Mostrando postagens com marcador centenários cariocas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador centenários cariocas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Quarta-feira de cinzas...Jacob do Bandolim...100 anos!



O cachê mais ansiado que, rigoroso, às vezes cobrava: um abundante sorvete, de preferência – claro! de coco queimado, milho ou queijo – comprado em doses industriais numa padaria em Jacarepaguá, seu bairro. Doces? De coco, claro! além de ambrosia e papo-de-anjo.

Música ruim, industrializada – passa fora! , dizia.

Esse era Jacob do Bandolim, carioca de Laranjeiras, criado em pensão da Lapa boêmia, que interessou-se pela música muito cedo, começou tocando "de ouvido"  e se tornou um musico estudioso, um incansável pesquisador, um instrumentista próximo a perfeição.


Resultado de imagem para jacob do bandolim

Sua casa em Jacarepaguá, na Rua Comandante Rubens Silva, 62, na Freguesia, a partir do final dos anos 40, passa a ser ponto de encontro de grandes nomes da política, artes e jornalistas célebres para grandes saraus - Saraus de Jacob - que revelaram as noites mais cariocas que esta cidade já conheceu. Por lá passavam Dorival Caymmi, Elizeth Cardoso, Ataulfo Alves, Paulinho da Viola, Hermínio Bello de Carvalho, Canhoto da Paraíba, Maestro Gaya, Darci Villa-Verde, Turíbio Santos, dentre outros.

Em 19 de março de 1967, foi concedida a Jacob, pelo Clube de Jazz e Bossa, a Comenda da Ordem da Bossa. Jacob ao chegar ao Teatro Casa Grande, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para receber a medalha, se espantou ao ver um público de jovens

"... para mim foi uma grande felicidade 
ter sido aplaudido pelos cabeludos"

A obra de Jacob do Bandolim transcendeu em muito os limites da Rádio Ipanema, onde começou em 1937, com o conjunto Jacob e Sua Gente.

Jacob sempre perseguiu a perfeição da execução e a excelência na preservação da nossa música, sem, contudo ser um conservador.


" Hoje, são raras as rodas de choro 
onde não se ouvem as cordas de um bandolim, 
são raros os bandolinistas que não tem em Jacob 
sua referência musical 
e, principalmente, é raro 
o país que teve o privilégio de ter tido...
 um Jacob do Bandolim."


Pra curtir a iguaria preferida que virou canção...




sábado, 30 de dezembro de 2017

A ROSA centenária de Pixinguinha

A valsa Rosa do mestre Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, um primor tanto na versão original, sem letra, quanto na versão mais conhecida com letra de Otávio de Souza foi composta em 1917 e possui algumas curiosidades.

O título original era Evocação. E como manda a regra e a tradição do choro, a música foi composta em três partes. Mais tarde, recebeu letra apenas para primeira e segunda partes e foi gravada e regravada muitas vezes dessa forma.

Rosa e suas três partes

 

Aliás, a letra de Rosa é um capítulo à parte. Rebuscada, parnasiana e lindíssima foi composta pelo improvável Otávio de Souza. Otávio era um mecânico de profissão, morador do Engenho de Dentro e que morreu jovem e nunca compôs nada parecido com Rosa. Um compositor de uma única música, uma obra prima.
Conta a lenda que Otávio se aproximou de Pixinguinha enquanto o Mestre bebia em um bar do subúrbio carioca para falar que havia uma letra que não saía de sua cabeça toda vez que ouvia a valsa. Pixinguinha ouviu e ficou maravilhado.
A gravação clássica é a de  Orlando Silva que foi a responsável pela popularização de Rosa, com erro de concordância e tudo no trecho "sândalos dolente". Rosa era a canção preferida da mãe de Orlando Silva, Dona Balbina. Após sua morte, em 1968, Orlando Silva jamais voltou a cantar a canção pois sempre chorava.




O desafio de regravar  Rosa foi tentado por alguns intérpretes dentre eles Marisa Monte e Caetano Veloso.







domingo, 10 de janeiro de 2016

Clovis Bornay...100 anos


Sinônimo dos desfiles de fantasias no carnaval carioca, Clóvis Bornay nasceu no dia 10 de janeiro de 1916 em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro. 


Já aos 12 anos, venceu um concurso de fantasias no Fluminense Futebol Clube, cujos bailes carnavalescos frequentava com assiduidade, vestido de cossaco.

Já em 1937, ajudou a organizar o primeiro baile à fantasia do Theatro Municipal. O concurso, inspirado nos bailes de máscaras de Veneza, foi vencido por ele, que vestiu uma criação própria inspirada nos trajes dos príncipes hindus.

Entre as décadas de 50 e 70, os bailes e concursos de fantasias eram a grande atração do calendário carnavalesco. Em 11 de fevereiro de 1959, O GLOBO publicou a reportagem “Vibrante animação no baile do Copa”, que trazia uma foto de Bornay vestido com a criação “Demônio dos Olhos Verdes”, não classificada no concurso do Copacabana Palace, mas que obtivera o segundo lugar no baile do Municipal. 


Foi Bornay quem institui o concurso no Clube Monte Líbano e o Baile da Vitória no Sírio e Libanês. Ganhou tantos títulos que passou a desfilar hors-concours a partir da década de 70. Seu grande rival nas passarelas era o costureiro baiano Evandro de Castro Lima.

Museólogo de profissão, trabalhou durante 42 anos no Museu Histórico Nacional, onde chegou a chefe da Divisão Artística e Literária. A partir dos anos de 60, começou também a apresentar suas fantasias nos desfiles das escolas de samba. 

Também foi carnavalesco do Salgueiro (1966), Unidos de Lucas (1967, 1968, 1969), Mocidade Independente (1972 e 1973), Unidos da Tijuca (1973) e da Portela (1969 e 1970), tendo trabalhado em alguns anos para mais de uma escola. E foi com o enredo “Lendas e mistérios da Amazônia” que a Portela sagrou-se campeã em 1970.


Com Elisete Cardosos em desfile memorável na Unidos de Lucas

O abre-alas de “Lendas e mistérios da Amazônia”

Clóvis Bornay foi ainda jurado dos programas de Chacrinha e Silvio Santos, e também chegou a atuar como ator nos filmes ‘Terra em transe” (1967), de Glauber Rocha, e ‘Independência ou morte’ (1972), de Carlos Coimbra. Em 1996, recebeu da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) a Medalha Tiradentes por sua contribuição cultural ao estado. Suas criações foram expostas em várias partes do mundo. Aos 72 anos, foi homenageado com uma exposição na Estação Carioca do metrô, que reunia fantasias, fotos e documentos de toda a sua carreira de folião.

Em 9 de outubro de 2005, o carnavalesco deu entrada no Hospital Souza Aguiar desidratado e com forte infecção intestinal. Logo depois, deve uma parada cardiorrespiratória. Seu cortejo fúnebre foi ao som da marcha “Ó abre-alas”, de Chiquinha Gonzaga, entoada pela Confraria do Garoto. 

Manchete no dia 11 de outubro: 

“Carnaval diz adeus a Clóvis Bornay
com lantejoulas, confete e purpurina.
Velha Guarda da Portela canta no enterro
o samba-enredo de 1970”.

No desfile das escolas de samba de 2015, o carnavalesco foi homenageado pela Unidos da Tijuca com o enredo “Um conto marcado no tempo – o olhar suíço de Clóvis Bornay”

sábado, 3 de outubro de 2015

Mais um centenário carioca

Nesse dia 3 de outubro se celebra o centenário do cantor carioca Orlando Silva.


Por João Máximo
"Ainda é possível discutir se ORLANDO SILVA— nascido no Rio de Janeiro em 3 de outubro de 1915 — foi ou não o maior cantor surgido no Brasil. O jeito de cantar música brasileira mudou muito, sobretudo a partir de um dos seus mais ilustres admiradores: João Gilberto.
Mesmo considerando apenas o antigo jeito de cantar, ainda é discutível se o cantor cujo centenário se comemora terá sido, mesmo, o maior. O que não se discute é que sua voz é a mais arrebatadora das quantas soaram no disco e no rádio dos últimos cem anos.Tal voz — impressionante pela perfeição com que passava por entre os graves e agudos das canções mais difíceis que compunham para ele — encanta qualquer ouvinte sensível ao antigo jeito. Não só a voz nasceu com ele, mas também o estilo. Sem estudar canto, sem seguir os passos de outros e sem ouvir conselhos, Orlando fez-se insuperável na arte do fraseado, da técnica de respiração.Pena que tudo isso tenha durado pouco mais de sete anos. Porque o Orlando que fez história, tornando-se o primeiro ídolo de massa da música e do rádio brasileiros, é o que canta e grava discos de 1935 até pouco depois de 1942.



Em sua história, há lugar para glória e drama (ou até mesmo tragédia). Orlando tem a infância pobre de quase todo menino suburbano da época. Aos três anos, perde o pai (violonista que chegou a tocar com Pixinguinha) e, aos 17, o padrasto. Com a mãe obrigada a sustentar os filhos, ele e os irmãos largam o colégio ainda no primário e vão ganhar a vida — no caso dele, como trocador de ônibus. Antes, sofre grave acidente ao ter o pé esquerdo preso no estribo de um bonde em movimento. Operado, perde três dedos.Cantou desde menino. Aos 19 anos, decidido a se profissionalizar, faz várias tentativas de emprego em rádio. Só o consegue quando, apresentado a Francisco Alves pelo compositor Bororó, impressiona o cantor que, até então, é o mais influente da vida musical carioca. Francisco Alves o ajuda. Em pouco tempo, enquanto se apresenta nas rádios Cajuti e Nacional — de cujo programa inaugural, em 1936, ele participa — Orlando começa a viver na gravadora Victor a fase áurea de sua discografia.Seu primeiro grande sucesso, gravado em 1939, é “Lábios que beijei”, valsa-canção de J. Cascata e Leonel Azevedo. Com ela, conquista o público de todo o país. Ganha do locutor Oduvaldo Cozzi o epíteto com que se consagra: “o cantor das multidões”. E então, ocorre o envolvimento com as drogas. É possível que estas tenham entrado na vida de Orlando quando, recuperando-se de dolorosa cirurgia nos dentes, ele recorreu aos mesmos derivados de morfina que o haviam aliviado quando operou o pé. A decadência do homem começa aí. A do cantor, um tempo depois. 
“COM UMA LÁGRIMA NA VOZ” 
A popularidade e o dinheiro abrem portas para o ídolo. Passa a conviver com os famosos do rádio, a conquistar o público feminino. Zezé Fonseca, a bela e culta cantora e atriz da Nacional, vive com ele um caso turbulento. Zezé é ciumenta e os dois brigam muito. Seu convívio com ele dá-se durante o problema com as drogas. Embora ela própria, no fim da vida (morreu em 1962), também estivesse entregue à bebida, sua única relação com o vício de Orlando, segundo amigos dos dois, são as inúteis tentativas de recuperá-lo.As drogas acabam levando Orlando a um estado de degradação cujo momento mais cruel bem pode ser o testemunhado pelo compositor Roberto Martins: ajoelhado aos pés de um dos irmãos Meira, pioneiros do tráfico no Rio, o cantor suplica por uma dose, enquanto o bandido, às gargalhadas, pergunta: “Cadê o cantor das multidões?”Com isso, os discos que Orlando Silva grava nesse período são de fato os seus melhores. A quase totalidade das canções de seu repertório (sambas, valsas, foxes, marchas carnavalescas) tem o mesmo acento triste. São letras de fossa, pessimistas, sobre amores frustrados, que Orlando torna ainda mais sentidas. Daí outro de seus cognomes: “o cantor com uma lágrima na voz”.É a única restrição que alguns podem fazer ao seu estilo, mesmo sabendo que seresteiros lacrimosos eram comuns na época. É que a exacerbação das lamentações acaba fazendo com que os letristas exagerem somente para ter seus versos gravados por ele. A tal ponto de um desses letristas, o nada pessimista Pedro Caetano, escrever, para valsa de Claudionor Cruz a letra de “Caprichos do destino”, responsável pelo boato sobre seu suicídio. Um dos versos: “Eu quero fugir ao suplício a que estou condenado”. Outro: “Sou um covarde, bem sei que o direito é levar a cruz até o fim/Mas não posso, é pesada demais para mim”.
São muitas as letras feitas nesse tom para Orlando.Após os discos na Victor, gravando na Odeon, na Copacabana, na mesma Victor em 1959 e em outros selos, raramente Orlando será o mesmo de antes. Vai perdendo a voz, castigada por um timbre rouco que lhe torna tudo mais difícil, até as lágrimas. Não há como saber até que ponto as drogas e a bebida lhe afetaram a voz. O certo é que, mesmo num momento melhor para o homem, casado e sossegado, o cantor das multidões deixa de existir. 
FILME, EXPOSIÇÃO E SHOWS 
Orlando morreu no Rio em 7 de agosto de 1978. Aos 62 anos, aparentava mais. Já deixara de cantar. Houve certo interesse por ele (mais curiosidade do que interesse) quando João Gilberto declarou sua admiração e gravou sambas de seu repertório. Caetano Veloso, em “Onde andarás?”, e Paulinho da Viola, em “Brancas e pretas”, prestam tributos ao seu estilo. E só. A antológica caixa de CDs que José Milton produziu para BMG, reunindo os melhores momentos na Victor, está fora de catálogo."

sábado, 27 de junho de 2015

Muitos centenários...

Esse ano de 2015 é ano de comemoração de centenários de muitas personalidades da nossa história.


Alceu Penna,
Garoto,
Zé Trindade,
Abel Ferreira,
Guilherme Figueiredo,
Antônio Houaiss,
Orlando Silva e
Grande Otelo.

O RIO QUE MORA NO MAR  já falou por aqui de Garoto, Alceu Penna, Grande Otelo e, hoje,  registra homenagem com outros dois desses centenários.

O carioca Orlando Silva
acompanhado do conjunto
do mineiro Abel Ferreira.




quarta-feira, 20 de maio de 2015

Centenário do grande GAROTO!

No próximo  mês de junho, Garoto - Aníbal Augusto Sardinha -  completaria 100 anos!

Músico de primeira linha da nossa MPB, foi um dos maiores violonistas brasileiros de todos os tempos, sendo influência para músicos do calibre de Carlos Lyra, João Gilberto, Raphael Rabello.

Pra embalar essa recordação e dar vivas a Garoto, duas lindas composições:
DUAS CONTAS e GENTE HUMILDE - esta em parceria com Chico Buarque e Vinícius de Moraes.

Tudo na maravilhosa interpretação do Quarteto em Cy. 



sábado, 19 de outubro de 2013

Vinicius de Moraes, 100 anos, mais curiosidades

Nas últimas semanas, a reportagem da ÉPOCA vasculhou seu acervo pessoal e localizou dez letras inéditas de canções de Vinícius de Moraes.

 São músicas em parceria com Tom Jobim, Carlos Lyra, Baden Powell e Toquinho. Também surge do baú a revelação de uma parceria surpreendente: Vinícius com João Gilberto. É um encontro raro, até hoje desconhecido, de dois expoentes da Bossa Nova.

As letras estavam no arquivo de Vinícius na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro.



 Depois de compor “Goste de mim”, Vinícius e Carlos Lyra consideraram que a música não cabia em seus repertórios. “Saudade de lá”, também dos dois, foi escrita para a peça Pobre menina rica, de 1959. Acabou engavetada, porque o espetáculo ficou longo demais.

Outra canção, “Desafio”, em parceria com Baden Powell, não veio à luz por desavença entre os parceiros.

As músicas encontradas trazem versos à altura do talento e da criatividade de Vinícius. É o caso de versos melodiosos, como o samba vai sair com suas cores, seus enredos, seus amores, seus pastores mais gentis (de “Desafio”).

Ou do jogo de palavras terra seca mais danada, não dá nada, dá saudade (de “Saudade de lá”).

O resgate das músicas pode gerar, quem sabe, um álbum de inéditas .Carlos Lyra e Francis Hime, pretendem musicar as letras de “Amando demais” e “Tema do Francis”, cuja melodia se perdeu.

As letras de duas canções inéditas de João Gilberto feitas em parceria com Vinícius estavam datilografadas e continham algumas rasuras, com a caligrafia de Vinícius. Falam de amor, flor e dor, como era comum nos primórdios da Bossa Nova.Como não havia partitura, não é possível avaliar a qualidade das canções. João Gilberto, que vive recluso em seu apartamento no Rio, confirmou a parceria, mas não deu detalhes.

A dupla de João Gilberto com Vinícius é ainda mais surpreendente pela distância das duas personalidades.
 
João Gilberto, pouco afeito ao convívio, é o oposto de Vinícius, sujeito gregário que escolhia suas parcerias pela amizade. 

Os dois chegaram até a se estranhar na década de 1960.

Um primeiro atrito aconteceu por causa de amortecedores de automóvel. Em janeiro de 1963, Vinícius escreveu a Tom: “João passou por aqui e fez uma de suas gilbertadas: não me telefonou nem procurou. Não sei se por que esqueceu (ou gastou o dinheiro) (...) que eu lhe mandara para me conseguir dois amortecedores dianteiros para o Mercedes”. Em dezembro daquele ano, Vinícius tomou um bolo de João Gilberto na Itália. Ele estava de passagem por Roma, João Gilberto estava em Paris. Conversaram ao telefone. João Gilberto disse que precisava muito encontrá-lo. Vinícius passou uma semana num hotel com diárias caras para esperá-lo. João Gilberto não apareceu.

A dupla Tom e Vinícius, a mais famosa da música brasileira produziu perto de 60 canções. Como tudo em que puseram a mão virou ouro, não ficou praticamente nada na gaveta. As duas letras encontradas agora são uma surpresa até para seus herdeiros.

A parceria com Carlos Lyra deixou pelo menos duas músicas inéditas. Uma delas, “Goste de mim”, tem ritmo de Bossa Nova e foi criada naquele início da década de 1960. Nenhum dos dois parceiros gravou. “Há música que não tem carreira. A gente espera que alguém se interesse, que alguém grave, mas não acontece”, diz Lyra. A segunda canção é um xote com título “Saudade que dá”, composta para a peça musical Pobre menina rica, escrita em 1962.

A última parceria de Vinícius, com o músico Toquinho, foi a que rendeu uma produção mais extensa. A dupla compôs 85 músicas, gravou cerca de 30 discos e fez mais de 1.000 shows no Brasil e no exterior. Foi a fase mais popular de Vinícius.  A música inédita da dupla foi uma das únicas canções da dupla, que foi censurada. Ela seria o tema de abertura da novela O Bem-Amado, de Dias Gomes, a primeira em cores da televisão brasileira.

Curta alguma letras perdidas

"Veleiro vai"Edu Lobo e Vinícius de Moraes

Vaga, meu veleiro inocente
Tua vela contente, vento sul
Vai indo, vai veleiro!
Vai , tua vela vai longe
Tua vela vai lindo neste azul...
Ruma para a ilha perdida
Uma ilha esquecida, vida
Vida e amor...
Venho de uma terra tão triste
Onde o amor não existe
Sem adeus...
Tenho, meu veloz veleirinho
Que encontrei meu caminho
De esperança
Lança a âncora agora
Teu amor não demora
Ah, que saudade! Ah, que tristeza!
Lança âncora agora
Meu veleiro da aurora...


(Petrópolis, 17 de março de 1966)

CURIOSIDADE:
Posteriormente, Lobo acabou passando a melodia, de sua autoria, para Torquato Neto, e surgiu, então, "Veleiro". 

"Menininho triste"
Tom Jobim e Vinícius de Moraes
Menininho triste
Espiando na janela
O rostinho triste
Colado na vidraça
A gente que passa
Nem sabe que existe
Um menininho triste
Cheio de saudade.

Saudade de alguém
Alguém que nunca vem
Alguém que não vem mais...

Você não se importe
menininho triste
O amor é mais forte
Que a sua tristeza
Há uma menininha
Que é uma beleza
E sempre que passa
Olha pra você

E um dia vai chegar
E ser só de você
E nunca mais partir...

dá/mas não – dá



"O primeiro amor"
João Gilberto e Vinícius de Moraes
Onde está
O meu primeiro amor
E a canção que eu fiz
A canção...
Estará
Nos versos que não diz
O meu coração

Onde estará a flor
Que eu dei ao meu primeiro amor?

Se morreu
Ai não morreu em vão
Porque reviveu
Na canção que eu fiz
Na canção feliz
Que nasceu.




quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Vinícius de Moraes 100 anos! VIVA!


 
Onde anda você...?


É verso da sua bela canção...

...que agora inspira o blog pra encontrar, nos dias atuais, o poetinha carioca.
Encontrar na sua música, nos seus versos, textos, sorrisos, shows gravados.Tanto material que nos traz de volta seu jeitinho, sua vidinha, plagiando os diminutivos tão presentes na sua fala.

Certa vez, dele disse Carlos Drummond de Andrade:
"Vinicius é o único poeta brasileiro
que ousou viver sob o signo da paixão.
Quer dizer, da poesia em estado natural.
Eu queria ter sido Vinicius de Moraes". 

Otto Lara Resende assim o definiu:
"Manuel Bandeira viveu e morreu
com as raízes enterradas no Recife.
João Cabral continua ligado à cana de açúcar.
Drummond nunca deixou de ser mineiro. 
Vinicius é um poeta em paz com a sua cidade, o Rio.
É o único poeta carioca.
 

Mas Vinicius dizia, de si mesmo, nada mais ser que

"um labirinto em busca de uma saída."

Por falar em saudade...

Quero nessa semana de seu centenário recordar, e homenagear, o grande Vinícius, listando vários posts, aqui do blog, que passeiam pela sua obra e vida.

Clique e saboreie!

Vinicius 95 anos, parte1

Vinicius 95 anos, parte2

Vinicius 95 anos, parte 3

Vinicius 95 anos, parte 4

Vinicius 95 anos, parte 5

Vinicius, trinta anos sem o poetinha

Vinicius e a garota de Ipanema

Vinicius e o Orfeu Negro

Ernesto Nazareth e Vinicius de Moraes

Vinicius, o filme

"...cada volta tua há de apagar
o que esta ausência tua me causou..."
 
VIVA DIA 19 DE OUTUBRO, CENTENÁRIO DE VINÍCIUS DE MORAES!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Wilson Batista, um centenário no samba!

No mês de julho, de tantos acontecimentos, acabou esquecido o centenário de Wilson Batista.

Mas celebramos, aqui e agora!



Nasceu em Campos, mas a partir dos 7 anos veio viver no Rio. Boêmio, foi frequentador dos bares da Lapa e da praça Tiradentes. Começou lá pelos 16 anos com o primeiro samba, Na estrada da vida, lançado por Aracy Cortes, no Teatro Recreio e gravado em 1933. Mas sua primeira parceria foi com  Sinhô , no samba de breque Mil e Uma Trapalhadas, cuja gravação aconteceu apenas na década de 60, com Moreira da Silva.

Mas  foi a  famosa polêmica com Noel Rosa, que o marcou sua trajetória musical, onde foi considerado o vilão.

Foi seu samba Lenço no pescoço, gravado em 1933 por Sílvio Caldas, que deu início a uma  maratona inteligente de sambas. Noel Rosa  respondeu no mesmo ano com Rapaz folgado, contestando a identificação com o malandro. Sua réplica veio  com Mocinho da Vila.

Fora do contexto da polêmica, Noel Rosa e Vadico compõem o Feitiço da Vila. Aí, no Programa Casé Noel improvisa (sem gravar) duas novas estrofes para o Feitiço da Vila e, em cima dos novos versos, Wilson compõe Conversa fiada, ao qual Noel contrapôs, em 1935, o samba Palpite Infeliz.

O embate, então, termina com dois sambas seus, Frankenstein da Vila e Terra de Cego.  

Uma curiosidade: 
Terra de Cego deu origem a uma parceria entre...Wilson e Noel !
A música Deixa de ser Convencida, com letra de Noel sobre a melodia composta por Wilson Batista,  pôs fim à polêmica e tornaram-se amigos.

As músicas dessa polêmica foram reunidas, em 1956, num LP - Polêmica - de dez polegadas da Odeon, cantadas por Roberto Paiva e Francisco Egídio.

Ouça, abaixo, o álbum completo.




Com parceiros como Ataulfo Alves, Nássara, Haroldo Lobo, Marino Pinto e tantos outros, Wilson Batista encheu nosso cancioneiro de grandes sambas e marchas, uma obra volumosa com cerca de 600 canções.

Considerado por Paulinho da Viola, como “o maior sambista brasileiro de todos os tempos” , fica nossa homenagem ao " maestro caixa de fósforos" , Wilson Batista.



domingo, 20 de novembro de 2011

MARIO LAGO, 100 anos

Nascido no bairro da Lapa, no Centro do Rio,à  Rua do Resende, nº 150, Mario Lago completaria 100 anos no próximo dia 26 de novembro.

Da Lapa disse certa vez

"A Lapa foi o chão de todos os meus passos. Na busca de caminhos e no encontro de atalhos que descaminham, na primeira ânsia e no último nojo, no último desencanto e na primeira afirmação. "

Ator, compositor, radialista, escritor, poeta, autor teatral, militante sindical e político, Mário Lago foi muitos. E muitas deverão ser as homenagens a esse carioca que dizia que a sua cidade é que era importante, não ele. Era viciado no Rio.

"O Rio é vício realmente, você é dependente dele.. É a beleza... As montanhas do Rio têm contorno de mulher, uma mulher deitada. O Rio de Janeiro é um orgasmo."

E a ela, à cidade do Rio de Janeiro, fez  Meu Rio, Meu Vício sua única parceria com Braguinha, música que, aliás, nunca foi gravada e será lançada somente esse ano.


É meu estado de alma permanente,
Meu vício, meu amor mais verdadeiro.
Por onde quer que eu ande
Sempre está presente
Rio de Janeiro.

Andei por outras terras, outros mares,
Vi o céu de outros lugares por aí.
Mas nada como o Rio de Janeiro,
É meu santo padroeiro...

Meu feitiço fico aqui. 




Quando completou 80 anos, em 1991, concedeu a entrevista abaixo.





Em 1948, Mário Lago escreveu seu primeiro livro " O povo escreve suas histórias na parede".

O projeto Mario Lago 100 anos disponibiliza esse livro. Clique no título e curta!





terça-feira, 1 de junho de 2010

Há 100 anos...


O amigo do RIO QUE MORA NO MAR, Gil Ferreira, nos lembra do centenário da sede social do Clube Naval, no Centro da cidade.

Hoje, em comemoração, será inaugurada iluminação da fachada, às 20 horas.

O Clube Naval foi fundado em 12 de abril de 1884 e sua sede social, dependência mais antiga do Clube, funcionou em diversos pontos no Centro do Rio de Janeiro, antes de ser instalada, definitivamente, no prédio da esquina da Avenida Rio Branco com Avenida Almirante Barroso.

No local, forma juntamente com o Theatro Municipal, o antigo Supremo Tribunal Federal - hoje Centro Cultural Justiça Federal - Museu Nacional de Belas Artes e Biblioteca Nacional, o principal núcleo cultural da cidade.

domingo, 25 de abril de 2010

Custodio Mesquita, 100 anos


Esse ano é um ano de muitos centenários na nossa MPB.
Nesse domingo de abril o carioca do bairro de Laranjeiras, Custódio Mesquita, completaria 100 anos.

Compositor de harmonias requintadas fizeram de Custódio Mesquita de Pinheiro um dos grandes nomes dos anos 30 e 40, quase sempre citado como o Tom Jobim de seu tempo. Pianista virtuoso, regente , foi o precursor da moderna música brasileira. Algumas de suas canções têm um clima vanguardista, para a época, antecipando arranjos que somente seriam vistos durante a bossa nova. Teve parceiros musicais notáveis como Mário Lago, Sadi Cabral, Noel Rosa, Paulo Roberto, Orestes Barbosa dentre outros e suas composições foram sucesso nas vozes de Orlando Silva, Aurora Miranda, Carmen Miranda, Mario Reis, Silvio Caldas e tantas outras belas vozes.


Custódio Mesquita entre Aurora e Carmen Miranda,
intérpretes de suas músicas, durante um cruzeiro à Buenos Aires.


Infelizmente Custódio Mesquita está praticamente esquecido. Nenhuma regravação, nenhum lançamento, nenhum show está aí para relembrar as suas melodias, nessa data.

As últimas releituras de suas canções já têm tempo. Em 1974, Gal Costa regravou Saia do caminho, e três anos depois Nana Caymmi e , também, Miúcha e Tom Jobim a regravaram. Maria Bethânia , em 1977, regravou o samba Promessa e em 1983, Cauby Peixoto regravou Mulher.

Pena.

Mas deixamos aqui pequena amostra. Vale clicar e ouvir.







terça-feira, 4 de agosto de 2009

Há 100 anos...

...no Rio de 1909, nascia Roberto Burle Marx.

Paulista de nascimento, viveu no Rio de Janeiro desde os 4 anos de idade e, por aqui, deixou sua assinatura em obras marcantes pela cidade, como o belo calçadão central da Avenida Atlântica.



Vale o registro, abaixo, do esboço de criação do paisagismo do Parque do Flamengo. Já genial no traço.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Rua Carmem Miranda na Ilha do Governador



Rua Carmen Miranda em 1936


Três dias após a morte de Carmen Miranda, o vereador do Rio, Geraldo Moreira, solicitou à Camara, através de requerimento, que fosse dado o seu nome à Travessa do Comércio, rua da hospedaria da família Miranda da Cunha - sua família - como justa homenagem da cidade àquela que " internacionalizou a música popular brasileira, contribuindo igualmente para o engrandecimento do nome do Brasil no exterior". Não houve concordância com o vereador, a proposta não foi concretizada e o nome de Carmen Miranda foi parar em uma rua no bairro do Jardim Guanabara, na Ilha do Governador.

Em 20 de setembro de 1960, um busto de Carmen Miranda trajando bata de baiana em babados e colares e com um turbante tutti-frutti, foi inaugurado no Largo da Carioca. No entanto, com a reforma do local na década de 70, o busto também foi transferido para a praça, na Rua Carmen Miranda.




Ah! Rua Carmen Miranda...

Pra ali me mudei aos 14 anos. Rua linda, cheia de verde. Uma ladeira íngrime e sinuosa, no final da Praia da Bica, ligando o Jardim Guanabara ao Cacuia.

Hoje, provavelmente não é mais assim, mas era uma rua só de casas e muitos terrenos vazios. Logo na subida tinha a casa da árvore. Sim, ela era dentro da casa. O projeto a incorporou, para aproveitar o terreno, e deu o toque diferente que marcava a construção. Aí a rua começava uma curva ascendente à direita e depois reta para cima e bem lá no final começava a descer.

Ufa! Como era difícil subí-la, a pé - e como fazíamos isso - na volta da praia com o sol a pino. No tempo em que não se bronzeava, mas sim se torrava com óleo Johnson e muito iodo - ou com o Rayto del Sol - pra ajudar. Tempos de uma Praia da Bica, como praia, e muitas conchinhas e cascalhos na sua areia. Tempos do encontro com as pessoas da turma, pra muita conversa fora.

No meio dessa subida íngrime ficava a pracinha, à esquerda, e lá estava o busto da Carmen Miranda, desdenhado pela cidade e orgulhosamente acolhido pela Ilha. Aliás, sempre enchi a boca para falar que morava na Rua Carmen Miranda. Minha casa era enorme, principalmente pra quem vinha de um apartamento.
Tinha caramanchão e até laguinho com chafariz no jardim.

Ah! Rua Carmen Miranda! Da iluminação em estilo de lampiões, que deixavam a rua romanticamente pouco iluminada - sem as preocupações atuais com segurança - e se via, sempre, um céu apinhado de estrelas, onde se procurava constelações. Do guarda noturno que passava à noite e apitava. Das corujas que vinham pousar, serenas, no parapeito do muro e ali ficavam com seus olhares enigmáticos. Do calçamento em paralelepípedos. Andávamos no meio da rua, sem muitos carros ou trânsito, pois faltavam calçadas. Só algumas, em frente às poucas casas que existiam.

Ah! Rua Carmen Miranda! Do lindo amanhecer, que via da janela, dourando o céu e animando o nascer do dia, que começava cedo, ainda de noite, pra pegar o ônibus e dar tempo de chegar na hora, no colégio ou depois na faculdade, apesar do engarrafamento da Avenida Brasil.

Ah! Rua Carmen Miranda! Da fauna curiosa de lagartos e gambás, que atrevidos insistiam em atravessar a rua, durante sua caminhada, ou até invadir a casa , pra sustos e arrepios.

Ah! Rua Carmen Miranda! Do cheiro de mato, dos flamboyants vermelhos e alaranjados, das normas apinhadas de suas flores rosas e do capim alto - e até bonito - que embalançava ao vento!

Ah! Rua Carmen Miranda! Das casas em estilo alemão, ou das varandinhas antigas, e das escadas pelos terrenos inclinados da topografia local; dos atalhos pela Rua Conquista ou pela Rua Porto Seguro, para cortar caminho. Do padeiro que passava pela porta, e sua cesta de pães e pães-doces.

Ah! Rua Carmen Miranda... de tantas recordações e saudades!
Nunca mais passei por lá, desde 1974, quando me mudei. Sei que deve estar tudo muito diferente, mas gosto de guardar as imagens desse tempo. Desses sete anos mágicos que por lá vivi.

Hoje Carmen Miranda faria 100 anos e minha homenagem a ela fica por conta de um tempo maravilhoso que vivi na rua com seu nome, com o mesmo astral animado dela, e com sua bênção, tenho certeza.

VIVA CARMEN MIRANDA!

***********


CLIQUE NO TITULO DO BLOG E VEJA OS POSTS ATUAIS

Carmen Miranda _1

Disseram que ela se americanizou,

mas nada tão verde e amarelo

quanto sua imagem, sua presença, seu talento,

que nos inspira a cada momento.

Duas aquarelas que pintei, em sua homenagem.

VIVA O CENTENÁRIO DE CARMEN MIRANDA!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Roberto Martins


O rei desconhecido do sincopado
Portal do Luis Nassif - http://colunistas.ig.com.br/luisnassif


" No panorama musical carioca, dos anos 30 e 40, há dois grupos de músicas, irmãs de sangue, englobadas em dois gêneros pouco estudados como tal, mas fundamentais na formação da música brasileira do período: o samba sincopado e o samba choro.
Um de nossos sambas sincopados favoritos é “Beija-me” (”beija-me / quero seu rosto coladinho ao meu”). É talvez o maior clássico do gênero samba sincopado, que teve em Ciro Monteiro, Dilermando Pinheiro, Vassourinha e Joel e Gaúcho seus intérpretes mais expressivos.
O sincopado foi construído por autores extraordinários, como Geraldo Pereira, Wilson Batista, Janet de Almeida. Um dos autores centrais, mais conhecido pelas composições do que pelo nome, foi Roberto Martins, autor de “Beija-me”. E quem me faz relembrar desse clássico é meu conhecido Eduardo Martins, de Ribeirão Preto.

Roberto Martins nasceu no Rio de Janeiro no dia 29 de janeiro de 1909. Morreu em 14 de março de 1992. Morou na Tijuca e em São Cristóvão. Cedo ficou órfão de pai, o português José Francisco Martins. A mãe Isaura Maria Machado Martins o educou para a vida e para a música. É de 1929 seu primeiro samba, “Justiça”. E de 1933 suas primeiras gravações –”Regenerado” e “Segredo”, gravados por um certo Leonel Faria.
É curioso o pouco conhecimento sobre a dimensão de Roberto Martins na música brasileira. No sincopado, suas composições estão à altura dos maiores. O sucesso começou em 1936 quando, com Valdemar Silva, compôs, “Favela” –um clássico interpretado por Francisco Alves. E não parou mais. Como me lembro, na infância, ouvindo aquela música, que me foi ensinado pelo meu tio Leo, um carioca da gema. Eu andava pelos cantos cantando, repetindo obsessivamente –”favela, oi, favela / favela que trago no meu coração”– como a Beatriz, com seus quatro anos, faz com seus CDs de estimação. “Favela” foi das primeiras músicas brasileiras gravadas internacionalmente.
No carnaval de 1939, em parceria com Nássara, compôs “Meu Consolo é Você”, gravado por Orlando Silva. No ano seguinte, “Cai Cai” (”cai, cai, cai, cai / eu não vou te segurar”), gravada pelos embaladíssimos Joel e Gaúcho.
A esta altura, consagrado como compositor, Roberto Martins largou sua carreira na polícia e virou ritmista da orquestra de Simon Boutman, uma das mais famosas dos anos 30. Em 1943, compôs o “Beija-me”, em parceria com Mário Rossi. A música foi gravada por Ciro Monteiro e se tornou um dos clássicos do samba sincopado. Junto com Rossi, Martins comporia outro clássico do samba-choro, o “212″ (”lá na rua onde eu moro / no 212 / mora a mulher que eu adoro / que quando eu passo faz pose”).
Foi um tremendo autor de marchas carnavalescas, à altura de um Braguinha ou um Lamartine Babo. Além do “Cai Cai”, em 1945 compôs o “Cordão dos Puxa Sacos”, em parceria com Eratóstenes Frazão, gravada pelos Anjos do Inferno. Ainda com Frazão, em 1947 compôs “A Marcha do Gafanhoto” (”gafanhoto deu na minha horta / comeu, comeu, toda a minha plantação”) gravado por Albertinho Fortuna e, nos anos 80, por Nara Leão. Com Ari Monteiro compôs o “Cadê Zazá?”, de 1948, gravado por Carlos Galhardo.
Foi também autor de valsas célebres, como “Dá-me tuas mãos”, em parceria com Mário Lago, gravada por Orlando Silva.
Em 1949 lançou o “Pedreiro Valdemar” (”que não tem onde morar”), em parceria com Wilson Batista, outro clássico, gravado por Blecaute, nascido ali em Santo Antonio de Pinhal, que se tornou uma das figuras clássicas do carnaval carioca, e que faleceu há exatos vinte anos. No samba de carnaval também foi autor de composições brilhantes como “Meu Consolo é Você” (”meu consolo é você / meu grande amor / eu explico porque”), em parceria com Nássara.
Quando leio essa produção acadêmica sobre a bossa nova, sustentando que a música brasileira anterior era composta só de dramalhões, coloco no aparelho as músicas de Roberto Martins e me dá uma pena desses pesquisadores…"

Ouça
Beija-me

Infelizmente, mais um centenário quase esquecido.
Lembrado por muito poucos.

Ah...MEMÓRIA BRASILEIRA!