quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Pelos bares do Rio de Janeiro...

... vemos a arte de Nilton Bravo.


Nos anos 50 e 60, foi o artista plástico mais presente no dia-a-dia do carioca.
Em cada botequim da esquina, tinha a arte de seus painéis coloridos, retratando imagens da cidade.


Nilton foi chamado pelo escritor Carlos Heitor Cony, de o Michelangelo dos botequins.
Seus murais nos bares são como o ovo cor-de-rosa ou a serragem próxima do balcão. Ítens da maior carioquice.

Na família Bravo, o talento veio de longe. Em 1885, Manoel Pinto Bravo, avô de Nilton, já se dedicava à pintura de painéis em restaurantes cariocas. A herança foi repassada para Lino Pinto Bravo, pai de Nilton, que foi o grande responsável pelo início de sua carreira.

Aos 13 anos, Nilton já ajudava o pai na pintura de murais e painéis em residências, igrejas e bares. Aliás, pai e filho, conta-se " trabalhavam ao mesmo tempo em uma curiosa parceria: o pai (que era canhoto) começava a pintura de um lado, o filho (destro) do outro e, geralmente, terminavam a obra juntos."


Depois disso, Nilton passou grande parte de sua vida pintando as paredes de bares do Rio de Janeiro. É um dos pintores mais vistos do país e suas obras estão espalhadas pelo mundo todo. Um curta-metragem sobre sua trajetória artística, produzido por Luiz Alphonsus, é exibido com freqüência no Museum of Modern Art, o MOMA, de Nova York.

Conhecido como a embaixada carioca em São Paulo, o bar Pirajá homenageia o Rio de Janeiro, exibindo com orgulho em uma de suas paredes, um mural assinado pelo mestre Nilton Bravo.
Nilton Bravo também participou na elaboração dos painéis no carnaval da escola de samba União da Ilha, de 1991, que desfilou com o excelente enredo De Bar em Bar, Didi, Um Poeta.

Alguns de seus painéis, como o da Praça da Harmonia, na Gamboa, foram tombados pela prefeitura, mas infelizmente muita coisa foi perdida do singular trabalho deste artista, por falta de preservação dos proprietários de botequins.
O carioca Nilton Pinto Bravo nasceu no dia 3 de março de 1937 e aqui morreu, há 4 anos atrás, praticamente esquecido, em setembro de 2005 (no dia 27).

3 comentários:

  1. História linda de vida, meu pai era um grande artista,abençoado por Deus com seu dom e alegria de viver e contar histórias.

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  3. Tenho algumas obras do Nilton, herança de minha mãe, quando ele expunha suas obras no Tribunal de Alçada.

    ResponderExcluir

Comente! Seja bem-vindo!