domingo, 20 de setembro de 2009

Outros tempos de escolas

A PNAD 2008 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) nos dá conta que o brasileiro passa, em média, somente 7,1 anos na escola e que lê 4,7 livros por ano.

Hoje, infelizmente, a educação convive com o pouco investimento, a precariedade e falta de infra-estrutura.

Esses tempos nos trazem outros de escolas amorosas, que nos davam o prazer de estudar.

Assim, ontem, mais uma vez, em post, relembrei, meus bons tempos de feliz camaradagem, no Ginásio São Marcos.

Nessa semana que passou, no blog Coisa de Naval , o amigo do RIO QUE MORA NO MAR Gil Ferreira , escreveu lindamente dessa escola de outros tempos e a mesma tônica se repetiu, quando a amiga e parceira de trabalho Alda Rosa, me falou da comemoração do cinquentenário de sua formatura de ginásio, no Colégio Estadual Professor Clóvis Monteiro, e disse " para nós, que ali estudamos, foi um templo do saber."


O Colégio Estadual Professor Clóvis Monteiro funciona até hoje na Av. Democráticos, 271, em Higienópolis. E vale saborear um pouco de sua história através das palavras da Alda:


"Era um colégio público em que os professores não faltavam à toa, tudo funcionava a contento. Havia refeitório, lanche, aula de educação física e mestres maravilhosos. E uma modernidade arquitetônica: não tinha escadas, tinha rampas.
D. Maria Inês era uma verdadeira rainha, no porte e na linha dura. Professora de português sisuda, mas de uma cultura incrível, que ela passava como quem não quer nada, para aqueles adolescentes suburbanos de classe média baixa, mas de mente aberta para o novo. Foi assim que entramos no mundo de Eça de Queiroz, Alexandre Herculano, José de Alencar, Machado de Assis e muitos outros.
Nosso livro de cabeceira (ops), de carteira, era o Roteiro Literário do Brasil e Portugal, de Álvaro Lins e Aurélio Buarque de Holanda.
E ela cuidava de jogar em cima da gente, de vez em quando, coisas sofisticadas, quando nos fez encenar uma história de Hans Christian Andersen – “A Sereiazinha”, com música de Debussy –L’aprés-midi d’un Faune” e bonecos confeccionados em papier machê, pelos alunos. A gente ficava uma arara, com ela, por exigir tanto, mas no fim do curso foi a escolhida como paraninfa da turma.
Professor Abelardo emocionava-se quando alguém lia de maneira impecável uma passagem de sua disciplina, História, premiando o leitor com uma nota 10.
Padre Félix era o mestre de Latim e, entre outros ablativos, nos fez conhecer as maravilhosas fábulas de Fedro, a versão romana de “Esopo”.
Havia ainda o Astrogildo, de Ciências; D. Zuleide, de Geografia, D. Maria José Limoges, de Inglês (num final de ano ela me deu um livro com peças de Shakespeare); professor Jair, de Matemática; professor Oswaldo, de Francês, que colocava “La Vie en Rose” pra gente ouvir. E muitos outros tão bons quanto estes citados.

Alunas e Prof. Astrogildo - 1959


O Clovis Monteiro tinha ainda um terreno enorme, cheio de árvores, algum capim, ar fresco circulando e uns flamboyants escandalosamente lindos. Era um colégio ecologicamente correto e a gente não sabia.
Por tudo isso, nossa turma do ginásio, que se formou em 1959, foi privilegiada. Dela saíram professores, jornalista, designers, advogados (defensores públicos), publicitário, escritor, sociólogo, empresários e até um capitão de mar-e-guerra, entre outras profissões dignas.

Naquele tempo, no Clóvis Monteiro, a escola era risonha e franca! "

Missa de Formatura - Turma de 1959

Em tempo, fica um recado de Alda Rosa:
sábado próximo, muitos dessa turma saudosa se reúnem, mas falta encontrar Eunice Corrêa Santos, Maria Luiza Azevedo e Vera Lúcia Bittencourt. Quem souber notícias...
Contatos :
aldarosa1@oi.com.br

3 comentários:

  1. Elizabeth, veja só como este mundo é pequeno! A foto acima retrata alunas e professores, um dos quais, o meio calvo e com bigodes,parece-me o pai de um amigo de infância : o Prof. Emmanuel Azevedo Martins, de História Natural, ou Ciências, infelizmente já falecido.
    Abraço fraterno.
    PS : pensei que com a entrada da primavera seríamos brindados com as cores sutis de tua aquarela...

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  2. Manoel Carlos,
    Estou com scanner parado e não dá pra copiar nenhuma.
    Fico devendo a aquarela.

    Abs,
    Elizabeth

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  3. Paulo Augusto Vasconcellos22 de dezembro de 2010 12:55

    Também estudei no Clóvis Monteiro, inicialmente um Ginásio Municipal. Entrei em 1954 e saí em 1957, para o Marista São José, porque nos mudamos para a Tijuca.
    Alguns dos professores citados também me deram aulas, mas havia ainda o Professor Manhães de Educação Física, a professora Irma Bahia de Geografia e sua irmã Maria Clara de Matemática, o Eitel de Desenho, além das Profas. Alfredina, de Trabalhos Manuais, Ester, de Canto Orfeônico e Hilda, de Inglês.
    O Prof. Emmanuel Martins foi quem, aos 12 anos, nos ensinou que as glândulas reprodutoras não eram as supra-renais, como imaginávamos, por afinidade entre as partes envolvidas.
    Hoje (22/12/2010), aos 68 anos, sou Almirante da Reserva. O único colega de turma que encontrei, durante todos esses anos é o Dr. Temilton Feydit Jorge, dentista na Tijuca, que naquele tempo declamava os longos poemas de Castro Alves (Vozes d'África, no nosso Ginásio, em ocasiões especiais.
    Lembro-me ainda dos Inspetores Sr. Joaquim e Da. Ruth e da Diretora linha duríssima Da. Olga Dias.
    Tive duas vizinhas que talvez façam parte dessa turma de 1959: Ivone de Toledo Piza e sua prima Elza Maria de Toledo Motta, que também nunca mais vi.

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