clarimundo de Melo, 769.

Esse ano, às 14h, começará a homenagem ao Santo, em frente à Igreja da Ressurreição, na Rua Francisco Otaviano, e logo após começará a procissão motorizada. Mil motociclistas vão sair em direção à Igreja de São Jorge, no Centro.

Ao lado do Jorge dos altares, também existe o Jorge dos terreiros. São Jorge é o orixá Ogum, deus afro-brasileiro, deus da guerra, que nunca deixa um filho seu sem resposta. A ligação de São Jorge a Ogum é algo puramente brasileiro, com forte influência da cultura africana.

E para reverenciar o Jorge dos terreiros, no bairro carioca de Padre Miguel, na Rua Figueiredo Camargo, acontece a tradicional Festa em Homenagem a São Jorge, organizada pela Federação Brasileira de Umbanda.


Seja qual for a fé , hoje, nesse 23 de abril, se comemora uma grande devoção carioca.


Igreja da Rua da Alfândega, durante a alvorada

Curiosidade:
Em 1850, a então Igreja de São Jorge,

na esquina das ruas Luís de Camões
(à época, rua de São Jorge) e a Gonçalves Ledo,
estava em lamentável estado de conservação, e,
a igreja de São Gonçalo deu acolhida à imagem do Santo.
Daí Igreja de São Gonçalo e São Jorge.